segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A DIREITA BRASILEIRA EXIGE RESPEITO! E AGORA DEM?????


Um desses vídeos (veja abaixo), é especialmente chocante: parlamentares agradecem a Deus pela propina, numa cena inacreditável.


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Deputado Rubens César Brunelli (PSC-DF), de camisa roxa, o presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), de camisa branca, e Durval Barbosa.












O Eleitor de DIREITA repudia estes métodos tão comuns na esquerda festiva.

Esta é a morte política do Arruda, que se não bem resolvida, pode ser a morte do DEM também.

Pode ter muita gente boa por aí, mas tem muito Arruda também.

DE VOLTA A HONDURAS: DEZ COISAS QUE SEI SOBRE A REALIDADE POLÍTICA DO PAÍS


O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e um dos mais de 300 observadores estrangeiros que acompanharam a eleição em Honduras neste domingo - o único brasileiro. Abaixo, ele conta o que viu e ouviu em Honduras quando esteve lá em setembro e agora.
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Estive em Honduras no fim de setembro chefiando uma missão parlamentar da Câmara dos Deputados. Naquela oportunidade, encontrei-me com toda a cúpula política do país - Corte Superior de Justiça, presidente, mesa diretora e líderes da Assembléia Nacional, Comissão Nacional de Direitos Humanos, presidente da República e presidente deposto, além de diplomatas, sociedade civil e jornalistas. Agora, estou de volta à capital hondurenha, Tegucigalpa, como observador internacional do processo eleitoral, o único do Brasil.

Acho que aprendi algo sobre o que se passou e se passa aqui e me chama atenção a repetição, como um mantra, de erros grosseiros, factuais ou de interpretação, sobre a crise em que foi mergulhado esse país. Resolvi então selecionar os dez mais comuns e contestá-los no intuito de desfazer equívocos e informar corretamente.

01. EM HONDURAS OCORREU UM GOLPE
Se, por um golpe, tomamos algo que se dá contra a Constituição de um país ou à margem dela, certamente não. A deposição do Presidente Zelaya e a posse do presidente Roberto Micheletti se dão de acordo com a Carta hondurenha. Todas as instâncias legais foram observadas, e todas as instituições - Corte Suprema, Procuradoria Geral, Advocacia da União e Congresso - se manifestaram como manda o rito constitucional. E, em todas elas, o sr. Zelaya foi condenado jurídica e politicamente.

02. MICHELETTI É UM PRESIDENTE DE FACTO E GOLPISTA
O Sr. Micheletti é o presidente constitucional de Honduras e não de fato ou interino. Ele chegou à Presidência por comando claro da Constituição, dado que era o sucessor legal e que o vice se afastara para concorrer às eleições. Ele deverá passar o cargo ao seu sucessor no prazo previsto, 27 de janeiro de 2010. Golpista nenhum torna-se presidente e deixa de sê-lo de acordo com o que manda a Constituição.

03. O PRESIDENTE ZELAYA NÃO TEVE DIREITO DE DEFESA
Sigamos a cronologia dos fatos. Em fevereiro de 2009, o Sr. Zelaya torna pública a sua intenção de realizar um plebiscito, o que feria a letra da Constituição. Em abril, a Fiscalia de la Republica (Procuradoria Geral) lhe manda uma primeira carta alertando-o para a flagrante inconstitucionalidade de tal ato. Zelaya desdenha. Ainda em abril, uma segunda carta pública lhe é enviada pela Fiscalia com o mesmo resultado, pois o presidente, também publicamente, reitera suas intenções. Então, a Fiscalia oficia, em maio, para que se pronuncie o Advogado Geral do Estado, e este o faz reforçando a tese da inconstitucionalidade. Nesse momento, a Fiscalia requer à Justiça de primeira instância que instaure processo, do qual resulta a condenação de Zelaya, que recorre ao Tribunal de Apelação, que igualmente o condena, com novo recurso à Corte Superior de Justiça - com o mesmo resultado dos anteriores. É então que, no dia 23 de março, o presidente Zelaya publica um decreto convocando uma Constituinte, o que colide frontalmente com um outro artigo da Carta.

Entra em cena o Congresso Nacional, que usando de suas prerrogativas, julga a conduta do presidente e, por 123 votos a 5, inclusa a maioria do seu partido, decide afastar o presidente Zelaya. Duplamente julgado e condenado, tendo tido amplo direito de defesa, ele é afastado, tem os seus direitos políticos cassados e sua prisão decretada pelo presidente da Corte Superior de Justiça no dia 28 de junho. Onde, portanto a ausência de contraditório e o amplo direito de defesa?

04. ZELAYA É UM HOMEM DE ESQUERDA E POPULAR
Nada, na biografia e trajetória do presidente deposto, autoriza essa constatação. Filho de um rico fazendeiro (envolvido em uma chacina de camponeses), eleito pelo Partido Liberal, de direita, privatista e antiestatista, o Sr. Zelaya se elegeu com um programa pró-mercado e de reformas. No poder, cai nas graças de Hugo Chávez, ingressa na ALBA, a Alternativa Bolivariana Para as Américas , assumindo posturas e projetos populistas e assistencialistas. Por essa “conversão”(?!), torna-se um ídolo para uma certa esquerda de pouco tino e senso histórico.

05. ZELAYA NÃO VOLTOU AO PODER POR CONTA DA DITADURA GOLPISTA
Nada mais falso. Em primeiro lugar, todas as instituições hondurenhas estão abertas e funcionando normalmente, o que, convenhamos, é esquisitíssimo em se tratando de um golpe de Estado. Em segundo, contando com o esmagador apoio de toda a comunidade internacional, da OEA e a ONU, e se dizendo popular e com o apoio dos hondurenhos, por que “Mel” não retorna ao poder? Por dois motivos: a totalidade das instituições de Honduras está definitivamente contra ele, e a maioria do seu povo, também. Tivesse esse último a seu favor, manifestações de massa - inexistentes - e uma greve geral, mais o apoio externo, teriam derrubado o atual governo.

06. O RESULTADO DAS ELEIÇÕES NÃO SERÁ ACEITO DEVIDO À DITADURA
As atuais eleições foram convocadas e datadas antes da atual crise. Todos os partidos puderam apresentar candidatos e debater seus programas nas praças, rádios e TVs. Os hondurenhos podem votar livremente, e o Tribunal Superior Eleitoral, órgão independente, supervisiona e fiscaliza o pleito.

Apenas 0.5% dos mais de 15 mil candidatos inscritos atenderam ao apelo do Sr. Zelaya para boicotarem as eleições, e o principal partido de esquerda, a UD, está na disputa, rachando e minguando a base de apoio do ex-presidente deposto. Se o povo hondurenho acorrer às urnas e se o pleito for limpo, segundo os mais de 300 observadores internacionais, as eleições e seu resultado serão legítimos.

07. O RESULTADO DAS ELEIÇÕES NÃO SERÁ RECONHECIDO NO EXTERIOR
Será por uns e por outros. Do lado do reconhecimento, estarão os EUA, Colômbia, Israel, Peru, Panamá, Canadá, Alemanha e Itália até o momento. Contra, teremos o Brasil, a Argentina, Venezuela, Equador, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, Suriname e, certamente, os demais países da comunidade européia. Porém, com o passar do tempo, caso as eleições sejam limpas, o primeiro grupo irá paulatinamente crescer, e o segundo, minguar. Lembrando que aqui o voto não é obrigatório e a abstenção é costumeiramente altíssima, atingindo mais de 50%.

08. O GOLPE EM HONDURAS AMEAÇA A DEMOCRACIA NA AMÉRICA DO SUL
Como espero haver demonstrado, não houve golpe em Honduras. Houve, sim, e isso não pode ser esquecido ou tolerado, uma abominável agressão ao Sr. Zelaya. Quando ele já não era mais presidente, foi retirado de sua casa de madrugada e enviado para fora do país. Os responsáveis por isso têm de ser exemplarmente punidos, na forma da lei, para que tal crime jamais se repita, em Honduras ou qualquer lugar.

Agora, o que ameaça a cláusula democrática no subcontinente é o meio compromisso com a democracia. Se o Sr. Zelaya foi apeado do poder segundo as regras constitucionais do país, e foi sucedido em linha com as mesmas regras pelo Sr. Micheletti, chamar a isso de golpe de Estado é atentar contra a democracia. E isso vale, em especial, para uma certa esquerda, para a qual, sendo o atual governo de direita, ele é inaceitável, como se a esta não fosse permitido chegar ao poder, no que incorre em duplo erro.

Em primeiro lugar, porque foi a Constituição, que colocou a “direita” na presidência. Em segundo, é o Sr. Manuel Zelaya o golpista de fato, ao atentar contra a Carta Constitucional e as instituições hondurenhas. Portanto, é ele quem ameaça a democracia na America do Sul, e não o contrário.

09. LULA ERROU AO RECEBER ZELAYA NA EMBAIXADA BRASILEIRA
Não, ele agiu certo. É tradição humanitária do Brasil receber em nossas embaixadas quem nos procura em situação de risco. O erro foi dar status de “abrigado” ao Sr. Zelaya quando o correto, jurídica e diplomaticamente, seria lhe conceder asilo. Ao lhe dar abrigo e não asilo, o ex-presidente pôde legalmente usar a embaixada brasileira como palanque político, interferindo na política hondurenha, o que constitui gravíssimo erro e desrespeito à soberania hondurenha.

Imaginem se, ao ser deposto, o presidente Collor se abrigasse numa embaixada de um país qualquer e de lá convocasse uma insurreição contra o governo de Itamar Franco. Como nos sentiríamos?

10. A POSIÇÃO DO BRASIL FOI CORRETA DIANTE DA CRISE
Antes de mais nada, a América Central, e Honduras em particular, jamais foi importante ou área de influência do Brasil, donde resulta em erro o calibre e engajamento da resposta. Em duzentos anos de relações diplomáticas, um único presidente nosso esteve lá, Luis Inácio Lula da Silva. Nossas relações comerciais são irrisórias, e a região tem com os EUA 70% da sua pauta comercial. Sendo que Honduras fecha as suas contas nacionais com remessas que lhe são enviadas dos Estados Unidos pelos que para lá imigraram.

Ao ver golpe aonde houve desrespeito aos direitos humanos e, em seguida, ao defender o retorno do Sr. Zelaya ao poder, erramos de novo. Por fim, ao dar a este a condição de abrigado e não de asilado, permitimos o uso da nossa embaixada como palanque. Com essa seqüencia de equívocos, perdemos a condição de mediadores, deixando de ser uma fonte de soluções para nos tornarmos parte do problema.

Caso as eleições de hoje sejam limpas e o Brasil teime em não reconhecê-las, erraremos de novo e em definitivo.


Reinaldo Azevedo

BRINDEMOS HONDURAS, O PAÍS QUE VENCEU CHÁVEZ E TIPOS COMO AMORIM, GARCIA E INSULZA

Cinco meses sob uma pressão que ouso dizer inédita em tempos modernos, e Honduras deu a volta por cima e realizou eleições limpas e transparentes, endossadas por centenas de observadores internacionais. A democracia vence no país, apesar do governo brasileiro — que hoje lidera, com mais estridência do que Hugo Chávez, os protestos delinqüentes contra a vontade inequívoca das urnas e das instituições. “Manuel Zelaya também foi eleito!”, grita o petralha, ousando tirar do chão os membros dianteiros. Mas tentou fraudar a Constituição, a exemplo do que fazem os bolivarianos e amigos. E foi posto pra fora. Honduras recusou o chavismo. Que as instituições fiquem atentas porque a canalha não vai sossegar.

Até quando escrevo este post, com mais de 60% dos votos apurados, Porfírio Lobo (foto) , do Partido Nacional, liderava com 55,9% dos votos; já é o virtual presidente eleito. As eleições transcorreram numa clima de calma. Em San Pedro Sula, cerca de mil zelaystas entraram em confronto com a polícia, o que não altera o clima geral da eleição. Para quem prometia guerra civil…

Sim, leitores, cinco meses durou uma farsa de dimensões verdadeiramente planetárias contra aquele pequeno país. Vocês conheceram cada passo dessa história, nos mais de 130 posts deste escriba a respeito. Nem as nações mais delinqüentes da Terra — cujos governos financiam o terrorismo, matam por empresa, esfolam os adversários, calam a Justiça, fecham o Congresso, ameaçam outros países — foram alvo da pressão que se abateu sobre Honduras. E tudo assentado numa mentira básica, essencial, escandalosa, que procurava negar que a deposição de Zelaya tivesse sido constitucional, legal, democrática. Já está provado hoje, evidenciado pela ONG Human Rights Foundation, que a Organização dos Estados Americanos, presidida por José Miguel Insulza, era uma espécie de co-patrocinadora do golpe que Zelaya pretendia dar no país.

Mas Honduras venceu, realizando eleições limpas e respeitando a Constituição, o exato oposto do que fazem vândalos da democracia como Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales. Honduras venceu e expôs de modo dramático, vexatório, escancarado, a ruindade da diplomacia brasileira e a vigarice de sua política externa. Nas várias declarações que deram a respeito, autoridades do Brasil trataram Honduras como um não-país, como um quintal de suas ambições ridiculamente subimperialistas. E agora o megalonanico Celso Amorim resta com um Manuel Zelaya na mão e palavras indecorosas voando por aí. Não custa lembrar que o tal Ruy Casaes, embaixador do Brasil no OEA, chamou o presidente legal de Honduras de “palhaço” — termo que, na diplomacia, não se dispensa nem a inimigos.

O emblema da bufonaria brasileira foi receber um bandido internacional como Ahmadinejad, que tem um ministro diretamente envolvido com um atentado terrorista ocorrido na vizinha Argentina, enquanto atacava a solução democrática encaminhada em Honduras. Isso diz muito dessa gente que está no poder e deixa claro com quem estamos lidando.

As Fadas Sininho de Lula, devidamente pautadas pelo jornalismo franklinstein, agora antevêem uma lenta mudança de posição do Brasil e são capazes de escrever que o Brasil perdeu, sim, mas teria sido uma perda que depõe a seu favor, que honra seu apego à democracia. Não é o caso mesmo de esperar pudor dessa gente — por que o teriam agora? Não! O governo brasileiro perdeu porque a democracia ganhou. O governo brasileiro perdeu porque se alinhou com um notório golpista, que agia contra a Constituição, e os democratas venceram. Não há matizes nem lado positivo na opção feita pelo Itamaraty. A escolha, como Ruy Casaes deixou claro numa entrevista, era mesmo de natureza ideológica.

Zelaya, segundo a imprensa hondurenha, pode pedir asilo na Nicarágua. Talvez se junte a outro golpista, o orelhudo Daniel Ortega, e tente, de lá, desestabilizar a democracia de Honduras. Chávez também não vai se conformar. E cumpre ficar atento ao comportamento do Brasil. Na surdina, como vimos, o país se meteu na conspirata que instalou o maluco Manuel Zelaya na embaixada. Não tenham qualquer receio de esperar o pior de Amorim e seus aloprados.

Por enquanto, façamos um brinde simbólico à democracia. Honduras venceu Hugo Chávez e a diplomacia megalonanica. E, por que não?, brindo também a saúde mental e moral deste blog — o inmcluo vocês, os leitores, nesta sanidade. Folgo em saber que jamais, mesmo quando tudo parecia perdido, abstivemo-nos de dizer a coisa certa.

Um brinde também a nós, bravos! Sozinhos, sim, por um longo tempo. Mas convenham, dada a realidade de então, quem precisava de companhia?

Reinaldo Azevedo

Cúpula do DEM deve pedir desligamento de Arruda


BRASÍLIA -

O Comando Nacional do DEM realizou no início da tarde desta segunda-feira, 30, uma reunião preparatória, antes do encontro com o governador José Roberto Arruda, para decidir o afastamento dele do partido, depois das denúncias de envolvimento em um esquema de corrupção.

A conversa foi na residência do líder do partido no Senado, José Agripino Maia, e contou com a participação de dirigentes do DEM, que deixaram o encontro sem falar com a imprensa. Mas a tendência da maioria dos integrantes da cúpula do partido é pelo desligamento imediato do governador da legenda.

O encontro entre a cúpula do DEM e Arruda está previsto para a tarde desta segunda, na residência oficial do governador do DF.


Arruda tentará justificar as imagens gravadas e os documentos recolhidos pela Operação Caixa de Pandora, com indícios de um esquema de mensalão no governo do DF. A investigação mostra a coleta e distribuição de propinas pela base aliada, mas Arruda, orientado pelos advogados, quer transformar tudo em um "crime eleitoral". A investigação envolve, além do governador, pelo menos mais quatro secretários e quatro deputados distritais.

Vídeos letais

Apesar da estratégia do governador, a cúpula do DEM considera "letais" os vídeos em poder da PF, que foram gravados - sob orientação da PF e com autorização do Judiciário - pelo secretário demitido Durval Barbosa (Relações Institucionais). Dirigentes do DEM consideraram a explicação, de que o dinheiro seria para a compra de panetones para famílias carentes, "conversa pra boi dormir".

"Eu disse a ele (Arruda) que precisamos de provas, fatos, argumentos. Não queremos versões. O partido é realista. O partido se curva aos fatos. Os fatos são devastadores", afirmou o senador Demostenes Torres (DEM-GO). Na avaliação da direção do partido, a manutenção de Arruda no quadro partidário provoca um "desgaste brutal", o que prejudica os planos de recuperação em 2010 do espaço perdido na política nos últimos anos.

Um dirigente do partido disse ao Estado que "não há alternativa" para o governador que não seja a desfiliação dos quadros do DEM. Senadores e deputados já sabem que os demais vídeos em poder do DF são igualmente "devastadores" para a imagem do governador e do partido. Arruda será pressionado a abandonar a sigla antes que seja aberto processo de sua expulsão da legenda.



Estadão


domingo, 29 de novembro de 2009

DIRETO DE TEGUCIGALPA: ATÉ AGORA, ELEIÇÕES LEGÍTIMAS E LIMPAS. CRESCE NÚMERO DE PAÍSES DISPOSTOS A RECONHECER O RESULTADO


Acabo de falar com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), um dos mais de 300 observadores estrangeiros que estão em Tegucigalpa, em Honduras, acompanhando as eleições. Os hondurenhos votam três vezes: para eleger presidente e vice, deputados da Assembléia Nacional e alcaides — os prefeitos. Jungmann afirma que as eleições se dão num clima de absoluta tranqüilidade, sem os distúrbios previstos pela turma de Manuel Zelaya.

Pergunto ao deputado como está o comparecimento às urnas. Ele está em Tegucigalpa e diz que a afluência de eleitores é grande, mas é impossível saber de antemão. O voto em Honduras não é obrigatório, o que torna a abstenção historicamente alta. Manuel Zelaya, o golpista deposto, tenta pôr em dúvida a legitimidade do pleito afirmando que menos de 50% dos eleitores devem comparecer. Bobagem! Quando ele próprio foi eleito, apenas 45% dos hondurenhos aptos a votar o fizeram. Não será por aí que ele vai melar o resultado do jogo.

Jungmann conversou com os dois candidatos que polarizam a disputa: o favorito, Pepe Lobo, do Partido Nacional, e Elvin Santos, do Partido Liberal (PL). Os dois disseram que, proclamado o resultado, ligarão para Lula para tentar normalizar as relações com o Brasil. Jungmann também quis saber se procede o boato de que qualquer um deles está disposto a anistiar Manuel Zelaya se este não contestar o resultado. A resposta foi rigorosamente a mesma: “Este assunto será decidido pelo Congresso”.

Não se nota nenhum problema que macule a legitimidade das eleições? Jungmann responde: “Até agora, nada! Há os problemas comuns de boca de urna aqui e ali, tensão entre cabos eleitorais, nada que não aconteça no Brasil”. Alguma forma de intimidação contra eleitores e opositores? “Absolutamente não! Vamos ver o que dizem os observadores do interior, já que estou na Capital, mas não creio”.

A votação e a apuração em Honduras, como em boa parte do mundo, ainda são manuais. As seções eleitorais contam com fiscais dos vários partidos, e celulares com linhas fechadas e exclusivas foram distribuídos para chefes das seções, que devem passar o resultado das apurações locais para uma central. “Acredito que a tensão possa crescer se o resultado começar a se mostrar muito apertado, com pequena diferença; mas isso nada tem a ver com fraude. É coisa também normal em eleição”.

Em suma…
Honduras realizam eleições legítimas, dentro da lei, o que indica que as instituições fizeram a escolha pelo estado de direito. O isolamento do país começa a ser rompido: além de EUA, Colômbia e Peru, que já haviam anunciado a disposição de reconhecer o pleito, dizem agora que farão o mesmo se as eleições forem limpas os seguintes países: Costa Rica, Panamá, Canadá, Alemanha e Itália. E, nesse passo, esse grupo vai crescer.

Não custa lembrar de novo: mais uma derrota vexaminosa de Celso Amorim, o megalonanico, e seus filobolivarianos amestrados. Que Honduras siga firme no caminho democrático. Este pequeno e valente país derrotou o chavismo. Que a vigilância continue. A canalha não vai desistir.

PS - Ah, sim: os gênios do Itamaraty já estão buscando um modo de alegar algum fato novo para recuar. Afinal, no atual ritmo, daqui a pouco, o Brasil é que estará isolado. Ou melhor: em companhia da Vanezuela, da Bolívia e do Equador. Para quem pretende ser um dos líderes do planeta, companhias sem dúvida auspiciosas…



Reinaldo Azevedo

Mais uma Honra


Recebi do Blog "Brasil: Um país de Tolos", o selo "Blog Instigante".

O selo de reconhecimento Blog Instigante premia os blogs que, além da assiduidade das postagens e do esmero com que são feitos, provoca-nos a necessidade de refletir, questionar, aprender e – sobretudo – que instigam almas e mentes à procura de conhecimento e sabedoria.




Derrota da diplomacia petista

AI, QUE MEDO
Obama, o sereno, é atacado por Garcia, o sinistro: o verdadeiro motivo é a raiva pelos
planos fracassados de transformar Honduras em vitória ideológica



Alguma coisa certa Barack Obama fez. E não estamos falando do garbo exibido na primeira recepção de gala de seu governo, visto na foto ao lado. A prova do acerto está nos ataques virulentos que recebeu de Marco Aurélio Garcia, o assessor do presidente Lula para assuntos internacionais. Tudo o que Garcia fala é errado, na forma e no conteúdo, além de prejudicial aos interesses nacionais. O presidente dos Estados Unidos foi alvo do novo surto de megalonanismo por defender o reconhecimento das eleições em Honduras, neste domingo. Desde que Manuel Zelaya tentou emplacar a própria reeleição e foi punido pela Suprema Corte com a perda do cargo, além de expulso manu militari do país, ao qual retornou com a patola chavista, instalando-se de bigode e chapelão na embaixada brasileira, a diplomacia petista trabalha com o objetivo de restaurá-lo no poder a qualquer preço. A saída pela via eleitoral, com a escolha de um novo presidente, virou um anátema para Garcia e sua turma. A proposta de solução apoiada por Obama parecia razoável: levar observadores internacionais para Honduras e, verificada a lisura da votação, chancelar o resultado, abrindo uma saída pacífica para o impasse. "Isso é muito ruim para os Estados Unidos e sua relação com a América Latina", rugiu Garcia. "Todo aquele clima favorável que se criou com a eleição do presidente Obama começa a se desfazer um pouco."

Em diplomacia, as palavras devem ser escolhidas com cuidado, não por cortesia banal, mas para evitar o agravamento de atritos. Quando um país considera necessário censurar outro, a praxe é plantar declarações indiretas, chamar os representantes diplomáticos do oponente para uma conversa ou fazer comunicações por escrito. A ideia de personalizar as críticas, nomeando um chefe de governo diretamente, só em casos muito graves. Garcia rompeu todas essas regras e, num lapso ofensivo, somou a ofensa à injúria ao dizer que reconhecer a eleição em Honduras seria "legitimar o branqueamento de um golpe" - ah, as peças que o inconsciente prega. A violência de suas declarações tem uma explicação simples: frustração. A diplomacia petista contava com uma vitória política e ideológica com a restituição de Zelaya, que representaria uma prova de força e de prestígio internacional do governo Lula.

Na prática, deu tudo errado. A alegria dos megalonanicos quando Zelaya retornou murchou rapidamente. O sujeito se mostrou disposto a lutar até a última vida dos outros, usou a embaixada brasileira como palanque e decepcionou mesmo quem condenava a forma como foi defenestrado. O governo interino de Roberto Micheletti, que tinha por trás o comando das Forças Armadas, a maioria do establishment político, a Corte Suprema e uma parte possivelmente majoritária da opinião pública, revelou uma capacidade de resistência insuspeita num país pobre, pequeno e suscetível a pressões. "Aqui não temos medo dos Estados Unidos, nem do Brasil, nem do México. Temos medo de Manuel Zelaya", resumiu Micheletti.

O que pesou, no entanto, foi a mudança na posição dos Estados Unidos. Quando Zelaya foi despachado e sua separação abrupta do poder parecia um golpe clássico, do tipo que assolou a América Latina no passado nem tão distante, o governo Obama apoiou a condenação internacional praticamente unânime. Depois, suspendeu parte da ajuda a Honduras e cancelou os vistos de integrantes do governo interino e dos membros da Corte Suprema. A situação começou a mudar quando Hugo Chávez patrocinou o retorno sub-reptício de Zelaya e se multiplicaram as incitações ao levante popular, com o patente objetivo de criar mártires. "Naquele momento, ficou claro que o presidente deposto era um baderneiro que queria apenas provocar a instabilidade no país", disse a VEJA Doug Bandow, pesquisador do Instituto Cato, com sede em Washington. Quanto mais a diplomacia petista se exibia em manifestações estridentes de autoapreciação, mais baixinho falavam os americanos. Em outubro, o subsecretário de Estado para a América Latina e próximo embaixador em Brasília, Thomas Shannon, foi a Honduras e mediou um acordo que parecia salvar a cara de Zelaya e seus defensores: Micheletti renunciaria, o bigodudo voltaria à Presidência por um breve período, numa espécie de regime de liberdade vigiada, e as eleições resolveriam o assunto. Na realidade, o governo interino enrolou quanto pôde e Zelaya foi virando cada vez mais um personagem irrelevante. Só o último ponto se concretizou.

Muita coisa que aconteceu em Honduras foi indesejável: a adesão de Zelaya ao chavismo, as manobras que fez para alterar a cláusula pétrea da Constituição que proíbe a reeleição, sua posterior expulsão do país, a breve mas condenável decretação do estado de sítio. Numa situação com tantos fatores negativos, a eleição de um novo presidente parece uma evolução positiva. As eleições foram marcadas quando Zelaya ainda estava no poder e, embora tenha passado a rejeitá-las, dos cinco candidatos dois são zelayistas. Micheletti deixou o cargo na semana passada e o Congresso ficou de decidir depois da eleição se Zelaya seria restaurado, hipótese altamente improvável. O favorito nas pesquisas é Porfírio Lobo, do Partido Nacional, de centro-direita. O presidente Lula reiterou que não aceitará de maneira alguma o resultado da eleição. Se a premissa de condições democráticas irrepreensíveis fosse aplicada em todas as situações para validar eleições, muitos países não teriam saído de regimes ditatoriais. É bom até bater na madeira para não lembrar desse passado. Toc, toc, toc. Ou, nas palavras inesquecíveis de Marco Aurélio Garcia, top, top, top.


veja.com

Lula da Silva e Honduras.

Por Armando Valladares, publicado na imprensa mundial, no dia das eleições democráticas de Honduras:

" Em meus artigos anteriores, tenho analisado a política do Presidente do Brasil, comparando-o com Kerensky, porque igual a este último, Lula da Silva tem sido o mais laborioso colaborador, tentando aplainar o caminho para que os comunistas se apoderem dos povos e os escravizem, como vem pretendendo (inutilmente) com Honduras. Nesta ocasião se equivocou, suas manobras se estraçalharam contra a decisão de um povo valente e decidido, que Lula conspirou para escravizar, e que por defender a liberdade e a democracia não titubeou um só instante em enfrentar o mundo do que submeter-se ao socialismo do Século XXI. Da mesma forma que Lula da Silva se lançou a fundo, despindo-se da máscara de moderado e respeitoso das leis, me sinto no dever e na obrigação de denunciar energicamente, sem querer ser diplomático, sua real natureza. O verdadeiro Lula da Silva é aquele que nos anos setenta se abraçava com as guerrilhas terroristas das FARC e apoiava os crimes e torturas de meus compatriotas debaixo da tirania castrista. Há alguns anos, escrevi um artigo assinalando de maneira irrefutável sua cumplicidade com todos os inimigos da liberdade, com os terroristas e narcotraficantes, guerrilheiros colombianos, salvadorenhos, etc.,e aqueles planos totalitários do Foro de São Paulo. Minha denúncia rigorosamente histórica e documentada com nomes, datas e lugares, foi mencionada ao então candidato à presidência Lula da Silva pelo prestigioso jornalista brasileiro Boris Casoy em seu programa de televisão. Sem argumentos, descomposto e iracundo, sua resposta foi chamar-me de "embusteiro de Miami". Era 8 de outubro de 2002. A "moderação obrigada" do presidente brasileiro em seus anos de mandato tem sido determinada não por uma mudança em seus sentimentos socialistas, mas sim pela força das instituições e do povo brasileiro que não lhe permtiram nunca transformar o país em em um estado marxista ao estilo de Cuba e Venezuela. Com as mãos atadas e não podendo fazê-lo, não atrevendo-se a sequer tentá-lo, tem tido que contentar-se em apoiar, em solidarizar-se com todos os depredadores de seus povos, e nostálgico do seu sonho frustrado de levar o Brasil ao socialismo chavista do século XXI,tem feito o possível, tem contribuído com todas as forças dos seus verdadeiros ideais, impulsionando outros países do continente ao modelo social que ele não pôde implantar sem seu próprio país. Daí seu apoio ao deposto presidente hondurenho Zelaya, um apoio quase doentio que tem levado o país que representa a violar todos os convênios diplomáticos internacionais. A atuação no caso de Honduras tem levado a outrora prestigiosa e respeitável diplomacia brasileira ao nível mais baixo, questionável e vergonhoso de sua história, à qual muitos analistas qualificam como Vietnam diplomático do Brasil. Um editorial do diário Las Américas de 28 de setembro assinala que "o Brasil está violando abertamente em Honduras a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que foi subscrita em 16 de abril de 1961 e que entrou em vigor, depois das ratificações, em 24 de abril de 1964. A violação consiste em dar arbitrário refúgio na sede da sua missão diplomática em Tegucigalpa ao deposto presidente Manuel Zelaya, especialmente por estar das janelas e sacadas do prédio, com um microfone na mão, agitando aqueles que estão queimando automóveis e saqueando lojas na capital hondurenha". Outro artigo da Convenção de Genebra, violado pelo Governo do Brasil, é o parágrafo terceiro do artigo 41, que estabelece claramente que o que o governo brasileiro está permitindo à Zelaya, desde a sua Embaixada, chamando aos enfrentamentos, à violência, à desordem e ao terrorismo, é ilegal e é uma ingerência e uma grosseira intromissão aos assuntos internos de Honduras.Lula da Silva, com a sua intromissão, não está somente violando a Convenção de Viena. O prestigioso jurista, diplomata de carreira e coordenador de Pro Justiça, Maurício Velasco, em uma análise da atual situação da embaixada brasileira, publicado no El Heraldo, em 24 de setembro, assinala que " a Carta Constitutiva da OEA proíbe a um hóspede ou asilado em uma sede diplomática dar declarações políticas a meios de comunicação". Em 2005, assinala o advogado Maurício Velasco, o deposto presidente do Equador, Lúcio Gutierrez, pediu asilo na embaixada do Brasil em Quito, o que lhe foi concedido, "sempre e quando não houvesse manifestações de caráter político por parte do senhor Lúcio Gutierrez". A OEA deveria pronunciar-se sobre estas violações, porém não o fará. Insulza e o desprestigiado organismo que dirige são marionetes de Chávez e dos países da ALBA, cúmplices desta conspiração contra o heróico povo hondurenho e seus líderes que rechaçam ao socialismo(comunismo) do século XXI. Por que não atuou a diplomacia brasileira com Zelaya, como o fez com o deposto presidente Lucio Gutiérrez? Para vergonha dos brasileiros quem organizou, manipulou e decidiu que Zelaya fosse para a embaixada do Brasil foi Hugo Chávez. Um estrangeiro ditando a política exterior deste país, com o beneplácito do Presidente Lula da Silva! Que vergonha! O senado brasileiro deveria invertigar a fundo estes acontecimentos. Prepotente, desrespeituoso, em resposta à decisão soberana do governo constitucional de Honduras, meses atrás, quando este lhe deu um prazo de dez dias para definir o status de Zelaya, o presidente brasileiro respondeu que estaria ali até que a ONU e a OEA quisessem, esquecendo-se que em Honduras, quem mandava, por designação constitucional, era o presidente Micheletti. Lula da Silva disse que não aceitará o resultado das eleições de 29 de novembro em Honduras, porém aceitou o resultado fraudulento das eleições do Irã e da Nicarágua. Quando toda a comunidade internacional está em pânico pelo perigo de uma guerra atômica desencadeada pelo Irã, Lula da Silva declara que falou com Mahmoud Ahmadinejad e que este lhe garantiu que os reatores atômicos são para fins pacíficos, e que ele (Lula) não tinha porque duvidar disto. E com uma afronta a mais aos brasileiros amantes da liberdade e aos povos civilizados do mundo, convidou e recebeu este terrorista em visita ao seu país. Se em Honduras houver derramamento de sangue, mortos e mais episódios de violência e terrorismo, será pela ingerência de Lula da Silva, ao permitir, em violação às leis e convênios internacionais que o deposto presidente Zelaya continue usando a embaixada do Brasil para seus propósitos políticos e de desestabilização do país."


Coronel

Coca para ele; cocaína para nós

EVO VIU A FOLHA: A ideologia oficial do presidente é promover o uso tradicional da coca. Problema: nem se mascassem uma montanha andina os bolivianos consumiriam tanta planta.

Não há país na América Latina em que o discurso politicamente correto e demagógico possa produzir resultados tão desastrosos quanto a Bolívia. Não há país da região que possa ser tão afetado por causa disso quanto o Brasil. No poder desde 2006, Evo Morales prega uma versão local do socialismo, o indigenismo e o bolivarianismo. Os resultados foram vistos quando ele nacionalizou as refinarias de gás pertencentes à Petrobras. Outro recurso natural que Morales defende com veemência é a coca, planta típica da região andina usada desde os tempos pré-colombianos. A folha é mascada pelos bolivianos ou macerada no chá – aumenta a resistência à altitude e ao trabalho braçal, embora em nada se compare aos efeitos eufóricos do seu derivado mais poderoso e deletério, a cocaína. O presidente da Bolívia trabalhou como plantador de coca e já mascou as folhinhas até em encontro da ONU em Viena. Na nova Constituição escrita sob seu comando, a planta ganhou o status de "recurso natural renovável da biodiversidade da Bolívia e fator de coesão social". Nenhum problema, exceto pelo fato de que as folhas destinadas ao uso proibido, como matéria-prima do crack e da cocaína, ultrapassam vastamente as do uso permitido e tradicional. Em quatro anos, a produção de pasta-base de coca e de cocaína na Bolívia aumentou 41%. A maior parte é traficada para o território brasileiro, onde abastece o vício, a criminalidade e a corrupção. Muita droga entra no Brasil, proveniente dos vizinhos produtores e destinada a outros consumidores, mas a que fica é, majoritariamente, a boliviana, de pior qualidade. Das 40 toneladas de cocaína consumidas anualmente no país, mais de 80% são da Bolívia.

No próximo dia 6, Evo Morales deverá se reeleger presidente praticamente sem oposição. A vida da maioria dos bolivianos melhorou muito pouco, ou nada, mas o estilo populista e a identidade aimará – um dos grandes grupos indígenas da Bolívia – alimentam a sua popularidade. A defesa da coca também. O principal reduto eleitoral de Morales é a região do Chapare, onde está a maior parte do cultivo da coca. Foi lá que ele fez carreira política ao lutar contra a erradicação das plantações. Com bloqueios nas estradas e protestos, ajudou a derrubar dois presidentes. Mesmo depois de eleito, manteve o cargo de chefia de seis federações de cocaleiros. No discurso, ele diz que é a favor da coca e contra a cocaína. Na prática, mais de 95% das folhas cultivadas no Chapare viram droga. Para atender ao uso tradicional, bastariam 7 000 hectares. Morales já anunciou que o limite legal deveria ser de 20 000 hectares. "O presidente prometeu que ampliaria os cultivos de coca e está cumprindo", constata Franklin Alcaraz, diretor do Centro Latino-Americano de Investigação Científica (Celin) e autor de um trabalho sobre a receita proporcionada pela folha de coca, legal e ilegal.

A mais drástica medida adotada como parte da política de promoção da coca foi expulsar a agência antidrogas americana, a DEA, em novembro do ano passado, sob a falsa acusação de fomentar o golpismo. A agência auxiliava a Força Especial de Luta contra o Narcotráfico (FELCN), unidade da polícia boliviana responsável pela erradicação de cultivos e laboratórios ilegais. A DEA completava o salário dos policiais, pagava a conta do telefone e o combustível dos veículos. Arcava com custos de treinamento e até de uniforme. Com a FELCN fora de ação, os resultados foram previsíveis. "Como a produção de coca aumentou e o combate diminuiu, é claro que mais droga entraria no Brasil", diz o delegado Luiz Castro Dórea, coordenador de repressão a entorpecentes da Polícia Federal. Desde que Morales tomou posse, a apreensão de cocaína pela Polícia Federal em Mato Grosso do Sul quase dobrou. Em Mato Grosso, quadruplicou. Para compensar a expulsão da DEA, a Polícia Federal fez acordos com o governo boliviano para treinar policiais e trocar informações. "Nós podemos ajudá-los, mas é impossível substituir o trabalho que era feito pela DEA", diz Dórea.

No Chapare, o programa antidrogas agora extinto também tinha um braço social, através da Usaid, que financiava projetos sociais e promovia a plantação de abacaxi, cacau, café, melão e banana, voltados para exportação. A ideia era dar aos paupérrimos camponeses da região uma via de saída do cultivo da coca. Em qualquer país é difícil incentivar esse tipo de substituição, mas na Bolívia foi impossível. No ano passado, os cocaleiros expulsaram a Usaid. Em um ano, as exportações de frutas da região caíram 41%. A Bolívia sempre foi movida a pó e já teve governos inteiros dominados pelo tráfico. Devido às condições rudimentares, a produção ilegal chegava em geral até o estágio da pasta de coca, que precisa ser refinada em diversas etapas, com produtos químicos, para a obtenção da cocaína. Desde 2007, a atividade de refino tem se propagado em fábricas clandestinas com tecnologia trazida pelos maiores especialistas no assunto: os traficantes colombianos. Seus rivais em brutalidade e conhecimento do ramo, os mexicanos, também estão prospectando o território. Em seus países, o tráfico em alta escala provocou níveis de criminalidade e de destruição das instituições que ameaçaram a própria existência da sociedade. A coca, presente dos deuses aos antigos, transformou-se numa praga contemporânea. Combater seus efeitos malditos fica mais difícil ainda quando existe uma ideologia oficial a favor dela. Todo brasileiro deveria se lembrar disso ao cruzar com um ser humano corroído até o âmago pelo crack.ECONOMIA CONCENTRADA
Folhas de coca secam na região dos Yungas: cultivos alternativos estão diminuindo

click na imagem para ampliar

HONDURAS VOTA, E O PRINCIPAL DERROTADO É O BRASIL!


Honduras realiza suas eleições. Vitória da democracia, de sua constituição democrática e dos democratas que foram às ruas em Tegucigalpa. Vitória também de suas instituições, que sofreram um assédio inédito e souberam se manter. O Brasil é o principal derrotado.

EUA, Colômbia e Peru já disseram que vão reconhecer o governo que sair das urnas. O Brasil se juntou aos bolivarianos para exigir a volta de Manuel Zelaya e tentou caracterizar esses países como capachos da Casa Branca. Ocorre que o bastante respeitado Oscar Arias, presidente da mui neutra Costa Rica, já disse que as eleições devolvem o país à normalidade. Nem mais a estúpida clivagem ideológica serve a Celso Amorim.

Vamos ver como as coisas se dão neste domingo. Honduras deu um duro golpe no chavismo e expôs ao ridículo a diplomacia brasileira.


Reinaldo Azevedo

Corrupção no DF. Veja o vídeo.


BRASÍLIA - A subprocuradora da República Raquel Dodge anexou ao pedido de abertura de inquérito da Operação Caixa de Pandora, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma coleção de vídeos que, de acordo com a investigação, revelam em detalhes como funcionava a máquina de arrecadação e distribuição de propina no governo do Distrito Federal. O primeiro dos 30 vídeos expõe o governador José Roberto Arruda (DEM) como suposto “chefe da quadrilha”, atuando desde o tempo em que era deputado federal, de 2003 a 2006, e depois eleito para o comando do DF.


Segundo apuração da Polícia Federal, Arruda se beneficiava diretamente da cobrança de propinas em cumplicidade com o governo anterior, de Joaquim Roriz (2003-2006), que lhe teria dado carta branca para operar com o cabeça do esquema, o então presidente da Companhia de Desenvolvimento do Planalto (Codeplan) Durval Barbosa. Depois de ser caixa de campanha de Arruda, Barbosa assumiu a Secretaria de Relações Institucionais do governo eleito em 2006.


Na primeira fita entregue pela procuradoria, Arruda aparece recebendo R$ 50 mil, em notas de R$ 100, das mãos de Barbosa. O dinheiro, conforme apurou a PF, seria para pagamento de despesas pessoais do governador. A investigação indica que a fonte do dinheiro foi a empresária Cristina Bonner, do grupo TBA, que o teria repassado a título de “pedágio” regular pelos contratos supostamente direcionados por Arruda para a empresa com o então governo Roriz.


“Você podia me dar uma cesta, um negócio aqui...”, pede Arruda, alegando que precisa guardar os maços de dinheiro. Enquanto Barbosa se levanta para buscar um pacote para guardar o dinheiro, Arruda emenda: “Eu tô achando que você podia passar lá em casa, porque descer com isso aqui é ruim.” Barbosa faz sinal de discordância e diz apenas: “Humm? Por quê? Não tem... (trecho inaudível)”


Marcelo Carvalho, um diretor do Grupo Paulo Octávio, a maior construtora e incorporadora imobiliária de Brasília, é quem aparece nesses vídeos, recebendo de Barbosa a cota de 30% que caberia ao vice-governador Paulo Octávio (DEM) na partilha. Apontado como um dos operadores, caberia a Carvalho distribuir valores arrecadados para pagar a deputados distritais da base aliada para aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF.


ENTREGA


Outros vídeos mostram Durval, a mando de Arruda, providenciando a entrega de um suposto mensalão aos deputados Leonardo Prudente (DEM), presidente da Câmara Legislativa (R$ 50 mil), Eurides Brito (PMDB), Junior Brunelli (PSC), Odilon Aires (PMDB) e Benício Tavares (PMDB), além do chefe de gabinete do governador, Fábio Simão, todos com R$ 30 mil. Um vídeo é dedicado ao menos aquinhoado, o jornalista Omézio Pontes, que fica com R$ 10 mil mensais.


As 30 fitas foram entregues no primeiro depoimento, prestado por Barbosa em 17 de setembro de 2009, quando ele aceitou a oferta de se tornar réu colaborador em troca de benefícios pelos mais de 20 processos a que responde na Justiça. A petição da procuradora cita Arruda como um dos principais beneficiários da “organização criminosa”, acusada de “peculato, corrupção (ativa e passiva), fraude em licitação, crime eleitoral e crimes tributários”.
O grupo, conforme o Ministério Público, tinha vínculo estável e duradouro, com atuação desde pelo menos 2002, “e ainda em atividade”.


Seus membros são acusados de praticar fraude em licitações públicas do DF e superfaturamento de preços, para extrair daí propinas destinadas a gastos pessoais, enriquecimento ilícito, financiamento de campanhas e aliciamento de parlamentares na Câmara Legislativa.


Num dos vídeos, a empresária Cristina Bonner acerta com Barbosa a assinatura de um contrato emergencial milionário (sem licitação) com a Codeplan, pelo qual Arruda a compensaria pela doação de R$ 1 milhão que ela fizera à sua campanha de governador, por meio de caixa 2. Em outro, o dono da empresa de informática Linknet, Gilberto Lucena, conta a Barbosa como distribuiu parte do dinheiro recebido pelo artifício chamado “reconhecimento da dívida”. Consiste em prestar serviço sem cobertura e depois cobrar a conta do governo, paga a custa de uma propina maior ao pessoal do esquema. “Fui obrigado a pagar pedágio para o próprio Arruda”, afirma Lucena.


OUTRO LADO


Por meio de sua assessoria, Paulo Octavio informou que não vai se pronunciar. Ele aguarda informações dos advogados, que estão analisando a íntegra do inquérito, disponibilizado apenas na noite de sexta-feira. Também por sua assessoria, Cristina Bonner negou envolvimento da empresa com o caso. “O Grupo TBA não faz parte das empresas investigadas e repudia as especulações que estão ocorrendo. O grupo tomará as medidas cabíveis para ser ressarcido por eventuais danos de imagem que possam advir dessas especulações.” Arruda também não quis se manifestar.


Estadão


UNE é suspeita de ter fraudado convênios com Ministério da Cultura

Aliada do governo, a União Nacional dos Estudantes (UNE) fraudou convênios, forjou orçamentos e não prestou contas de recursos públicos recebidos nos últimos dois anos. A entidade chegou a apresentar documentos de uma empresa de segurança fantasma, com sede na Bahia, para conseguir aprovar um patrocínio para o encontro nacional em Brasília. Dados do Ministério da Cultura revelam que pelo menos nove convênios celebrados com a UNE, totalizando R$ 2,9 milhões, estão em situação irregular - a organização estudantil toma dinheiro público, mas não diz nem quanto gastou nem como gastou.

O Estado analisou dois convênios com prazo de prestação de contas expirado no ministério: o Congresso Nacional da UNE, realizado em julho, em Brasília, e o projeto Sempre Jovem e Sexagenária, celebrado em 2008, que tinha como meta produzir - até 4 de junho - 10 mil livros e um documentário sobre a história estudantil secundarista. O presidente da entidade, Augusto Chagas, de 27 anos, promete devolver o dinheiro, se forem comprovadas irregularidades.

Apesar de o governo ter repassado R$ 826 mil para os projetos, a entidade, mesmo cobrada, não entrega extratos bancários e notas fiscais, nem cumpre a "execução dos objetivos", os livros e o documentário. Sobre os livros, uma cláusula do contrato diz que a UNE teria 60 dias para prestar contas, a partir de junho, ou restituir em 30 dias as verbas não usadas. Não fez nem uma coisa nem outra.

EMPRESA FANTASMA

A UNE forjou orçamentos para obter dinheiro para o encontro em Brasília. Em 16 de julho, o ministério liberou R$ 342 mil para o evento, que teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). A entidade apresentou estimativa de gasto de R$ 70 mil com hospedagem, R$ 29 mil para segurança, R$ 26 mil em passagens aéreas, entre outros. O ministério cobrou três orçamentos.

Para explicar a despesa com segurança, a UNE entregou o orçamento de empresa fantasma, com sede em Salvador, a 1.400 quilômetros do evento. O outro orçamento também é de uma empresa baiana, que ocupa uma sala de 30 metros quadrados e não tem funcionários.

A empresa fantasma é a Patorg Segurança. Os documentos entregues pela UNE ao governo mostram que a empresa declarou à Receita Federal como endereço o sexto andar de um prédio na Avenida Estados Unidos, em Salvador. A reportagem esteve ali na quinta-feira. No local não há empresa de segurança. Os vizinhos desconhecem a Patorg. "Eu trabalho aqui há 19 anos e nunca teve esse tipo de empresa", disse o porteiro Valdir Alexandre dos Santos.

A UNE anexou um orçamento de R$ 36,4 mil da Patorg. Seu dono, Genovaldo Costa, é desconhecido no endereço, vive em Camaçari e não foi localizado.

A outra empresa, a MG Serviços de Limpeza e Portaria, ocupa uma sala num pequeno sobrado na Baixa dos Sapateiros. A UNE entregou um orçamento de R$ 32,2 mil da empresa, que não tem funcionário registrado, mas fez uma proposta de 280 seguranças, por R$ 115 a diária. O Estado foi três vezes ao endereço, mas não havia ninguém. Pelo celular, o dono, Marcos Guimarães dos Santos, disse que já prestou serviços à UNE, mas não deu detalhes.

Como a entidade não entrega a sua prestação de contas, ainda é um mistério a relação de quem foi contratado. Sabe-se, porém, que a UNE usou fantasmas para aprovar o convênio.

Os R$ 435 mil do Sempre Jovem e Sexagenária foram liberados em 5 de junho de 2008. A UNE apresentou orçamento de R$ 90 mil com pesquisa, R$ 50 mil para alimentação e hospedagem, e R$ 35 mil para imprimir o livro. O governo enviou ofício em 18 de junho passado lembrando que o convênio está encerrado e cobrou informações. Cinco meses depois, a UNE não deu satisfação.


Estadão

sábado, 28 de novembro de 2009

A vitória do Liberalismo e a Derrota do Estado


Particularmente, sou mais um divulgador e não escrevo muito, mas neste caso abro uma exceção, afinal se aproxima o aniversário de 1 ano, tanto do meu empreendimento, quanto deste blog.

Coloco as duas coisas quase juntas porque nasceram assim e se completam, afinal um explica o outro, no fim das contas.

Vou fazer um relato de toda a história de meus 13 anos como médico para que vocês entendam o que isso tem haver com Liberalismo e Estado.

Me formei na Faculdade Estadual de Medicina de Marília, no interior de SP, em 1996.

Logo em 1997, fui convocado para servir às Forças Armadas (eu não havia feito TG), como tenente médico da Força Aérea Brasileira na Amazônia (VII COMAR), patente que ainda ostento, só que na reserva.

Voltei um ano depois a Marília, onde me especializei em Residência Médica de Ortopedia e Traumatologia. Em 2001, já tinha conseguido o título de especialista na área (SBOT).

Em 2001, me sentia ainda “engajado” em fazer um “SUS melhor”, fazer a diferença, poder ajudar quem mais precisa, a troco do salário inicial, que é sempre mais vistoso no serviço público (grande erro, pois estaciona-se aí no salário que não tem plano de cargos e salários).

Fiz especialidade em Saúde Pública e Saúde da Família e fui trabalhar para o SUS, animado, feliz da vida.

Me sentia altruísta, de extremo engajamento social, inserido de maneira “politicamente correta” no contexto da sociedade brasileira.

O sucesso no trabalho veio rápido, afinal: quantos médicos tem todo este gás para enfiar a cara no trabalho. Reelegemos prefeito só com a implantação inicial do programa Saúde da Família.

Isso foi de 2001, passei por novos cursos, me tornei professor de Saúde da Família na Faculdade onde me formei, enfim : parecia o auge.

A questão desagradável, era a imensa diferença de poder aquisitivo entre eu e meus colegas de turma. Eles me chamavam de otário e que a saída estava no empreendimento pessoal (um consultório médico particular) e não no serviço público. Além disso, com o passar dos anos e com o poder público local perceber que já havia ganho o ônus positivo político do Programa, foi desistindo e investindo menos. Com isso, como gestor, posso dizer que não tarda 1 ano e as coisas começam a fazer água. Primeiro em doses homeopáticas, indolor praticamente.

Depois de maneira mais incisiva e escancarada, mas ainda não se torna prioridade. Após o ganho de mais uma eleição para o “partido da situação”, aí fomos a pique. E eles sabem como te “amoitar”.

  • “Se não estiver contente, a porta da rua é a serventia da casa.”

Após 7 anos de trabalho exclusivamente público neste município (na carreira são 13 anos de SUS), me exauri de tal forma a denunciar todas as irregularidades ao jornal da cidade, e fui demitido.

Foi um rebuliço, mas foi apurado? Não. Nem mudou nada, para não dizer que ainda piorou.

Aí, no meu campo visual limitado pela exclusiva atuação no Estado.

Só para constar, o SUS funcionas todo cupinizado, desde sua origem no Ministério da Saúde até a mais municipal instância de sua atuação. Ainda assim, se não houvesse corrupção, um sistema universal desses é impagável, e nada sustentável. Daí dizermos que o Brasil é o país do mundo com mais políticas públicas, ao mesmo tempo em que talvez seja o pior Prestador de Serviços Públicos que exista. Não é cumprido nem 10% do prometido ou previsto em Lei.

Então abri o tal consultório, me desligando de forma total do Estado (SUS). Hoje estamos quase a completar 1 ano de serviço (9 de dezembro) e meu nível de vida subiu de forma tão inesperada, quanto o gosto que tomei em fazer medicina real, e não a submedicina do SUS.

Muitos vão achar radical, mas um crescimento de rendimento com carga horária flexível (a agenda é minha e com nenhum problema estrutural de sistema para incomodar) de mais ou menos 4 vezes em 1 ano...

Não há o que discutir. Até a suposta inserção social é falsa, afinal a porcentagem de bons serviços prestados, com a maior qualidade possível que realizávamos no SUS, é ínfima em relação a real demanda reprimida. Ou seja, é como se nada tivesse sido feito, a não ser remendos e curativos. Esta é a vitória do Liberalismo, onde em apenas 1 ano de serviços à rede privada, aumenta sua “qualidade de vida” em 4 vezes.

A pior parte é a Derrota do Estado. Não que não se imaginasse isso num país onde o povo é instrumento de poder e não uma coletividade. Vivemos a ditadura da maioria e não uma democracia representativa.

A esquerda altruísta e com alta taxa de sensiblidade social mostrou-se na verdade corrupta (muito mais que os “trogloditas de direita), ineficiente, incompetente, utópica (dolosamente), enfim uma grande FARSA.

O Estatismo é em sua totalidade esta ignomínia. O Estado deveria ser mínimo, afinal é um mal republicano necessário. Mas onde exercesse seu papel deveria ser eficiente, proincipalmente na Educação, porém usa-se de forma vil a própria Educação como máquina de fabricar Analfabetos Funcionais.

O que nos resta é pensar.

Um exemplo: Dizem que o dinheiro do IPVA, é recolhido para manter as estradas, o que não ocorreu, levando à necessidade de privatizá-las para que ficassem transitáveis. Mas ainda continuamos a pagar o IPVA mais o pedágio (sobretaxa).

Devemos dar graças ao fato dos setores de telefonia serem privados. Tem muita coisa ruim ainda, com certeza, mas imagine tudo isso sob a égide de um governo megalonanico.

Assim é o futuro do SUS, uma máquina dolosamente corrupta e genocida silenciosa, onde todos os gestores em todas as instâncias (federal, estadual, municipal) são coniventes e responsáveis.

Espero que alguém ainda os cobrem pelas milhares de mortes desnecessárias que ocorrem todos os dias nas filas do SUS.

Ao invés de procurar ossos de terroristas no Araguaia, e torná-los Libertadores e Heróis, porque não evitam ao menos essa chacina diária do SUS?

Pois então meus caros: Esta é a invariável vitória do Liberalismo, sem segredos e sem desonestidade ou corrupção.

A derrota do Estado é óbvia neste país há décadas, só não vê quem tem preguiça de enxergar, ou tem algum interesse nesta distribuição de misérias!



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Vergonha do Itamaraty - Parte 2 - o Irã


Depois do vexame em Honduras, depois do vexame com a visita de Mahmoud Ahmadinejad, depois do vexame de ter levado um chega-pra-lá por escrito do Departamento de Estado — assinado por Obama (estou listando só as patetices dos três últimos dias) —, Celso Amorim, o Megalonanico, o criador da teoria da “Penetração & Diálogo”, acaba de se submeter, e ao país, a mais uma desmoralização.

Ontem, o ainda diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o moderadíssimo Mohamed El Baradei, afirmou estar desapontado com o Irã. Por quê? Porque o país não está cooperando com a agência, que tentou fazer um acordo sobre o combustível empregado em suas usinas. Até agora, sem resposta. Para Baradei, a investigação sobre o programa nuclear secreto daquele país, que teria como objetivo criar a bomba atômica, está num “beco sem saída”.

“Estou desapontado porque o Irã até agora não concordou com a proposta original nem com as modalidades alternativas. E acredito que todas elas sejam equilibradas, justas e que ajudariam a amenizar as preocupações referentes ao programa nuclear iraniano”, afirmou El Baradei. A AIE deve aprovar uma resolução CONDENANDO O IRÃ.

Pois é… Agora não são países da Europa. Agora não são os Estados Unidos. A Agência da ONU — em cujo Conselho de Segurança o Brasil anseia ter um assento permanente — é que está acusando o Irã de falta de cooperação. Na prática, isso corresponde a reconhecer que o país, à diferença do que dizem Celso Amorim e seus aloprados, desenvolve um programa nuclear secreto.

Eis aí um bom motivo para Lula não ser flagrado desfilando ao lado de tipos como Ahmadinejad. No Programa do Jô, desfiei um pequeno rosário de acusações contra o Irã — inclusive o tal programa nuclear secreto. A petralhada — que mandei para o blog que a pariu — veio como enxame: “Quem disse que é secreto? Isso é acusação dos EUA!”. Não! Quem está acusando a falta de cooperação daqueles humanistas é a ONU. E a gente sabe que Baradei não é nem nunca foi do tipo que diz o que os EUA querem ouvir. Sabe, nesse caso, o tamanho da sua responsabilidade.

Quem ignora a sua é o Brasil. Na semana em que Lula desfila ao lado de Ahmadinejad, o Irã recebe a mais dura reprimenda do órgão encarregado de vigiar o uso da energia nuclear. Lula se torna, assim, membro honorário de uma pequeno grupo de delinqüentes que defendem o programa nuclear daquele país — com um entusiasmo que nem a Rússia jamais demonstrou.

Mais uma vez, Amorim conduz o Brasil à desmoralização! Até quando?


Reinaldo Azevedo

Honduras e o Fracasso do ITAMARATY


Lula ridicularizado num cartaz em Honduras: é apenas o começo!
A Folha de São Paulo desta quinta-feira vale pela foto de primeira página, que reproduzo aqui. E serve de mote para este meu artigo, meio longo, é verdade, mas necessário.

Embora a foto esteja perfeita, faz chamada para um despacho do enviado especial a Honduras, Fabiano Maisonnave, que dividia com Zelaya um dos cômodos da Embaixada brasileira em Tegucigalpa. Maisonnave pode ser identificado com o que se conhece na era lulística como um "jornalista imparcial" o que eu, particularmene não sou. Jamais utilizarei o instituto da imparcialidade privando-me de opinar em favor da democracia e das liberdade e denunciar tipos como Zelaya, um estafeta de Hugo Chávez que tentou pisotear a Constituição hondurenha. Maisonnave, por outro lado, continua designando o governo interino do presidente Roberto Micheletti de golpista. Se não é ele, é o editor da página.

Neste momento, Honduras está às vésperas da eleição presidencial marcada para este domingo. O enviado da Folha reporta os acontecimentos dessa pequena Nação que luta tenazmente contra a tentativa do Foro de São Paulo de implantar o socialismo bolivariano chavista no país.

Entretanto, Maisonnave jamais se refere a esse fato. Na sua matéria na Folha desta quinta-feira alude ao fato de que bombas e coquetéis molotov têm sido lançados contra prédios públicos e emissoras de televisão.

Se Maisonnave acompanha este blog, deve ter visto que a reação da bandalha comunista botocuda que atua em Honduras foi antecipada sutilmente pelo agente Top Top Garcia, o aspone de Lula para assuntos bolivarianos.

No texto, Maisonnave minimiza os efeitos da bomba lançada contra Suprema Corte:

"Em meio a chamados cruzados para apoiar e boicotar a eleição de domingo em Honduras, a Corte Suprema e um estúdio de TV foram atacados respectivamente com lança-granadas e uma bomba caseira ontem de madrugada, causando pequenos danos materiais." (grifo meu)

No parágrafo seguinte, atesta:

"O impacto do ataque ao órgão máximo do Judiciário, cuja segurança tem sido feita por soldados, abriu um buraco de cerca de um metro na parede externa e quebrou o vidro de três janelas, sem deixar feridos."

Mas a pérola vem a seguir, quando num parágrafo, digamos, um tanto contraditório descobre - bingo! - a possível intromissão da CIA! o órgão de inteligência americano:

"Segundo fontes militares, o explosivo foi lançado pelo lança-granadas antitanque russo RPG-7. O armamento, que não é usado pelas Forças Armadas, circula na América Central desde os anos 80, quando foi introduzido pelos "contras" da Nicarágua -mercenários recrutados pela CIA com a missão de derrubar os sandinistas- e pela guerrilha salvadorenha." (Assinante da Folha lê AQUI o texto completo de Maisonnave).

Dia desses a grande imprensa internacional veiculou seguidamente matérias a respeito de uma tal Carta de Hamburgo, quando jornais do mundo inteiro discutiram medidas para salvaguardar o direito dos véiculos de comunicação sobre o material jornalístico que produzem e que estaria sendo utilizado indevidamente através da internet.

Concordo que só as grandes empresas jornalísticas têm condições de produzir e apurar a notícia de forma correta e profissional e que para isso investem altos recursos em equipamento e pessoal qualificado e merecem a contrapartida econômica.

Tal iniciativa foi tomada pelos proprietários dos veículos que contabilizam prejuízos desde que começaram a oferecer esse material jornalístico em seus sites. Os jornais, alegam, perderam leitores e as vendas em banca e assinaturas caíram.

Entretanto, este é apenas um lado da história. O que se tem notado nos últimos anos é que a maioria dos jornais não inovou editorialmente e abriga em suas redações um batalhão de jornalistas que continua a cutivar valores, vamos dizer assim, vigentes durante a guerra fria agora embalados numa nova roupagem: o politicamente correto.

Dou dois exemplos: o caso de Honduras é emblemático. Não precisa ser nenhum iluminado para entender que a destituição de Zelaya não foi um golpe de estado nos moldes daqueles havidos nos anos 60. A ação das autoridades hondurenhas refletiu exatamente o que preconiza a Constituição do país. Tanto é que o governo interino assumiu e manteve o calendário eleitoral e em nenhum momento o presidente Micheletti pretendeu usurpar o poder para nele permanecer para sempre, como fazem Hugo Chávez, Correa, Evo Morales e o sandinista da Nicarágua.

Outro exemplo: o caso recente da visita ao Brasil de Ahmadinejad, o financiador do terrorismo e negador do Holocausto, não vi uma censura sequer a partir de escrito de um jornalista da grande imprensa brasileira, exceção ao Reinaldo Azevedo, de Veja. O único artigo a altura véiculado em jornal foi do governador de São Paulo, José Serra na Folha de São Paulo.

Entretanto, na edição desta quinta-feira a mesma Folha de São Paulo, pretendendo uma imparcialidade idiota, publica no mesmo espaço que cedeu a Serra, um artigo do agente bolivariano Top, Top Garcia, defendendo a miserável política externa lulística e a recepção ao antissemita terrorista do Irã.

Lêem jornais as pessoas verdadeiramente alfabetizadas e instruídas. Mas elas representam um extrato diminuto da sociedade. Na medida em que os jornais vão praticando essa política editorial camaleônica perdem esses poucos leitores.

Portanto, não é apenas por causa da internet que os jornais estão decaíndo. Toda essa crise da mídia impressa decorre de uma fatalidade que marca o século XXI: a prevalência da noção do políticamente correto, atrás da qual passaram a se abrigar as viúvas do finado comunismo. O politicamente correto constitui a maior estupidez por se constituir numa tricheira da guerra contra a evidência dos fatos.

E para finalizar: a internet é uma via de duas mãos. Blogs com o estilo editorial deste aqui, por exemplo, fazem diariamente dezenas de links para os sites dos grandes jornais! E são milhares de blogs ao redor do planeta tecendo a crítica, emitindo opinião, debatendo e discutindo o conteúdo gerados pelos jornais. Me refiro a blogs de profissionais e não de aventureiros. Aliás, esse tipo de gente sempre fez jornalismo barato na impensa tradicional e que no jargão das redações são identificados como picaretas.

Dito isto a conclusão só pode ser uma: a Carta de Hamburgo contém meia verdade. Os jornais precisam pensar neste aspecto que acabo de abordar nestas linhas a partir de um evento que ocorre num país pequeno, pobre e até mesmo desconhecido no mundo que é Honduras. Entretanto pode ser que nessa modesta Nação sul-americana esteja nascendo, finalmente, a resistência à tirania que ameça todo o continente.

Falta à imprensa tradicional dizer isto. Falta o seu firme compromisso com a democracia e o repúdio enérgico e permanente a todo e qualquer tipo de tirania.