segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Os selvagens de Curitiba


CURITIBA - O rebaixamento do Coritiba acabou virando tragédia. Depois do empate com o Fluminense, na tarde deste domingo, que decretou a queda para a Série B, a torcida do time paranaense invadiu o gramado do Estádio Couto Pereira e transformou o local numa praça de guerra. A violência continuou pelas ruas de Curitiba durante a noite, provocando muita destruição, além de feridos e presos.

A confusão começou logo após o apito final, quando cerca de 200 torcedores invadiram o gramado para agredir o trio de arbitragem e os integrantes da delegação do Fluminense. Com a intervenção da Polícia Militar, o Couto Pereira viu cenas de batalha. E a revolta da torcida do Coritiba continuou do lado de fora do estádio, com mais distúrbios pelas ruas da cidade.

No começo da noite deste domingo, o capitão Bruno Soares chegou a informar a morte do policial Luiz Ricardo Gomide, de 38 anos, após o confronto com a torcida do Coritiba. Mas a notícia foi logo desmentida pelo comando da Polícia Militar, que negou a morte do agente.

O coronel Jorge Costa Filho, comandante do CPC (Comando do Policiamento da Capital) informou que o capitão será responsabilizado pela informação errada, "que, além de não ser verdadeira, ele não estava autorizado para isso". Além de Luiz Ricardo Gomide, outros dois policiais militares foram feridos no confronto com a torcida.

Pela capital paranaense, o cenário foi de guerra, com pelo menos quatro terminais de ônibus - Cabral, Bairro Alto, Linha Verde e Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba - tendo sido destruídos pelo vandalismo dos torcedores.

Um balanço inicial das autoridades, até as 22 horas deste domingo, indicava 14 pessoas feridas, principalmente atingidas por projéteis de borrachas. Mas o balanço do número de presos e dos prejuízos pela cidade serão divulgados pela polícia apenas nesta segunda-feira.

Desde o início da noite deste domingo, a PM também passou a circular pelos hospitais de Curitiba para prender torcedores feridos que estivessem com a camisa do clube. Eles seriam detidos para que fossem interrogados e se pudesse chegar aos líderes da invasão ao gramado.

Enquanto isso, jogadores e familiares permaneceram nas dependências do estádio cerca de três horas após o final da partida, por falta de segurança. E a casa do técnico Cuca, do Fluminense, que fica no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, chegou a ser apedrejada pelos torcedores do Coritiba.


Estadão

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