quarta-feira, 21 de outubro de 2009

RIO: Guerra Sangrenta!

Ontem à tarde, um assassinato chocou a comunidade. O corpo de um homem não identificado, executado com tiros, foi encontrado dentro de um carrinho de supermercado em um dos acessos ao morro dos Macacos. Segundo moradores, o homem seria um criminoso ligado ao Comando Vermelho (CV).

"Não tem nem o que falar. Para nós, é estarrecedor. Sabemos que a vida na comunidade é bastante violenta, mas isso não faz parte do nosso cotidiano, não acontece todo dia. Isso é guerra", disse Lima. "O Estado precisava ter prevenido e impedido que chegasse a esse ponto".

Os confrontos na zona norte do Rio já deixaram 29 mortos desde o último sábado, quando traficantes do morro São João, controlado pelo CV, invadiram o morro dos Macacos, controlado pela facção Amigos dos Amigos (ADA).

Depois, tiros que saíram do morro dos Macacos derrubaram o helicóptero Fênix-03 da PM com seis policiais dentro.

Desde então, policiais militares ocupam as favelas em busca dos traficantes envolvidos nos ataques.


Os confrontos entre Polícia Militar e traficantes nos morros cariocas já deixaram 33 mortos desde o último sábado (17). Policiais estão fazendo operação em diversas comunidades em busca de criminosos que tenham participado da invasão do morro dos Macacos, na zona norte, quando um helicóptero policial foi derrubado. Desde a madrugada desta quarta-feira (21), sete pessoas foram mortas.

Outras três pessoas foram baleadas durante o dia, sendo uma delas o estudante de José Carlos Guimarães Júnior, de 18 anos, atingido no abdômen por uma bala perdida na Vila Cruzeiro, no complexo do Alemão, zona norte. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, ele já deixou o centro cirúrgico e está consciente.

Outra vítima foi Marcelo Luiz da Cruz, ferido com um tiro na cabeça. Os dois estão internados no Hospital Estadual Getúlio Vargas. Um terceiro baleado, Márcio Almeida Gomes, atingido nas duas pernas e braço esquerdo, está recebendo atendimento. Ele foi veio do bairro de Olaria, também no subúrbio do Rio.

Nesta quarta, policiais militares entraram em confronto durante a madrugada com supostos traficantes no morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na zona norte, resultando na morte de três homens armados que teriam disparado contra os policiais, informou a polícia.

Mais dois suspeitos foram mortos pela polícia durante o dia em outra operação no morro Santo Amaro, na zona sul da cidade. Outros dois homens identificados como traficantes morreram no morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na região central, e na favela Mangueirinha, em Duque de Caxias, na baixada fluminense.

Entre as outras vítimas feitas desde o fim de semana estão três policiais que estavam a bordo do helicóptero abatido e três moradores do morro dos Macacos que não teriam relação com o tráfico.

Operações e prisões
Operações estão em andamento nesta quarta-feira em favelas da cidade, numa tentativa de encontrar os responsáveis pelo conflito de sábado. Um dos principais procurados é Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 33, que atua no complexo de favelas do Alemão (zona norte).

A maior das operações foi realizada na Vila Cruzeiro, no complexo do Alemão. A PM está, ainda, no morro do Borel, na Tijuca, no morro Santo Amaro, no Catete, e no complexo de favelas da Maré, entre outros.

Na tarde desta quarta-feira (21), a Polícia Militar prendeu no Rocha, zona norte do Rio de Janeiro, o traficante conhecido como "Torrão". Segundo a PM, ele é acusado de ser um dos chefes do tráfico da favela do Jacarezinho e de ter participado da invasão ao morro dos Macacos.

Ao todo, segundo balanço divulgado no começo da noite pela polícia, foram presos 16 suspeitos, entre eles um adolescente durante operação na comunidade de Antares, em Santa Cruz, também na zona norte.

Os cerca de 100 policiais militares do 16º Batalhão (Olaria) que estão em Merendiba, na Vila Cruzeiro, foram recebidos a tiros e revidaram. Os traficantes colocaram fogo em pneus e atravessaram veículos nas ruas para impedir a entrada dos policiais na favela. O comércio fechou as portas e muitas crianças não foram para as escolas da região.

Suposta invasão
Moradores da favela morro São João, vizinha ao morro dos Macacos, disseram na noite de terça-feira que foram forçados a deixar suas casas para fugir de uma possível invasão de traficantes, após troca de tiros entre criminosos de facções rivais. De acordo com a polícia, entretanto, não houve qualquer registro de confronto entre traficantes e policiais no local. O major Santos reconheceu, porém, que "há um clima de tensão no ar".

"O jeito é ficar aqui embaixo, todo mundo está com medo de voltar pra casa, é melhor ficar na rua", disse a jornalistas um comerciante e morador da área, que pediu anonimato.

Os confrontos, que ocorrem principalmente na zona norte do Rio, são protagonizados pelas facções rivais CV (Comando Vermelho) e Amigos dos Amigos (ADA).

* Com informações da Agência Brasil e Reuters




Assustados com a onda de violência que tomou conta dos morros da zona norte do Rio de Janeiro e temendo novas invasões, cerca de 60% dos moradores do morro dos Macacos, em Vila Isabel, abandonaram suas casas e foram para outras comunidades. A informação é do presidente da Associação de Moradores do Parque Vila Isabel, Mário Lima.

Segundo ele, grande parte da população que vive em Vila Isabel está sem luz e sem água desde o final de semana, porque os transformadores foram atingidos por balas e os fios de luz elétrica estão partidos. As escolas e os postos de saúde estão fechados.

"A vida parou para nós da comunidade. Está tudo fechado e a gente vive da solidariedade dos vizinhos, que vêm arrumar uma ou outra coisa, porque a gente liga na [empresa de energia elétrica] Light, mas ninguém vem", afirmou.

A Light foi procurada pela reportagem, mas ainda não deu uma posição sobre o fornecimento. A Nova Cedae, responsável pelo abastecimento de água, informou que a bomba localizada na comunidade foi consertada ontem.

Lima contou também que os moradores que ficaram na favela estão bastante assustados e temem tiroteios entre quadrilhas rivais, que disputam pontos de venda de drogas. "Temos medo de uma invasão e não sabemos quando vai haver uma nova guerra. Todos estão com medo de retaliações, nós e os moradores das comunidades de onde vieram os invasores", contou.

Ele disse que acompanhou na madrugada de hoje a tensão provocada pela invasão do morro do São João, no Engenho Novo, bairro vizinho a Vila Isabel. "Alguns invasores chegaram de caminhões e outros desceram o morro. Eu só pude fugir. Liguei para a polícia e eles disseram que já tinham informações sobre a invasão. Depois, um carro blindado da polícia ficou andando pela comunidade, mas não interveio no conflito".

A Polícia Militar informou que foi ao morro e não encontrou sinais de invasão. Novas operações estão sendo feitas hoje na região.


Um comentário:

sicário-OQÑ se discute disse...

Stenio!

Já estamos há 6 ou 7 dias nessa guerra. O governadr já aou, o secretário de seguraça á flou, o preisete já falou, o ministro chefe da gestapo já falou..e até agora nada.
O Exército Brasileiro pode fazer papel de polícia no Haiti e dentro de nossas fronteiras não? Até onde sei o papel constituconal das FFAA, é de proteger o país da ação de inimigos extenos e INTERNOS.
Quanto ao fato de tais criminosos andarem bem armados, eu os vejo como guerrilheiros urbanos, essas armas tem outro propósito além de proteger bocas de fumo. Veja as milicias de chavez. Será que uma pessoa com primeiro grau incompleto consegue organizar e manter uma quadrilha, negociando drogas e armas no exterior?