segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Piñera fica 15 pontos à frente de Frei no 1º turno e promete ''mudança''


Prometendo "mudança" após 20 anos de hegemonia da centro-esquerda no Chile, o candidato da direita, Sebastián Piñera, chegará ao segundo turno das eleições presidenciais como favorito, segundo os resultados preliminares da votação de ontem. Com 98% das urnas apuradas, Piñera tinha 44,03% dos votos e o ex-presidente Eduardo Frei, da Concertação, 29,62%. Em terceiro lugar, o independente Marco Enríquez-Ominami reunia 20,12% e o comunista Jorge Arrate, 6,21%.

"Foi um grande triunfo, que nos enche de esperança", disse Piñera, diante de milhares de pessoas que comemoravam sua vitória no centro de Santiago. Em seu discurso, o candidato repetiu promessas de campanha e fez um aceno aos eleitores de Ominami. Frei também cortejou o eleitorado independente, "convidando" os que votaram em Ominami a "se somarem a essa candidatura". O candidato independente, porém, disse ontem que não "endossará" nenhum dos participantes do segundo turno.

Segundo analistas, com essa diferença de votos em relação a Frei, Piñera chega ao segundo turno, em 17 de janeiro, com fortes chances de ganhar.

Desde as 7 horas, cerca de 8 milhões de chilenos foram às urnas para votar para um novo presidente e renovar todas as 120 cadeiras da Câmara dos Deputados e 20 dos 38 assentos do Senado. No Legislativo, a grande novidade foi a volta dos comunistas, que conseguiram eleger três parlamentares, após 36 anos afastados.

Na corrida presidencial, uma vitória da direita acabaria com duas décadas de hegemonia da Concertação, a coalizão de centro-esquerda responsável pela consolidação democrática e por avanços sociais. Piñera é empresário e tem um patrimônio de US$1,2 bilhão, com ações majoritárias da empresa aérea LAN e participação no time de futebol Colo Colo.

Sua campanha enfatizou a promessa de que ele aplicará na gestão pública a mesma eficiência que o ajudou a construir sua fortuna. O candidato da direita também foi favorecido pelo desgaste da Concertação após essas duas décadas no poder. Prova disso foi que a esquerda teve três candidatos.

A Concertação está no governo desde 1990, quando um plebiscito obrigou o general Augusto Pinochet a deixar o poder. O paradoxo da realidade política chilena é que, apesar desse desgaste, a presidente Michelle Bachelet tem hoje uma popularidade de 85%. Mas esses índices de aprovação são atribuídos ao sucesso das medidas adotadas para atenuar os efeitos da crise econômica global no Chile. Bachelet poupou nos tempos de bonança. Quando as exportações e investimentos caíram, tinha no cofre US$35 bilhões para investir em programas sociais e de incentivo à economia.

Além de Frei ser pouco carismático, no final de sua gestão (1994-2000) ele teve de enfrentar os efeitos da crise asiática, mas suas políticas foram consideradas desastrosas. Nos bastidores, até algumas autoridades do governo admitem que, nessa primeira etapa da campanha, Frei deixou a desejar como candidato.

A esperança é que na segunda etapa os eleitores de Ominami e Arrate se unam a sua candidatura com o objetivo de impedir a vitória da direita. "Temos de somar e nos unir em vez de continuarmos a nos desqualificar", disse Frei, em seu discurso, após o anúncio dos resultados da votação.



A repórter viaja a convite da Fundación Imagen de Chile

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