domingo, 29 de novembro de 2009

DIRETO DE TEGUCIGALPA: ATÉ AGORA, ELEIÇÕES LEGÍTIMAS E LIMPAS. CRESCE NÚMERO DE PAÍSES DISPOSTOS A RECONHECER O RESULTADO


Acabo de falar com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), um dos mais de 300 observadores estrangeiros que estão em Tegucigalpa, em Honduras, acompanhando as eleições. Os hondurenhos votam três vezes: para eleger presidente e vice, deputados da Assembléia Nacional e alcaides — os prefeitos. Jungmann afirma que as eleições se dão num clima de absoluta tranqüilidade, sem os distúrbios previstos pela turma de Manuel Zelaya.

Pergunto ao deputado como está o comparecimento às urnas. Ele está em Tegucigalpa e diz que a afluência de eleitores é grande, mas é impossível saber de antemão. O voto em Honduras não é obrigatório, o que torna a abstenção historicamente alta. Manuel Zelaya, o golpista deposto, tenta pôr em dúvida a legitimidade do pleito afirmando que menos de 50% dos eleitores devem comparecer. Bobagem! Quando ele próprio foi eleito, apenas 45% dos hondurenhos aptos a votar o fizeram. Não será por aí que ele vai melar o resultado do jogo.

Jungmann conversou com os dois candidatos que polarizam a disputa: o favorito, Pepe Lobo, do Partido Nacional, e Elvin Santos, do Partido Liberal (PL). Os dois disseram que, proclamado o resultado, ligarão para Lula para tentar normalizar as relações com o Brasil. Jungmann também quis saber se procede o boato de que qualquer um deles está disposto a anistiar Manuel Zelaya se este não contestar o resultado. A resposta foi rigorosamente a mesma: “Este assunto será decidido pelo Congresso”.

Não se nota nenhum problema que macule a legitimidade das eleições? Jungmann responde: “Até agora, nada! Há os problemas comuns de boca de urna aqui e ali, tensão entre cabos eleitorais, nada que não aconteça no Brasil”. Alguma forma de intimidação contra eleitores e opositores? “Absolutamente não! Vamos ver o que dizem os observadores do interior, já que estou na Capital, mas não creio”.

A votação e a apuração em Honduras, como em boa parte do mundo, ainda são manuais. As seções eleitorais contam com fiscais dos vários partidos, e celulares com linhas fechadas e exclusivas foram distribuídos para chefes das seções, que devem passar o resultado das apurações locais para uma central. “Acredito que a tensão possa crescer se o resultado começar a se mostrar muito apertado, com pequena diferença; mas isso nada tem a ver com fraude. É coisa também normal em eleição”.

Em suma…
Honduras realizam eleições legítimas, dentro da lei, o que indica que as instituições fizeram a escolha pelo estado de direito. O isolamento do país começa a ser rompido: além de EUA, Colômbia e Peru, que já haviam anunciado a disposição de reconhecer o pleito, dizem agora que farão o mesmo se as eleições forem limpas os seguintes países: Costa Rica, Panamá, Canadá, Alemanha e Itália. E, nesse passo, esse grupo vai crescer.

Não custa lembrar de novo: mais uma derrota vexaminosa de Celso Amorim, o megalonanico, e seus filobolivarianos amestrados. Que Honduras siga firme no caminho democrático. Este pequeno e valente país derrotou o chavismo. Que a vigilância continue. A canalha não vai desistir.

PS - Ah, sim: os gênios do Itamaraty já estão buscando um modo de alegar algum fato novo para recuar. Afinal, no atual ritmo, daqui a pouco, o Brasil é que estará isolado. Ou melhor: em companhia da Vanezuela, da Bolívia e do Equador. Para quem pretende ser um dos líderes do planeta, companhias sem dúvida auspiciosas…



Reinaldo Azevedo

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