sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O detetive de comédia italiana


“Não sei de nada”, fantasiou Lula quando o escândalo do mensalão explodiu. Sabia desde a conversa com o governador goiano Marcone Perillo, que lhe transmitiu em primeira mão a notícia endossada dias depois pelo deputado Roberto Jefferson.

“Fui traído”, desconversou mais tarde. Quem se queixa publicamente de alguma traição sem identificar os traidores ou gostou de ser traído ou tem culpa no cartório.

“O PT fez o que todos fazem”, disse em seguida o metalúrgico enviado pela Divina Providência para salvar o Brasil dos partidos que fazem o que fez o PT como nunca antes neste país qualquer partido conseguira fazer.

Neste domingo, quem assistir ao programa É Notícia, da RedeTV, será apresentado à versão mais recente da metamorfose delirante: ”O mensalão foi uma tentativa de golpe no governo. Foi a maior armação já feita contra o governo”. Isso mesmo. Está gravado.

“Na época não falei que era golpe, mas tinha consciência do que tinha acontecido”, explica Lula.Ele prefere esperar o fim do governo para desvendar o caso por inteiro. “Depois que eu deixar a Presidência, vou querer me inteirar um pouco mais disso. Como presidente, não vou ficar futucando”. Só futucou o suficiente para descobrir que, por trás de tudo, estão os suspeitos de sempre. ”Marcos Valério não vem do PT, vem de outras campanhas”, insinua o detetive de comédia italiana.

Delúbio Soares, tesoureiro do PT e gerente do mensalão, afirmou que, em pouco tempo, o caso iria virar piada de salão. Lula está tentando provar que o amigo a quem se referia como “o nosso Delúbio” tinha razão.


Augusto Nunes

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