segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Fim de 2009 e feliz 2010. Mas será só isso?


“Esperançoso”

Estamos diante de mais um ciclo de 365 dias que se fecha e automaticamente nos coloca diante de outro.

Como de hábito e talvez por falta de pauta, os meios de comunicação abrem espaço para longas e repetitivas retrospectivas.

Contudo, todos se limitam a passar filmes, reeditar fotos e reproduzir diálogos, explorando tanto momentos positivos como negativos. Poucos entretanto, fazem a reflexão fundamental que seria avaliar o passado para planejar o futuro.

Um balanço frio e despido de emoção leva a conclusão que parte dos momentos tidos como positivos, são exploração de situações menores que num contexto global pouco contribuem para o avanço do país ou da sociedade global.

Outros aspectos tidos como glórias são mera exploração da versão moderna da política de “pão e circo”.

Já os aspectos negativos são reais e têm profundo impacto na economia, no bem estar social e mesmo na sobrevivência de futuras gerações.

Muito mais importante do que ver o filme do ano que passou é avaliar consequências do que foi feito ou não, e de que forma podemos mudar o rumo tão incerto no qual o planeta está sendo lançado por uma cúpula de irresponsáveis.

Passeando em nosso micro-mundo que é a cidade em que vivemos e afastando o ponto de vista para que possamos ver o Brasil e finalmente o globo, não há muito a festejar.

No micro-mundo, Rio de Janeiro, é preciso reconhecer alguns avanços que podem ser computados como mudanças embrionárias, porém positivas.

A política de tentar ordenar a cidade é sem dúvida uma iniciativa positiva que, tendo continuidade, trará resultados no longo prazo. Pode parecer insignificante, mas talvez este seja o passo mais importante para resgatar a saudosa Cidade Maravilhosa. Passamos por vários governos permissivos aos quais devemos a decadência e favelização urbana, além de outras mazelas que decorrem de práticas coletivas inaceitáveis, porém fortemente arraigadas na cultura. O chamado “choque de ordem” precisa se transformar em cultura e incorporado por cada cidadão para se opor à contra-cultura e ao “deixar fazer”, que a cada dia destrói mais um pouco a cidade e corrói a sociedade deturpando valores.

A pacificação de favelas, apesar de estar dentro de uma política de segurança pública equivocada, também pode ser considerada um avanço, principalmente se avaliada do ponto de vista das comunidades que foram libertadas do poder paralelo.

Mas o cerne da questão é que a pacificação de favelas não é uma política de segurança pública. Neste aspecto as autoridades têm feito um jogo dúbio. De um lado não afirmam claramente que a política de segurança pública inexiste e se restringiu a está única ação de resultados positivos, porém restritos e insustentáveis. Do outro exploram publicidade que confundem o resultado pífio da pacificação de quatro ou cinco comunidades com uma política de segurança pública como se fosse possível consolidar esta posição na cidade inteira.

É evidente que esta ação não se sustenta. O Rio de Janeiro tem mais de 1100 favelas. Ainda que nem todas estejam dominadas pelo poder paralelo, basta fazer contas elementares para concluir que não há efetivo que de conta de ocupar todas as comunidades. Além disso, a segurança pública não é apenas uma questão policial. Certamente é mais social do que policial e qualquer política de segurança pública que não vislumbre o viés social está fadada ao fracasso.

Outro acontecimento que valeu manchetes foi à conquista do direito do Rio de Janeiro de sediar eventos internacionais. Fica a dúvida se este fato deve ser computado na coluna de fatos positivos ou negativos. Há quem diga que é uma glória para a cidade sediar jogos olímpicos e copa do mundo, e que esta conquista trará uma série de benefícios para a população. Por outro lado, existe muita publicidade em torno do assunto que não permite ver com clareza quais são os reais benefícios. Será aceitável despender somas fabulosas para fazer uma maquiagem e plástica na cidade com o objetivo de atender a um evento e em contra-partida deixar de investir naquilo que é essencial?

Houve outros fatos e acontecimentos que talvez tenham chocado ou trazido alento ao carioca. Os negativos são na realidade mazelas nacionais como a corrupção e a falência moral da política. Os positivos são glórias individuais de iniciativas de cidadãos que pelo próprio esforço ou por desenvolverem projetos de vida com compromisso social tenham mostrado que existe um caminho digno e melhor do que este que nos é imposto por políticas públicas medíocres. À lista destas pessoas que fizeram a diferença é grande e seria injusto citar apenas algumas.

Elevemos agora o ponto de vista para avaliar o Brasil no ano de 2009.

Estamos no fim do governo Lula e queira o destino que esta era se encerre no ano de 2010.

O Brasil sobreviveu à crise financeira, é verdade, e este é um fato positivo que devemos em grande parte ao PROER, plano tão criticado por Lula quando oposição, mas por ele enaltecido quando os bancos dos EUA quebraram em série desencadeando a crise financeira global.

Com muito esforço talvez consigamos elencar outros acontecimentos positivos.

Mas uma análise fria mostra que em âmbito nacional vivemos uma falência moral e ética em todas as instâncias. Lamentavelmente o governo e a classe política são o centro desta rede de interesses que visa tudo, menos o desenvolvimento do país ou o bem estar social.

Os partidos políticos se transformam em sopas de letras apátridas e sem ideologia. Não existem mais oposição nem situação. Há apenas corruptos e estelionatários com representantes no Congresso e em todas as esferas do poder, que lotearam o Brasil e negociam interesses.

Corrupção, dinheiro circulando nos mais variados meios como malas, cuecas e meias, se tornaram trivial e estranhamente o povo já não liga para o assunto. Poucos se importam com a quantidade de zeros e ordem de grandeza das somas que circulam ilegalmente, mas faltam em hospitais, escolas e infra-estrutura.

Em 2009 movimentos como o MST e congêneres que se tornaram verdadeiros bandos criminosos agindo ao arrepio da lei, foram definitivamente alçados a movimentos sociais pelo ministro da Justiça Tarso Genro e por absurdo que pareça são financiados com recursos públicos.

O ensino já estava falido e mais parecia um moribundo a beira do túmulo. Mas o fiasco protagonizado pelo ministro da Educação com a desmoralização total do ENEM por seguidas quebras de sigilo, levou à falência definitiva do último símbolo que ainda restava vivo.

Na área ambiental tivemos muito discurso e desinformação que transformaram desmatamento e resultados negativos em “avanços”.

Não poderia ficar fora do balanço de 2009 à contínua campanha eleitoral protagonizada por Lula e seus discursos, acompanhado da ministra Dilma Rousseff, candidata a sucessão de Lula para dar continuidade ao plano de poder que pretende transformar o Brasil numa república comunista, nos moldes de Cuba.

Este é um balanço incompleto, mas por certo representa os fatos que dominaram as manchetes dos jornais brasileiros.

No plano global a crise financeira dominou manchetes, pois transformou bilionários em milionários e fez muitos trilhões de dólares evaporarem em alguns dias das bolsas de valores nos principais centros financeiros globais.

Mas esta crise é na realidade um pequeno efeito colateral de uma ordem mundial falida, que mais do que nunca, precisa ser enterrada, revisada e recriada.

Na outra ponta desta crise existem fatos que aparentemente estão dissociados da mesma, mas na realidade têm uma relação umbilical.

A crise ambiental que vem se agravando em esfera global com consequências imprevisíveis, tem sido tratada de forma absolutamente irresponsável e mesmo criminosa pelos senhores da ONU e do mundo.

Estamos diante de um quadro com contornos cada vez mais sombrios. A população mundial que hoje beira 6,8 bilhões de indivíduos, está esgotando a capacidade do planeta. Segundo as previsões mais otimistas a estabilidade populacional só virá entre 2030 e 2050, quando seremos entre 8 bilhões e 9 bilhões de indivíduos a lutar pela sobrevivência num planeta exaurido de recursos essenciais para a nossa civilização.

A continuidade deste modelo sócio econômico superado e autofágico imposto por grupos de interesses minoritários, só tende a transformar o planeta num gigantesco desastre humanitário de consequências imprevisíveis e nunca antes vivido pelo homem.

Enquanto governantes irresponsáveis brincam com o destino da humanidade tratando acordos ambientais como se fossem metas secundárias ou modismo, o planeta caminha para um destino de difícil e doloroso retorno.

É estranho que o homem tenha se lançado ao espaço e já tenhamos descoberto que estamos sozinhos num raio tão longínquo quanto alcançam nossos telescópios ultra potentes, mas que nem assim valorizemos nosso espaço vital e pensemos no futuro de nossos filhos.

A humanidade se desenvolveu de forma extremamente desequilibrada com ciência e tecnologia avançando muito mais que a espiritualidade.

A tragédia quotidiana que vivemos em âmbito de nossa cidade, de nosso país e em esfera global são reflexos deste atraso espiritual, que enquanto não for superado, continuará nos acuando para um abismo. Em breve não teremos saída o que representará morte ou sofrimento, pelo menos para os mais pobres que representam a grande maioria da população global.

Todas as retrospectivas do ano deveriam nos levar a fazer análises sobre os rumos que desejamos e de que forma podemos ser proativos.

Esperamos que 2010 acelere o despertar da consciência coletiva e que possamos caminhar mais céleres e seguros para um ponto de equilíbrio que garanta um futuro digno às futuras gerações no planeta Terra.



OFCA

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