domingo, 25 de outubro de 2009

Passado permeia eleição presidencial no Uruguai neste domingo

BUENOS AIRES - Um ex-guerrilheiro tupamaro, um ex-presidente da república que tenta voltar ao poder 20 anos depois de sua primeira eleição e um jovem com pouca experiência política que é filho de um ex-ditador são os três principais candidatos à sucessão presidencial do socialista moderado Tabaré Vázquez. Nesse clima de retorno ao passado, 2,5 milhões de uruguaios vão neste domingo às urnas para eleger o novo presidente. Os colégios eleitorais já abriram no país e fecharão suas portas às 19h30 local (mesmo horário de Brasília), com a possibilidade de ampliar o horário para até uma hora a mais.

O ex-guerrilheiro é José Pepe Mujica, da coalizão governista Frente Ampla, que tem 44% das intenções de voto, segundo pesquisa da consultoria Factum. O ex-presidente é o liberal Luis Alberto Lacalle, candidato do Partido Nacional, também conhecido como Partido Branco. Ele tem 31% das intenções de voto. O filho do ex-ditador é Pedro Bordaberry, que no início desta década foi ministro do Turismo e concorre pelo Partido Colorado, tendo 12% das intenções de voto.

Além das votações para presidente e para renovar o Senado e a Câmara de Deputados, serão realizados dois plebiscitos simultâneos. O primeiro definirá se será anulada - ou não - a "Lei de Caducidade Punitiva do Estado", conhecida como lei de anistia, aos militares que cometeram violações aos direitos humanos na ditadura militar (1973-1985).

A lei foi aprovada em 1986 com o objetivo de "promover a pacificação nacional". Posteriormente foi confirmada por um plebiscito. Mas os setores de esquerda afirmam que a lei foi aprovada em um contexto de medo da população por novos levantes militares e, portanto, deveria ser anulada.

O outro plebiscito definirá se os 600 mil uruguaios que partiram para o exterior ao longo dos últimos 40 anos terão direito a votar por carta. Enquanto o governo defende o fim da lei de anistia e a criação do voto depositado do estrangeiro, a oposição é radicalmente contra.

Pesquisas

As pesquisas afirmam que a Frente Ampla não conseguirá os 50% mais 1 dos votos necessários para vencer no primeiro turno. Mujica não conseguiu beneficiar-se da boa imagem do presidente Tabaré, que tem 60% de aprovação popular.

"Em linhas gerais, levando em conta que o contexto internacional foi favorável, Tabaré fez uma boa gestão. E por isso exibe bons índices de aprovação popular", disse ao Estado o economista Gabriel Oddone.

Mujica causa preocupação no setor financeiro com suas promessas de acabar com o sigilo bancário do Uruguai, considerado o paraíso fiscal da região. Ele diz, porém, que seu modelo de esquerda se aproxima do estilo moderado do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva - e não do radicalismo do venezuelano Hugo Chávez. Lacalle também causa desconfiança: embora liberal, não se comprometeu em alterar a forte presença estatal na economia.

Para os empresários, a questão é chave. O próximo governo, dizem, precisará modernizar a infraestrutura do país. Mas, para isso, precisará privatizar o controle de portos, rodovias e ferrovias - tema considerado tabu para os uruguaios.

(com informações da Efe)

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