terça-feira, 13 de outubro de 2009

Zé da Laya começa a dar sinais de cansaço


TEGUCIGALPA - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, admitiu nesta terça-feira, 13, pela primeira vez desde sua deposição, a possibilidade de não voltar ao poder antes das eleições propostas pelo governo de facto para resolver o impasse político no país, informou a agência France Presse. "Se chegarmos às eleições sem um acordo, a crise será aprofundada, teremos um governo débil", afirmou Zelaya. Ele sugeriu ainda que os "golpistas" sejam entregues à "justiça internacional."

A votação presidencial, marcada para 29 de novembro, é a aposta do governo de facto, liderada por Roberto Micheletti, para permanecer no poder e resolver a disputa política que se culminou em junho, com a deposição de Zelaya. Nesta terça, a mesa de diálogo em que trabalham as comissões de Zelaya e de Micheletti desde a quarta-feira passada para a obtenção de um acordo retomou os trabalhos em um hotel de Tegucigalpa, após uma pausa durante o final de semana.

Também nesta terça, o sindicalista Juan Barahona foi substituído na comissão que representa Zelaya no diálogo por discordar da decisão do chefe de Estado destituído de renunciar a uma Assembleia Constituinte. "Não estamos de acordo, mas vamos respeitar a posição dele (Zelaya), a renúncia à Constituinte", declarou Barahona a jornalistas após deixar a mesa de diálogo por decisão, segundo ele, do próprio Zelaya.

Barahona esclareceu que sua saída não significa uma ruptura da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado, da qual é dirigente junto com Zelaya, mas insistiu em que o movimento quer uma Constituinte. "Não renunciamos à Constituinte", mas "não se rompe a relação entre a frente de resistência e o presidente Zelaya", explicou o sindicalista.

Segundo Barahona, houve na semana passada consenso sobre os pontos de que não haverá anistia política para os envolvidos na crise e de que Zelaya desistirá de promover uma Assembleia Constituinte caso volte no poder. Também houve acordo sobre a necessidade de um governo de união nacional, segundo a ex-presidente da Corte Suprema de Justiça Vilma Morales, integrante da comissão de Micheletti.

O movimento de resistência apoia a ausência de anistia porque "quem cometeu crimes deve se submeter à lei", afirmou Barahona, dirigente da Confederação Unitária de Trabalhadores de Honduras (CUTH). O diálogo iniciado na quarta-feira se baseia no Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, e que inclui a restituição de Zelaya, sua renúncia à Constituinte, a anistia política, um governo de união nacional e verificação internacional, entre outros pontos.

(Com Efe)

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