quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Em pronunciamento, Arruda deve anunciar saída do DEM


BRASÍLIA - A assessoria de imprensa do governo do Distrito Federal informou que o governador José Roberto Arruda fará um pronunciamento à imprensa nesta tarde. Segundo correligionários do governador, entre eles o presidente do partido, Rodrigo Maia, Arruda deve anunciar seu desligamento do DEM.


Segundo o jornalista André Duda, assessor de imprensa do governador, Arruda fará um pronunciamento às 16h30 "sobre os Democratas".

Sobre o conteúdo do pronunciamento, o assessor disse: "Se vocês me perguntarem se ele (Arruda) vai-se desfiliar do partido, eu vou responder a mesma coisa que o governador me disse: 'Não sei'."

Parlamentares do DEM informam que Arruda anunciará sua desfiliação do partido para evitar que a maioria dos 45 integrantes da Comissão Executiva Nacional da legenda decidam, em reunião marcada para a sexta-feira, 11, pela sua expulsão por causa das denúncias que o envolvem em esquema de corrupção.

O Senador Demostenes Torres (DEM-GO) disse que recebeu um telefonema do vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio, comunicando que Arruda decidiu se desfiliar do partido. Na avaliação do senador, Arruda teria tomado a decisão após receber notícia de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou seu pedido para que fosse suspensa a reunião do Democratas, na sexta-feira, que definiria o seu destino político.

Com a sua desfiliação, afirmou Demósthenes, Arruda evita o constrangimento de ser expulso do partido, como estava previsto para acontecer na reunião da Executiva Nacional do DEM, marcara para sexta-feria, 11. "Significa que ele reconheceu que seria expulso do partido", disse.

TSE

Nesta tarde, o TSE negou ao governador o pedido de suspensão da reunião. A Executiva do DEM tende por pedir a expulsão do governador da legenda. Arruda alegava não ter tido direito de defesa.

A ministra Carmem Lúcia, no entanto, disse que o próprio governador afirma que foi notificado a apresentar defesa em oito dias. "Ocorre que é o prazo estatutariamente previsto e contra o qual não há notícia de que se tenha insurgido".

Arruda também havia pedido a transferência do caso, que seria analisado na Comissão Executiva Nacional do partido, para o Diretório Regional, em Brasília, cujo presidente é Paulo Octávio, também acusado de participar do esquema, conhecido como "Mensalão do DEM".

Segundo Demóstenes, por enquanto, a reunião da sexta-feira será mantida, para as 9 horas. De acordo com o senador, a reunião só poderá ser desmarcada quando o partido receber uma confirmação formal de que o governador do Distrito Federal pediu a desfiliação da legenda.

Único governador eleito pelo DEM em 2006, Arruda foi alvo da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal no dia 27 de novembro. Imagens em poder da PF mostram indícios de um esquema de pagamento a políticos, empresários e aliados do governador, proveniente de propina vinda de empreiteiras e prestadoras de serviço.

O prazo para a entrega da defesa de Arruda aos líderes do DEM se encerra às 18 horas desta quinta.

Paulo Octávio

Ainda de acordo com Demóstenes, uma nova reunião da Executiva do DEM deve ocorrer na próxima terça ou quarta-feira, para discutir a situação do vice-governador, Paulo Octávio, e do presidente afastado da Câmara Legislativa do DF, Leonardo Prudente, ambos do DEM.

Octávio e Prudente podem responder a processo disciplinar e podem ser expulsos da legenda.

No inquérito, comandado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Octávio também é citado como um dos beneficiados do esquema, assim como Leonardo Prudente, que aparece em vídeos recebendo pacotes de dinheiro e guardando-os nos bolsos e nas meias.



Estadão

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