terça-feira, 11 de agosto de 2009

PV quer atrair aliados de Serra e Dilma se Marina Silva se candidatar à Presidência

Se a senadora Marina Silva (PT-AC) sair do seu partido para disputar a Presidência da República pelo PV os aliados preferenciais virão da base que sustenta os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador paulista, José Serra.

Em entrevista ao UOL Notícias, o presidente nacional do PV, vereador José Luiz de França Penna, afirmou que PDT, PSB e PPS, "hoje de alguma forma já próximos", estão entre os partidos favoritos para fortalecer a base de uma eventual candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente ao Palácio do Planalto.

Hoje eles orbitam em torno das pré-candidaturas da petista Dilma Rousseff, atual ministra-chefe da Casa Civil, e do tucano Serra, favorito do PSDB para a sucessão, à frente do governador mineiro, Aécio Neves, nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2010.

"Esses partidos são próximos de Lula e Serra porque construíram alianças para fazer esses governos assumirem. O futuro nós poderemos construir de maneiras diferente", afirmou Penna, que citou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) como um "importante interlocutor no atual momento por conta de sua histórica contribuição com a educação".

O presidente do PV avalia que a eventual candidatura de Marina não teria dificuldade para se posicionar diante do eleitorado por ter feito parte do governo Lula, que deve Dilma como sua candidata à sucessão. Discordâncias com a ministra na área ambiental são citadas por pessoas próximas a Marina como principal motivo para sua saída da administração petista.

Em suas conversas com a senadora ficou claro que ela não está preocupada em se reeleger para o Senado, disse Pena. "Ela está raciocinando no parâmetro dessa decisão do projeto para o país. É o pós-Lula. Ela tem 15 anos de senado, foi ministra, tem muita tarimba. Acho que temos condições de disputar, de ganhar", afirmou.


Divergências com Dilma
"Depois de um certo aprofundamento das divergências com alguns setores do governo, resolvemos convidá-la para participar do partido. E aí surgiu no meio dessa conversa a possibilidade de ela ser candidata à Presidência da República", afirmou o vereador, que integra a base de sustentação da gestão de Gilberto Kassab (DEM) na Prefeitura de São Paulo.

" presença de Marina é uma constante quando discutimos um Brasil sustentável. Na eleição de 2010 estava tudo muito pragmático, tendendo para situação plebiscitária, não havia discussão sobre o país. Conseguimos forçar uma discussão de mérito e de conteúdo de todos os outros candidatos que estarão na disputa", disse.

Nesta segunda-feira, Marina esteve em Salvador para conversar com o governador da Bahia, Jaques Wagner, sobre sua possível saída do partido. Ela passou o fim de semana conversando com outras lideranças petistas do seu Estado, como o governador Binho Marques, e ainda não se pronunciou sobre se deixará o PT.

O presidente do PV afirmou que sua amizade com Marina é antiga e se transformou recentemente em convite para integrar o partido em meio à revisão programática da sigla. "Há elementos novos na luta pelo meio ambiente que precisam estar de maneira clara no programa e achamos que é esse o momento", comentou. Ele negou que a senadora petista também assumiria a presidência do partido se optar pela troca.

Penna disse também que mesmo sem ter experiência em governos estaduais, o PV tem capilaridade que não desautoriza o partido a ter candidatura à sucessão de Lula. "Quando o PT surgiu, Lula também não tinha um grande leque de alianças. Fernando Collor não tinha e chegou", comparou. "Queremos um grande leque de alianças e caso a gente chegue a isso poderemos acabar com essa confusão de tantos social-democratas adversários no Brasil", disse.

UOL

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