terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Brasil lava as mãos


O Globo - 08/12/2009

A meteórica passagem pelo Brasil do tirano iraniano, inimigo das liberdades democráticas que permeiam a sociedade brasileira, foi retratada de forma distorcida. Muita luz nos abraços oficiais, e uma sombra sobre fatos, da maior relevância, que aconteceram alguns dias antes da visita de Ahmadinejad.

Refiro-me à desesperada mensagem deixada pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, no encontro com o presidente Lula.

Abbas condenou veementemente Ahmadinejad, Hammas e todo tipo de terrorismo, numa reunião com a comunidade judaica da Bahia, cujo anfitrião foi o governador judeu-brasileiro Jaques Wagner. Pediu a interferência do presidente Lula, junto a Ahmadinejad, para criticar o financiamento iraniano ao Hammas, grupo fundamentalista que fomenta o terrorismo.

Acrescentou que realiza tratativas com o presidente de Israel, Shimon Peres, e que acredita na negociação como instrumento para a paz. Relatou que faz reuniões com comunidades judaicas em todo mundo, pois acredita que mais de 70% do povo israelense e do povo palestino querem a paz. Estes fatos e afirmações relevantes de Abbas não mereceram destaque no noticiário oficial.

Parece também que, em Brasília, não tiveram efeito prático.

A recente votação promovida pela Agência Internacional de Energia Atômica mostra a posição de nosso governo.

O Irã foi condenado por 25 das nações, incluindo seus parceiros comerciais chineses e russos. Obteve três votos a favor, de Cuba, Malásia e Venezuela.

E seis nações se abstiveram, incluindo o Brasil. Abster-se de condenar é, na prática, lavar as mãos. Quem não decide cala; e quem cala consente. Horas depois da votação na AIEA, o governo iraniano já desdenhava ameaçadoramente, anunciando o início de construção de mais 10 instalações com centrífugas para enriquecer urânio.

Assim é o governo do Irã, que espelha o espírito belicista e vingativo de seu líder Ahmadinejad. Inocentes os que ainda nutrem qualquer tipo de simpatia ou esperança pacifista no regime que oprime, discrimina e elimina a mídia não oficial, mulheres rebeldes, homossexuais e minorias religiosas.

Os apelos de Mahmoud Abbas, o único parceiro palestino com credibilidade e boa vontade para negociar a paz, parece que não tiveram efeito prático, ou imediato, nos corredores de Brasília. Esperamos que suas palavras e apelos, junto ao presidente Lula, não tenham caído como letras mortas ou palavras ao vento. Quem está pela paz deve isolar Ahmadinejad e ficar com Abbas.

OSIAS WURMAN é jornalista e cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro.

Um comentário:

sicário-OQÑ se discute disse...

Stenio!

Aqui no RS, não apareceu uma única linha sobre este assunto nos jornais.....e olha que o maior deles a Zero Hora, é propriedade de família judia.