terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quem são os bons afinal?

Três dias depois de revelado o escândalo do pagamento do mensalão no Distrito Federal e após três reuniões da cúpula do DEM, o governador José Roberto Arruda reagiu com ameaças à pressão para deixar a legenda. Num encontro com os dirigentes nacionais do DEM, na residência oficial de Águas Claras, na segunda-feira, Arruda devolveu a pressão exercida pelo senador Demóstenes Torres (GO), que propôs à direção partidária sua expulsão sumária. "Se vocês radicalizarem comigo, eu radicalizo", avisou.

No fim de semana, ele já havia prevenido interlocutores do partido de que não se calaria caso fosse expurgado. Nessas conversas, disse claramente que revelaria os recursos que saíram do Distrito Federal para várias campanhas municipais do DEM, incluindo a da prefeitura de São Paulo, hoje administrada por Gilberto Kassab. O governador também se negou a tomar a iniciativa de pedir desligamento do DEM. "Eu me recuso a aceitar desligamento", afirmou. "Seria o reconhecimento antecipado de culpa e eu tenho defesa. Acho que tenho condições de mostrar minha inocência e ganhar as eleições."

No início da noite, Arruda reforçou essa posição com um pronunciamento de sete minutos, no qual apresentou sua defesa e afirmou: "Estamos firmes, vamos até o fim." A resistência de Arruda surpreendeu os integrantes do DEM presentes ao encontro. Antes da reunião, a expectativa era pela saída imediata do governador a fim de evitar a contaminação política de todos os seus companheiros de partido. Na visão geral, os vídeos e áudios gravados pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa formavam um conjunto de evidências tão pesado que não seria possível dissociar o DEM de todo o problema.

Os dirigentes se reuniram a sós, antes de conversar com o governador, justamente com o objetivo de afinar o discurso para sua degola. A reação de Arruda foi tão firme que os dirigentes tiveram de fazer nova reunião para tentar outra estratégia. Não conseguiram. Especialmente por estarem amarrados ao estatuto partidário que não prevê nenhuma punição sumária que elimine um longo e desgastante processo. Outro problema é que nem mesmo entre os participantes da reunião havia consenso sobre o que fazer para blindar o partido. Nesta terça, a Executiva Nacional vai se reunir em busca da solução para o impasse.

(Com Agência Estado)

"Não há escapatória, senhores do DEM: hoje é pior do que ontem e melhor do que amanhã. Seja ou não verdadeira a história de que Arruda colaborou com dinheiro ilegal para ações do partido em outros estados, ele tem de sair. Nesse caso, o dano será certamente grande. Mas será devastador se ele ficar. A única ação racional é expulsá-lo, independentemente do grau de contaminação. E que os democratas não façam a besteira de se espelhar no PT."


Reinaldo Azevedo


Dentro do círculo mais fechado de José Roberto Arruda a palavra de ordem é uma só: resistir e manter o poder a qualquer custo. Acham que, se conseguirem administrar o escândalo por mais uns 20 dias, o pior terá passado. Depois, o Legislativo entrará em recesso, virão as festas de fim de ano e as coisas podem se acomodar. A Câmara Distrital de Brasília, única instância que poderá julgar um processo de impeachment contra Arruda, não mete medo no governador.


Lauro Jardim

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