quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Senador Ted Kennedy morre de câncer aos 77 anos

MASSACHUSETTS - O senador Edward M. Kennedy, o último sobrevivente dos irmãos da dinastia política e um dos mais influentes democratas da história americana, morreu aos 77 anos na noite de terça-feira, 25, em sua casa depois de uma luta de longos anos contra o câncer cerebral.

Em cerca de 50 anos no Senado, Ted serviu 10 presidentes, incluindo seu irmão John Fitzgerald Kennedy, assassinado em 1963, e do senador Robert Kennedy, morto por um tiro enquanto disputava a nomeação para a presidência na eleição de 1968. Em sua carreira política de quase meio século, Ted Kennedy foi uma voz dominante nas discussões sobre saúde pública, direitos civis, guerra e paz, entre outros assuntos. Para o público dos EUA, porém, ele ficou mais conhecido como o último sobrevivente de uma família de políticos progressistas.

"Edward M. Kennedy, o marido, pai, avô, irmão e tio que nós amávamos tão profundamente, morreu tarde da noite na terça-feira, em casa, em Hyannis Port (Massachusetts)", informou a família Kennedy em comunicado nesta quarta-feira. Um dos senadores mais influentes e há mais tempo no Congresso na história dos EUA - um porta-bandeira liberal que também era conhecido como um negociador político perfeito - Kennedy lutava contra um câncer no cérebro, que foi diagnosticado em maio de 2008.

Sua morte marca o crepúsculo de uma dinastia política e representa um baque para os democratas, que tentam responder ao pedido do presidente Barack Obama por uma grande reforma no sistema de saúde dos EUA. Kennedy era um dos principais defensores da reforma da saúde, uma das marcas do governo Obama. O presidente disse nesta quarta-feira que estava de coração partido com a notícia da morte de Kennedy, que foi fundamental para sua vitoriosa campanha presidencial.

"Eu estimava seu conselho sábio no Senado, onde, independente do turbilhão de eventos, ele sempre tinha tempo para um novo colega. Eu lembro de seu apoio e confiança em minha disputa presidencial. E mesmo enquanto ele lidava com uma doença mortal, eu tirei proveito como presidente de sua sabedoria e coragem", disse Obama, que foi eleito em novembro do ano passado e tomou posso em janeiro.

Como outros membros da família Kennedy, a vida do senador Ted Kennedy também foi marcada por glórias e tragédias. Para analistas, ele sintetizou a mistura de virtudes e vícios políticos que definiram a mais proeminente dinastia política dos Estados Unidos. O assassinato de seus dois irmãos John e Robert Kennedy - o primeiro em 1963, dois anos após assumir a presidência dos Estados Unidos, e o segundo em 1968, quando disputava a nomeação do partido Democrata - colocou sobre os ombros do caçula Edward a expectativa de um dia chegar ao posto mais alto da nação. Expectativas que ele nunca chegou a cumprir, suas ambições políticas reduzidas pelo escândalo da morte de uma ex-secretária em um acidente com o carro que ele dirigia em 1969.

Dos nove descendentes de Joseph e Rose Kennedy, está viva apenas uma filha, Jean Kennedy Smith, que foi embaixadora na Irlanda sob a Presidência de Bill Clinton. Há duas semanas, em 12 de agosto, morreu outra das irmãs, Eunice Kennedy Shriver.

O senador recebeu o diagnóstico de câncer cerebral em maio do ano passado, do qual foi operado, mas não foi possível retirar o tumor totalmente. No entanto, o filho de Ted Kennedy, o congressista Patrick Kennedy, havia reconhecido recentemente que o senador superou as expectativas dadas pelos médicos.

Apesar da delicada situação, Edward Kennedy fez uma surpreendente aparição na Convenção do Partido Democrata em Denver, há um ano, aonde foi apoiar a então candidatura presidencial de Barack Obama. Com um discurso emocionado, lúcido e brilhante, Kennedy prometeu naquela ocasião estar presente quando Obama tomasse posse na Casa Branca, e assim fez, participando dos atos de posse, onde sofreu um ligeiro desmaio. Depois, Ted Kennedy foi à Casa Branca em abril, quando Barack Obama assinou uma lei com o nome do senador, um ferrenho defensor da igualdade.

Repercussão

A presidente da Câmara de Representantes (Câmara Baixa), a democrata Nancy Pelosi, disse que "Kennedy conseguiu, com sua capacidade de homem de estado e suas proezas políticas, melhorar as oportunidades de cada americano".

Nancy Reagan, esposa do falecido ex-presidente republicano Ronald Reagan, lamentou também a morte de Kennedy, a quem considerava, apesar das fortes divergências políticas, um amigo. "Devido a nossas diferenças políticas, as pessoas se surpreendem quanto Ronnie e eu estivemos próximos da família Kennedy", disse, em comunicado.

O governador da Califórnia, o republicano Arnold Schwarzenegger - casado com a sobrinha do senador Edward Kennedy, Maria Shriver -, mostrou também sua tristeza com a morte do veterano político, que disse ser um "ícone político" e "a rocha de nossa família".

Com a notícia da morte de Ted Kennedy, o ex-presidente George Bush pai reconheceu que, "embora durante muitos anos não concordássemos em muitos temas políticos, sempre respeitei sua inalterável vocação de serviço público".

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, assegurou que "graças a Ted Kennedy, mais crianças podem estar saudáveis no país, mais jovens podem estudar, e mais idosos e pobres podem ter o que precisam para viver mais e melhor". "Mais minorias, mulheres e imigrantes, podem aproveitar os direitos prometidos por nossas cartas de fundação. Mais americanos podem ficar orgulhosos de seu país", assegurou o senador em comunicado. "O rugido do 'leão liberal' pode agora calar para sempre, mas seus sonhos e ideais nunca morrerão", acrescentou Reid.


Estadão

Um comentário:

Cachorro Louco disse...

Stenio:Ted Kennedy vai fazer falta não apenas para a América ,bem como para o mundo,por ser um exemplo de político que,apesar de problemas pessoais ,sempre pautou sua carreira como um defensor da verdaeira democracia ,defendendo minorias e reinvindicndo atitudes serias de seus colegas de senado.
Nos precisávamos de uma dúzia de Teds por aqui para endireitar este país que está sendo arrastado para um abismo sem que haja uma única voz de oposição tentando lutar contra os comunistas .Abraços