quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A insignificância de Brasília


Se o mensalão do DEM ficar circunscrito aos políticos locais apanhados nos vídeos já apresentados, o impacto sobre a disputa presidencial de 2010 será zero ou muito perto disso.

Brasília é uma anomalia na organização geopolítica brasileira. Deveria ser só uma cidade administrativa no interior de Goiás. Aos poucos, ganhou todos os benefícios de um Estado. Tem três senadores, oito deputados federais e até uma espécie de Assembleia Legislativa, a quase inútil Câmara Legislativa.

A capital federal tem destaque na mídia por ser a sede dos três Poderes. Na prática, sua relevância como plataforma política é ínfima. Com 1,7 milhão de pessoas aptas a votar, responde por apenas 1,3% do eleitorado brasileiro.

Fosse o Piauí (1,7% dos eleitores brasileiros) o palco do mensalão do DEM, a visibilidade do escândalo tenderia a ser menor.

Um fato inescapável é Brasília ter sido inaugurada em 1960. Em 50 anos de existência, nunca produziu um único político de expressão nacional. Seu governador mais bem-sucedido talvez tenha sido Cristovam Buarque. Eleito pelo PT em 1994, popularizou o Bolsa Escola.

Civilizou o trânsito (motoristas respeitam a faixa de pedestres). Mesmo assim, não se reelegeu. Em 2006, candidato a presidente pelo PDT, teve 2,7% dos votos.

Do ponto de vista do Democratas, o partido já tem uma imagem depauperada. Rumará com mais rapidez para o oblívio, ampliando sua tucano-dependência -com poder reduzido na formação da chapa presidencial. Mas o tempo de TV para o PSDB continua garantido.

Tudo considerado, a insignificância política de Brasília minimiza o impacto do mensalão do DEM sobre a eleição presidencial. Exceto se o escândalo transbordar para outros Estados e houver aspersão de lama em políticos de maior calibre.

Uma hipótese ainda remota, embora não improvável.


Fernando Rodrigues

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