domingo, 13 de dezembro de 2009

O Foro de São Paulo, ALBA, e muitos fanfarrões


Esther Borrell.Havana, 13 dez (EFE).- Os países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) tentaram neste sábado em Havana pactuar uma declaração sobre Honduras em uma jornada na qual o presidente venezuelano, Hugo Chávez, se reuniu com o líder cubano Fidel Castro e "quase" o trouxe à cena pública.

A situação do presidente deposto hondurenho, Manuel Zelaya, e sua eventual saída de Tegucigalpa, ocuparam os trabalhos dos chanceleres da Aliança, que se reuniram no Palácio de Convenções da capital cubana para debater a minuta da declaração final do encontro. O ministro de Exteriores boliviano, David Choquehuanca, disse à Agência Efe que a situação de Zelaya "será explicada amanhã" (domingo) aos presidentes da Aliança por sua chanceler, Patricia Rodas, que chegou esta tarde a Havana.

"Hoje mais que nunca a Alba é necessária, mais que nunca e depois desse golpe de estado ficou demonstrado (...), por isso Honduras não deixará de ser Alba, nem antes, nem durante, nem agora, nem depois", disse a ministra de Zelaya em declarações transmitidas pela televisão estatal cubana.

"Seguiremos sendo Alba sempre, até conseguir a reconstrução democrática de nosso povo e a transformação revolucionária de nossa sociedade", acrescentou Patricia, que participará amanhã da reunião dos presidentes da Aliança no quinto aniversário de sua criação.

Além dos líderes da Venezuela e Cuba, Raúl Castro, está confirmada a presença dos presidentes da Bolívia, Evo Morales; e Nicarágua, Daniel Ortega; assim como a do chanceler equatoriano, Fander Falconi; e de representantes de Dominica, Antígua e Barbuda, além de São Vicente e Granadinas.

Na tarde do sábado, o vice-ministro cubano de Relações Exteriores, Rogelio Sierra, disse que o caso de Honduras está na minuta da declaração elaborada pela comissão política da Alba que foi submetida aos chanceleres dos nove países-membros, e amanhã aos presidentes. Sierra não quis fazer adiantamentos sobre o conteúdo do mesmo e assinalou que, apesar de haver um "consenso (...) que está hoje na mesa de negociação, a declaração pode sofrer modificações".

O vice-ministro explicou que, desde a última reunião do bloco na cidade boliviana de Cochabamba em outubro, houve mudanças no caso hondurenho, por isso que os pronunciamentos da reunião de Havana vão se referir à situação criada após a recusa de outorgar o salvo-conduto de saída a Zelaya. Perguntado sobre se foi discutida a proposta da Guatemala de aceitar o Governo de fato em troca da saída de Zelaya de Honduras, o vice-ministro cubano evitou dar uma resposta.

Além de Honduras, se prevê que o texto final da cúpula inclua a postura do bloco regional para a reunião sobre mudança climática de Copenhague e a implementação do sucre como moeda de compensação regional de pagamento.

Enquanto os trabalhos dos ministros aconteciam, Chávez, que chegou ontem à noite a Havana, teve um encontro com Fidel Castro, segundo informou ele mesmo ao discursar no encerramento da 10ª sessão da Comissão Binacional Cuba-Venezuela, que coincidiu com a reunião de chanceleres no Palácio de Convenções.

O presidente venezuelano disse que se reuniu este sábado com Fidel Castro em Havana e que "quase o levou" para o encerramento da comissão intergovernamental. "Quase que ele entrou no veículo", afirmou Chávez antes de acrescentar que Fidel Castro mandou "um abraço" aos participantes da reunião, no marco da qual foram assinados ou negociados quase 300 novos projetos conjuntos no valor de US$ 3,161 bilhões entre os dois países.Em seu discurso, Chávez também se referiu à chegada na próxima madrugada de Evo Morales.


EFE

Nenhum comentário: