sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Foro de São Paulo - Capítulo 1 - A Internacional Rebelde no Brasil


A Internacional Rebelde no Brasil
Com a derrubada do Muro de Berlim (1989), as esquerdas em todo o mundo se preocuparam com o futuro do movimento comunista, passando a buscar alternativas e a tomar medidas para a criação de suportes internacionais que lhes dessem sobrevivência.
Fidel Castro tomou a frente, pretendendo reconstruir uma “II Internacional” nas Américas e reunir os partidos e organizações marxistas-leninistas revolucionárias numa entidade supranacional.
O Partido dos Trabalhadores (PT), embora não fosse alinhado com a Internacional Comunista soviética que desaparecera, também sentiu a necessidade de repensar e de fortalecer suas posições no contexto do socialismo mundial em acomodação. Na ocasião, a proposta de Fidel Castro para realizar um encontro das organizações revolucionárias da América Latina foi a oportunidade bem aceita por Luiz Inácio Lula da Silva. Assim veio a se fundar o denominado FORO DE SÃO PAULO (FSP).
Dez anos depois, nova e mais ampla oportunidade se apresentou ao Partido dos Trabalhadores, quando se juntou às atividades da autodenominada “Internacional Rebelde”, recém fundada na França ( 1999). Com isto, o PT ampliou a sua iniciativa, com maior participação internacional, patrocinando em Porto Alegre outro empreendimento ao qual se denominou FORUM SOCIAL MUNDIAL (FSM).
ESTRATÉGIA DO FORO DE SÃO PAULO: RECUPERAR, PARA O COMUNISMO, NA AMÉRICA LATINA, TUDO O QUE FOI PERDIDO, NO LESTE EUROPEU, APÓS QUEDA DO MURO DE BERLIM, EM 1989.

FORO DE SÃO PAULO
O Foro de São Paulo (FSP) é uma congregação de partidos, organizações e movimentos de esquerda, predominantemente marxista-leninistas revolucionários da América Latina, criada em 1990, com patrocínio do Partido Comunista Cubano e do Partido dos Trabalhadores. Alegadamente teria sido uma iniciativa geral das entidades participantes com a finalidade de debater o socialismo após o colapso da União Soviética e discutir uma “alternativa popular e democrática ao neoliberalismo”. A idéia da fundação surgiu de uma reunião havida em Havana, convocada por Luiz Inácio Lula da Silva, a pedido do Partido Comunista Cubano e por sugestão de Fidel Castro, a que compareceram representantes de várias organizações de esquerda do Continente.
A lista dos membros do Comitê Coordenador e dos integrantes do Foro, dão uma idéia da sua heterogênea composição mas deixa claro o traço comum marxista-leninista e revolucionário de quase todos .(ver quadro na pág 3).
Como já foi dito, a primeira reunião da entidade se deu em São Paulo, em julho de 1990, com a denominação de Encontro de Partidos e Organizações de Esquerda da América Latina e Caribe,convocada pelo PT. Reuniu cerca de 48 organizações de diversos países e de variada orientação político- ideológica.
A denominação Foro de São Paulo ficou estabelecida na segunda reunião, ocorrida no ano seguinte ( 1991) na Cidade do México. “Encontro” passou a designar as reuniões do Foro que, praticamente, ocorrem anualmente, desde a sua fundação:
I Encontro -------- São Paulo--------------------1990
II Encontro ------- Cidade do México--------------1991
III Encontro ------ Manágua- Nicarágua----------1992
IV Encontro----------- Havana ------------------- 1993
V Encontro -------- Montevidéu------------------ 1995
VI Encontro---------El Salvador------------------ 1996
VII Encontro--------Porto Alegre----------------- 1997
VIII Encontro-----Cidade do México------------- 1998
IX Encontro-------Manágua- Nicarágua----------2000
X Encontro--------Havana-----------------------2001
Seminário-----Manágua- Nicarágua-------------2004
Do X Encontro, participaram 513 delegados e observadores de 82 países, 73 partidos membros da América Latina e 138 outros partidos revolucionários da Europa e África.
Nos encontros, de um modo geral, têm sido elaboradas resoluções e recomendações que reafirmam os objetivos socialistas e anti-imperialistas comuns, bem como declarações que defendem a soberania de Cuba e o regime comunista de Fidel Castro.
O Foro de São Paulo pretende fazer a II Internacional, retomando a caminhada do Socialismo mundial a partir da América Latina.Apresenta-se como a natural continuação da Organização Latino-Americana de Solidariedade ( OLAS), criada em 1967 em Havana por sugestão e participação de Salvador Alende, que viria ser o presidente revolucionário do Chile em 1970. Possivelmente,o objetivo mais imediato seja reverter o isolamento de Cuba no Continente e no mundo.
É interessante notar que o Foro de São Paulo reúne partidos e organizações político-ideológicas. O Fórum Social Mundial, diferentemente, congrega principalmente organizações
não-governamentais (ONG) que desempenham o papel de “organizações privadas de hegemonia” dos diversos movimentos anarco-comunistas, socialistas revolucionários, comunistas não-leninistas e outros de definição ideológica não muito clara.Desta maneira, os dois empreendimentos se completam: o primeiro, o FSP, sucede a Organização Latino-Americana de Solidariedade; o segundo, o FSM, repete a I Internacional, tentando coordenar as esquerdas heterogêneas da Movimento Comunista Internacional.
Ao assumir o co-patrocínio do Foro de São Paulo, junto com o Partido Comunista Cubano, e ao participar da iniciativa de reunir o Foro Social Mundial, o Partido dos Trabalhadores aprofundou a sua ambigüidade ideológica. A feição nasserista do seu socialismo não-marxista original, indefinido entre revolucionário e reformista, foi complicada pelas afirmações de duas tendências internas. A primeira, a dos marxistas- leninistas revolucionários, os “organizados”, antigos grupos terroristas ( trotskistas e foquistas) que se juntaram ao PT após a Anistia de 1979.É mais entusiasmada pelo FSP. A segunda, a do grupo do clero marxista integrante da “articulação”, fração interna que abrande os fundadores do Partido. São pessoas que se inclinam mais para o FSM .
O patrocínio e ativa presença do PT nos dois conclaves inserem o Partido dos Trabalhadores no conjunto das esquerdas internacionalistas, aproximando-o de organizações e movimentos revolucionários e à perspectiva de inserção no Movimento Comunista Internacional.
A opção internacionalista do PT, concretizada a partir de 1990, também se manifesta em dois outros acontecimentos, relacionados com a social-democracia, tornando mais complicada a compreensão da sua linha ideológica:
- Presença de Luiz Inácio Lula da Silva e de outros membros do PT na reunião do Diálogo Interamericano fabianista, levados por Fernando Henrique Cardoso(1992).
- Admissão do Partido dos Trabalhadores como “membro observador” da Internacional Socialista ( 2003).
No plano nacional, o Partido e Lula ainda mantêm uma prática aparentemente social-democrática que camufla a sua práxis revolucionária gramscista e desvia a atenção do significado da aliança eleitoral com partidos burgueses, socialistas e comunistas, constituindo uma frente popular de concepção leninista.”
Participantes del IX encunentro do Foro de São Paulo:

PAÍS
PARTIDO/ INSTITUIÇÃO
Argentina Frente Democracia Avanzada
Partido Comunista Argentino
Partido Intransigente
Brasil Partido dos Trabalhadores
Partido Socialista Brasileiro
Partido Comunista do Brasil
Movimento Revolucionário 8 de Outubro( MR-8)
Partido Popular Socialista
Colômbia Alianza Democrática M19
Exército de Libertação Nacional ( ELN)
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(FARC)
Partido Comunista Colombiano
Presentes por el Socialismo
Cuba Partido Comunista
Chile Movimiento de Izquierda Revolucionário (MIR)
Partido Comunista de Chile
Equador Movimiento Popular Democrático
Partido Socialista- Frente Amplio
El Salvador Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional(FMLN)
Guatemala URNG
México Partido de la Revolución Democrática
Partido Del Trabajo
Nicarágua Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN)
Porto Rico Partido Independentista Puertorriquenõ
Nuevo Movimiento Independentista Puertorriquenõ
Frente Socialista
Panamá Partido Revolucionário Democrático
Peru Partido Comunista Perruano
Movimiento Revolucionário Tupac Amaru
República Dominicana Alianza por la Democracia
Fuerza de la Revolución
Movimiento Izquierda Unida
Partido de los Trabajadores Dominicanos
Uruguai Frente Amplio
Partido Comunista
Partido Socialista de Uruguay
Movimiento de Participación Popular
Partido Obrero Ver. Trotskista- Posadista
Venezuela Partido Comunista de Venezuela
* COMO O QUADRO ACIMA MOSTRA, LULA ALIOU-SE A NARCOTRAFICANTES (FARC) E TERRORISTAS. PERGUNTAMOS :
O FORO DE SÃO PAULO NÃO É UM ORGANISMO QUE QUER ANIQUILAR NAÇÕES DEMOCRÁTICAS, COMO O BRASIL, LEVANDO-AS PARA O COMUNISMO? CONCLUA O SENHOR MESMO!

2 comentários:

FIEL disse...

A FARC é uma ameaça tanto ao capitalismo quanto ao comunismo, não se pode comparar essa guerrilha com a da serra maestra e muito menos com a ALN, para você postar nesse blog com essas ideias a favor do CAPITALISMO e da burguesia, posso imaginar a sua felicidade ... com certeza ela se denomina em dinheiro, ou vai dizer que é liberdade ... a liberdade do capitalismo é prisão perpetua para as classes desfavorecidas que nunca sairão da mesma.

Stenio Guilherme Vernasque da Silva disse...

Amigo...
essa história do capitalismo selvagem é bem clichezinha, não é???

Leia isso:

Cansei de ser chamado de direitista, num tom nada amistoso, a cada manifestação em defesa da livre iniciativa,do direito à propriedade privada, da diminuição do tamanho do Estado, da diminuição de impostos e da democracia política.Isto porque no Brasil ser de direita é como se fosse uma chaga: um sujeito, no mínimo, egoísta, retrógrado, conservador, autoritário, com alta taxa de insensibilidade para com os problemas sociais. Enfim, uma pessoa condenada ao fogo do inferno.

Em contrapartida, ser esquerdista é sinônimo de altruísta, progressista, humanista , com alta taxa de sensibilidade social,e, com todo charme do mundo . Não é sem razão que os partidos políticos jamais se definem como de direita.Preferem ser de esquerda ou, no mínimo, de centro-esquerda. À grosso modo, esquerdistas seriam aqueles para quem o capitalismo é um grande gerador de injustiças, e somente através da intervenção ou da apropriação -do Estado na economia, seria possível se promoção a justiça social. E os direitistas Bem, estes seriam todos os demais que não se enquadrassem naquilo que os teóricos de esquerda pensam sobre si. Aí incluídos, desde liberais autênticos, democratas sinceros, até obscurantistas de toda sorte, defensores de regimes ditatoriais e adeptos de nacionalismos extremados.

A verdade é que nestas últimas décadas a direita foi tão estigmatizada pela esquerda ,que fica difícil delimitar o seu campo, de acordo com os valores que ela defende.Se tomarmos como valores fundamentais a defesa intransigente do liberalismo econômico e da democracia política, como os delimitadores deste campo, não tenho por que me envergonhar de ser rotulado de direitista. Se nestes valores estiver incluída a negação da democracia em nome da liberdade econômica, por favor, me excluam deste time.A esquerda joga tudo no mesmo balaio, e considera, por exemplo, Winston Churchill ,Hitler, Margareth Tratcher e Pinochet como membros de um mesmo time.Para mim, Hitler tem muito mais em comum com Stálin, um ícone da esquerda, do que com Churchill. Mas a esquerda não pensa assim.
.
Como se pode ver, esta dicotomia esquerda X direita é, na maioria das vezes, simplificadora e enganosa, pois restringe uma ampla e contraditória gama de valores e de idéias que envolvem uma discussão deste nível a uma briga entre dois campos opostos..Mas esta simplificação interessa ao proselitismo da esquerda, que desta forma foge do debate no que é essencial, e estigmatiza aqueles que conseguem se contrapor com argumentos lúcidos os seus dogmas e esquemas ultrapassados.

Portanto, considero como valores fundamentais a democracia política e a liberdade econômica. Defendo que o Estado é um mal necessário, e que por causa disto deve ter atuação restrita , porém eficiente, nos setores onde a iniciativa privada tem interesse restrito. Defendo intransigentemente estes valores. Assim como não admito que em nome da liberdade econômica haja cerceamento da liberdade política, também me coloco contra quaisquer formas de restrição da liberdade econômica em nome de um suposto e improvável bem estar coletivo.A propósito, considero que a melhoria dos padrões sociais virá como conseqüência natural da melhoria dos padrões econômicos, conjugado com políticas governamentais efetivas- e não meramente paliativas e assistencialistas principalmente no campo da educação.

.,


Isto é ser de direita? Que então seja.

Mas fique bem claro que no campo das idéias me considero a uma distância anos-luz tanto de Lula e José Dirceu quanto de Jair Bolsonaro e Enéas Carneiro.

Bons estudos e grande abraço.
Abra seu coração e não caia no conto do gaiato petralha!