quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Robin Williams e o complexo de vira lata!


Leitores pedem que me manifeste sobre a entrevista do ator Robin Williams a David Letterman. Referindo-se às Olimpíadas de 2016, afirmou que foi uma disputa desigual: “Espero que Oprah [ Winfrey] não fique chateada com as Olimpíadas. Chicago mandou Oprah e Michelle [Obama]. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó [cocaína]. Não foi justo”. Todos acharam muito engraçado. Pareciam Silvio Tendler ouvindo uma piada de Lula em 1994…

O que eu penso? Trata-se de uma óbvia boçalidade — vinda de um boçal habitual. Confesso que tenho certos problemas com este senhor. Todos temos os nossos piores atores, não é? Williams é o meu pior ator. Seus personagens são sempre os mesmos, pouco importa se ele estrela um dramalhão ou uma comédia. Mas não é aquele “mesmo” que faz os gênios — de certo modo, Marlon Brando nunca deixou de ser Marlon Brando. É o “mesmo” que faz os cretinos.

Ele deveria ter-se lembrado que o pateta Barack Obama também esteve presente à solenidade. Não foram só Michelle e Oprah. A ser assim, ainda que o Brasil tivesse levado suas strippers, elas teriam sido mais convincentes no rebolado delas do que Obama no rebolado retórico dele. Só um bobalhão faria o presidente dos EUA pagar um mico como esse. Lula presente, se o Rio tivesse sido preterido, tudo bem. Restaria ainda o discurso da vítima. Como ganhou, o brasileiro escolheu a linguagem triunfalista. Obama presente, se Chicago tivesse vencido, diriam que era uma trama do império. Como perdeu, restou a imagem do império decadente. Houve um grande tolo naquela história. Não foi o Brasil.

Quanto ao pó.., Bem, nos EUA ele faria mais sucesso. Afinal, o país cheira toda a produção colombiana. E isso já incluiu, não sei se inclui ainda, Williams, que já fez tratamento para se livrar do vício.

Pronto! Paro por aqui e acho que se deve parar por aqui. A indignação nacionalista, com ameaças de processar o ator nos EUA, é pura vira-latice arrogante. Williams é um idiota num grande país, onde há liberdade de expressão para que se possa ser, inclusive, um idiota.



Reinaldo Azevedo

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