terça-feira, 13 de outubro de 2009

O idolatrado Obama internacional, e o criticado Obama nacional


Sempre existiram dois Estados Unidos. Ou a imagem de dois Estados Unidos. O primeiro é o clichê que todos conhecem no mundo, com os filmes de Hollywood, o Burger King, o Starbucks, Elvis Presley, Michael Jackson. E o segundo é os Estados Unidos dos americanos, com o baseball, o futebol americano, o sanduíche de peanut butter and jelly, a Pink lemonade, os programas de TV, as milhas, as "pounds", os colleges.

Quase todos acolescentes brasileiros sabem identificar uma foto do Brad Pitt com a Angelina Jolie. Os um pouco mais velhos se lembrarão do Michael Jordan, já que o basquete é um esporte internacional. Mas quantos sabem que o Yankees, com seu gênio Alex Rodriguez, mais conhecido como A Rod, chegou à final da American League ontem? A própria rede de TV CNN diferencia estes dois Estados Unidos. Para o mundo, exibem a mais moderada e pouco opinativa CNN International. Internamente, transmitem a CNN americana, com figuras que não medem palavras como Lou Dobbs.

No caso do atual presidente dos Estados Unidos, também parece existir dois Barack Obama. O primeiro é o idolatrado em todo o mundo, com discursos no Cairo, Istambul e Berlim, Nobel da Paz, com camisetas com seu nome para vender em Damasco e seu retrato exposto em cidades do Nordeste brasileiro. Obama seria a salvação dos Estados Unidos e do mundo para muitas destas pessoas. Nos EUA, na eleição do ano passado, a maior parte da população também o enxergava assim.

Agora, quase nove meses depois do início de seu governo, Obama se torna um presidente comum, mesmo porque seria quase impossível ser diferente dentro sistema democrático e bipartidário americano. Como Bill Clinton, enfrentará uma complicadíssima batalha para tentar aprovar as reformas no sistema de saúde. Como Ronald Reagan, tem a obrigação de recuperar a economia. Como Jimmy Carter, idealiza solucionar o conflito no Oriente Médio. Como George W. Bush, terá a sua guerra.

Criticado em seu país, Obama pode sair vencedor ou perdedor e muitos fatores que não estão sob o seu controle influenciarão o resultado final, como influenciaram os outros presidentes. Porém, nos EUA, Obama é um mortal comum. E como todos os mortais, já se tornou motivo de gozação nos programas de comédia, que em sua maioria absoluta o apoiaram nas eleições.

A imagem de Obama, nestes programas, é a de um homem indeciso, confuso e que adora falar bonito, mas não consegue nada concreto. Analistas diziam ontem no New York Times que os humoristas refletem justamente a percepção do restante da sociedade. E hoje é assim que vêem Obama. Alguns apostam que ele terminará como Carter, um bem intencionado presidente, com algum sucesso na área externa, como o acordo entre o Egito e Israel, mas fracassos no Irã e na América Central. Com a economia em crise, foi trucidado por Reagan. Há ainda outros que têm a esperança de que Obama seja um Roosevelt ou um Wilson. Vamos esperar. Mas, que fique claro, nos EUA, Obama se tornou um presidente como qualquer outro. A idolatria externa já perdeu completamente o fôlego aqui, com sua popularidade em queda constante.

Estadão

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