terça-feira, 31 de março de 2009

Prêmio 31 de Março!


O Blog do Clawswitz, marcando de forma honrosa o dia de hoje, com uma comenda que faz este blogueiro se encher de orgulho e alegria!
Segue abaixo os agraciados por Clauzewitz!

"Hoje, 31 de março de 2009, as mentes sãs de nossa nação comemoram um episódio que por muitas gerações ainda representará a efetiva possibilidade de o povo brasileiro ter chegado íntegro ao terceiro milênio... já há alguns dias, vários pensadores vêm demonstrando suas contribuições no sentido de historiar aqueles dias tenebrosos de final de março de 1964, quando a sociedade se mobilizou ansiosa por ver-se livre do mesmo inimigo que a seduziu décadas depois em troca de um prato de comida e de acessos às facilidades pouco meritórias que um estado falido pode oferecer...

Meu silencioso preito de homenagem aos heróis que deflagraram aquele movimento vitorioso que garantiu a normalidade institucional e que, a ferro e fogo mantiveram a normalidade social de um país que era uno até 14 anos atrás, quando foi tomado de assalto pelas mesmas forças marxistas que desafiaram nossas dignidades há 45 anos... vivenciei em minha cidade, uma das maiores de nosso país, a plenitude deste período, que muitos chamam de ditadura, tendo eu usufruido a infância, adolescência e juventude num clima de paz, harmonia e progresso em todos os sentidos de minha vida, enquanto que a nação o tinha em seus campos do poder nacional...

Aos que não viveram as causas e as consequências da contra-revolução de 1964, aconselho a ler aqui um excelente texto de autoria do grande historiador Coronel Manuel Soriano Neto, cujo título remete ao evento que hoje orgulhosamente comemoramos... logicamente, o viés pacifista e harmônico da exceção democrática que foi praticada gerou o perdão aos comunistas que quiseram implantar em nossa cultura um regime ditatorial baseado no modelo cubano, que era uma mescla dos genocidas modelos ditatoriais chinês, albanês e soviético...

E este perdão possibilitou o reajustamento social dos perdedores e sua reinserção no estamento político, conduzindo-os aos palanques e aos cargos eletivos ainda na vigência dos governos militares... e o que aconteceu com a reintegração dos perdedores, é o que vemos por ai, na frágil democracia que rege nossas vidas, em que o conceito de democracia não foi validado, em função de que hoje, mais do nunca, governa-se para minorias, tornando-as o início, o meio e o fim do processo em que a quase totalidade da população se vê preterida e relegada a um plano de contingência...

Objetivo:

Para comemorar os 45 anos da vitoriosa contra-revolução democrática de 31 de março de 1964, o Blog do Clausewitz criou o Prêmio 31 de Março, que será concedido a pessoas, instituições e produtores de sites e blogs que mantém vínculos com o ideário que norteou há 45 anos o repúdio à comunização de massas proposta por João Goulart e outros ícones da esquerda revolucionária, comunização e luta de classes e raças reeditada em nossos dias pelos governos integrantes do foro de São Paulo, do qual o Brasil é signatário e fundador...


Logicamente que a presente comenda é algo eletrônico, virtual, abstrato e que em nada substituirá a ação que temos que levar a efeito diariamente em nossos dias atuais, inseridos que estamos numa sociedade já totalmente destituída de razão e escravizada pelo mesmo inimigo de outrora, que após longos anos de revisionismo entendeu que a única maneira de chegar ao poder seria pela democracia que eles combateram por tantos anos e em tantos lugares do mundo...

Regras:


Gostaria de passar então a elencar as regras da premiação que visarão antes de qualquer coisa, ao não constrangimento dos homenageados, posto que o assunto é cercado por tabus e por uma imagem de mácula que foi criminosamente inserida pelos tablados das difusões intelectuais tanto da imprensa, quanto dos atos religiosos e educacionais... as regras são simples e fiquem os homenageados totalmente a vontade para aceitarem ou não:

1ª- Postar um comentário de aceitação neste blog...

2ª- No caso do homenageado produzir site ou blog, que publique o recebimento do Prêmio 31 de Março, indicando até 10 blogueiros...

3º- Que o símbolo ou link para o Prêmio 31 de Março seja inserido em seu blog ou site...

Agraciados:

Vamos aos homenageados, aos quais transmito minha total e incondicional admiração por suas trajetórias vocacionadas ao patriotismo e à incessante luta pela recuperação democrática de nossa nação... esclareço que os nomes de pessoas foram triados dentro de um universo seleto de patriotas que, tombados ou não, imolaram seus futuros e suas dignidades com o fim de nos legar uma pátria altaneira... os blogs e sites citados são todos antigos difusores da mensagem de esperança e de encorajamento face ao mal incansável... a todos, minha consideração e votos que mantenham a força para continuarmos o combate, pois há muito ainda o que trilharmos neste empreendimento, que apenas agora iniciou:


Major do Exército José Julio Toja Martinez - in memorian

☼ Cap PMESP Alberto Mendes Junior - in memorian

Cabo PMSP Nelson Martinez Ponce - in memorian

☼ Cabo PMSP Sylas Bispo Feche - in memorian


☼ Delegado de Polícia SP Octávio Gonçalves Moreira Jr - in memorian

☼ Sargento do Exército Mario Kosel Filho - in memorian

☼ Coronel
Reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra

☼ Coronel
Reformado do Exército Aloisio Madruga

☼ Tenente Coronel
Reformado do Exército Licio Maciel

☼ Professor Geraldo Almendra

☼ Dr Orion Alencastro

☼ Sr Miguel Nagib

☼ Sr Alejandro Peña Esclusa

Movimento Endireitar

ONG Terrorismo Nunca Mais

Grupo Guararapes

Site A Verdade Sufocada

Site Brasil Acima de Tudo

Site Imortais Guerreiros

Site Inforel

Site Mídia Sem Máscara

Site O Futuro Começa Agora

Site Olavo de Carvalho

Site Papeis Avulsos

Site Sacralidade

Site Fuerza Solidaria

Site Unoamérica

Blog Alquimistas do Brasil

Blog do Aluizio Amorim

Blog Nacionalista

Blog Eles quiseram me calar

Blog do Airton Ferra Mula

Blog Pobre Pampa

Blog Anti-Foro de São Paulo

Blog da Maria B.

Blog Direto do Abismo

Blog Liberdade de Pensamento

Blog Contra Communismum

Blog Mujahdin Cucaracha

Blog Resistência e Liberdade

Blog Notalatina

Blog Casamata

Blog Cavaleiro do Templo

Blog Observatório Brasileño

Blog Críticas do Cotidiano

Blog Frodo Balseiro

Blog Reservativa

Blog da União Nacional Republicana

Blog Rascunho Geo

Blog A Casa dos Nerds

Blog Alerta Brasil

Blog Sem Máscara

Blog Resistência Militar

Blog do Conde

Blog Fora Apedeuta

Blog Femmes Contra-Atacam

Blog Libertatum

Blog da Educadora

Blog do David Bor

Blog do Renam Diaz

Blog A Capa e Espada

Blog da ANDEC

Blog Politicagem Brasil

Blog Martha Colmenares

Blog Resistência Catia-Caracas

Blog Epicentro Hispanico

Blog Pátria Judia

"


Após o amigo indicar todos estes grandes espaços, me resta lembrar mais alguns, para receber o Prêmio 31 de março:

1- Blog ByMel

2- A Casa da Mãe Joana

3- Blog da Gusta(Reaja Brasil)

4- Blog O Cobrador

5- Blog Liberdade e Democracia

6- Blog Poder Patriota


Parabéns à todos!
Novamente agradecimentos ao amigo Clausewitz.
Fica justa a homenagem à importante data!!!!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Acervo Histórico Escândalos Nacionais



Vejam que bacana este belo trabalho feito por amigas virtuais, como a Lucy e a Xô Imposto!

Parabéns, o trabalho é de primeira!



Livro: "A Verdade Sufocada"


"A Verdade Sufocada"

Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra

Sinopse PDF Print E-mail

O livro resgata a verdade de um período histórico totalmente distorcido por aqueles que hoje encobrem os seus reais desígnios de transformar o Brasil em um satélite do comunismo internacional, com a falácia de que lutaram contra uma ditadura militar para promover a liberdade e a democracia.

A obra desfaz mitos, farsas e mentiras divulgadas pelos derrotados para manipular a opinião pública e para desacreditar e desmoralizar aqueles que os venceram.

Em linguagem coloquial, A Verdade Sufocada narra o período pré-1964, quando a efervescência dos movimentos subversivos e a influência de Cuba sobre os nossos comunistas quase conduziram o País ao caos; narra os motivos que levaram os militares, apoiados pela mídia, a pedido da sociedade, a desencadear a Contra-Revolução de 1964.

Faz um relato pormenorizado sobre o entrechoque entre os Órgãos de Segurança e as organizações comuno-terroristas. O livro apresenta provas irrefutáveis, que permitem aos leitores fazer um verdadeiro juízo de valor sobre a realidade dos fatos ocorridos naqueles anos conturbados. Cita pessoas, organizações e crimes praticados em nome de uma democracia e de uma liberdade que eles jamais praticaram. O livro abrange o período que vai da Intentona Comunista até os dias atuais.

Trata-se de um alerta aos jovens para que não sejam usados. É um paralelo entre o passado recente de nossa História e os dias atuais.

Realmente é uma história que muitos não querem que o Brasil conheça. É verdade que alguns setores não querem difundi-la. Ainda continuam tentando sufocá-la. Poucas livrarias se dispuseram a vender o livro. Algumas vendem, mas não o expõem nas vitrines. É um livro que incomoda, porque traz à luz a verdadeira história dos “heróis” cultuados hoje, de seus atos terroristas, de seus crimes e das organizações a que pertenciam.

A Verdade Sufocada desvenda os “justiçamentos” que eles praticaram em nome da “liberdade” e da "democracia".

Acaba com o mito de que as Forças Armadas lutaram com seus tanques contra estudantes armados de estilingue e meninos inocentes.

Desvenda os “justiçamentos” que eles praticaram em nome da “liberdade”.

Apesar de todo patrulhamento ideológico, a obra já vendeu 5000 exemplares e já está entre os 10 mais vendidos, segundo o Jornal do Brasil.

A segunda edição revista e ampliada já está sendo impressa.

Não deixe de ler.


O site "AVerdadeSufocada.com" não pertence ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, embora o mesmo faça parte da equipe que produz seus textos. Caso queira nos enviar algum texto de sua autoria e que se encaixe no contexto do site, utilize o mecanismo "Fale conosco" que o mesmo será avaliado. Não publicaremos textos que contenham qualquer tipo de referência racista, pornográfica, discriminatória ou muito agressiva. Os autores dos textos de forma alguma serão remunerados. O site não possui finalidade econômica financeira e se utiliza dos anúncios do Google somente para cobrir os custos de hospedagem. O Google só remunera o site quando os usuários clicam nos anúncios. Recomendamos que somente clique nos anúncios que sejam do seu interesse. Se passamos os dias aqui clamando por honestidade e ética, que primeiramente sejamos éticos e honestos.

A Verdade Sufocada

Enquete encerrada!


A primeira enquete deste blog contou com uma participação modesta, que serviu para eu verificar a ideologia de quem lê este espaço.
Evidentemente que não há estatísticas ou dados cientificamente para se considerar os números para algo. mas aí vai:

Você votaria no Lulla¹³ em 2010

Votos até o momento: 317
Enquete encerrada


SIM - 47 votos, 14%

NÃO - 270 votos, 85%

Obrigado pela Participação!

Memória 1964: Direito à verdade


No livro Direito à Memória e à Verdade lançado no Palácio do Planalto, com a presença do Presidente Lula, do Ministro da Defesa, Nelson Jobim , do Ministro da Justiça, Tarso Genro, do secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, de várias autoridades e dos familiares dos mortos e desaparecidos políticos, a morte de José Milton Barbosa, militante da ALN - Aliança Libertadora Nacional -, é descrita da forma abaixo.
A Comissão de Paz e Justiça, que julga os pedidos de indenizações das famílias, depois de ouvir "testemunhas", examinar "documentos" e chegar a conclusões com "provas " muitas vezes inconscistentes, defere ou não os pedidos de indenizações às famílias.

DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE "JOSÉ MILTON BARBOSA (1939-1971)

Número do processo: 264/96

Filiação: Maria das Dores de Paulo

Data e local de nascimento: 22/10/1939, Bonito (PE)

Organização política ou atividade: ALN

Data e local da morte: 05/12/1971, São Paulo (SP)

Relator: Suzana Keniger Lisbôa

Deferido em: 10/04/1997 por 6x1 (voto contra do general Oswaldo Pereira Gomes)

Data da publicação no DOU: 16/04/1997

Pernambucano de Bonito, morto na capital paulista em 05/12/1971, o afrodescendente José Milton tinha sido sargento radiotelegrafista do Exército, formado pela Escola de Sargento das Armas. Foi cassado em 1964, logo após a deposição de João Goulart, militou no PCB, transferiu-se ao PCBR e teve breve passagem pelo MR-8 antes de ingressar na ALN, da qual foi dirigente. Documentos dos órgãos de segurança o indicam como participante do seqüestro do embaixador alemão, da execução do industrial Albert Henning Boilesen e como sendo uma das 21 pessoas mais procuradas em todo o país, no momento de sua prisão e morte.Em 1967 ingressou no curso de Economia da antiga Universidade do Estado da Guanabara (UEG), atual UERJ, onde estudou até o 3º ano, quando foi forçado a entrar para a clandestinidade. Até fevereiro de 1969, trabalhou na SUNAB.

Antes de a CEMDP analisar o caso, praticamente a única informação que constava no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos era que José Milton fora morto em tiroteio no bairro Sumaré, ao lado do cemitério do Araçá, na data citada, sendo enterrado como indigente em Perus, sob o nome falso de Hélio José da Silva. (1)

Nos arquivos secretos do DOPS/SP foi encontrada uma requisição ao IML, marcada com o característico “T” de “terrorista”, tendo como

declarante Altino Pinto de Carvalho. Lavrada com o referido nome falso, informa que ele morrera às 16 horas do dia 5 de dezembro. Mas

trazia em anexo a ficha datiloscópica de José Milton. Constava também o local do tiroteio – esquina das ruas Tácito de Almeida e Cardoso de Almeida – e o horário de entrada do corpo no IML: 21 horas.(2)

Na CEMDP, o parecer da relatora apontou, como evidências de que José Milton não morreu no alegado tiroteio, a diferença de cinco horas entre a morte e a entrada no IML, realçando também o fato de conhecerem os órgãos de segurança a verdadeira identidade do morto. Como elemento determinante, enfatizou as contradições detectadas na análise das fotos do corpo e do laudo necroscópico.(3)

Assinado por Antônio Dácio Franco do Amaral e José Henrique da Fonseca, o laudo de necropsia aponta quatro orifícios de entrada de

projétil de arma de fogo, nenhum na cabeça, mas ao exame interno observaram edema e anemia do encéfalo. O exame da foto, encontrada nos arquivos do DOPS/SP, mostra que, em pleno verão, José Milton trajava roupa pesada, com grossa japona de lã e calça de veludo, tendo o pescoço suspeitamente envolto em lenço ou cachecol, com a possível intenção de acobertar sinais de violência.(4) Mesmo assim, a foto permite visualizar, com nitidez, os ferimentos que provavelmente causaram o edema registrado no laudo: lesões e equimoses no nariz, canto do olho esquerdo, queixo e testa, estranhamente não descritos no laudo.(5)

Apresentado o voto pela aprovação do requerimento em 19/11/1996, o general Oswaldo Pereira Gomes manifestou-se pelo indeferimento e Paulo Gustavo Gonet Branco pediu vistas dos autos. O processo voltou à pauta em 10/04/1997 e o revisor estabeleceu uma comparação entre as fotografias do corpo e o laudo necroscópico que, embora minucioso, não fazia qualquer referência aos visíveis ferimentos em diversas partes do rosto. Com o argumento de que, “as fotografias emprestam significado relevante à demora ocorrida entre o momento da morte e o da entrega do corpo ao IML, certo de que a polícia, neste período tinha o domínio da situação e ainda que transmitem, de igual sorte, importância à indicação de nome equivocado do cadáver e subseqüente enterro sob o mesmo nome incorreto”, Paulo Gustavo Gonet Branco acompanhou o voto da relatora."




Outra versão é a publicada no livro A Verdade Sufocada - A História que a esquerda não quer que o Brasil conheça, do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra que chefiava o DOI na ocasião da morte de José Milton.


"Um combate

05/12/1971

No dia 5 de dezembro de 1971, um domingo, eu descansava em minha residência,conversando com o “Velho” Expedito, ouvindo os seus casos da época em que trabalhava como segurança do presidente Getúlio Vargas. Os outros três membros da equipe que dava proteção a mim e a minha família divertiam-se com as aventuras do “Velho”. Ele era um policial experimentado. Já fora da Polícia Federal, da Guarda Civil e agora era da Polícia Militar de São Paulo. Eu confiava demais no “Velho”. Era um “cão de guarda”. De longe “farejava” e sentia a presença de tudo que fosse estranho. Um grande policial e um devotado amigo que sempre se expôs para nos proteger. Pedro Expedito de Morais morreu, já aposentado, como primeiro sargento da PM de São Paulo.

Eram mais ou menos 16 horas, quando o telefone tocou. O oficial de dia pedia a minha presença urgente. Acabara de haver um tiroteio na Rua Cardoso de Almeida, no bairro Sumaré, entre a Polícia Militar e três terroristas.

Na reunião da Comunidade de Informações, na última quarta-feira, eu solicitara ao chefe da 2ª Seção da Polícia Militar que colocasse barreiras para controle de trânsito nos prováveis locais onde os terroristas mais transitavam.

Conforme combinado, após um estudo da Seção de Análise do DOI, escolhemos alguns locais críticos e indicamos as zonas de maior atuação terrorista para que a Polícia Militar montasse as barreiras.

O tiroteio que acabara de ocorrer era fruto do atendimento da Polícia Militar ao nosso pedido e, principalmente, de sua eficiência.

Imediatamente me dirigi ao DOI, tendo ao meu lado, com a metralhadora sempre pronta, o “Velho” Expedito e os outros três membros da equipe. Em pouco tempo me inteirei dos fatos. José Milton Barbosa (Cláudio, Castro ou Rafael), ex-militante do Partido Comunista Brasileiro, sargento expulso do Exército, vinha com sua companheira Linda Tayah (Bia ou Miriam) e Gelson Reicher (Marcos), quando se depararam com a barreira da PM. No carro, transportavam bombas e explosivos, além de armas e munições que usavam em ações e em treinamentos realizados em locais afastados.

Desses treinamentos, participavam com freqüência: Lídia Guerlenda, estudante de Medicina e integrante do Grupo Tático Armado da ALN; Gelson Reicher, também universitário, recém-chegado de Cuba, onde fizera curso de guerrilha; José Milton Barbosa e Linda Tayah, entre outros. Vinham preocupados. No dia anterior, o grupo tivera um problema sério no treinamento. Lídia Guerlenda teve a mão decepada ao manusear, perigosamente, uma bomba de fabricação caseira que explodiu antes de ser arremessada.

José Milton, Linda Tayah e Gelson, todos de um Grupo Tático Armado (GTA) da ALN, apanhados de surpresa, abandonaram o carro. José Milton, com uma metralhadora INA, Linda e Gelson, cada um com um revólver .38, invadiram uma casa e fizeram os moradores como reféns. Gelson Reicher fugiu do cerco polícial, pelos fundos da casa. José Milton e Linda, pulando muros, em desabalada carreira e sempre atirando, tentaram a fuga. O tiroteio foi intenso. No final, José Milton estava morto e Linda Tayah, ferida na cabeça, foi presa. O soldado PM Alcides Rodrigues de Souza também foi ferido no braço e na coxa

José Milton Barbosa usava documentos falsos com o nome de Alexandre Rodrigues de Miranda. Seus codinomes eram Cláudio, Castro, Rafael, Camilo, Rui, Thomaz, Zé, Matos e Alberto.

José Milton Barbosa participou, dentre outras ações de:

- 8 assaltos a bancos,

- 5 assaltos a supermercados,

- 4 assaltos a estabelecimentos diversos,

- 5 assaltos a carros transportadores de valores

- 2 assaltos a indústrias,

- Seqüestro do embaixador da Alemanha, quando foi assassinado o agente

Irlando de Sousa Régis e feridos gravemente o policial federal Luís Antônio

Sampaio e o agente José Banharo da Silva;

- “Justiçamento” do militante Marcio Leite Toledo;

- “Justiçamento” do industrial Henning Albert Boilesen;

- Colocação de bomba na Supergel; e

- Atentado contra a ponte do Jaguaré."




Vejamos , depoimentos dados por Linda Tayah, sua companheira de vida e que estava com ele no momento de sua morte, no livro Mulheres que foram à luta Armada de Luiz Maklouf Carvalho, publicado em 1998. Portanto, sem pressão nenhuma do regime militar..

--" O Zé milton era muito bom de tiro- e nós aproveitamos para treinar um pouco.(...) Eu só vi a explosão, ela sem a mão, tudo ensanguentado,as pontas dos ossos aparecendo, os gritos desesperados de dor." - pág 48; ( Linda refere-se a Lídia Guerlenda)

-" Nesse momento de aflição, em que a urgência de socorrer Lídia se sobrepunha a tudo mais, ela, josé Milton Barbosa e G elson Reicher - o jornalista, apavorado, tirara o time de campo- empenham-se como podem para tomar providências e organizar mais um providencial seqüestro de médico. Na tarde do dia seguinte, 5 de dezembro, os três circulam num fusca cheio de armas pela avenida Sumaré. Percebem com alguma antecedência que logo à frente se desenrola uma ostensiva Operação Arrastão da Polícia Militar.Param o carro, pegam as armas e, tentando disfarçar,entram no portão do sobrado 3240 - como se morassem lá ou estivessem chegando. (...) Há um primeiro tiroteio - mas os três conseguem escapar pelo muro dos fundos."

"Linda tem um .38 .Gelson outro. Zé Milton uma INA. Perseguidos chegam à rua Veríssimo da Glória. Gelson se esconde na residência de número 62. Linda e Zé fazem refém , no meio da via, o soldado Valdomiro Trombeta. Obrigam-no a parar um Galaxie, fazem os ocupantes descerem e se prostarem no chão. Linda toma o volante, .38 na mão - Zé Milton, INA engatilhada, coage o soldado a entrar com ele no banco da frente." ( ...) página 252.

"Linda é baleada. Zé Milton está morto. Gelson conseguiu fugir .
Essa é a história que se lê nos depoimentos dos PMs que participaram do cerco - mas Linda tem reparos a fazer.


Eu não atirei. O Zè estava tentando fazer o policial entrar no carro , e de repente ouvimos tiros, eles chegando pra cima de nós. A INA do Zé falhou. Ele tirou a pistola. Me acertaram um tiro. Quando eu olhei o Zé estava debruçado no volante, com os olhos entreabertos. Desmaiei, voltei a mim, peguei um cigarro na japona e ele saiu todo manchado de sangue. Lembro que me enfiaram numa C-14, cheia de sangue, e me levaram direto para a Oban." Pag 253




O jornal A Ação, impresso pela ALN, organização dos três militantes, publicou na na página 7 , sob o título " Guerrilheiro tomba em combate" o seguinte:

"(...)Tombou o companheiro José Milton Barbosa, depois de permitir a fuga a um dos companheiros, eliminar um policial e colocar quatro fora de combate. Outra companheira foi interceptada, saindo ferida gravemente."

" José Milton Barbosa , "Cláudio" ou "Castro" , tombou heroicamente após vários anos de militância revolucionária."(...) - página 253


A Verdade Sufocada - Carlos Alberto Brilhante Ustra - Página 392

"Em 1971, no DOI, durante o interrogatório preliminar, Linda declarou:

Só sei que o “Rafael” não conseguiu disparar a metralhadora, assim como eu não consegui disparar o revólver.

O policial se lançou no cano da metralhadora e se lançou no meu revólver. Não sei como ele conseguiu, mas se lançou. Sei que o “Rafael” foi alvejado primeiro do que eu, morreu no local mesmo, quase que instantaneamente e eu fiquei ferida na cabeça.”

Observação: Rafael era um dos codinomes de José Milton - Este depoimento foi arquivado no inquérito.

Em 1972, quando ouvida na 2ª Auditoria da Circunscrição Judiciária Militar, na presença do juiz auditor, do Conselho Permanente de Justiça, do procurador de Justiça e de seu advogado de defesa ela declarou:

Viajava no interior de um automóvel com seu companheiro José Milton Barbosa, pela Rua Cardoso de Almeida, quando se viram diante de uma “operação arrastão”, da polícia. José Milton e “Marcos” estavam armados, logo saltaram do carro e travaram tiroteio com a polícia. Aliás, diz que só viu José Milton acionar o gatilho de uma metralhadora, mas esta não funcionou, e não sabe em que termos houve tiroteio, pois o certo é que José Milton correu e logo foi atingido. A interroganda correu atrás dele, e o viu morto, sendo também atingida, na cabeça, perdendo os sentidos.”

Segundo o livro Dos filhos deste solo, de Nilmário Miranda, após a aprovação da Lei 9.140/95 - que indenizava mortos e desaparecidos políticos que estavam sob a guarda do Estado - e a constituição da Comissão Especial, que julgaria os pedidos de indenização, foi localizada Linda Tayah e seu filho. Ainda, segundo o livro, Linda fez, na ocasião, as seguintes declarações:

“... Quando voltei a mim, vi José Milton sentado ao volante desmaiado, não percebendo nele nenhum ferimento. Puseram-nos em duas peruas diferentes e nos levaram à Oban, para salas diferentes.

Eu estava lúcida, embora em estado de choque...”



Depois de tantas versões dadas por Linda e, depois de discutirem até se o José Milton estava ou não de japona no momento da morte, fato confirmado por Linda no livro Mulheres que foram à luta armada, a relatora na Comissão Especial Suzana Keniger Lisboa, para decidir sobre a indenização, escolheu a última versão de Linda e declarou, segundo o mesmo livro de Nilmário:

“... que é impossível precisar em que estado ele chegou à Oban, mas é certo que de lá saiu morto.”

“Voto pela inclusão do nome de José Milton Barbosa por ter sido assassinado dentro da Oban, antro maior dos torturadores de São Paulo.”

E assim, de mentiras em mentiras, eles vão falseando a verdade, passando-se por vítimas, escolhendo a versão que mais lhes interessa dos fatos.

A indenização foi concedida.

1- A respeito de seu sepultamento com nome falso , todos os militantes que eram mortos e estavam com nomes falsos eram sepultados , segundo a lei , com os nomes que usavam , já que os documentos falsos eram tirados com certidões de nascimento em cartórios , portanto para todos os efeitos verdadeiros. Leia mais a respeito no livro A Verdade Sufocada ( A vala do Cemitério de Perus - pagina 471)

2/3- Um tiroteio às 16 horas , até que todos os trâmites legais fossem cumpridos, o corpo só poderia demorar a entrar no IML. Hoje, um corpo , de um morto na rua, passa às vezes 8 horas para ser recolhido. O fato da ficha ter um T de terrorista, depois de uma situação como essa , naquela época, só poderia ser identificado como tal, independente de se saber ou não quem era.

4 - Quanto à japona , basta ler as declarações de sua companheira

5- Se existem essas marcas não descritas no laudo, depois de invadir casas, pular muros, lutar com um policial, é provável que houvesse escoriações.

Depois de tantas contradições, deduza o leitor qual a verdade !!!..


Site "A Verdade Sufocada"!

Mais 1 trilhão de dólares


Governo americano apresenta o seu antídoto para
anular o veneno que contamina o sistema financeiro



O governo dos Estados Unidos anunciou, na semana passada, sua disposição de despejar na economia ainda mais dinheiro público. Timothy Geithner, secretário do Tesouro, detalhou o seu plano de saneamento do sistema financeiro americano e informou que será usado até 1 trilhão de dólares, bancados pelos contribuintes, para extrair os ativos podres que contaminam os balanços financeiros dos bancos e os impossibilitam de exercer a sua atividade básica, que é emprestar dinheiro e dinamizar a atividade econômica. A esperança é que finalmente se consiga dar um fim aos derivativos tóxicos que ainda impedem as finanças dos Estados Unidos de retornar aos trilhos. Pela reação dos investidores, há chances reais de o programa representar o início do fim da crise: as bolsas encerraram a semana em alta, e boa parte das ações já acumula ganhos neste ano. Economistas do mundo acadêmico, no entanto, ainda continuam céticos e acreditam que há uma série de mazelas que precisam ser sanadas antes que a economia se recupere plenamente.

VEJA O INFOGRÁFICO

O fato de um resgate no montante de 1 trilhão de dólares não ser, talvez, suficiente para recuperar o sistema financeiro dá a dimensão do tamanho do enrosco dos americanos. Essa montanha de dinheiro é similar, por exemplo, ao total gasto pelos Estados Unidos nas guerras da Coreia e do Vietnã, com os valores já corrigidos pela inflação. Para distribuir essa quantia em cédulas, seriam necessários 10 bilhões de notas de 100 dólares, com um peso total de 10 000 toneladas. Mas esse novo trilhão é apenas mais um somado a outros tantos já despejados desde o fim de 2007, depois do estouro da bolha financeira. No total, a operação anticrise do governo americano já atinge 10 trilhões de dólares, na forma de injeção de capital nos bancos, resgate de empresas falidas, garantias e projetos de investimento em infraestrutura. Nas próximas semanas, quando o antídoto para o veneno dos bancos começar a ser aplicado, será possível saber se a medicação bastará ou se haverá a necessidade de um tratamento ainda mais extremo.

CUSTO POLÍTICO
Geithner (à esq.) e o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke (ao centro), no Congresso: explicações para os 180 bilhões de dólares usados para salvar a AIG

O novo pacote de saneamento financeiro foi desenhado para estimular os investidores privados a comprar os ativos problemáticos dos bancos – em geral, toda uma papelada emitida tendo como lastro títulos hipotecários que agora viraram pó. O governo entrará com altos subsídios e dará garantias aos compradores, sem o que ninguém estaria disposto a participar desse negócio. O Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), ou órgão federal de seguro aos depósitos, vai leiloar carteiras que contenham esses ativos considerados tóxicos. Ganhará quem fizer as maiores ofertas. O vencedor de cada leilão entrará num fundo de investimento público-privado, em parceira com o Tesouro. A gestão da carteira, contudo, será feita pelo setor privado, sob a supervisão do FDIC. Se tudo der certo, no futuro os investidores e o Tesouro vão recuperar, com ganhos, o total investido hoje. Mas há, obviamente, o risco substancial de as aplicações virarem grandes micos.

Para o estrategista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani, o pacote é "o melhor que poderia ter sido feito dadas as atuais restrições dos Estados Unidos". Segundo Padovani, a medida afasta a ideia de nacionalizar o sistema financeiro, o que seria muito complicado, custoso e ineficiente. "E também acalma um pouco o clima político, pois é mesmo difícil explicar à população a necessidade de usar recursos públicos para ajudar um banco." O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale, também apoia a participação privada, mas alerta para um risco ligado à execução do pacote. "De forma geral, a estratégia está na direção certa. Só temo pela dificuldade de colocar o programa em pé e fazê-lo funcionar quanto antes. Do jeito que foi montado, pode ser que demore a surtir efeito", afirmou Vale. Professores ame-ricanos ouvidos pelo correspondente de VEJA em Nova York, André Petry, também mostraram descrença com a eficiência do plano (veja o quadro). Na avaliação do economista de Harvard Bruce Scott, por exemplo, ainda há dois desafios essenciais: "O primeiro é o contínuo achatamento dos preços do mercado imobiliário, o que segue piorando o balanço dos bancos, expondo-os a ativos crescentemente tóxicos. O segundo problema é a alavancagem excessiva do sistema financeiro, praticamente o triplo do que se verificava até 1980".


FÁBRICA DE DINHEIRO
O governo dos Estados Unidos ampliou a emissão de moeda para combater a recessão

Ainda que nos Estados Unidos os valores sejam mais expressivos, outros países também tiveram de abrir seus cofres para combater a crise. A ação conjunta das maiores economias do mundo já atinge, ao menos, 12 trilhões de dólares. Parece uma quantidade absurda de dinheiro, mas significa um quarto da riqueza que evaporou com o estouro da bolha. Um estudo do economista Claudio Loser para o Banco Asiático de Desenvolvimento estimou em 50 trilhões de dólares o tamanho da desvalorização dos ativos financeiros. A ação dos governos tem o objetivo justamente de compensar, ao menos em parte, o desaparecimento dessa riqueza. Do contrário, a contração na atividade econômica global seria ainda mais severa. Trata-se, portanto, de uma maneira de atenuar o doloroso processo de ajuste pelo qual o mundo terá de passar por causa de três décadas de excessos.

O ponto inicial desse porre financeiro sem precedentes pode ser estabelecido no dia 15 de agosto de 1971, quando o presidente americano Richard Nixon decidiu, unilateralmente, que não mais seguiria as regras do padrão-ouro estabelecidas na Conferência de Bretton Woods (1944). Surgia ali a moeda fiduciária, sem valor intrínseco, baseada apenas na confiança depositada nela. Foi o primeiro passo da dissociação entre a economia real e o planeta finanças (veja o quadro). Para o filósofo Roberto Romano, da Unicamp, o mundo viu acontecer algo alertado pelos pensadores desde a Grécia Antiga: a irracionalidade e os excessos que derivam de uma relação distorcida com o dinheiro, contaminada pelas paixões humanas. Segundo o professor, quando isso acontece, o conselho da filosofia é que se invoque rapidamente a razão para controlar os exageros: "Platão afirma que o relacionamento da alma com as paixões tem de ser despótico". Se a história serve de alento, bolhas sempre são seguidas de pânicos financeiros e crise, mas cedo ou tarde o mundo das finanças recobra sua racionalidade.

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A avaliação dos efeitos do trilhão

A maioria destes economistas ouvidos pelo correspondente
André Petry em Nova York acha que ainda é cedo para
ver luz no fim do túnel.


"É difícil avaliar o estágio atual da crise financeira, porque existem fragilidades fundamentais. A proposta do governo Obama pode ajudar de modo considerável, mas não é compatível com a escala do problema como um todo. A alavancagem excessiva continua sendo um tremendo perigo."
Bruce Scott, professor de economia da Universidade Harvard




"Minha expectativa é que o setor financeiro se recupere rapidamente. Mas a economia real não melhora de uma hora para outra. Estamos no começo do fim do problema bancário, mas ainda no fim do começo da crise como um todo."
Eric Maskin
, professor de economia política da Universidade Princeton e Nobel de 2007





"A história nos ensina que, depois de voltarem a andar com as próprias pernas, os bancos ainda levarão em torno de um ano para oferecer crédito na praça."
Barry Eichengreen
, professor de economia e ciência política da Universidade da Califórnia, em Berkeley




"Ainda temos muitos bancos insolventes. Deveriam ter deixado a AIG ir à falência, com o que teríamos uma reestruturação ordeira e mais rápida do setor financeiro."
Edward Prescott, professor de economia da Universidade Estadual do Arizona e Nobel de 2004






"Receio que a crise esteja apenas no seu estágio inicial. O grande temor é que muitos bancos se revelem uma AIG – ou seja, que se tornem sugadores de ajuda oficial para não falir. Estamos no primeiro estágio de um longo processo de recuperação."
Charles Geisst, professor de história financeira do Manhattan College






REVISTA VEJA - EDIÇÃO 2105 - 29 de março

O elogio do atraso


"Nossa maior glória, de acordo com a reportagem da revista The Economist, foi ter permanecido lá atrás.
No estatismo. No assistencialismo. No empreguismo.
Na agiotagem. Nas negociatas"


O elogio do atraso.

Quanto mais atrasado, melhor. Há algumas semanas, a revista The Economist analisou o atual estado da economia brasileira. Nossa maior glória, de acordo com a reportagem, foi ter permanecido lá atrás. No estatismo. No assistencialismo. No empreguismo. Na agiotagem. Nas negociatas patrimonialistas do BNDES. Agora tudo isso poderá nos proteger do rombo da economia mundial, causado por aquela "gente branca, loira e de olhos azuis", segundo Lula.

A reportagem da The Economist é ilustrada com a imagem de um homem de bermuda, tirando uma soneca num muro de pedra, diante de uma igreja. Os historiadores sempre associaram nosso atraso ao catolicismo ibérico. Como nosso trunfo é o atraso, a gente tem de ir mais à igreja. A gente tem de resgatar o Tribunal do Santo Ofício. A gente tem de dormir mais. Nosso lugar, como o de Macunaíma, é numa aldeia à margem do Uraricoera. The Economist recuperou o mito modernista do herói indolente e sem caráter, celebrando Mário de Andrade com oitenta anos de atraso. Quanto mais atrasado, melhor. Especialmente no caso de Mário de Andrade.

Coreia, Coreia, Coreia. Nos últimos anos, aconselharam-nos sem parar a imitar a Coreia. Que pegou um monte de dinheiro e o despejou todinho na escola. O único caminho para o progresso, repetia-se tediosamente, era o estudo. Os coreanos fizeram isso mesmo: estudaram. Deu certo por algum tempo. Até a economia mundial desabar. Quando desabou, a da Coreia desabou mais ainda. E o modelo brasileiro, baseado no torpor físico e moral, passou a ser comemorado nas páginas da The Economist. Quem mandou estudar tanto? A Coreia, hoje, tem uma indústria de ponta que compete com a dos países mais ricos, com produtos que ninguém se interessa em comprar. A gente, muito mais folgadamente, recolhe farelo de soja e minério de ferro e sai arrecadando uns trocados por aí. Conselho: estude menos e durma mais.

Há outras áreas em que o imobilismo e o atraso podem nos beneficiar. Neste período de empobrecimento generalizado, em que há maior chance de tumulto social, ter um povo domesticado e acovardado, como o nosso, representa uma grande vantagem. Outra área da qual temos de tirar proveito é o ambiente. Os Estados Unidos se preparam para torrar 150 bilhões de dólares em energia limpa e ineficaz, num prazo de dez anos. Ao mesmo tempo, planejam aumentar todos os impostos sobre as fontes de energia mais poluentes e eficazes. Nós, por outro lado, continuaremos a produzir como sempre fizemos, de maneira porca e barata: ateando fogo no mato e soltando o gado.

Daqui a dez anos, se a economia mundial continuar a se atrofiar, estaremos ainda melhor, colhendo os frutos de nosso atraso. The Economist dedicará mais uma página ao Brasil, numa reportagem altamente elogiosa a respeito de nossas queimadas, ilustrada com a imagem de um homem de bermuda, tirando uma soneca num muro de pedra, diante de uma igreja. E com enfisema pulmonar.

Camargo Correia: Mais um "duto" de dinheiro para a política?

BATIDA POLICIAL

A PF fez buscas na sede da empreiteira, em São Paulo, e prendeu três de seus diretores, entre eles, Raggi Badra Neto, da divisão de obras públicas (à dir.)


Por dentro e por fora

Investigação da PF indica que diretores da Camargo Corrêa praticaram evasão de divisas e fizeram doações ilegais a políticos


Fabio Portela


A prisão de três diretores e de um alto executivo da empreiteira paulista Camargo Corrêa pode ter sido a senha para que o Brasil comece a esmiuçar os detalhes de um sistema endêmico de corrupção: a relação entre os partidos políticos e as empresas que vivem de contratos públicos. Os alicerces da Camargo Corrêa foram abalados por uma investigação da Polícia Federal. As apurações se iniciaram há um ano, quando os policiais, ao investigar doleiros, receberam a denúncia de que os diretores da construtora usavam outros doleiros para enviar fortunas para fora do país ilegalmente. Estima-se que, no período da investigação, o esquema tenha movimentado até 30 milhões de reais. A dinheirama saía do Brasil sem deixar rastros nem pagar imposto e era dividida em contas bancárias em paraísos fiscais. Sua destinação final ainda é um mistério, mas há pelo menos uma boa pista: a polícia descobriu que esse mesmo grupo de executivos cuidava das doações feitas a políticos pela Camargo Corrêa. Em conversas gravadas, eles indicam que havia doações “por dentro”, registradas na Justiça, e “por fora”, para formação de caixa dois.

Há anos, empreiteiras como a Camargo Corrêa estão no grupo de empresas que mais recebem recursos dos governos — de todos os governos — graças à construção de rodovias, hidrelétricas e outras obras de grande porte. Quando chega o período das eleições, aparecem entre as maiores financiadoras dos partidos políticos — de todos os partidos. É um ciclo vicioso no qual os empreiteiros recebem montanhas de dinheiro dos contribuintes e repassam parte dele aos políticos. Até os ascensoristas do Tribunal de Contas da União sabem que empreiteira que não ajuda partidos políticos tem menos chance de conquistar contratos. Gigantes como a Camargo Corrêa são generosos. No ano passado, quando houve eleições municipais, ela repassou “por dentro” 7,4 milhões de reais. Como toda empreiteira, a Camargo Corrêa é apartidária: contribui para agremiações de todo o espectro ideológico. Afinal, nunca se sabe quem estará no poder no futuro. A investigação da Polícia Federal trouxe à tona um mundo que, embora conhecido, nunca havia sido exposto. A empreiteira reagiu com uma nota na qual se diz “perplexa” com a devassa.

Três diretores da empresa acabaram na carceragem da PF em São Paulo: Fernando Dias Gomes, da auditoria, Dárcio Brunato, da controladoria, e Raggi Badra Neto, da divisão de obras públicas. Também foram detidos Pietro Bianchi, que tem cargo de consultor, e duas secretárias. Eles tiravam dinheiro do país por meio de um grupo de doleiros liderados pelo suíço naturalizado brasileiro Kurt Paul Pickel. A polícia grampeou telefones, e-mails e aparelhos de fax de Pickel. Até uma microcâmera foi instalada em sua casa para monitorá-lo. Ele recebia os recursos em espécie nas visitas que fazia incógnito à sede da Camargo Corrêa. Jamais se identificava na portaria. Pegava o dinheiro, mandava-o para três doleiros no Rio de Janeiro e garantia que os recursos dos diretores da empreiteira fossem depositados em paraísos fiscais. As remessas eram de, pelo menos, 200 000 reais. Algumas chegaram a 2 milhões de reais.

EM CONTATO
Fernando Botelho, da Camargo Corrêa (à esq.), ajudou políticos indicados por Skaf, da Fiesp (à dir.)

Enquanto investigavam a evasão de divisas, os policiais flagraram os mesmos diretores da Camargo Corrêa discutindo pagamentos a políticos. Os grampos revelam que esse trabalho era coordenado por Fernando Botelho, um dos donos da empreiteira. Os partidos citados são: PMDB, PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT e PP. Pois é, faltou o PT. Mas, preocupado com os desdobramentos da investigação, o presidente Lula convocou o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos para acompanhar o assunto e defender... a Camargo Corrêa. Até agora, a polícia não encontrou indícios de que o dinheiro repassado a políticos era o mesmo que viajava por paraísos fiscais. Mas descobriu que, além de fazer doações legais, a construtora mantém um caixa dois para abastecer políticos de forma irregular. O indício mais forte disso é que, nas gravações, os executivos se referem a doações feitas “por fora”. Um deles, Pietro Bianchi, chega a mencionar um arquivo de computador chamado “Eleições”, com todas as contribuições de 2008. Registros semelhantes constariam de um pen drive. As buscas da polícia tinham como objetivo encontrar esses registros. Depois de fazer uma primeira análise do material, o delegado Otávio Rosso informou ao Ministério Público que o resultado foi “ótimo”.

Como a Camargo Corrêa é suprapartidária, a operação da PF apavorou Brasília inteira. Há um bom motivo para isso. Na capital, era conhecida a atuação de Luiz Henrique Bezerra, um lobista da Fiesp que intermediava doações políticas da empreiteira. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que sonha ser candidato ao governo paulista em 2010, diz não temer as investigações. “Em período de eleição, os políticos nos pedem ajuda, seria hipocrisia negar. O que fazemos é apresentá-los a empresas que podem fazer doações. Foi o que ocorreu com a Camargo Corrêa. As doações foram legais e registradas. Fiz isso e continuarei fazendo”, afirma ele. Seria mais prudente esperar o resultado da investigação.

Por dentro, não

Em 23 de setembro de 2008, às vésperas das eleições municipais, o executivo Pietro Bianchi, da Camargo Corrêa, conversou por telefone com um homem identificado apenas como Marcelo

Marcelo – Nós tínhamos de realizar algumas coisas ontem e hoje e não aconteceram.

Pietro – Quais foram?

Marcelo – Aquela "tulipa", lembra? Chegou a ver?

Pietro – Não. O que era isso?

Marcelo – Eram algumas coisas para acontecer ontem...

Pietro – Sim, mas o que é? Campanha política?

Marcelo – É.

Pietro – Por dentro?

Marcelo – Não.

Pietro – É, então não tô sab... nem eu tô sabendo... tudo...


Revista Veja - Ed 2105, 29 de março.

domingo, 29 de março de 2009

O esperado estelionato eleitoral já começou!


Apesar de não ter sido aberta oficialmente à temporada de caça ao voto, Lula e Dilma já estão em franca campanha eleitoral.

Como de praxe, muitas promessas, muita publicidade, pouca honestidade e nenhuma ética.

Primeiro veio o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC. Como era de se esperar está empacado. Mesmo com recursos e a ansiedade de Lula de inaugurar, o programa trouxe resultados tímidos para não dizer vexamosos, além é claro da corrupção que faz parte de qualquer pacote do Partido dos Trabalhadores e da administração de Lula.

Dilma Rousseff bem que tentou transformar seu bastardinho num filho legítimo e bonito. Andou viajando pelo país para inaugurar as minguadas realizações do PAC.

Mas logo todos perceberam que contar com resultados do PAC para associar a imagem de Dilma Roussef a grande realizadora e empreendedora levaria a um fracasso retumbante. Pelo andar do PAC, até 2010 teremos poucos resultados positivos e por certo uma montanha de escândalos que cresce a cada dia.

Assim Lula resolveu fazer aquilo que sabe fazer muito bem. Discursar para o povo e lançar mais um estelionato coletivo.

Lula prometeu construir 1.000.000 de moradias e criar condições de pai pra filho para que até mais miseráveis consigam um teto para morar.

Esse é obviamente um grande golpe eleitoreiro. Lula sabe que não tem capacidade de construir 1.000.000 de moradias em pouco mais de um ano. O país não tem logística, infra-estrutura nem mão de obra para tamanha empreitada num tempo tão exíguo.

Assim já preparou o terreno. Anunciou seu programa habitação estelionato, mas advertiu que não lhe cobrem prazos.

Essa advertência aparentemente ingênua esconde dois gigantescos golpes de má fé.

Primeiro a promessa de 1.000.000 de moradias gera um impacto estrondoso e a publicidade habilmente explorará o GRANDE PROGRAMA DE 1.000.000 DE MORADIAS INÉDITO NA HISTÓRIA DO BRASIL.

O fato da promessa não se cumprir é secundário. Depois o povo esquece. Como esqueceu a promessa de 10.000.000 de empregos da primeira camapnha eleitoral e todas as outras que nunca foram cumpridas.

O segundo aspecto é que após algumas parcas inaugurações com discursos, depoimentos comoventes dos agraciados, fanfarras e muita publicidade, virá a chantagem eleitoral. Dilma Rousseff será anunciada como grande mentora e realizadora, e única capaz de dar continuidade ao projeto. No bom português a campanha será: “vote em Dilma ou não terá casa.”

Ou seja, o projeto de 1.000.000 de moradias é um golpe em dois lances.

Tecnicamente o projeto também é uma fraude que não se sustenta.

O projeto prevê a construção de 1.000.000 de moradias em dois modelos. Segundo dados oficiais o governo dotou o programa de R$ 34 bilhões, mas não explicou a origem dos recursos.

Segundo a propaganda do projeto ”Minha Casa, Minha Vida”, serão construídas casas de 35 m2 e apartamentos de 42 m2 em prédios de 4 pavimentos.

É um erro construir habitações populares em prédios de quatro pavimentos. Tal fato já foi constatado em projetos anteriores. O exemplo mais representativo desse erro é o conjunto conhecido como Conjunto do Pedregulho ou Conjunto Residencial Mendes de Morais situado no Rio de Janeiro. (Foto atual ao lado e da época da inauguração no início do artigo)

O Conjunto do Pedregulho é um dos ícones da arquitetura modernista brasileira. Foi projetado pelo arquiteto Afonso Eduardo Reidy. O projeto paisagístico é de Roberto Burle Marx e os painéis, de são autoria de Candido Portinari, Burle Marx e Anísio Medeiros.

Apesar de todos esses aspectos e de ser tombado, o conjunto tem problemas de manutenção crônicos e sérios. O fato de ser um conjunto habitacional popular de múltiplos pavimentos torna sua manutenção praticamente inviável pelos moradores que têm baixo poder aquisitivo. O resultado é a decadência total do conjunto com deterioração da estrutura revestimento e demais elementos da construção.

Habitações populares de um pavimento são de manutenção fácil e barata. Além disso, eventual relaxamento na manutenção não implica em risco de desabamento.

Mas esse é um aspecto secundário que não interessa a Lula ou a sua equipe marqueteira.

Desprezando esse detalhe há a questão financeira.

O SINDUSCON – Sindicato da Indústria da Construção Civil pesquisa e publica mensalmente custos de referência da construção civil.

De acordo com o SINDUSCON – RJ, o custo do m2 de construção “Padrão Popular” foi de R$ 807,27 em fevereiro de 2009. Esse custo representa apenas as parcelas de material e mão de obra.

Existem pequenas variações de um estado para o outro. Mas tomando por base o valor de R$ 800,00 / m2 e considerando 1.000.000 de habitações com área média de 38 m2, somente a construção consumiria R$ 800,00 x 1.000.000 x 38 = R$ 30.400.000.000,00.

Ou seja, R$ 30,4 bilhões.

Mas essas construções não serão erguidas em terra de ninguém. Há que se considerar o custo de aquisição da terra e todo custo de implantação de infra-estrutura que vai desde arruamento, água, esgoto, energia, telefonia e outros serviços. Todos esses itens custam muito mais que parcos R$ 1,6 bilhões.

Somente o custo da terra é exorbitante, principalmente se esses conjuntos forem construídos em centros urbanos onde a terra é escassa e valorizada ou tem a questão fundiária embaraçada.

Dilma Rousseff está mentindo conscientemete quando diz que esses recursos contemplam todo projeto, pois é inacreditável que não tenha assessores capazes de fazer contas tão elementares.

Acresça-se a todos esses custos a corrupção, que é uma marca registrada desse governo. Nada anda sem propina, malas e cuecas de dinheiro. O exemplo mais recente é o próprio PAC que já algumas centenas de escandalos envolvendo ministros de Estado, funcionários do primeiro escalão, prefeitos, empreiteiras e obviamente congressistas.

O projeto Minha “Casa, Minha Vida” é mais um estelionato como o foi o “Cimento Social” lançado por Lula e Marcelo Crivella antes das eleições para prefeito.

O “Cimento Social” consistia em reformar alguns barracos no morro da Providência no Rio de Janeiro. Não foi terminado e resultou num episódio trágico para o Exército Brasileiro que foi envolvido numa aventura irresponsável.

Lamentavelmente o povo não tem capacidade de perceber que está sendo manipulado da forma mais criminosa e sórdida.

A nossa esperança é que a incompetência, outra marca registrada desse governo, leve mais esse projeto para o mesmo caminho do “Cimento Social” e do Programa de Aceleração do Crescimento.

Talvez assim nos livremos de Dilma e dessa esquerda golpista que está destruindo o país e a América do Sul.

Para saber mais:

Conjunto do Pedregulho

SINDUSCON RJ

OGLOBO de 27/03/09

OFCA