segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Rafael Correa começa 2º mandato com popularidade em baixa

QUITO - O presidente do Equador, Rafael Correa, toma posse para seu segundo mandato nesta segunda-feira, 10, em Quito, em meio a acusações de corrupção e com popularidade em baixa. Correa promete agora aprofundar sua "revolução socialista", que inclui uma maior participação do Estado na economia, renegociação de contratos com empresas estrangeiras e programas assistencialistas às classes mais baixas.

Veja também:

especialEspecial: Reeleição, prática comum na América Latina

O discurso nacionalista aliado a um carisma, principalmente junto aos pobres, deram a Correa uma popularidade recorde durante seu primeiro mandato, chegando a ter 70% de aprovação. Essa segunda fase, porém, começa mais complicada. A denúncia de que seu irmão foi favorecido em contratos com o Estado fizeram a popularidade de Correa cair para 40%.

Além disso, o governo encontra dificuldades para ter acesso a financiamento externo, não apenas em função da crise internacional, mas também como reflexo da desconfiança de investidores, que temem o calote equatoriano.

O cientista político Simon Pachano, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), em Quito, diz que o governo Correa tem realizado reformas "positivas" em áreas como educação e saúde, mas que em diversos outros aspectos "deixa a desejar". "Temos um presidente que não é exatamente um defensor dos princípios democráticos. Suas posições são radicais e não se admitem opositores", diz Pachano.

Entre os equatorianos, não há meio-termo nas opiniões sobre Correa: "Ele é amado ou odiado. E esse clima confrontacionista, ruim para o debate, é estimulado pelo próprio presidente", diz o cientista político.

Anti-americanismo

Assim como seu colega, Hugo Chávez, da Venezuela, Rafael Correa também adota um forte discurso anti-americano em sua política externa - apesar de ele ter vivido e estudado nos Estados Unidos, onde obteve doutorado em Economia. Mas não são apenas as multinacionais americanas que estão na mira do governo equatoriano. Correa já anunciou que estuda uma reforma legal que permita expulsar do país as petrolíferas que questionem o governo na Justiça.

Uma das principais bandeiras do presidente equatoriano tem sido a luta ao que chama de "abusos" e "injustiças" nos contratos com empresas estrangeiras. No ano passado, Correa criou uma crise diplomática com o Brasil ao suspender o pagamento de um empréstimo feito pelo BNDES, no valor de US$ 243 milhões, em função de "irregularidades no contrato".

Para o cientista político Pachano, a política externa de Correa é um dos "pontos fracos" de seu governo. "O resultado desses discursos radicais é apenas o isolamento do país", diz Pachano. O segundo mandato de Correa, no entanto, marca um momento de estabilidade em um país que teve seis presidentes nos últimos dez anos.

Estadão

Nenhum comentário: