domingo, 16 de agosto de 2009

Verdes: Esquerda ou Direita

Crédito: Emir Sader

A questão ecológica aparece na política no bojo da crise da centralidade da questão do trabalho, que deixava de ser assumida como a grande contradição, de cuja resolução dependeriam as outras e a própria emancipação humana. Vinha junto com a questão feminina, a questão negra, a questão indígena, entre outras, projetando novos sujeitos políticos. Quando novos personagens entraram em cena — o clássico livro de Eder Sader aponta para essa multiplicidade dos sujeitos políticos anticapitalistas.

Foi como ampliador das lutas anticapitalistas que o tema ecológico surgiu. Condenava-se o caráter predatório do reino do capital, que degrada a natureza, não coloca limites para a mercantilizacão do mundo e a busca desenfreada de expansão pela incorporação ilimitada de novas esferas ao mercado e de territórios para a exploração pelo capital.

Três expressões políticas representavam a aparição explosiva da questão ecológica na política: Cohn-Bendit, Gabeira e o Partido Verde alemão. Representavam a tentativa de dar autonomia ao tema ecológico mediante partidos específicos, no lugar de ser parte de partidos de esquerda — comunistas, social-democratas ou socialistas —, ampliando-lhes as plataformas. Não foi o caminho do feminismo, do movimento negro ou dos povos indígenas, que se mantiveram como movimentos sociais autônomos, relacionando-se, não sem tensões, com os partidos de esquerda.

Os partidos verdes foram se distanciando do campo da esquerda e do anticapitalismo, tendendo para o centro e para alianças com a direita. Cohn-Bendit expressa uma carreira pessoal, errática, em que o Partido Verde alemão, chegando ao governo em aliança com a social-democracia, teve no seu ministro de Relações Exteriores, Joschka Fischer, o melhor exemplo. Teve o desempenho de qualquer ministro de qualquer partido, tornando-se fervoroso defensor das “guerras humanitárias” do bloco imperialista. Cohn-Bendit incorporara-se ao bloco de direita na França e no Brasil. Gabeira se tornou apoiador dos processos de privatização de FHC — alegando a “modernização” — e seguindo o álibi da critica à esquerda tradicional.

Esse, componente de todos eles, mas não apenas deles, como pretexto para se distanciarem da esquerda: da crítica do “socialismo realmente existente”, por stalinismo, falta de democracia, etc., à crítica ao socialismo — ao Lênin e finalmente ao Marx, onde estariam os fundamentos do “totalitarismo”. Foi o caminho envergonhado para aderir ao capitalismo, pela via da “democracia liberal”, mal menor ou ancoradouro inevitável da “democracia”.

Enquanto isso, outros setores, que igualmente se distanciaram dos partidos de esquerda pelo lado dos movimentos sociais, tenderam para o fundamentalismo ecológico, com apologia do naturalismo pré-marxista. Esses se aliam a setores dos movimentos indígenas, com visões de contraposição à política e a projetos de desenvolvimento – com razão ou não.

No seu conjunto, instalou-se uma crise de identidade do movimento ecológico, que colocou em questão sua natureza: movimento anticapitalista? Vertente da esquerda? Força autônoma? Partido “terceirista” diante da polarizaçao esquerda/direita, como referência ideológica “pós-moderna”? Aliado do campo conservador contra a esquerda? Cohn-Bendit, Gabeira e os verdes alemães podem ter sucesso político, mas enterrando a plataforma ecológica como componente do programa de uma esquerda anticapitalista.

*Emir Sader é Sociólogo


Eles não valem o pasto que devoram. Eles não valem uma laranja podre. Eles não valem a lama que escorre das suas mãos encharcadas de corrupção. Hoje, Emir Sader, aquele que perdeu o emprego público e pegou um ano de cadeia por chamar o ex-senador Jorge Bornhausen de "nazista", escreve artigo no Correio Braziliense, onde sugere que Marina Silva(PT-AC) representa a direita. Êba, quer dizer que eu devo votar na Marina e o meu vizinho ecochato de esquerda não?

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