sábado, 19 de dezembro de 2009

Entrevista José Roberto Arruda

Acuado e abandonado politicamente, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), tenta minimizar o impacto da crise do "mensalão do DEM" com visitas solitárias a obras de seu governo. Ontem, ao aparecer na construção da nova rodoviária, ele admitiu, em uma rápida conversa com o Estado, o estrago causado pelo vídeo em que recebe, em 2006, R$ 50 mil das mãos de Durval Barbosa, seu ex-secretário de Relações Institucionais. "Eu reconheço que, num primeiro momento, as imagens são fortes e ruins", afirmou.

Nem as escapadas solitárias para as obras ajudam Arruda a esquecer da crise política: a nova rodoviária, avaliada em R$ 45 milhões, é tocada pela construtora do empresário José Celso Gontijo, flagrado em vídeo distribuindo propina durante o governo de Arruda. Esse contrato foi fechado pelo ex-secretário de Obras Márcio Machado (PSDB), responsável por uma planilha de caixa 2 da campanha de Arruda, revelada pelo Estado.

O governador demonstrou à reportagem confiança em sua base aliada, maioria na Câmara Legislativa, para barrar os processos de impeachment. "Esse problema de impeachment está equacionado. As pessoas sabem diferenciar as coisas. As armadilhas que a vida prepara os advogados saberão responder bem." Eis a entrevista:

O senhor teme a aparição de novos vídeos?

Eu tenho a minha consciência tranquila. Já estão em poder dos advogados todas as declarações ao Tribunal Regional Eleitoral. Não há nada que não tenha sido registrado. Eu reconheço que, num primeiro momento, as imagens são fortes e ruins, mas depois as pessoas vão ver que tudo isso estava registrado no TRE.

Por que resolveu frequentar obras em meio a esse escândalo?

Eu não parei em momento nenhum. Essa questão da crise, das investigações, os advogados cuidam. Eu vou continuar cuidando da governabilidade. Essa obra aqui é muito importante, porque Brasília não tem uma rodoviária. E vamos inaugurá-la no dia 21 de abril.

Essa não é uma estratégia para desviar o foco das investigações?

Sinceramente, isso não tem nenhuma importância. Daqui para frente, os advogados resolvem as questões sub judice. Com o tempo, as coisas vão se esclarecer. Eu tenho de cumprir minha obrigação, que é governar Brasília.

O senhor não teme o impeachment?

Não. Eu acho que esse problema de impeachment está equacionado. As pessoas sabem diferenciar as coisas. As armadilhas que a vida prepara os advogados saberão responder bem.

O senhor descarta tentar disputar a eleição de 2010 por outro partido?

Descarto. Não me move mais nenhuma ambição política. A única missão que tenho é concluir com honradez todas as obras que eu comecei.

O senhor não se sente isolado politicamente?


Pergunte a eles, aos servidores da obra, e veja como me receberam.


Estadão

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