sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Os liberticidas do Supremo


Aos fatos. O Estadão começou a publicar em 10 de junho reportagens com informações, amparadas em provas materiais e contundentes, sobre ações ilícitas praticadas por um grupo liderado pelo senador José Sarey. Em 31 de julho, a série foi interrompida pela ressurreição da censura.

A exumação da prática abjeta foi solicitada por Fernando Sarney - filho do chefe e principal executivo do grupo - e concretizada pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Ex-funcionário do Senado, o bacharel virou figurão do Judiciário por indicação de Sarney. Para fazer a vontade do patrão, invocou o segredo de Justiça e silenciou o jornal.

Depois de admintir a suspeição do desembargador, o tribunal decidiu que o caso seria julgado pelo similar maranhense, controlado por Sarney. O truque pareceu abortado pela notícia de que o Supremo Tribunal Federal resolvera deliberar sobre a pendência.

Embora com injustificável atraso, animaram-se os democratas, a violência seria enfim neutralizada pelo STF. A Constituição proíbe a censura à imprensa. Nenhuma norma jurídica está acima da norma constitucional. Assim pensaram milhões de otimistas até a sessão desta quinta-feira. Por 6 votos a 3, o ultraje foi endossado pelo Supremo.

Pouco importam as alegações dos ministros que aprovaram o prolongamento da censura que já completou 133 dias. Armados de filigranas processuais, consumaram um liberticídio. E se tranformaram em cúmplices de um bando fora-da-lei.




Augusto Nunes

Um comentário:

sicário-OQÑ se discute disse...

Stenio!

Estamos na contramão da história. O muro caiu lá e está sendo reerguido aqui. A luta de classes, qualquer que seja o resultado da eleição do próximo ano, será inevitável.
Esperar o que de um "tribunal" escolhido a dedo (sem ser o mindinho) pelo acéfalo que só tem m.. na boca?
O jeito é começar a fazer publicações e denúncias na clandestinidade e rezar paa que não tenhamos de fazer outras coisas na clandestinidade.