sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Corão e os judeus


A relação do Islã com os judeus e o ódio pregado textualmente no Corão vem desde o tempo de Maomé que, insatisfeito com a resistência dos judeus que viviam na Arábia, e que não queriam se converter à nova religião por ele criada, passou a hostilizá-los, a combatê-los e a nomeá-los como inimigos.

O Islã funda-se num tripé constituído pelo Corão, pelos Hadiths que são comentários ao Corão e pela vida de Maomé, considerado o mais perfeito dos seres humanos que já habitaram o planeta.

O Corão é imutável, não pode ser reescrito, o que faz com que não exista diferença entre seus seguidores ou fiéis, isto é, não existem os radicais nem os moderados, como tolamente ficam apregoando a mídia e os políticos ocidentais apaziguadores. O que há são muçulmanos que já adotaram o estilo de vida ocidental, com suas liberdades e costumes, ou seja, que se tornaram laicos. Não há no Corão qualquer alusão à moderação ou radicalização.

No livro sagrado do islamismo há passagens bem claras que pregam o ódio aos judeus, como, por exemplo, a Sura (o equivalente ao versículo da Bíblia) 4:46 que diz: “Dentre os que pregam o judaísmo, há os que alteram o sentido das palavras dO Livro e dizem: “Ouvimos e desobedecemos” e “Ouve, oxalá não ouças”. E dizem “Ra-ina (imperativo com o sentido de “cuida de Nós! analisado na Sura (ou Surata) 2:104 onde se diz que os judeus, sempre hostis ao Profeta, insultavam-no modificando a fonética desta palavra), deturpando a verdade com suas línguas, e difamando a religião. E, se eles dissessem “Ouvimos e obedecemos” e “Ouve” e “Olha-nos”, ser-lhes-ia melhor e mais reto. Mas Allah os amaldiçoou, por sua renegação da Fé. E não crerão, exceto poucos”.

As referências à perfídia e à inimizade dos judeus para com Maomé são inúmeras ao longo do texto corânico, e algumas particularmente interessantes na medida em que são usadas ainda hoje pelos pregadores muçulmanos nas mesquitas do mundo todo, particularmente nos sermões das 6as feiras, que é o dia de descanso dos muçulmanos, correspondente ao sábado dos judeus ou ao domingo dos cristãos.

Ao mencionar a transgressão dos judeus que não aceitavam os novos ensinamentos de Maomé, o Corão diz na Sura 7:166: “E, quando eles transgrediram, desmesuradamente, o de que foram coibidos, Nós lhes dissemos: “Sede símios repelidos!” Os judeus são, portanto, macacos”… Essa Sura, aliás, vem repetir a 2:65 que logo no início do livro sagrado já diz que Allah amaldiçoou o povo judeu “Sede símios repelidos” por terem transgredido o sábado.

Como se não bastasse, na Sura 5:60 o Corão, que é a palavra proferida por Allah diretamente a Maomé, não esqueçamos, e é tida como a revelação final aos homens, equipara judeus a macacos e porcos, “Dize: “Informar-vos-ei do que é pior que isso, como retribuição, junto de Allah? Os que Allah amaldiçoou e contra quem Se irou, e de quem fez símios e porcos, e os que adoram At-Taghut…” (alusão aos judeus e a Satanás ou ídolos).

Nas pregações feitas nas mesquitas às 6as feiras, os mulás não se cansam de repetir o que o livro sagrado deles determina, bem como exigir que os fiéis sigam o exemplo do Profeta que ensinava que os muçulmanos combateriam os judeus até o dia da ressurreição ou julgamento final. Até lá só sobraria um judeu que estaria escondido atrás de uma pedra, e a pedra (!) diria aos muçulmanos “há um judeu escondido atrás de mim. Venha e mate-o”. Isto está num dos mais famosos Hadiths, o de Bukhari, e é constantemente citado pelos que insistem em inflamar corações e mentes no Oriente Médio e em outros países.

Não é, pois, apenas antissemitismo gratuito, ódio irracional ou jogo político o que move milhões de muçulmanos pelo mundo afora. É, na verdade, mandamento do Corão, e vê-se que o islamismo não é a tal religião de paz e tolerância que se apregoa, pois só é tolerante com os que a seguem.

O espaço aqui não permite o aprofundamento da questão, sendo minha intenção apenas mostrar ao leitor que há muito mais coisas na complicada política do Oriente Médio do que se vê na mídia escrita, e a religião sem dúvida alguma é fator que não se pode descartar em nenhuma análise.

A religião que Freud já dizia ser “a neurose obsessiva da humanidade” (in “O Futuro de uma Ilusão”), faz com que indivíduos - e mesmo nações inteiras - acreditem em coisas como essas e cheguem a travar ou a propalar guerras de extermínio para levar a tal palavra revelada aos outros. Objetos inanimados (uma rocha ou pedra) que fala, seres humanos que são transformados em animais (os judeus) não lembram os contos de fadas europeus que mesmo aqui no Brasil nos embalavam quando éramos crianças e que serviram para nos educar? Contos que vinham sempre com uma lição de moral ao seu final, mas que não chegaram a levar nenhum país ou tribo à guerra, ao contrário dos livros religiosos.

É ainda o mestre de Viena quem nos diz: “a religião, é claro, desempenhou grandes serviços para a civilização humana. Contribuiu muito para domar os instintos associais. Mas não o suficiente”.

E como tinha razão!

NOTAS: 1. As citações aqui feitas foram extraídas da edição do Nobre Alcorão para a língua portuguesa editado pela Liga Islâmica Mundial em Makkah (Meca) Nobre sob os auspícios do Rei Fahd da Arábia Saudita.
2. As citações de Freud são da Edição Standard Brasileira das Obras Completas, Volume, XXI, Ed.Imago.


David Borensztajn

INSTITUTO MILLENIUM

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