segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Micheletti revoga estado de sítio em Honduras

TEGUCIGALPA - O governo de facto de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, revogou nesta segunda-feira, 5, o estado de sítio decretado desde que o presidente deposto, Manuel Zelaya, voltou ao país em 21 de setembro. "O estado de sítio está completamente revogado", afirmou Micheletti em uma entrevista coletiva, acrescentando que os direitos civis anulados pelo decreto serão restituídos na terça-feira, 6..


Com a decisão, Micheletti cede às pressões internas que exigiam a retirada da medida que suspendia as liberdades de imprensa, de associação e circulação. A revogação foi anunciada nas vésperas do início do diálogo entre representantes de Zelaya e do governo de facto, que desenvolverá uma agenda baseada no plano do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que atuou como mediador para a restituição do líder deposto.

Instaurado por 45 dias, o estado de sítio foi determinado após o retorno do presidente de Zelaya, deposto no último dia 28 de junho. Desde que voltou a Honduras, ele está instalado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, que está cercada por policiais e militares. Micheletti utilizou o decreto para fechar dois veículos de comunicação de oposição e para impedir protestos de partidários do presidente deposto.

Micheletti havia dito anteriormente que a "decisão de rescindir o decreto" era sua, mas que tomaria "a decisão com o conselho de ministros nesta segunda", conforme entrevista concedida a uma emissora de televisão hondurenha. Ele disse que tomou a "decisão de anular" totalmente a medida para que o país restaure a tranquilidade e por conta de reação da comunidade internacional.

Restituição de Zelaya

Micheletti declarou também nesta segunda-feira a um canal de televisão que admite a possibilidade de retorno de Zelaya à presidência. "Se realizarmos eleições no país, transparentes, e elegermos o novo presidente, daí para diante podemos falar de qualquer cenário, de qualquer solução", disse Micheletti, segundo o jornal hondurenho El Heraldo.

Sobre os prováveis cenários para uma negociação, Micheletti disse que o desejo de Zelaya de retornar ao cargo pode ser levado em conta, mas "terá de ser analisado com melhores enfoques legais, porque não se pode restituir uma pessoa que está com problemas com a Justiça do país. Em todo o caso, a decisão terá de ser tomada pela Suprema Corte".


Entretanto, Micheletti disse, segundo o jornal, que não está disposto a aceitar a convocação de uma Assembleia Constituinte para alterar a Carta Magna, algo que Zelaya tentava fazer quando foi retirado do poder.

OEA

Na quarta-feira, 7, chega a Honduras a delegação da Organização dos Estados Americanos (OEA) que participará das negociações para um acordo sobre a situação do país. Micheletti já disse que a missão americana será benvinda, mas reiterou o fato de que seu governo não aceitará uma "decisão vinda do exterior" como resolução para o impasse.


Estadão


Bastou fechar a Rádio Globo e o Canal 36 que acabou a violência em Honduras. Bastou " cortar o sinal " de Lula, Ratito e Porquito, que estavam fomentando a rebelião criando uma situação fantasiosa de invasão da embaixada, para tudo se acalmar no plano internacional e as negociações começarem, de fato. Bastou que a OEA tomasse um chá de humildade e promovesse um encontro com o presidente do país para que surgisse uma luz no final do túnel. A semana começa com propostas à mesa e qualquer acordo deverá ser monitorado por uma força militar formada por países que não tomaram partido no conflito. O Brasil está vetado por Honduras, por motivos óbvios. Lula entendeu e, lá da Bélgica, em raro momento de lucidez, , avisa que não fala mais sobre Honduras. Assim, tudo indica que poderemos ter paz naquele país que, sozinho, contra tudo e contra todos, bloqueou de vez o socialismo bolivariano.






Veja.com:

“Vale a pena comprar tanta briga por causa de Honduras?”

Eu não compro briga com ninguém. Só faço o debate. Provem que a Constituição daquele país não tinha validade, e darei razão a todos aqueles que afirmam ter havido um golpe lá. Provem que a Convenção de Viena só vale para garantir a integridade da embaixada brasileira em Tegucigalpa, mas não para impedir que ela se transforme em base de conclamação à guerra civil, e darei razão àqueles que hoje contesto. Sem isso, continuarei a dizer: mentem! Mentem por ideologia! “E você? Também não é ideológico?’, pergunta o petralha. Freqüentemente. Nesse caso, a minha ideologia se resume a me ater à ordem legal democrática e a não me deixar intimidar pela fatwa dos aiatolás do jornalismo.

Quanto ao argumento da “comunidade internacional”, que é unânime em condenar o “golpe”, querem que eu diga o quê? Comunidade internacional??? A ONU não conseguiu aprovar um voto de censura ao governo genocida do Sudão, que já matou mais de 300 mil pessoas. E Celso Amorim, o Megalonanico, se mobilizou para proteger aquele país. Motivo: o Brasil quer o apoio dos países árabes para ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Comunidade internacional??? No dia em que me deixar pautar pelos gorilas da ONU, especialmente os que dominam o tal Conselho de Direitos Humanos, mudo de profissão: vou ser puxa-saco do Lula.

Vale a pena? Ô se vale! No mínimo, eu me divirto.


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É falso, como tudo o que espalham aqueles seres estranhos, que eu não permita divergência aqui. Permito. Sobre os mais variados assuntos. Mas há algumas condições:

A condição biológica
- O argumento tem de ser bípede;
- O argumento tem de ser bípede e não pode ter o corpo coberto de penas;
- Se bípede, sem o corpo coberto de penas, não pode ter quatro polegares opositores.

A condição legal
No caso de Honduras, tem de provar que o texto constitucional quer dizer outra coisa que não aquilo que diz e que Zelaya não estava tentando dar um golpe quando mandou o Exército fazer uma coisa que a Justiça decidira que era ilegal. Ou, então, o argumentador tem de ler o Dicionário de Política do Bobbio, mas aquele na versão reescrita pelo obudsman da Folha, para me provar que aquilo que Zelaya fazia tinha outro nome.

A condição matrimonial
Refiro-me à minha. Não pode tentar pegar no meu braço para tentar me agradar e ver se emplaca aqui a tese do golpe: “Reinaldo, você é um cara inteligente e escreve direito, mas não acha que tirar o cara de pijama etc e tal…” Agradeço, mas já sou casado, hehe. Nem Dona Reinalda tenta me convencer do que não estou convencido com esse truque. Ademais, gente que transforma pijama em princípio constitucional ou em categoria de pensamento me deixa entediado. Se ele estivesse de fraque, seria diferente? Alô, contragolpistas de todo o mundo! Façam o vagabundo vestir um fraque antes! Saída ilegal não quer dizer deposição ilegal. Simples e óbvio.

Ah, sim: os que se mostram tão loquazes para combater o que chamam de “censura” têm uma causa: vão protestar, como protesto aqui, contra a censura ao Estadão, por exemplo. Naquele caso, sim, há um ente estatal impedindo a livre circulação de informação. Esta página é privada. Autoritário é o blog do Lula, feito com dinheiro público.


Reinaldo Azevedo

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