sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Fazendo sua Liberdade

FAB realiza varredura na região onde avião teria desaparecido


BRASÍLIA - As buscas à aeronave C-98 Caravan da Força Aérea Brasileira (FAB), desaparecida na região Norte entre Tabatinga (AM) e Cruzeiro do Sul (AC), prosseguem durante toda a noite. Segundo a FAB, a aeronave decolou às 8h30 horário local (10h30 de Brasília) e deveria pousar em Tabatinga às 10h15 (horário local).

Uma varredura da região está sendo feita com o auxílio de sete aeronaves da FAB e uma do Exército Brasileiro, entre as quais um avião de reconhecimento R-99, equipado com sensor para varredura térmica, a exemplo do que ocorreu no caso do voo AF-447, e de um helicóptero HM-3. O avião transportava 11 pessoas - quatro tripulantes e sete passageiros - e apoiava missão de vacinação do Ministério da Saúde.

O SALVAERO, órgão da Força Aérea que coordena operações de busca e resgate no País, recebeu o sinal de emergência (ELT) emitido pela aeronave 58 minutos depois da decolagem. Com base nas informações do ELT e dos últimos contatos radar e rádio com o controle de tráfego aéreo, foi possível estabelecer uma área para início das buscas.

De acordo com a nota emitida pela Aeronáutica, será montada uma base de operações na cidade de Cruzeiro do Sul (AC). Mais de cem militares participam da operação de resgate na região.

Estadão


Comento: Em 1997 eu fiz pelo menos 30 viagens neste mesmo modelo de aeronave, nessas missões de saúde (sou 2º tenente médico da reserva da FAB), afinal muitos brasileiros da amazônia só tinham as equipes de saúde das FFAA como salvação. Cumprimos nosso dever de atendimento por 1 ano. Infelizmente esta equipe não voltou para casa!
Sinceramente às famílias, meus mais sinceros sentimentos pela provável perda de seus entes queridos, mais saibam que estavam cumprindo seu dever, sendo abnegados e indispensáveis à região amazônica.
Senta a Pua!
SELVA!

Governo de facto e Zelaya chegam a acordo em Honduras


TEGUCIGALPA - As comissões negociadoras da crise política em Honduras chegaram a um acordo na noite de quinta-feira (madrugada de sexta-feira, 30, em Brasília)) que abre as portas para o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya. O governo de facto, liderado por Roberto Micheletti, aceitou que seja do Congresso a palavra final sobre a restituição - principal reivindicação zelaysta para um acordo - com uma opinião prévia da Corte Suprema de Justiça. O anúncio foi feito um dia após a chegada a Tegucigalpa de uma missão do governo americano liderada por Thomas Shannon, secretário-assistente para Assuntos Hemisféricos.

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A disputa sobre qual poder deverá - ou não - determinar a volta de Zelaya é o único dos 12 pontos da Proposta de San José em que não há consenso. Zelaystas dizem que a questão é política e, portanto, deve ser submetida ao Congresso - onde supostamente a maioria aprova a restituição. Golpistas afirmam que a matéria é legal e teria de ser decidida pela Suprema Corte, a qual depôs Zelaya e já negou uma vez sua restituição ao poder.

O anúncio foi feito pelo secretário de Assuntos Políticos da Organização dos Estados Americanos (OEA), Víctor Rico, em um breve comparecimento perante a imprensa junto de Shannon. O diálogo "chegou a uma feliz conclusão. Há alguns minutos as delegações designadas para este diálogo assinaram a ata e os textos correspondentes", comentou Rico. "Foi de acordo das duas comissões que este tema (a restituição de Zelaya) seja resolvido pelo Congresso Nacional", disse, por sua vez, o chefe da comissão de Micheletti, Armando Aguilar. O representante do governo de facto ressaltou, porém, que ainda "não se falou de prazos" para que o Congresso tome a decisão sobre o assunto.

"Esse é um triunfo da democracia hondurenha", disse Zelaya após os dois lados terem chegado a um acordo que, segundo ele, o levará de volta ao poder nos próximos dias. O Congresso ainda precisa aprovar seu retorno, mas Zelaya disse que não esperava novos problemas. "Esse é um primeiro passo. Meu retorno é iminente, estou otimista", disse à Reuters.

Zelaya foi retirado do poder e mandado para o exílio no dia 28 de junho, mas conseguiu voltar escondido ao país no mês passado e desde então buscou abrigo na embaixada do Brasil. O líder de facto Roberto Micheletti, que se mostrava irredutível sobre o retorno de Zelaya ao poder, amenizou sua posição após a mediação norte-americana. "Autorizei minha equipe de negociação a assinar um acordo que marca o começo do fim dessa situação política no país", disse Micheletti a repórteres.

Feita um dia após a chegada da missão americana a Tegucigalpa, a revelação difere dos sinais que Micheletti vinha enviando à comunidade internacional. O presidente de facto argumenta que uma restituição seria inconstitucional, já que o Judiciário havia determinado a saída de Zelaya da presidência. "Nada e ninguém me fará mudar essa posição", dissera Micheletti, na terça-feira.

As negociações haviam sido interrompidas na semana passada pelo campo zelaysta. O governo de facto estaria "brincando", disse o chefe dos emissários de Zelaya, Víctor Meza, e arrastando o diálogo para ganhar tempo até as eleições presidenciais do dia 29.
Confusa, a última proposta que o governo de facto colocou sobre a mesa de diálogo previa que a decisão dos negociadores seria "soberana", mas submetida a "conselhos" do Legislativo e do Judiciário. A oferta fez zelaystas perderem a paciência e anunciarem a "suspensão" dos contatos. "O tempo está correndo", alertou Shannon.

O líder deposto ressaltou que a missão americana liderada pelo subsecretário de Estado Thomas Shannon "teve um papel fundamental", da mesma forma que a OEA, a União Europeia e todos os países da América. Para Zelaya, o acordo tem que ser "uma garantia para que o sentido da interrupção democrática que significam os Governos de fato sejam experiências" que não voltem a se repetir em Honduras.

Estadão

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Comissão do Senado aprova entrada da Venezuela no Mercosul


A Venezuela ficou mais perto de ser admitida no Mercosul nesta quinta-feira (29), dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Caracas para encontros com o presidente Hugo Chávez. A CRE (Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional) aprovou o protocolo de adesão assinado em Caracas em julho de 2006 e encaminhado pelo Executivo ao Congresso no início de 2007. A matéria ainda precisa ser votada no plenário do Senado, o que deverá ocorrer na próxima semana.

A questão da entrada da Venezuela no bloco econômico fará parte das conversas entre Lula e Chávez, de acordo com informação do porta-voz da Presidência da República. Na quarta-feira, Marcelo Baumbach disse ainda que o presidente brasileiro estava "confiante" na aprovação do protocolo tanto na CRE como no plenário.

A primeira etapa foi superada nesta quinta, com a aprovação do protocolo por 12 votos a 5. Os senadores acataram um voto em separado apresentado pelo líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), depois que o relatório do tucano Tasso Jereissati (CE), contrário à adesão, foi rejeitado.

O parecer de Jereissati dizia que o presidente Chávez "tem demonstrado pouca consideração a acordos e contratos" e que, por isso, o governo brasileiro poderia enfrentar situações "difíceis e complicadas" no futuro. O texto foi rejeitado com 11 votos 'não', três votos 'sim' e uma abstenção.

No início desta semana, contudo, o senador admitiu que poderia mudar sua posição, caso o governo Hugo Chávez se comprometesse a respeitar a democracia. A possibilidade de acordo foi levantada durante audiência pública em que o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, criticou as restrições à liberdade em seu país, mas defendeu a entrada da Venezuela no bloco, com ressalvas.

Comissão do Senado aprova entrada da Venezuela no Mercosul

OS MILITARES E A DEMOCRACIA


Leitores me perguntam como foi a palestra de ontem no Comando Militar do Sudeste. Excelente! No dia 7 deste mês, falei no Clube Militar, no Rio. Encontro igualmente agradável. Não chego a dizer que é “impressionante” a formação intelectual dos oficiais — inclusive a dos jovens — porque isso faria supor que eu esperasse coisa diferente, tendo sido surpreendido. E não esperava. Estão mais bem-informados, e pensam segundo modelos de precisão freqüentemente mais atilados, do que muitas categorias profissionais das quais se deveria cobrar especial apuro intelectual — jornalistas, por exemplo. Minha palestra desta quarta encerrou o “III Estágio de Comunicação Social — Exército na Sociedade: Conhecer, Integrar, Comunicar”. É a segunda vez que sou convidado para o evento.

A petralhada chiou pra chuchu. “Aí, hein?, está querendo dar golpe!”.Os mediocremente informados procuraram me associar a Carlos Lacerda. Vocês imaginam o rol de bobagens de que essa gente é capaz. Pois é… Nas duas vezes — ou três, se eu levar em conta o convite do ano passado —, falei em defesa das instituições democráticas e da Constituição. Dos militares, em suas intervenções nos debates, só ouvi palavras de defesa da Carta que rege o país. E nem poderia ser diferente.

Se existe alguma tentação golpista no Brasil, ela não veste uniforme. Se existem pessoas que hoje desrespeitam abertamente as leis que nos regem, elas não estão nos quartéis. Na América Latina — e também por aqui, ainda que de modo um tanto mitigado —, as tentações autoritárias partem daqueles que pretendem que as urnas abram caminho para uma espécie de absolutismo do voto. Querem alguns que, porque eleitos, podem fazer da Constituição e das leis o que bem entendem. E eu existo, entre outras razões, para dizer: “NÃO PODEM!!!”

Sinto-me honrado com tais convites. E participarei quantas vezes me convidarem. O Exército entende hoje em dia a imprensa com muito mais clareza e propriedade do que a imprensa entende o Exército. Ademais, vale a minha frase que deixa alguns irritadinhos: as Forças Armadas são a democracia de farda. E são, como em todas as democracias, as garantidoras últimas do regime de liberdades. Os absolutistas das urnas não gostam de pensar que algo possa ser superior à sua vontade — as leis, por exemplo. Mas elas são.

É sobre isso que falo nessas palestras.


Reinaldo Azevedo

Indefinição tucana amarra oposição em 12 Estados

A indefinição da candidatura presidencial do PSDB deixou os partidos de oposição à beira de um ataque de nervos e ameaça causar divisões políticas internas com efeitos nas campanhas regionais. Esse impasse está travando a definição das coligações locais em pelo menos 12 Estados, que aguardam a resolução da candidatura presidencial para desembaraçar suas pendências locais.

Existem graves focos de insatisfação em Minas, no Rio e em São Paulo. Mas há problemas em pelo menos mais nove Estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Pará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Amazonas e Maranhão.

Nos três focos principais, que reúnem o maior número de eleitores do País, as queixas são abertas. Em Minas, o governador Aécio Neves (PSDB) reclama da demora para a escolha do candidato e também do tratamento de indiferença que setores tucanos vêm dando à sua pretensão de concorrer ao Palácio do Planalto.

Outro foco está em São Paulo, onde os tucanos Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes Ferreira desejam ser os indicados para concorrer ao governo, mas precisam aguardar pela definição do futuro do governador José Serra. Eles perceberam a movimentação em torno de uma terceira alternativa como candidato a governador - o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

Oficialmente, Kassab nega que participe de articulações a esse respeito, mas a boa aceitação de seu nome em pesquisas de intenção de voto pôs efetivamente essa possibilidade na mesa de discussões.

O terceiro foco de atrito está no relacionamento do PSDB com o DEM, seu principal aliado. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), tem cobrado publicamente pressa pela definição da candidatura presidencial, avaliando que isso tem provocado dificuldades na montagem das alianças regionais.

Depois de relatar sua "angústia" com a situação, Maia foi mais longe e chegou a anunciar a preferência por Aécio, o que irritou o PSDB paulista.

PROTESTOS

Os aliados de Serra se queixam da pressão exercida sobre ele, líder nas pesquisas. Avaliam que o governador tem de ser respeitado na avaliação que tiver sobre o momento mais estratégico para anunciar se concorrerá à Presidência ou não.

Acreditam também que pôr a candidatura imediatamente nas ruas atrairia no mesmo instante a fuzilaria dos governistas, criando o risco de desgaste e queda nas pesquisas.

Esses problemas, reconhecidos por dirigentes do PSDB e do DEM, podem fazer com que a chapa de oposição acabe chegando enfraquecida à campanha, apesar de hoje ter em Serra o líder em todas as pesquisas de intenção de voto. Na prática, existe a preocupação de que essas discussões acabem produzindo conflitos pessoais irreversíveis, que minem a adesão de aliados importantes.

De acordo com um dirigente tucano, não adianta, por exemplo, esperar o apoio de Minas se a candidatura de Aécio for esmagada no processo de definição de quem será o escolhido. Ele completa dizendo que isso deve ser construído numa discussão consensual, sob pena de o eleitor de Aécio se sentir humilhado com esse desfecho e desembarcar da campanha.

Um claro desconforto para o governador mineiro ocorreu com o vazamento de uma pesquisa feita por setores do PSDB em que seu nome foi testado como candidato a vice-presidente de Serra. Aécio cobrou explicações do comando do partido e reagiu duramente.

MAIA

No lado do DEM, a demora na definição da candidatura produz forte insatisfação.

Depois de Rodrigo Maia reconhecer a angústia do partido, ontem foi a vez de o ex-prefeito do Rio, César Maia (DEM), reafirmar essa preocupação e o reflexo que a indefinição possa ter na conclusão dos acordos nos Estados.

"O problema de raiz foi o PSDB ter decidido por fazer prévias oficialmente e o processo ir atrasando e prejudicando os ajustes regionais", afirmou César Maia ao Estado. "Na medida em que as regras das prévias não eram conhecidas, era natural e esperado que seus parceiros tivessem opinião a respeito. Algumas publicadas pelo maior destaque de quem as fez e centenas não publicadas pelo menor destaque de quem as fez", acrescentou o ex-prefeito.

Essa incerteza vem produzindo ruídos internos para todos os gostos dentro da oposição. Em São Paulo, onde a hegemonia do PSDB vem desde 1994, a simples menção à possibilidade da candidatura de Kassab causou reação irritada dos tucanos, que não admitem abrir mão de encabeçar a chapa para o governo, cedendo a vaga para um político de outro partido, mesmo sendo um aliado direto, como o prefeito.

Estadão

Frase que resume a América do Sul


“Ouvi dizer que na América do Sul ainda existem comunistas,
o que eu acho um charme!
Como se nada tivesse acontecido”
(Doris Lessing, 82 anos, no livro “The Sweetest Dream”).

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Lula e Dilma inauguram quadra que já existia no Rio

O Vale tudo de Lula¹³


A data da inauguração do Brasil reconstruído ainda não foi marcada por culpa da máquina de fiscalização, acaba de informar o presidente Lula. O governo não para de fazer obra, repetiu o maior dos governantes desde Tomé de Souza. Só não consegue completar o serviço porque o Ibama complica e o Tribunal de Contas da União não deixa. O TCU vê irregularidade em qualquer irregularidade. O Ibama já lhe jogou no colo um bagre amazônico, uma perereca gaúcha e, há dias, uma pedra da região de Cabrobó.

“A hidrelétrica ficou parada porque alguém achou que uma pedra arredondada era machadinho de índio, e levou nove meses para descobrir que era só uma pedra”, contou. A plateia adorou a prova mais recente de que o Ibama virou uma catarata de excentricidades antipatrióticas. Melhor que esse, só o caso da perereca. “A gente estava fazendo um túnel de mil e poucos metros no Rio Grande do Sul e encontraram do outro lado do túnel uma perereca”, começa Lula a contar o episódio ocorrido na BR-101 e começa a plateia a soltar o riso.

A segunda frase abre a sequência de gargalhadas que só terminará com o ponto final. “Todo mundo aqui sabe o que é uma perereca”, continua a narrativa. “Pois bem, aí resolveram fazer um estudo para saber se aquela perereca estava em extinção. Aí teve que contratar gente para procurar perereca, e procure perereca, e procure perereca… Sabem quantos meses demorou para descobrir que a perereca não estava em extinção? Sete meses. Sete meses e a obra parada”. Segue-se a gargalhada de encerramento.

“Lula não para de dizer besteiras”, lastima Célio Fernando Haddad, coordenador de Ciências Biológicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Onde o narrador viu uma prosaica perereca, corrige Haddad, os cientistas encontraram quatro espécies de anfíbios ameaçadas de extinção. Os levantamentos que precedem o início de obras não existem para atender a caprichos de ambientalistas, mas por exigência da legislação federal, que protege a vida de espécies ameaçadas.

“O governo que comece a trabalhar mais cedo, não em véspera de eleição e passando por cima das leis”, recomenda Haddad. ”Para um projeto, quase sempre há alternativas, mas uma espécie se perde para sempre”, sublinha Jansen Zuanon, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Ele reitera a lição desde que Lula declarou guerra a ”um tal bagre gigante do rio Madeira”, responsabilizado pelo atraso nas obras de usinas hidrelétricas. O nome do peixe é dourada, ensina Zuanon. E não é um bagre qualquer.

Dele dependem a sobrevivência financeira de milhares de comerciantes e a sobrevivência física de incontáveis moradores espalhados por quatro Estados brasileiros ─ Pará, Amapá, Amazonas e Rondônia ─ e porções consideráveis da Colômbia, da Bolívia e do Peru. “Para procriar, a dourada faz uma migração extraordinariamente extensa”, informa o cientista. O Ibama agiu para evitar a consumação de um crime ambiental gravíssimo: a interrupção irresponsável dessa viagem que perpetua a espécie também colocaria em risco a perpetuação da espécie humana na região.

Em 2000, foram concedidas pelo Ibama 139 autorizações ambientais. Subiram para 477 em 2008 e, neste ano, já somaram 125. Lula só se queixa por malandragem. O TCU tem julgado pendências com exemplar pontualidade. Lula só se queixa porque agir fora da lei apressa inaugurações e é bem mais rentável. O problema não é a perereca, nem o bagre, muito menos a pedra. O problema é a incompetência do governo.

O ator no palco vai continuar contando casos inspirados em problemas imaginários, a plateia vai continuar gargalhando. A vassalagem voluntária não é menos desprezível que a ignorância presunçosa.


Augusto Nunes

O novo governo de Merkel

No Parlamento alemão, a chanceler Angela Merkel dá início a seu novo governo de centro-direita

A conservadora Angela Merkel, de 55 anos, foi reeleita nesta quarta-feira (28) chanceler da Alemanha para um novo mandato de quatro anos pelos deputados da Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento). Nesta quarta-feira, durante uma votação em sessão plenária, Merkel recebeu os votos de 323 dos 612 deputados presentes.

Merkel encabeça uma coalizão de centro-direita entre a sua CDU (União Democrata-Cristã), o aliado bávaro CSU (União Social-Cristã) e o FDP (Partido Liberal Democrata). Essas legendas obtiveram 332 das 622 cadeiras de deputados nas legislativas de 27 de setembro.

O Executivo reúne-se depois pela primeira vez à tarde, na Chancelaria Federal, para uma primeira análise da situação, não sendo de esperar decisões.

No programa do governo apresentado anteriormente pela coligação de democratas-cristãos (CDU-CSU) e liberais (FDP), destaca-se a promessa de reduções nos impostos da ordem dos 24 bilhões de euros por ano.

Na legislatura que agora se inicia, o centro-direita pretende também investir 12 bilhões de euros na educação e ensino e fixar estas despesas em 10% do orçamento geral do Estado, a partir de 2015.

No documento de 124 páginas anuncia-se um programa para acelerar o crescimento econômico, em alternativa a uma política de austeridade, que foi considerada desadequada para combater a atual crise e o aumento do déficit público.

Além disso, haverá também um "chapéu protetor" para os trabalhadores, para estancar e reduzir o desemprego, à imagem das medidas tomadas para evitar o colapso do setor bancário.

Para a política externa, CDU-CSU e FDP consideram que as negociações para a adesão da Turquia à União Europeia têm desfecho em aberto e propõem que seja oferecida a Ancara uma parceria privilegiada, em caso não se chegue a acordo.

O novo ministro das Relações Exteriores será o chefe do FDP, Guido Westerwelle, um discípulo do lendário chefe da diplomacia alemã Hans-Dietrich Genscher.

O político mais experiente da CDU, Wolfgang Schaeueble, 67 anos, transita do Interior para as Finanças, uma das pastas mais importantes.

O ministro mais jovem é Philipp Roesler, do FDP, um médico de ascendência vietnamita que assumirá a pasta da Saúde, considerada uma das mais difíceis, face ao déficit na assistência pública.

Ao todo, o governo terá sete ministros da CDU, cinco dos liberais e três dos democratas-cristãos da Baviera (CSU), além da chanceler.

Após a reunião do executivo, Merkel parte para Paris, ao fim da tarde, cumprindo a tradição dos chefes de governo alemães de fazer a primeira oficial a França, como forma de frisar a importância das relações entre os dois países vizinhos.

Segundo fontes governamentais em Berlim, o encontro entre Merkel e o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, servirá para preparar a cúpula europeia de quinta e sexta-feira, em Bruxelas.

Na agenda do Conselho Europeu destacam-se as questões econômicas, o combate às alterações climáticas e a escolha dos nomes para os novos cargos na UE, definidos no Tratado de Lisboa.

Para a entrada em vigor do tratado falta apenas a conclusão do processo de ratificação na República Tcheca.

UOL

Minc afirma que meta de Dilma é ''improbabilíssima''


A briga no governo sobre as metas brasileiras para a Conferência do Clima, em Copenhague, está cada vez mais pública. Ontem, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, questionou os cenários de crescimento médio de 5% e 6% para os próximos dez anos defendidos pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para o cálculo das metas de redução de emissão de CO2 que serão apresentadas pelo governo brasileiro.


"Números improbabilíssimos" e "altamente improváveis" foram as classificações dadas por Minc aos cenários pedidos pela ministra Dilma, que é a pré-candidata do governo à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010.

Há uma semana, em reunião entre ministros e o presidente Lula, Minc apresentou um estudo do MMA e do Ministério da Ciência e Tecnologia que previa redução de 40% na projeção das emissões que o Brasil teria em 2020, caso nada fosse feito. Seria essa a "meta ambiciosa" que o governo levaria para Copenhague como forma de pressionar os países desenvolvidos a melhorarem suas propostas. O estudo, no entanto, leva em conta um cenário de crescimento médio de 4% ao ano nos próximos dez anos. Dilma achou pouco e exigiu análises com crescimento de 5% e 6% ao ano.

Esse é mais um round de uma disputa recorrente entre o Meio Ambiente e a Casa Civil, iniciada ainda com a ministra Marina Silva (2003-2008).

Os embates com Dilma foram a principal causa da demissão de Marina, que defendia maior rigor na emissão das licenças ambientais, enquanto Dilma - no papel de ministra desenvolvimentista e tocadora de obras - reclamava que as demoras atrasavam o crescimento do País. Agora, Planalto e Casa Civil têm Marina na oposição e Minc no papel da ex-ministra.

"A ministra Dilma nos pediu que fizéssemos cenários com crescimento de 5% e 6% ao ano e estamos trabalhando nisso", disse Minc, para, em seguida, completar: "Nunca antes o Brasil cresceu 4% ao ano por dez anos seguidos. É uma hipótese já otimista dada pelos ministérios da Fazenda, do Planejamento e de Minas e Energia. Não fomos nós que criamos esse número."

Ainda assim, disse o ministro, uma equipe de técnicos do MMA, do MCT e da Embrapa está trabalhando nessas propostas. "Com 5% ao ano de crescimento, aumentaríamos mais 280 milhões de toneladas de emissões ao ano e alcançaríamos 3 bilhões de toneladas de CO2. Já é um número improbabilíssimo (os 5% de crescimento médio). Com 6%, daria mais 440 milhões de toneladas por ano. É muitíssimo improvável. Para o País crescer 6% ao ano de média, se um ano que crescer 2%, no outro tem que crescer 10%", disse o ministro Minc.

A análise da Casa Civil é que o Brasil não pode restringir seu crescimento a 4% por conta da redução projeção das emissões de gás carbônico para 2020. A proposta do MMA é que, além da esperada queda que já acontecerá com a diminuição em 80% do desmatamento na Amazônia, que representaria uma curva de crescimento 20% menor, outros 20% podem ser retirados de ações com a indústria, a agropecuária, o transporte e o uso de energia - áreas que a parte desenvolvimentista do governo prefere não mexer. Ontem, a Casa Civil não se manifestou.

Minc garante que já tem um planejamento para alcançar a redução na curva de emissões com o cenário de 4% e, com um pouco mais de esforço, com o cenário "improbabilíssimo" de 5% ao ano. "Com um esforço adicional, com mais biodiesel, mais etanol, pode se chegar à redução de 40% com 5% de crescimento. Com o cenário de 6% não conseguimos ainda. Alcançamos apenas 37%." Ainda assim, o ministro mantém a ideia de que o Brasil levará para Copenhague a meta de 40%. Perguntado, disse ao Estado que Lula havia gostado da ideia, mas pedira que provassem a ele que era possível a redução sem comprometer o crescimento. "Estamos fazendo isso."



ENTENDA

Em meados deste mês, em reunião entre titulares das pastas relacionadas à questão climática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou um
projeto prevendo a redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020 e o congelamento nas emissões de gás carbônico (CO2) nos padrões de 2005, para ser apresentado na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que está marcada para dezembro, em Copenhague, capital da Dinamarca

Entretanto, o projeto de Minc prevê um crescimento econômico de 4% ao ano, considerado insatisfatório pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que encomendou projeções para crescimentos de 5% e 6%. Nesses novos panoramas desejados pela ministra, as metas podem ficar inalteradas, mas as propostas para emissão de CO2 têm de ser recalculadas para patamares menos ambiciosos e poderiam colocar em jogo a pretensão do País de se tornar uma liderança internacional na questão climática.

Estadão

Congresso americano quer incluir Venezuela no rol de países Terroristas


El representante republicano Connie Mack anunció este martes una resolución que pide al gobierno de Barack Obama incluir a Venezuela en la lista de países patrocinadores de terrorismo.

“Hoy (martes) introduje una resolución con mi buen amigo, el congresista Ron Klein (demócrata), que pide al gobierno que designe a Venezuela como país patrocinador de terrorismo“, declaró Mack durante una audiencia sobre la presencia de Irán en América Latina en el Congreso.

“Venezuela es un peligro que no debe ser subestimado”, añadió Mack.

La lista de patrocinadores de terrorismo sólo incluye en la actualidad a cuatro países, Cuba, Sudán, Irán y Siria, después de que Corea del Norte fuera sacada el 11 de octubre.

Los estados considerados patrocinadores de terrorismo no pueden recibir ayuda económica de Estados Unidos ni gozar de beneficios comerciales ni tratados financieros, entre otras prohibiciones.

La lista es actualizada anualmente y firmada por el presidente estadounidense.

La resolución bipartidista que anunció Mack será dirigida primero al Comité de Relaciones Exteriores, que luego puede reenviarla al subcomité de temas relacionados con América Latina o al subcomité de Terrorismo y No Proliferación Nuclear para su examen, explicaron fuentes de la oficina de Mack a la AFP.

La resolución debería en todo caso ser aprobada por el pleno de la Cámara de Representantes antes de llegar a la Casa Blanca.

Los demócratas dominan ambas cámaras del Congreso.

Mack es un republicano que representa al estado de Florida, miembro del subcomité de Relaciones Exteriores para asuntos de América Latina y habitual crítico del régimen de Hugo Chávez y de sus aliados en la región.

Notícias 24hs

Taleban ataca ONU em Cabul; ataque mata 91 no Paquistão

CABUL E PESHAWAR - Um carro-bomba matou mais de 90 pessoas e feriu cerca de 200 nesta quarta-feira, 28, em um mercado lotado na cidade paquistanesa de Peshawar, na região da fronteira com o Afeganistão. Esse é o ataque mais recente de uma série de atentados sangrentos lançados por militantes. No mesmo dia, ataques insurgentes contra pensão usada pela ONU para a estada de funcionários estrangeiros no centro da capital deixaram pelo menos 12 mortos, entre eles seis funcionários da organização.

Horas depois dos ataques em Cabul, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, aterrissou no Paquistão prometendo uma nova página nas relações norte-americanas com o país. A derrota do Taleban e a estabilização do Afeganistão são fundamentais na estratégia regional de Washington para combater a milícia. O Paquistão está em alerta máximo em meio a temores de ataques de militantes do Taleban paquistanês, enquanto o Exército ataca fortalezas dos militantes no Waziristão do Sul, na fronteira afegã.

A explosão no Paquistão, a que causou mais vítimas neste ano, aconteceu no Peepl Mandi, bairro onde moram muitos muçulmanos xiitas. De acordo com um policial, o ataque atingiu o Mina Bazaar, que reúne mulheres lojistas. Nenhum grupo reivindicou imediatamente a responsabilidade pelo atentado, mas Peshawar tem sido o local de muitos dos ataques realizados pelos militantes islâmicos neste mês, uma escalada sangrenta que já matou mais de 500 pessoas.

Hillary, em entrevista concedida após os atentados, afirmou que os EUA ficarão ao lado do Paquistão na luta contra "grupos extremistas brutais". "O Paquistão está no meio de um combate aos grupos extremistas brutais e obstinados, que matam pessoas inocentes e aterrorizam comunidades", afirmou Hillary. "Daremos a vocês (Paquistão) a ajuda que necessitarem", acrescentou.

A ofensiva contra os militantes no Waziristão do Sul foi lançada depois de uma série de ataques às Nações Unidas, quartéis militares, a polícia e o público em geral, nos quais 150 pessoas morreram. Houve vários ataques a bomba em represália desde o início da ofensiva. O Exército diz que está obtendo progresso contra os militantes ligados à Al-Qaeda.

Ataque contra a ONU no Afeganistão

Militantes do Taleban mataram ao menos 12 pessoas, incluindo seis funcionários de uma equipe estrangeira da ONU, em um ataque a uma hospedaria internacional em Cabul, nesta quarta-feira, despertando preocupações sobre a segurança para a eleição presidencial a se realizar em 10 dias. A nacionalidade dos mortos na equipe da ONU na hospedaria em Cabul não foram esclarecidas. Um desses hóspedes é cidadão norte-americano, informou a Embaixada dos Estados Unidos

O Taleban já prometeu realizar ataques antes das eleições de 7 de novembro, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considera o envio de mais soldados ao Afeganistão para combater os insurgentes, que estão no auge da violência desde que foram retirados do poder em 2001.

Os insurgentes vestiam uniformes policias para entrar na hospedaria, afirmou a polícia. Forças afegãs trocaram tiros com os militantes por horas dentro da casa enquanto sirenes soavam pelo coração da capital. Em outro sinal do crescente alcance dos militantes, foguetes também foram lançados em um hotel de luxo estrangeiro perto do palácio presidencial na capital afegã, forçando mais de 100 hóspedes a irem para um abrigo.

Segundo a BBC, um porta-voz do Taleban anunciou que o grupo assumiu a autoria do ataque contra a pensão e afirmou que se trata apenas do "primeiro passo" na campanha para prejudicar o segundo turno das eleições presidenciais no país, marcadas para sete de novembro. A ONU tem um papel importante na organização do pleito.

Estadão


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Quem cheira Mata!


Ainda tratando da formulação “Quem cheira mata”, há coisas novas a considerar. Exceção feita a algum psicopata, duvido que as pessoas avancem o sinal vermelho — quando sabidamente há o risco de um grave acidente — com o propósito de matar outras pessoas e, eventualmente, se matar. Mas o fato é que o sujeito precisa saber que esse risco existe. Quem já não topou com um aloprado a fazer miséria nas estradas, pondo em risco a vida de terceiros? Se seu propósito declarado ou consciente é ou não é matar, convenham, pouco importa. Ele causa um dano objetivo.

É que vivemos tempos em que a responsabilidade individual foi banida da vida. Todos sempre querem ser vítimas — de preferência, “vítima da sociedade”, seja lá o que isso signifique, já que a “sociedade” parece ser uma verdadeira alma sem corpo.

Isso vale em todas as esferas da vida. O sujeito que faz sexo de risco, sem proteção, ou que partilha seringas quer contrair o vírus da aids??? Em raros casos, pode ser. Mas, na esmagadora maioria das vezes, a pessoa só quer obter prazer. E, sabemos, o custo será transferido depois para a sociedade. O sujeito que era absolutamente livre para decidir se torna uma vítima tão logo comece a experimentar as conseqüências negativas da sua escolha. Não! Não estou sugerindo — nunca sugiro nada, lembram-se? — que se deixe de tratar os doentes. Se achasse que é o caso, diria. Só estou afirmando que é preciso responsabilizar as pessoas pelas escolhas que fazem.

Isso é importante porque, no caso da aids, as campanhas públicas assumiriam um outro tom, que não o investimento permanente e contraproducente no vale-tudo. As punições para o banditismo no trânsito seriam mais severas. E as drogas, definitivamente, seriam banidas do terreno do glamour e da vida alternativa.

Sei que pode ser chato considerar coisas assim; mais: a conversa pode parecer um tanto antiga. Mas a verdade é que não existe o chamado “bem comum” estabelecido fora do “bem” ou do “mal” que pode ser praticado pelos indivíduos.

É simples. É elementar. Ignorá-lo é só expressão de primitivismo moral. Não consumir drogas ilícitas, que estão na mão da bandidagem, não é uma imperativo do “bem comum”. Trata-se de um imperativo da individualidade.


Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

'Lei manda cortar subsídios para invasores', diz Gilmar Mendes

SÃO PAULO - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, advertiu nesta segunda-feira para a responsabilidade do Judiciário, do Ministério Público (MP) e do governo sobre as ações agressivas de sem-terra no País. "A lei manda que o governo suste os subsídios para entidades que promovem invasões e violências", declarou o ministro, após a abertura do I Congresso Nacional de Direito Agrário, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em São Paulo, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

O ministro disse que "não se trata de criminalizar o movimento agrário ou movimentos sociais". Segundo ele, é uma questão de "aplicar a lei de forma normal".

"Se houve prática de crime de qualquer um dos lados envolvidos nesse tipo de conflito, deve haver a resposta adequada do Estado de Direito", assinalou o presidente do STF.

O ministro defendeu prioridade para os processos relativos às desapropriações. Lembrou que o próprio Incra tem manifestado insatisfação com relação à demora excessiva na decisão da imissão prévia na posse de terras. Ele destacou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está acompanhando diretamente todos os casos de invasões que têm provocado lesões corporais e mortes no campo. "Estamos pedindo prioridade nos julgamentos sobre esses graves conflitos agrários", declarou.

"Que o Estado de Direito esteja presente", conclamou o presidente do Supremo. "Que as regras básicas do Direito sejam observadas, que os conflitos sejam balizados por regras do Direito e não por decisões voluntárias no interesse de um ou de outro lado."

O ministro disse que o País não precisa de novas leis para o campo. "Temos leis suficientes sobre a matéria, tanto na esfera da responsabilidade civil como na esfera administrativa e eventualmente no âmbito da responsabilidade criminal. O que é preciso é que essas leis sejam devidamente aplicadas pelos segmentos incumbidos de fazer esta aplicação."

O presidente do STF fez uma análise sobre a ação de movimentos sociais no campo. "Dependendo do momento econômico vivido, pode haver maior ou menor demanda de espaços, especialmente na área rural. Sabemos disso. Agora que a economia retoma o seu desenvolvimento normal, diminui essa presença das pessoas nesses movimentos e a busca da terra." Ele reiterou que "atos criminosos praticados por qualquer pessoa devem ser tratados como crime".


Estadão

O Mito de Cuba se despedaçando!

SÃO PAULO - Juanita Castro, irmã de Fidel e Raúl Castro, revelou que trabalhou para a CIA (Agência Central de Inteligência), recrutada pela mulher do então embaixador brasileiro em Havana, em uma entrevista transmitida no domingo, 25, pela emissora Univisión.

Atualmente com 76 anos, Juanita apoiou inicialmente Fidel quando o grupo dele derrubou o ditador Fulgencio Batista. Rapidamente, porém, desiludiu-se pelo grande número de execuções e outros abusos da revolução, disse ela durante entrevista ao canal hispânico de Miami.

A casa dela converteu-se em um refúgio para anticomunistas, antes que a própria Juanita decidisse deixar o país, em 1964, quando se exilou no México.

Juanita afirma que foi recrutada para trabalhar pela CIA por Virginia Leitão da Cunha, mulher do então embaixador do Brasil em Havana, Vasco Leitão da Cunha, que posteriormente foi ministro das Relações Exteriores, entre 1964 e 66.

Juanita Castro disse que colaborou com a CIA enquanto estava em Cuba e também depois de sua partida. Posteriormente, ela se exilou em Miami e abriu uma farmácia.

Nesta segunda-feira, 26, Juanita lança suas memórias, "Fidel e Raúl, meus irmãos. A história secreta", pela editora Santillana. O livro foi escrito pela jornalista María Antonieta Collins, a partir de uma entrevista.

Juanita disse que o primeiro contato da CIA ocorreu pouco após a fracassada invasão da Baía dos Porcos, quando ela viajou com o México para se reunir com o funcionário encarregado de seu recrutamento, em 21 de junho de 1961. Ela contou em detalhes que Leitão da Cunha e sua mulher haviam abrigado muitos revolucionários durante a ditadura de Batista, e simpatizaram inicialmente com o governo Fidel, mas posteriormente ficaram decepcionados.

Segundo a irmã de Fidel, ela e Virgínia viajaram separadamente para o México para se encontrar com Tony Sforza, um dos especialistas da CIA em Cuba. Juanita viajou com o pretexto de visitar uma irmã, a quem nunca mencionou o assunto.

Sforza trabalhava infiltrado em Cuba, passando-se por jogador de cassino com o nome falso de Frank Stevens. Juanita recebeu o nome de "agente Donna" e teve como primeira missão enviar entregar dinheiro a homens da CIA na ilha.

A CIA se comunicava com ela por mensagens cifradas em uma rádio de ondas curtas. Antes da crise dos mísseis, Juanita passou informações à CIA de que foguetes soviéticos eram instalados em Cuba, e também sobre visitas dos russos à ilha.

A agência decidiu afastá-la de Cuba depois que Raúl foi dizer à irmã que havia acusações contra ela por supostas atividades contrarrevolucionárias. Aparentemente, não haviam descoberto sua ligação com a CIA. Juanita afirma que foi Raúl quem lhe conseguiu um visto para viajar ao México. Chegando ao país, ela escreveu um texto rompendo com a revolução.

"Comecei a me desencantar quando vi tanta injustiça", afirmou Juanita na entrevista, referindo-se às prisões, aos fuzilamentos e aos confiscos do governo revolucionário. "Tínhamos a tendência de botar a culpa nos subalternos, mas as ordens vinham de cima, de Fidel, de Che (Guevara), de Raúl."


Estadão

Honduras : Terrorismo Bolivariano?

Um sobrinho do presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, e o chefe da Indústria Militar, coronel Concepción Jiménez, foram mortos em incidentes separados, informou a Polícia Nacional nesta segunda-feira (26).

O sobrinho de Micheletti, Enzo, de 24 anos estava desaparecido havia dias. Seu cadáver foi achado ao lado do de outro jovem próximo a Choloma, no norte do país. Seu corpo foi reconhecido por familiares. Ele e o outro homem foram mortos a tiros.

Já Jiménez foi atacado a tiros na noite de domingo em frente a sua casa na capital, Tegucigalpa, segundo Orlin Cerrato, chefe da polícia. Os suspeitos são "três ou quatro jovens" que deixaram o local em um táxi.

Segundo ele, a polícia trata os dois casos como crimes comuns, mas eles serão investigados de maneira apropriada.

Os crimes ocorrem enquando o país segue paralisado pela crise política provocada pelo golpe de estado pelo presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho.

G1

O MANIFESTO DAS BESTAS CÚBICAS


Todos sabemos o que é uma besta quadrada, não? Não tenho certeza nem pesquisei, mas creio que a expressão seja uma derivação de “besta elevada ao quadrado”. Seria, assim, uma besta multiplicada por si mesma, incapaz de sair de seu próprio mundo de ignorância e irrelevância, dona daquela burrice que mais apela à nossa piedade do que à nossa fúria. Quem não conhece uma “besta quadrada”? É, confesso, um dos meus xingamentos prediletos se quero dizer que o sujeito é uma… besta quadrada!

Mas “besta quadrada” é o homem comum, aquele sem o apuro acadêmico, que não ambiciona a profundidade, que não pretende se fazer reconhecer por seus dotes de pensamento, que se satisfaz só com o eventual domínio de seu quintal. Há um outro tipo de besta, que vou batizar aqui: é a BESTA CÚBICA. A besta cúbica pretende ter profundidade, densidade, volume. Ambiciona ter uma visão tridimensional do mundo e se quer realmente apta a ensinar e a transmitir o seu legado moral. Boa parte dos nossos ditos “intelectuais” está nessa categoria. São as bestas diplomadas — algumas delas não chegam a ter diploma, mas gozam do prestígio de celebridades de esquerda.

Pois bem… Uma tropa de bestas cúbicas assinou, como noticiei aqui, um “Manifesto” contra a CPI do MST. Não é a primeira vez que isso acontece. Na tentativa anterior de instalar a comissão, também houve um protesto organizado — aquele que contou até com a anuência da sambista Beth Carvalho. Desta vez, Beth não está, mas Emir Sader, por exemplo, sim. Isso só quer dizer que a tese do documento continua imoral, mas o samba conseguiu piorar.

O Brasil tem PCC, Comando Vermelho e Amigos dos Amigos entre as organizações mais famosas. Já pode fundar o Primeiro Comando dos Intelectuais. A universidade brasileira, com as exceções de praxe, é um verdadeiro Complexo do Alemão da ideologia. Isto: fazendo um trocadilho para quem é do ramo: essa gente já pode escrever a sua própria versão de “A Ideologia Alemã”. “A Ideologia Alemã”, na versão brasileira, explica por que a polícia não pode subir no Complexo do Alemão e por que, vejam só, o Congresso está proibido de investigar a destinação do dinheiro público que é repassado ao MST.

Assinam a lista alguns “suspeitos de sempre”, como diria Louis, o policial de Casablanca que conhecia bem os vagabundos da cidade — ele próprio, diga-se, não era flor que se cheirasse. Manifesto de esquerda que não conte com a assinatura de Antonio Candido, por exemplo, não tem validade, não é? Ele endossará o que aparecer. Sader, de quem já falei, idem. Paulo Arantes, que já sonhou ter seu próprio morro intelectual nos tempos em que FHC era presidente, desistiu e resolveu aderir à tradição do Complexo do Alemão. Chico de Oliveira continua a delirar com o socialismo, agora no PSOL, cuidando de uma “comunidade” do lado de lá da ponte… Mas se é para tentar impedir que o Congresso exerça uma PRERROGATIVA CONSTITUCIONAL, eles todos se juntam. Eles todos se colocam numa trincheira no Complexo do Alemão mental e se armam de imposturas até os dentes.

Alguns “intelectuais” de outros países também assinam o manifesto, como o inimputável Eduardo Galeano, autor da obra mais cretina escrita no século passado: “As Veias Abertas da América Latina”. Mas até aí, vá lá. Comovido mesmo eu fiquei quando vi a assinatura da cubana Isabel Monal, tida como uma — segurem-se na cadeira — “renovadora do marxismo”. Alguém que se propõe a renovar o marxismo em Cuba mereceria o hospício não fosse uma vigarista.

Esta senhora nada mais é do que parte do apparatchik castrista, apoiadora e apologista de uma das ditaduras mais assassinas da história. Isabel Monal — e, por conseqüência, todos aqueles que assinam com ela o manifesto — apóia um regime que impede uma blogueira de deixar o país, a exemplo do que acontece com Yoani Sanchez, mas quer impedir um dos Poderes da República, numa democracia, de exercer a sua prerrogativa.

Não que o manifesto não fale por si mesmo, trazendo entre os signatários o humorista Luis Fernando Verissimo. Este rapaz se autodefiniu numa palestra que conferiu na Festa Literária Internacional de Paraty, em 2005 — eu já o tinha bem definido muito antes, mas ali ele se entregou. Havia acabado de estourar o escândalo dos dólares na cueca. Indagado pelo público sobre seu apoio ao PT, Verissimo disse que se sentia muito mal — claro, claro —, mas se declarou impossibilitado de atacar o partido que tanto defendera. Então, disse, a sua decisão era não mais escrever sobre política em suas colunas. É ou não é um humorista?

Ah, sim: há gente por ali anônima até entre seus pares, cuja produção é desconhecida até no Complexo do Alemão Acadêmico. É que, desta feita, não quiseram sambistas entre os signatários. Talvez seja por isso que o Chico Buarque ainda não assinou. Também notei a falta da Tati Quebra-Barraco da filosofia: Marilena Chaui. Mas ela ainda assina. E, dada a sua virada ideológica, manifesto de intelectuais de esquerda sem Gabriel Chalita não vale.

O tal manifesto traz uma mentira após outra, mas seu trecho mais significativo é certamente este:
Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.

O stalinismo é assim: mentiroso, vigarista, delinqüente. A informação não foi omitida coisa nenhuma. Ao contrário: deu-se grande destaque à questão judicial. A titularidade é contestada pelo Incra NA Justiça -não “pela Justiça”. O que dizer de um grupo de ditos intelectuais que nega o que todos viram? O MST depredou a fazenda. É questão de fato, não de gosto.

Chamem FB, refugiado lá no outro Complexo do Alemão, para assinar o manifesto. Ele é bandido do tipo assumido e, ao menos, corre riscos.

Reinaldo Azevedo

Aumenta o número de mortos no Iraque




BAGDÁ - Imagens feitas por um celular mostram a segunda das duas grandes explosões que atingiram Bagdá neste domingo. Os ataques com carros-bomba deixaram dezenas de pessoas mortas e centenas de feridos. Estes foram os piores atentados no país desde agosto de 2007.

As autoridades iraquianas disseram que os responsáveis pelos ataques são insurgentes que pretendem impedir a realização das eleições parlamentares programadas para janeiro.

As explosões ocorreram com menos de um minuto de diferença entre elas. O atentado foi feito ao lado da Zona Verde, área fortemente protegida da capital iraquiana, onde estão concentrados os prédios do governo e muitas embaixadas.

As explosões deste domingo danificaram as sedes do governo provincial de Bagdá e do Ministério da Justiça, além de vários outros edifícios do governo.


Estadão


BAGDÁ - O número de mortos após os dois ataques suicidas de domingo em Bagdá, um dos mais violentos do Iraque nos últimos anos, subiu para 155, com mais de 500 feridos, informou a polícia nesta segunda-feira, 26.

Apesar de o Iraque ter assistido a uma redução significativa da violência com o controle dos conflitos sectários - a maioria entre sunitas e xiitas -, ataques como esse mostram que ainda há enormes deficiências na área de segurança. Segundo observadores, esses ataques devem aumentar durante a preparação para as eleições nacionais de janeiro.

As explosões de domingo, próximas ao Ministério da Justiça e do prédio do governo regional de Bagdá, foram as mais mortíferas na capital iraquiana desde meados de 2007. Líderes mundiais condenaram o ataque e autoridades iraquianas acusaram a Al-Qaeda e remanescentes do governo do antigo ditador Saddam Hussein. Políticos de oposição colocaram a culpa nas forças de segurança iraquianas.

Os carros-bomba estavam estacionados e explodiram quase simultaneamente. Ambos os edifícios atacados ficam muito próximos da chamada Zona Verde, considerada a região mais segura de Bagdá e onde se concentram embaixadas e vários ministérios. Em agosto, um atentado semelhante contra prédios ministeriais em Bagdá deixou 101 mortos. Cerca de 20 carros que estavam estacionados perto dos edifícios atacados ficaram destruídos. Casas, lojas e empresas tiveram seus vidros estilhaçados.

Não ocorria uma tragédia desta magnitude no Iraque desde 14 de agosto de 2007, quando mais de 250 pessoas morreram com a explosão de quatro caminhões-bomba na Província de Ninawa, no atentado mais sangrento desde a queda do regime de Saddam Hussein, em 2003.

O Iraque está tentando reconstruir sua economia e sociedade após décadas de repressão, guerras e ruína econômica. A violência é uma preocupação desde a invasão liderada pelos EUA em 2003 e o consequente conflito sectário. Tropas norte-americanas estão deixando o país como parte de um acordo que prevê a retirada total até o fim de 2011, passando o controle das cidades para as forças iraquianas.

(Com Reuters)

Uruguai: Algumas considerações sobre o pleito

MONTEVIDÉU - O partido governamental Frente Ampla (FA) venceu este domingo o pleito geral realizado no Uruguai, mas seu candidato, o ex-guerrilheiro tupamaro José Pepe Mujica, terá que enfrentar o ex-presidente Luis Alberto Lacalle em um segundo turno no final de novembro. Segundo pesquisas de boca de urna, Mujica teria entre 47% e 49% dos votos, enquanto Lacalle teria entre 29% e 31% dos votos.

Com 82% dos votos apurados, a coalizão de esquerda no poder conseguiu um respaldo de 46,5% dos eleitores e, embora ainda tenha maioria no Parlamento, agora haverá de lidar pela Presidência com uma eventual aliança de Lacalle, candidato do Partido Nacional (PN, Blanco) com o outro líder de centro-direita, o aspirante do Partido Colorado, Pedro Bordaberry. Após conseguir 30,1% dos votos, o ex-presidente Lacalle vê em Bordaberry um apoio chave para aspirar a vitória, pois o "colorado" conta com 17,5% dos votos, o dobro do previsto nas enquetes, e já anunciou que votará no candidato do Partido Nacional no turno seguinte, em 29 de novembro.

Mujica causa preocupação no setor financeiro com suas promessas de acabar com o sigilo bancário do Uruguai, considerado o paraíso fiscal da região. Ele diz, porém, que seu modelo de esquerda se aproxima do estilo moderado do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva - e não do radicalismo do venezuelano Hugo Chávez. Lacalle também causa desconfiança: embora liberal, não se comprometeu em alterar a forte presença estatal na economia.

Com 75 anos, ex-ministro da Agricultura e senador, Mujica deu seus primeiros passos no grupo "errado", o Partido Nacional, com cujo candidato e hoje máximo rival, Lacalle, chegou a compartilhar fileiras em uma convenção da juventude partidária em 1958. No entanto, Mujica em breve trocou a militância pela atividade guerrilheira no seio do MLN-T, que lhe custou seis ferimentos à bala e mais de 13 anos de prisão em condições sub-humanas durante a ditadura que imperou no Uruguai entre 1973 e 1985. Com o retorno da democracia e beneficiado pela lei de anistia aos tupamaros, Mujica voltou para a política como líder do Movimento de Participação Popular (MPP), setor majoritário da Frente Ampla.

Com um estilo reto e desalinhado e um discurso simples, infestado de jargão e metáforas cotidianas, Mujica fez de si mesmo um espelho no qual hoje milhares de uruguaios se olham, esperançosos por seus ideais revolucionários e seu compromisso com a luta social. No entanto, a espontaneidade se perfilou como uma faca de dois gumes para o veterano político, cujas saídas de tom, frequentemente acompanhadas de gritos e impropérios, lhe valeram críticas da oposição e dentro de seu partido durante a campanha eleitoral. Alertado por seus próprios excessos, Mujica nos últimos tempos tem adotado uma postura mais sossegada e contida, centrada em promover-se como herdeiro do atual presidente, Tabaré Vázquez.

(Com Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo)


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Uruguaios rejeitam anular lei que anistiou militares da ditadura

Segundo pesquisas de boca-de-urna, plebiscito para revogar a Lei de Caducidade fracassou com 48% dos voto.


MONTEVIDÉU - Na votação deste domingo, 25, os uruguaios rejeitaram a anulação da lei que anistiou os militares que cometeram violações aos direitos humanos durante a ditadura militar (1973-1985). Luis Puig, porta-voz da Coordenadoria pela Nulidade da Lei de Caducidade admitiu o fracasso do plebiscito, assinalou que "a luta pela verdade e pela justiça não termina nem se menospreza" com o resultado desfavorável, segundo apontaram pesquisas de boca-de-urna.

"O tema da memória e da justiça teve um grande apoio nos jovens uruguaios", disse Puig, também secretário de Direitos Humanos da principal central operária do Uruguai.Era preciso superar 50% dos votos emitidos para conseguir a nulidade da Lei de Caducidade, mas segundo as pesquisas manuseadas pela coordenadoria não ultrapassaram 48%.

A Lei de Caducidade foi aprovada em 1986 no fim do regime cívico-militar (1973-1985) e já foi referendada em um primeiro plebiscito em 1989. A nulidade da Lei de Caducidade tinha se transformado em um motivo de disputa na campanha eleitoral, com acusações cruzadas de utilização eleitoreira de um assunto tão delicado.


Estadão

domingo, 25 de outubro de 2009

A Meritocracia : Única saída para Educação

"É preciso premiar o esforço e o talento para tornar a carreira de professor atraente. O bom ensino depende disso"


O secretário da Educação de São Paulo diz que sem
meritocracia não haverá avanços na sala de aula - e
que os sindicatos são um entrave para o bom ensino


Criar um sistema capaz de atrair os melhores alunos para a carreira de professor é imperativo para um ensino de alto nível. Daí a relevância da aprovação, na semana passada, de um projeto concebido pelo economista Paulo Renato Souza, 64 anos, secretário estadual da Educação em São Paulo. Trata-se de um plano de carreira para os professores inteiramente baseado na meritocracia, conceito ainda raro nas escolas brasileiras e repudiado pelos sindicatos, seus principais adversários. "Os sindicalistas são um freio de mão para o bom ensino", resume o ex-ministro da Educação no governo Fernando Henrique, que reconhece avanços na implantação dos rankings no Brasil e da cobrança de resultados com base neles, mas adverte: "É preciso discutir a educação com mais objetividade e menos ideologia".

Um relatório recente da OCDE mostra que o Brasil foi o país que mais aumentou o investimento na educação em proporção ao total dos gastos públicos - mas muitos se queixam de falta de dinheiro nas escolas. Estão certos?
O maior problema no Brasil não é a falta de dinheiro, mas como esses recursos são empregados - em geral, de maneira bastante ineficaz. Daria para obter resultados infinitamente superiores apenas fazendo melhor uso das verbas já existentes. Prova disso é que, com orçamento idêntico, algumas escolas públicas oferecem ensino de ótima qualidade e outras, de péssimo nível.

O que explica isso?
As boas são comandadas por diretores com uma visão moderna de gestão, coisa raríssima no país. Não existe no Brasil nada como um bom curso voltado para treinar esses profissionais a liderar equipes ou cobrar resultados, o básico para qualquer um que se pretenda gestor. Quem se sai bem na função de diretor, em geral, é porque tem algo como um dom inato para a chefia. A coisa funciona no improviso.

As avaliações sempre chamam atenção para o despreparo dos professores brasileiros. A que o senhor atribui isso?
Às universidades que pretendem formar professores, mas passam ao largo da prática da sala de aula. No lugar de ensinarem didática, as faculdades de pedagogia optam por se dedicar a questões mais teóricas. Acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista cujo ideário predominante não passa de um marxismo de segunda ou terceira categoria. O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia marxista. É uma situação difícil de mudar. A resistência vem de universidades como USP e Unicamp, as maiores do país.

Como isso se reflete nas escolas?
Muitos professores propagam em sala de aula uma visão pouco objetiva e ideológica do mundo. Alguns não dominam sequer o básico das matérias e outros, ainda que saibam o necessário, ignoram as técnicas para passar o conhecimento adiante. Vê-se nas escolas, inclusive, certa apologia da ausência de métodos de ensino. Uma ideia bastante difundida no Brasil é que o professor deve ter liberdade total para construir
o conhecimento junto com seus alunos. É improdutivo e irracional. Qualquer ciência pressupõe um método. No ensino superior, há também inúmeras mostras de como a ideologia pode sobrepor-se à razão.

O senhor daria um exemplo?
Existe um terrível preconceito nas universidades públicas contra o setor privado. Ali, qualquer contato com as empresas é visto como um ato de "venda ao sistema". Como se as instituições públicas fossem sustentadas por marcianos e não pelo dinheiro do governo, que vem justamente do sistema econômico. O resultado é que, distantes das empresas, as universidades se tornam menos produtivas e inovadoras.

Em muitos países, as universidades públicas cobram mensalidade dos estudantes que têm condições de pagar. Seria bom também para o Brasil?
Sem dúvida. Só que esse é um tabu antigo no país. Se você defende essa bandeira, logo o identificam como alguém que quer privatizar o sistema. Preservar a universidade gratuita virou uma questão de honra nacional. Bobagem. É preciso, de uma vez por todas, começar a enxergar as questões da educação no Brasil com mais pragmatismo e menos ideologia.

Na semana passada, foi aprovado em São Paulo um novo plano de carreira para professores e diretores. Esse tipo de medida tem potencial para revolucionar o ensino nas redes públicas?
Planos de carreira são essenciais para tornar essas profissões novamente atraentes, de modo que os melhores alunos saídos das universidades optem por elas. Sem isso, é difícil pensar em bom ensino. O plano de São Paulo não apenas eleva os salários, o que é um chamariz por si só, mas faz isso reconhecendo, por meio de avaliações, o mérito dos melhores profissionais. Ou seja: esforço e talento serão premiados, um estímulo que a carreira não tinha. A meritocracia consta de qualquer cartilha de gestão moderna, mas é algo ainda bem novo nas escolas brasileiras.

Os principais adversários do projeto foram os sindicatos desses profissionais. Que lógica há nisso?
É uma manifestação de puro corporativismo. Pela nova lei, só poderão pleitear aumento de salário aqueles professores assíduos ao trabalho - um pré-requisito mais do que razoável. É o mínimo esperar que, para alguém almejar ascender na carreira, ao menos compareça ao serviço. Apenas o sindicato não vê desse jeito. Ele encara as "faltas justificadas" como um direito adquirido. E ponto. Não quer perdê-lo. Mas repare que eu não estou dizendo que os professores ficarão sem esse direito. Só estou tentando fornecer um estímulo adicional para que eles deem suas aulas. O último levantamento que fizemos mostra que a média de ausências na rede estadual de São Paulo é altíssima: foram trinta faltas por docente apenas em 2008. Ao resistir a uma medida que premia a presença na escola, o sindicato dá mais uma mostra de como o espírito corporativista pode sobrepor-se a qualquer preocupação com o ensino propriamente dito.

O movimento sindical passa ao largo da preocupação com o bom ensino?
É exatamente isso. Está claro que os sindicatos estão focados cada vez mais no próprio umbigo e menos nas questões relativas à educação. Entendo, evidentemente, que lutem pelos interesses da categoria, propósito de qualquer organização do gênero. Mas a qualidade do ensino, que é de responsabilidade social deles, deveria vir em primeiro lugar. Em 1984, quando fui secretário da Educação em São Paulo pela primeira vez, já se via essa forte tendência nos sindicatos. Em reuniões com os professores, palavras como aluno ou ensino jamais eram mencionadas por eles. Apenas se discutiam ali os interesses da categoria. E esse problema só piora.

O que causa a piora?
O movimento sindical politizou-se a um ponto tal que não se acham mais nele pessoas realmente interessadas em educação. Estas debandaram. Hoje, os sindicatos estão tomados por partidos radicais de esquerda sem nenhuma relevância para a sociedade. Para essas agremiações insignificantes, o sindicalismo serve apenas como um palanque, capaz de lhes dar uma visibilidade que jamais teriam de outra maneira. É aí que tais partidos aparecem e fazem circular seu ideário atrasado e contraproducente para o ensino. Repare que esses sindicalistas são poucos - e estão longe de expressar a opinião da maioria. Mas têm voz.

Com a nova lei fica determinado que, para pular de nível na carreira, o professor seja submetido a uma prova. Por que os sindicatos rejeitaram a ideia?
É lamentável que um grupo de professores critique a existência de uma prova. Veja o absurdo. Eles alegam que um exame os obrigaria a estudar mais e que não têm tempo para isso. A crítica expressa também uma resistência à avaliação, que até hoje se vê arraigada em certos setores da sociedade brasileira.

Nisso o Brasil destoa de outros países?
Em culturas mais individualistas e competitivas, como a anglo-saxã, as aferições do nível dos professores e do próprio ensino não são apenas bem-aceitas como têm ajudado a melhorar as escolas, na medida em que fornecem um diagnóstico dos problemas. Os professores brasileiros que agora resistem a passar pela avaliação certamente não estão atentos a isso. Sua maior preocupação é lutar por direitos iguais para todos - velha bandeira que ignora qualquer noção de meritocracia. Por isso, eles se posicionaram contra uma regra do projeto que limita o número de promoções por ano: não mais do que 20% dos profissionais poderão subir de nível. É um teto razoá-vel: evita um rombo no orçamento e, ao mesmo tempo, promove uma bem-vinda competição. Demandará mais empenho e estudo dos professores - o que não lhes fará mal.

No campo salarial, premiar o mérito significa romper com o conceito da isonomia de ganhos para todos os funcionários. Esse não é um valor que deveria ser preservado?
Não. Já é consenso entre especialistas do mundo todo que aumentos concedidos a uma categoria inteira, desprezando as diferenças de desempenho entre os profissionais, não têm impacto relevante no ensino. O que faz diferença, isso sim, é conseguir premiar os que se saem melhor em sala de aula. A isonomia é uma bandeira velha.

Há experiências no Brasil com a concessão de bônus aos melhores professores. Isso funciona?
Sem dúvida. Quando há um sistema feito para reconhecer e premiar os talentos individuais, a eficácia das políticas públicas para a educação aumenta. Coisa de quinze anos atrás, o Brasil estava a anos-luz disso. Não havia informação sobre nada - nem mesmo se sabia o número de escolas no país. O dado variava entre 190 000 e 230 000 colégios, dependendo da fonte. Hoje, já dá até para comparar o ensino de Capão Redondo, na periferia de São Paulo, com o das escolas da Finlândia. Desse modo, é possível traçar metas bem concretas para a educação e cobrar por elas - alicerces para uma boa gestão em qualquer setor.

Já se formou um consenso no Brasil de que esse é o caminho acertado?
Acho que sim. Nos primeiros anos de governo Lula, os petistas chegaram a pôr em xeque a ideia de que a qualidade do ensino precisa ser aferida com base em dados objetivos. Foi um retrocesso. Mas hoje o MEC norteia suas políticas com base em avaliações, metas e cobrança de resultados. Diria que eles chegam até a exagerar na dose, divulgando rankings que, como ministro, eu mesmo preferia não trazer a público. É o caso do Enem.

O Enem não é um bom indicador da qualidade do ensino em escolas públicas e particulares?
O problema é que, como só faz o exame quem quer, ele não necessariamente traduz a qualidade de ensino na escola como um todo. E se apenas os bons alunos de determinado colégio se submeterem à prova? O retrato sairá distorcido. Grosso modo, o Enem até espelha bem a realidade. Mas, como a amostra de alunos de cada escola é aleatória, há espaço para que se cometam injustiças. Em tese, qualquer colégio particular que se sentisse prejudicado pelo ranking poderia processar o MEC. De modo geral, porém, sou absolutamente favorável a que se lance luz sobre os resultados. O monitoramento deve ser constante.

No começo do ano, flagraram-se em material que seria distribuído às escolas pela Secretaria Estadual da Educação erros crassos, tais como a inclusão de dois Paraguais num mapa da América
do Sul. Faltou fiscalização por parte do governo?
Sem dúvida. Ainda que o material não seja produzido pela secretaria, é de responsabilidade dela que não passem erros. Não há o que argumentar aí. Depois do episódio, os cuidados foram redobrados. Cada livro é revisado de três a quatro vezes. Apostila com erro é um desserviço à educação - e desperdício de dinheiro público.


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