quarta-feira, 25 de novembro de 2009

ITAMARATY: Vergonha Nacional!


Sempre que aparece algum bocó dizendo que a diplomacia brasileira opera em parceria com o Departamento de Estado dos EUA, faço o óbvio: “É mentira, bocó!” Ah, mas precisa ser assim, entre a desqualificação e a ironia? Sim. Respeito pontos de vista divergentes, ao contrário do que afirmam alguns (desde que não queiram usar meu blog para passar “mensagens” do “Partido”), mas não dá para tratar a mentira como coisa séria. Celso Amorim, o megalonanico ministro das Relações Exteriores, plantou entre seus porta-vozes na imprensa a tese daquilo que eu chamaria, empregando um neologismo, de “Teoria Conselhatória” — que vem a ser o oposto da Teoria Conspiratória. E a vigarice intelectual está sendo passada adiante. O que é a “Teoria Conselhatória”? Seria uma espécie de conspiração do bem. Assim, o Brasil namora com Chávez e pisca para Ahmadinejad não para secretar o fel antiamericano que hoje pauta a nossa política externa.

Seria tudo combinado com a Casa Branca, entenderam? O Brasil, assim, “dialoga” com esses países porque é melhor mantê-los por perto — o Departamento de Estado dos EUA teria nos encomendado tal tarefa. E isso teria até um nome do Itamaraty: “penetração e diálogo”. Entendo. Não sei se não conviria inverter a ordem, acrescentando um uisquinho no começo e um cigarrinho depois…

Levar essa gente a sério? Não fazer piada? Por quê? Trata-se de uma mentira obviamente. Vejam o caso de Honduras! Derrotado pelos fatos, achando que é pouco ter colaborado com a conspirata que plantou Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, o governo Lula tem a cara-de-pau de defender nada menos do que o adiamento das eleições — proposta felizmente rejeitada pelos EUA. MAS PRESTEM BEM ATENÇÃO! O Brasil sabia que a proposta não seria aceita. Pretende, com isso, arrastar consigo parte dos países da América Latina e isolar os EUA na Organização dos Estados Americanos. Ao atuar, Celso Amorim não pensou no melhor para os hondurenhos ou para resolver a crise. Nada disso! Jogou para ganhar mais um palanque internacional e poder rosnar o suposto protagonismo do Brasil. AO QUERER SER GRANDE — sem trocadilho —, AMORIM DEMONSTROU SEU REAL TAMANHO.

Em entrevista concedida nesta terça, foi a vez de Marco Aurélio Garcia, o Top-Top, o Rei do Tártaro, deixar claro qual é o jogo de Lula e do Itamaraty. Segundo ele, o governo brasileiro está “muito decepcionado” com o “governo do presidente Barack Obama”. Notem que ele nem mesmo falou em eventuais diferenças de pontos de vista diplomáticos ou de interesses conflitantes. Não! O “governo Lula” está decepcionado com o “governo Obama”. E isso tem de ser lido assim: o “homem Lula” enxerga hoje um único rival no mundo, e esse rival é justamente “o homem Obama”. Há poucos dias, escrevi que Lula é muito competitivo e não suporta nenhuma forma de grandeza. Ele havia, então, se comparado ao presidente americano e dito que os EUA elegeram um negro, sim, mas nunca tinham feito um metalúrgico presidente… Mais um pouco, e poderia ter dito que os EUA não são de nada porque jamais votariam em alguém nascido em Garanhuns…

Marco Aurélio reclamou de Honduras, da proposta de Obama para a reunião de Copenhague sobre o clima, da falência da roda Doha… E mandou ver: “O presidente Lula continua com grandes expectativas; temos um bom relacionamento com o governo dos Estados Unidos. Mas a grande verdade é que, até agora, tem um grande sabor de decepção. Que nós esperamos que seja revertido”.

Duas coisas se conjugam nessa reação, e é preciso caracterizá-las. A primeira é o antiamericanismo rombudo, herança das velhas esquerdas, que foi atualizada pela banda do Itamaraty sob a influência de Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-geral do Itamaraty e atual ministro da tal Sealopra… Tal herança se funde com a tese do novo protagonismo, este de Celso Amorim. E o Brasil se mostra ao mundo não só como um líder regional; pretende ser aquele que vai arrostar com os EUA e, às vezes, substituí-lo. Trata-se de um delírio estúpido. Perguntei ontem e refaço a pergunta: quantas vezes mesmo o sol nasce em bases militares brasileiras espalhadas mundo afora? Samuel é apenas ultrapassado — sem deixar de representar algum perigo. Amorim é apenas ridículo.

A segunda questão é de natureza pessoal. Notem na fala de Marco Aurélio que parece que o presidente americano está sendo avaliado por Lula, está sendo submetido a um teste; a depender do resultado, o Megalobarbudo manda o estagiário pra casa. Não deixa de ser curioso notar que o presidente brasileiro parecia mais amável com… George W. Bush! Como se explica? Ideologia? É claro que não! Bush era uma das personalidades mais impopulares do planeta — o que era, obviamente, injusto, mas era fato. Não é o caso de Obama. Os americanos já estão começando a se encher dele, é verdade, mas não é aquele público que Lula julga disputar com o presidente dos EUA. O “metalúrgico brasileiro” não aceita que o “negro americano” seja considerado mais influente e mais “nunca antes nestemundo” do que ele próprio, entenderam?

Os desatinos da política externa brasileira têm duas vertentes, ambas negativas: uma conjura todos aqueles atrasos de esquerdismo e independentismo jeca; a outra tem a ver com o fato de Lula, como já expliquei aqui, ter crescido sem superego — o que é reforçado pelas tintas com que o pai é tratado no filme-dramalhão-triunfalista-hagiográfico. Freud — o de Viena, não o Godoy — explica. Não estou fazendo fuxico sobre sua vida privada. Estou afirmando que, num roteiro supervisionado pelo Palácio do Planalto, seu pai foi pintado como um monstro, certamente pior do que era. E sua mãe, já se sabe, emula com a própria Virgem Maria.

Cristo tinha superego até demais, coitado, com seus dois pais — José e “O” Pai. Lula optou por não ter nenhum. É filho de suas próprias idéias!!! E, claro, deve achar até hoje que o Nazareno não soube negociar direito com o patrão… Em vez de aceitar o destino, deveria ter chamado a peãozada… O chato para Lula, naquele cenário, seria ter descoberto que Barrabás se antecipara…


Reinaldo Azevedo

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