sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Zéca Diabo


SÃO PAULO - Depois que deixou o poder -defenestrado da Casa Civil, cassado pela Câmara no escândalo do mensalão-, José Dirceu se tornou uma pessoa desimportante para o público.

A quem iria interessar a vida e os "combates na planície" daquele que o ex-procurador-geral da República colocou à testa de uma organização criminosa?

Fora do poder, Dirceu, o socialista, poderia ter dedicado o tempo ocioso e a experiência acumulada àqueles que ainda lutam pela sua causa. Não consta, porém, que tenha se convertido ao MST, participado de cooperativas agrícolas ou se engajado no trabalho do próprio governo com a economia solidária.

Na planície, o advogado Dirceu preferiu ganhar a vida como "consultor". E se dedicou a um nicho muito valorizado desse mercado emergente: o das empresas com interesses nas decisões do governo ou que têm negócios com o Estado.

Dirceu nunca deixou que sua vida profissional um tanto esquiva o afastasse do PT. Pelo contrário, manteve vínculos com o partido, onde é uma figura (talvez mais) idolatrada. Para muitos, "Zé é PT" de uma maneira que Lula jamais foi.

Dirceu é, de fato, o artífice da conversão do PT, aquele que o transformou de veículo de massa em máquina de poder. A burocratização, a realpolitik -tudo, enfim, que, com Lula-lá, foi desembocar no mensalão tem ou teve a sua colaboração.

A recente eleição de José Eduardo Dutra para a presidência do partido representou uma vitória do grupo de Dirceu. Ele aposta em Dilma Rousseff para voltar ao poder e, como ela, vem tentando reescrever a história ao dizer que "o PT não desviou recurso público, o eleitorado sabe que não houve mensalão".

Talvez nem seja o caso de perder tempo com esses panetones retóricos, que nada devem à fábula de Arruda. A diferença é que a farsa do PT vem recheada com as frutas cristalizadas do stalinismo. Mais relevante é saber por que a esquerda - e qual esquerda- precisa desse "bolchebusiness" para ser feliz.


Fernando de Barros e Silva

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