sábado, 12 de setembro de 2009

Milhares de conservadores protestam em Washington contra Obama


Dezenas de milhares de conservadores tomaram hoje o centro de Washington para expressar sua rejeição às políticas intervencionistas impulsionadas pelo presidente americano, Barack Obama, com destaque para seu plano de reforma do sistema de saúde do país.

A manifestação é o maior ato até agora de um movimento de protesto entre os conservadores que começou em abril e que já chegou a colocar a Casa Branca na defensiva em certas ocasiões.

"Nunca antes na história vivemos uma marcha rumo ao socialismo como a que defende este presidente", disse Bárbara Espinosa, uma mulher idosa e que veio do Estado do Arizona (sudoeste) para protestar em Washington.

Silvia Zumárraga, 42, carregava um cartaz com o sinal soviético da foice e do martelo, e uma foto com os rostos de Obama e de Che Guevara sobre a bandeira dos Estados Unidos.

"Eu nasci na Argentina e sei o que é um governo socialista, e não quero isso para meu país aqui", disse Zumárraga, que também tem nacionalidade americana.

Quase todos brancos, os manifestantes gritavam a palavra "socialista" contra Obama como um insulto, em cartazes e palavras de ordem que pediam sua destituição da Presidência americana ou o acusavam de mentir para o povo.

A polícia local não deu uma estimativa oficial do número de participantes, que encheram o trecho da Avenida Pensilvânia que une o Departamento do Tesouro e a Casa Branca ao Congresso.

Paradoxalmente, poucos legisladores republicanos participaram da manifestação, talvez por temor de se associar com os elementos mais extremistas da direita --como os que sustentam, por exemplo, que Obama não deveria ser presidente dos EUA porque não teria nascido no país.

A manifestação foi convocada por uma coalizão de organizações conservadoras que vem fazendo protestos contra os gastos públicos e o plano de reforma na saúde nos últimos meses em todo o território americano.

Boa parte dos cartazes protestava justamente contra a reforma, com a qual Obama pretende que os EUA se equiparem ao resto dos países desenvolvidos, mas o descontentamento dos conservadores vai além desse tema. Eles veem a expansão generalizada do Estado como uma ameaça para a liberdade.

"Acho que o governo está se apoderando de tudo", disse Lisa Holt, 24, que veio do Estado da Flórida, no sul dos EUA, com sua mãe para a manifestação.

"Estamos aqui para dizer ao Congresso e à Casa Branca que não estamos contentes com todo o dinheiro que estão gastando", afirmou Michael Townsend, 39, que veio da Carolina do Sul com sua mulher e filhos.

Durante o governo de George W. Bush, o centro de Washington foi palco de diversos protestos de manifestantes de esquerda, principalmente contra a Guerra do Iraque, mas a cidade não via uma mobilização de conservadores de tal magnitude em muitos anos.

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