quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Cadeia à terroristas






Está aí a eleição plebiscitária que o Lula tanto queria. Vamos montar logo esta Comissão da Verdade e comparar um Castelo Branco com uma Dilma Rousseff. Cada lado apresenta os seus argumentos.

Um Costa e Silva em comparação com um José Dirceu. Que tal?
Um Ernesto Geisel em confronto com o Tarso Genro. O que vocês acham?
Os militares dizendo e mostrando tudo o que os guerrilheiros, terroristas e assaltantes de banco estavam fazendo em todo o Brasil.
Os terroristas dizendo que estavam lutando para implantar o comunismo no Brasil.
Os militares impedindo a cubanização do país.
Os terroristas explodindo bombas e matando soldados em portas de quartel, assassinando civis em aeroportos, sequestrando autoridades estrangeiras para extorquir e trocar prisioneiros, assim como faz a Al Qaeda e as FARC.
O que o Brasil mais precisa é de uma eleição plebiscitária em 2010. Que cada militar, que cada familiar, que cada brasileiro com memória e vergonha na cara, espalhe a ficha da Dilma por todos os cantos. Vamos entupir os e-mails de quem não conhece a história. Quer a ficha? Tecle no google. Faça uma cópia bem bonita e mande em frente. Eles que façam a mesma coisa com a ficha do Castelo Branco, do Ernesto Geisel, do Costa e Silva, do João Figueiredo, do Garrastazu Medici. Queremos uma eleição plebiscitária em 2010: militares x terroristas. E que o povo brasileiro decida o melhor para o país.
....................................................................
Em novembro passado, o Ibope Inteligência fez uma pesquisa para saber em que instituições os brasileiros mais confiam:
  • Família - 90%
  • Bombeiros - 88%
  • Igrejas - 76%
  • Forças Armadas - 71%
  • Sindicatos - 46%
  • Congresso Nacional - 35%
  • Partidos Políticos - 31%



Coronel

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Projeto que revoga Lei de Anistia fez Jobim ameaçar se demitir


BRASÍLIA - A terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que se propõe a criar uma comissão especial para revogar a Lei de Anistia de 1979, provocou uma crise militar na véspera do Natal e levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a escrever uma carta de demissão e a procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 22, na Base Aérea de Brasília, para entregar o cargo.

Solidários a Jobim, os três comandantes das Forças Armadas (Exército, Aeronáutica e Marinha) decidiram que também deixariam os cargos, se a saída de Jobim fosse consumada.

Na avaliação dos militares e do próprio ministro Jobim, o PNDH-3, proposto pelo ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e lançado no dia 21 passado, tem trechos "revanchistas e provocativos".

Ao final de três dias de tensão, o presidente da República e o ministro da Defesa fizeram um acordo político: não se reescreve o texto do programa, mas as propostas de lei a enviar ao Congresso não afrontarão as Forças Armadas e, se for preciso, a base partidária governista será mobilizada para não aprovar textos de caráter revanchista.

Os comandantes militares transformaram Jobim em fiador desse acordo, mas disseram que a manutenção da Lei de Anistia é "ponto de honra". As Forças Armadas tratam com "naturalidade institucional" o fato de os benefícios da lei e sua amplitude estarem hoje sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) - isso é decorrente de um processo legal aberto na Justiça Federal de São Paulo contra os ex-coronéis e torturadores Carlos Alberto Brilhante Ustra e Aldir dos Santos Maciel, este já falecido.

Além da proposta para revogar a Lei de Anistia, que está na diretriz que fala em acabar com "as leis remanescentes do período 1964-1985 que sejam contrárias à garantia dos Direitos Humanos", outro ponto irritou os militares e, em especial, o ministro Jobim.

Ele reclamou com Lula da quebra do "acordo tácito" para que os textos do PNDH-3 citassem as Forças Armadas e os movimentos civis da esquerda armada de oposição ao regime militar como alvos de possíveis processos "para examinar as violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política no período 1964-1985".

Jobim foi surpreendido com um texto sem referências aos grupos da esquerda armada. Os militares dizem que se essas investigações vão ficar a cargo de uma Comissão da Verdade, então todos os fatos referentes ao regime militar devem ser investigados.

"Se querem por coronel e general no banco dos réus, então também vamos botar a Dilma e o Franklin Martins", disse um general da ativa ao Estado, referindo-se à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ao ministro de Comunicação de Governo, que participaram da luta armada. "Não me venham falar em processo para militar pois a maioria nem está mais nos quartéis de hoje", acrescentou o general.

Os militares também consideram "picuinha" e "provocação" as propostas do ministro Vannuchi incluírem a ideia de uma lei "proibindo que logradouros, atos e próprios nacionais e prédios públicos recebam nomes de pessoas que praticaram crimes de lesa-humanidade". "Estamos engolindo sapo atrás de sapo", resumiu o general, que pediu anonimato por não poder se manifestar.

A decisão de Jobim entregar o cargo foi decidida no dia 21 e teve, inicialmente, o apoio solidário dos comandantes Juniti Saito (Aeronáutica) e Enzo Peri (Exército). Consultado por telefone, porque estava no Rio, o comandante da Marinha, o almirante Moura Neto, também aderiu. Diante da tensão, o presidente Lula acertou que se encontraria com Jobim na Base Aérea de Brasília, às 16h30, na volta da viagem ao Rio, onde foi inaugurar casas populares no complexo do Alemão e visitou obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).

Na conversa, Lula rejeitou a entrega da carta de demissão e disse que contornaria politicamente o problema. Pediu que o ministro garantisse aos comandantes militares que o Planalto não seria porta-voz de medidas que revogassem a Lei de Anistia.

Os militares acataram a decisão, mas reclamaram com Jobim da posição "vacilante" do Planalto e do "ambiente de constantes provocações" criado pela secretaria de Vannuchi e o ministro Tarso Genro (Justiça). Incomodaram-se também com o que avaliaram como "empenho eleitoral excessivo" da ministra Dilma no apoio a Vannuchi.

"Lula age assim: empurra a crise com a barriga e a gente nunca sai desse ambiente de ameaça", protestou um brigadeiro em entrevista ao Estado.

Na visão das Forças Armadas, a cerimônia de premiação de vítimas da ditadura, no dia 21, foi "uma armação" para constranger os militares, tendo Dilma como figura central, não só por ter sido torturada, mas por ter chorado e escolhido a ocasião para exibir o novo visual de cabelos curtíssimos, depois da quimioterapia para tratamento de um câncer linfático.


Estadão



CADEIA EM DILMA, DIRCEU, FRANKLIN, e todos os outros terroristas que assolaram o Brasil!

O super-homem do ano


O jornal francês “Le Monde” elegeu Luiz Inácio da Silva o homem do ano. Como se sabe, a imprensa e a intelectualidade francesas sofrem certa síndrome de Maria Antonieta. Brioches para o povo, poesia para os tolos.

A realidade não importa muito. Os franceses são uns abstratos. Amam erguer edifícios míticos sobre o nada. Eis mais um.

Entre outras pérolas, Lula é, para o “Le Monde”, um símbolo mundial da preservação do meio ambiente. Vejam a que ponto pode chegar a ignorância dos cultos.

Pena que os franceses não deram um google para ver que o presidente brasileiro reclama dos relatórios de impacto ambiental – para ele, um entrave burocrático ao desenvolvimento, que atrasa as obras e contraria as empreiteiras, inclusive na Amazônia.

Amazônia, terra da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, herdeira de Chico Mendes, que Lula cozinhou em fogo brando para alegrar os que passam o trator na floresta.

O homem do ano foi aquele que, na sua mais expressiva vitória em 2009, protegeu José Sarney e família da punição pelo escândalo de tráfico de influência no Senado. Em seu outdoor sobre o brasileiro bonzinho, o “Le Monde” esqueceu a bondade de Lula com o esquema podre de Agaciel.

Para o jornal francês, o ex-operário iluminado mudou a cara da América Latina. Seria bom alguém avisar aos editores em Paris sobre a nova doutrina de comunicação que Lula apóia em seu continente. Se a moda pega, um dia o “Le Monde” vai ter que escolher o homem do ano com a ajuda de um conselho de companheiros – que saberão podar os excessos da imprensa burguesa.

A condecoração registra ainda que o presidente petista transformou o Brasil em potência, encarnando “o renascimento de um gigante”. Nada contra a poesia vagabunda. Mas quem terá sido a fonte da inspiração grandiloqüente? Golbery do Couto e Silva? Vai ver confundiram o sobrenome.

Por influência do primeiro-ministro espanhol Jose Luis Zapatero, símbolo da esquerda cosmética européia, o “El País” também elegera Lula a personalidade do ano. No artigo que sustentava a escolha, o próprio Zapatero cuidava da exaltação – destacando atributos indiscutíveis, como a capacidade do presidente brasileiro de chorar em público, na escolha do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016.

Não tem jeito. A santificação do bibelô da pobreza, suposto embaixador dos coitadinhos, está na ordem do dia. É um fenômeno correlato à onda Barack Obama, premiado com o Nobel da Paz pelos suecos lunáticos. O espetáculo não pode parar.

Na crônica envernizada do “Le Monde” sobre Lula, o bom selvagem, os cartesianos de fundo de padaria encontraram nele uma virtude inusitada: não ter querido mudar a Constituição para concorrer a um terceiro mandato.

Nessa linha, de fato, o Brasil e o mundo devem tudo a Lula. Sejamos gratos a ele por não ter explodido o mundo a quatro mãos com o tarado atômico do Irã, seu chapa. Obrigado, companheiro.


Guilherme Fiuza

MILITARES REAGEM À REVOGAÇÃO DA ANISTIA


"Se querem por coronel e general no banco dos réus, então também vamos botar a Dilma e o Franklin Martins", disse um general da ativa ao Estado, referindo-se à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ao ministro de Comunicação de Governo, que participaram da luta armada. "Não me venham falar em processo para militar pois a maioria nem está mais nos quartéis de hoje", acrescentou o general.

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A terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que se propõe a criar uma comissão especial para revogar a Lei de Anistia de 1979, provocou uma crise militar na véspera do Natal e levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a escrever uma carta de demissão e a procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 22, na Base Aérea de Brasília, para entregar o cargo.

Solidários a Jobim, os três comandantes das Forças Armadas (Exército, Aeronáutica e Marinha) decidiram que também deixariam os cargos, se a saída de Jobim fosse consumada.

Na avaliação dos militares e do próprio ministro Jobim, o PNDH-3, proposto pelo ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e lançado no dia 21 passado, tem trechos "revanchistas e provocativos".

Ao final de três dias de tensão, o presidente da República e o ministro da Defesa fizeram um acordo político: não se reescreve o texto do programa, mas as propostas de lei a enviar ao Congresso não afrontarão as Forças Armadas e, se for preciso, a base partidária governista será mobilizada para não aprovar textos de caráter revanchista.

Os comandantes militares transformaram Jobim em fiador desse acordo, mas disseram que a manutenção da Lei de Anistia é "ponto de honra". As Forças Armadas tratam com "naturalidade institucional" o fato de os benefícios da lei e sua amplitude estarem hoje sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) - isso é decorrente de um processo legal aberto na Justiça Federal de São Paulo contra os ex-coronéis e torturadores Carlos Alberto Brilhante Ustra e Aldir dos Santos Maciel, este já falecido.

Além da proposta para revogar a Lei de Anistia, que está na diretriz que fala em acabar com "as leis remanescentes do período 1964-1985 que sejam contrárias à garantia dos Direitos Humanos", outro ponto irritou os militares e, em especial, o ministro Jobim.

Ele reclamou com Lula da quebra do "acordo tácito" para que os textos do PNDH-3 citassem as Forças Armadas e os movimentos civis da esquerda armada de oposição ao regime militar como alvos de possíveis processos "para examinar as violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política no período 1964-1985".

Jobim foi surpreendido com um texto sem referências aos grupos da esquerda armada. Os militares dizem que se essas investigações vão ficar a cargo de uma Comissão da Verdade, então todos os fatos referentes ao regime militar devem ser investigados.

"Se querem por coronel e general no banco dos réus, então também vamos botar a Dilma e o Franklin Martins", disse um general da ativa ao Estado, referindo-se à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ao ministro de Comunicação de Governo, que participaram da luta armada. "Não me venham falar em processo para militar pois a maioria nem está mais nos quartéis de hoje", acrescentou o general.

Os militares também consideram "picuinha" e "provocação" as propostas do ministro Vannuchi incluírem a ideia de uma lei "proibindo que logradouros, atos e próprios nacionais e prédios públicos recebam nomes de pessoas que praticaram crimes de lesa-humanidade". "Estamos engolindo sapo atrás de sapo", resumiu o general, que pediu anonimato por não poder se manifestar.

A decisão de Jobim entregar o cargo foi decidida no dia 21 e teve, inicialmente, o apoio solidário dos comandantes Juniti Saito (Aeronáutica) e Enzo Peri (Exército). Consultado por telefone, porque estava no Rio, o comandante da Marinha, o almirante Moura Neto, também aderiu. Diante da tensão, o presidente Lula acertou que se encontraria com Jobim na Base Aérea de Brasília, às 16h30, na volta da viagem ao Rio, onde foi inaugurar casas populares no complexo do Alemão e visitou obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).

Na conversa, Lula rejeitou a entrega da carta de demissão e disse que contornaria politicamente o problema. Pediu que o ministro garantisse aos comandantes militares que o Planalto não seria porta-voz de medidas que revogassem a Lei de Anistia.

Os militares acataram a decisão, mas reclamaram com Jobim da posição "vacilante" do Planalto e do "ambiente de constantes provocações" criado pela secretaria de Vannuchi e o ministro Tarso Genro (Justiça). Incomodaram-se também com o que avaliaram como "empenho eleitoral excessivo" da ministra Dilma no apoio a Vannuchi.

"Lula age assim: empurra a crise com a barriga e a gente nunca sai desse ambiente de ameaça", protestou um brigadeiro em entrevista ao Estado.

Na visão das Forças Armadas, a cerimônia de premiação de vítimas da ditadura, no dia 21, foi "uma armação" para constranger os militares, tendo Dilma como figura central, não só por ter sido torturada, mas por ter chorado e escolhido a ocasião para exibir o novo visual de cabelos curtíssimos, depois da quimioterapia para tratamento de um câncer linfático. Do site do jornal O Estado de São Paulo

MEU COMENTÁRIO: A permanência do PT no poder manterá a Nação sempre em sobressalto. O esquerdismo vive criando inimigos.

Ora, os militares estão há muito tempo dedicados à sua missão profissional. A anistia ampla e irrestrita foi a principal medida legal responsável pela pacificação do país e o retorno à democracia. Não existe mais nenhuma razão para o revanchismo.

Pelo contrário, o povo brasileiro deve gratidão aos militares que evitaram que o Brasil em 1964 fosse transformado numa grande Cuba, sob o tacão de uma ditadura comunista. Esta é que é a verdade.

Enquanto não se desvencilhar do passado o Brasil jamais conquistará o futuro e o desenvolvimento. É de se perguntar por que os revanchistas do PT não praguejam contra a ditadura do caudilho Getúlio Vargas?

Chega de hipocrisia.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O profissional da mentira

De uma feita Lula, cometendo o vitupério do auto-elogio, declarou numa frase que ficou famosa:”Nunca antes se viu algo assim na história desse país”.

Logo depois, o ainda todo poderoso corrupto e corruptor José Dirceu afirmou: “O país só voltou a crescer com governo do PT. O Brasil voltou a crescer com o governo do PT, com distribuição de renda, depois de 3 anos de ajustes para liquidar a herança maldita do período FHC, nos quais a administração Lula teve que aumentar os juros e o superávit, e cortar gastos para sanear as contas públicas e reduzir a inflação − as verdadeiras heranças de FHC.”.

Esses fatos revelaram-se criminosas falácias praticadas pelo amoral presidente e pelo chefe da quadrilha.

Um levantamento feito pela ONG Contas Abertas, que acompanha os gastos públicos da União, mostra que o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) gastou mais com investimentos do que a administração de Lula (PT), ao menos nos sete primeiros anos de cada mandato, considerando-se os valores atualizados monetariamente. Uma das estratégias da campanha eleitoral do PT para a presidência em 2010 será comparar as gestões de tucanos e petistas.

Os números oferecidos pelo atual governo parecem-lhe favoráveis, mas mentirosamente eles são apresentados sem as devidas correções.

Nos sete primeiros anos da era FHC, foram gastos R$ 149,9 bilhões em investimentos. Na gestão Lula, foram R$ 127,1 bilhões. A diferença é de R$ 22,8 bilhões a favor do tucano. Os dados foram atualizados monetariamente pelo IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas.

Ao eleitor brasileiro sobram somente duas opções: ou continuam vivendo com essa sangria desatada, que está exaurindo a nação, com conseqüências vislumbradas nada boa, o muda esse governo que farta-se dos bens públicos.

Com relação às mentiras pregadas por Lula e sua farandolagem, não se pode esquecer que: “Quem mente rouba”.

(*) Foto: Dirceu e Lula, associaram-se para delinqüir.

(*) Texto de apoio: Eduardo Militão.

Prosa e Política

EmPACou de vez!


O GLOBO

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) completa três anos em janeiro longe de concluir metade do proposto pelo governo. Levantamento da ONG Contas Abertas mostra que, das 12.520 obras do programa em todo o país, apenas 1.229 foram concluídas, o que representa 9,8% do total, incluindo os projetos de habitação e saneamento. Sem esses dois setores - que são maioria no PAC- os números melhoram e apontam para 31% dos empreendimentos concluídos. Do total, as obras que nem sequer saíram do papel - estão em fase de contratação, em ação preparatória ou em licitação - chegam a 62%. Nos últimos meses, o PAC foi engordado e passou a ter orçamento de R$ 646 bilhões até 2010. A Casa Civil contesta o levantamento e diz que ele leva em consideração apenas o número de obras. No Rio, a Petrobras ajudou a puxar os investimentos.

PAC: prazo acabando. Obras, não

Para ONG Contas Abertas, só 9,8% das 12.520 iniciativas estavam concluídas

Gustavo Paul, Brasília

Com obras espalhadas por vários municípios e cujos valores vão de poucos milhões até bilhões de reais, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) completa três anos em 2010 ainda longe de concluir metade do que se propôs. De acordo com levantamento da ONG Contas Abertas, das 12.520 obras do programa em todo o país, apenas 1.229 estavam concluídas, o que representa 9,8% do total. Esse montante inclui os programas de habitação e saneamento, que formam sua grande maioria. Sem esses dois setores, os números melhoram, mas ainda ficam distantes das metas do PAC em 2010: o volume de obras concluídas sobe para 31% dos 1.340 empreendimentos contabilizados.

Do total, as obras que sequer saíram do papel — consideradas em contratação, em ação preparatória ou licitação —chegam a 62% do total.

Apenas 29% estão em pleno andamento.

A compilação dos dados só foi possível em 16 de dezembro, quando a Casa Civil divulgou os cadernos estaduais do PAC, que detalham todas as obras do programa. Os números se referem ao balanço de agosto.

— O governo terá de trabalhar em um ano mais do que fez em dois anos e oito meses para entregar boa parte das obras ao final do mandato — diz o economista Gil Castelo Branco, coordenador do Contas Abertas.

Programa cresce e ultrapassa 2010

Ao lançar o PAC em uma grande solenidade em janeiro de 2007, o governo tinha como horizonte apenas o ano de 2010, fim do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. A previsão era gastar R$ 503,9 bilhões em obras no setor de logística, energia e nas áreas social e urbana.

Em fevereiro de 2009, ao completar dois anos, o governo turbinou o programa com R$ 142,1 bilhões de novos investimentos previstos até 2010. Além disso, foram computados mais R$ 502,2 bilhões para após a gestão Lula.

Com isso, o PAC passou a ter um orçamento de R$ 646 bilhões até 2010. A Casa Civil contesta o levantamento, sob argumento de que ele leva em conta apenas o número de obras. No 8oBalanço do PAC, divulgado em outubro, o governo federal informou que 32,9% das ações estavam concluídas, considerando o montante de recursos.

“Consideramos que o critério de valor seja mais adequado para calcular o percentual de conclusão de obras, pois o PAC é composto de um número muito grande de obras com dimensões muito diferenciadas. Esse fato provoca distorções”, informa a assessoria da ministra Dilma Rousseff, em nota.

Eles lembram que o PAC Funasa, voltado para saneamento, contabilizava 6.916 empreendimentos no valor de R$ 3,5 bilhões. Isso representaria 40% da quantidade de obras e apenas 0,5% do valor total do PAC até 2010. Ao mesmo tempo, a Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, orçada em R$ 13,5 bilhões, equivale a 2% do PAC.

Para a Casa Civil, em 2010 as expectativas são melhores, pois algumas obras ganharam ritmo e outras sairão do papel. Mas grandes obras previstas para 2009 não começaram.

É o caso do trem-bala entre Rio e São Paulo, cujo edital só foi lançado para consulta pública em 18 de dezembro.

A usina de Belo Monte só deverá ser licitada no início de 2010, e até a terceira etapa das concessões rodoviárias, prevista para junho passado, foi transferida para abril de 2010.

Paulo Godoy, que preside a associação de empresas de base (Abdib), lembra que há problemas, mas acredita que o programa trouxe um novo modelo de gestão de obras públicas.

Dados orçamentários levantados pela Contas Abertas mostram que, até 15 de dezembro, dos R$ 27,9 bilhões previstos para o ano foram empenhados R$ 21,4 bilhões (76,7%).

Efetivamente pagos foram R$ 6,7 bilhões (24%). A maior parte dos R$ 15 bilhões restantes deve ser paga em 2010.

Foram incluídos no programa os R$ 7,3 bilhões do programa Minha Casa, Minha Vida. Mas a maior parte do orçamento do PAC de R$ 29,8 bilhões deverá ficar com o futuro presidente.

Gil Castelo Branco alerta que ainda há um estoque de R$ 8,9 bilhões de restos a pagar acumulados de 2007 e 2008. Com isso, o governo já teria comprometido cerca de R$ 23 bilhões de restos a pagar em 2010. Somados aos recursos novos orçados para o ano que vem, se o governo gastar o que já empenhou e o que poderá empenhar, terá de quitar cerca de R$ 53 bilhões em 2010, segundo a ONG: — Com certeza essa conta será herdada pelo futuro presidente.

A Casa Civil ressalta que, considerando apenas os recursos orçamentários, a execução do PAC tem crescido de maneira expressiva ano a ano. Sobre o montante de restos a pagar, afirma que se deve a uma contingência da estrutura das contas públicas.

Al-Qaeda assume tentativa de ataque a avião no Natal


SANAA, IÊMEN - A Al-Qaeda na Península Arábica reivindicou o ataque fracassado de 25 de dezembro contra um avião norte-americano, num comunicado postado em um website islâmico, disseram organizações dos Estados Unidos que monitoram mensagens extremistas.

O grupo afirma que o ato foi uma vingança contra os EUA pelos ataques que Washington vem fazendo contra a Al-Qaeda no Iêmen. O grupo também pediu o assassinato de funcionários de embaixadas ocidentais na região como parte de uma "guerra de Cruzada".


O comunicado, que foi acompanhado por uma fotografia do suspeito de realizar a tentativa do ataque, o nigeriano Umar Farouk AbdulMutallab, se orgulhou de que o "irmão nigeriano" tenha enganado todas as barreiras de segurança para sua fracassada operação, afastando o "grande mito" da inteligência americana, disse o SITE Intelligence, grupo que monitora sites de extremistas.

O comunicado afirma que AbdulMutallab usou tecnologia de explosivos desenvolvida no "departamento de manufatura" dos mujahedin da Al-Qaeda na Península Arábica.

O ramo da Al-Qaeda reconhece que uma "falha técnica" provocou o fracasso da operação, acrescentou o comunicado. Outro grupo dos EUA que monitora websites de extremistas, o Intelcenter, também reportou o mesmo comunicado. Se bem-sucedido, AbdulMutallab, de 23 anos, teria derrubado um avião da Northwest Airlines, que transportava 290 pessoas de Amsterdã a Detroit no dia último dia 25.

Casa Branca

O presidente Barack Obama, atualmente de férias no Havaí, irá fazer uma declaração nesta segunda-feira, 28,sobre o incidente, quando também revelará os passos que administração tem tomado para garantir a segurança aérea, segundo o porta-voz da Casa Branca, Bill Burton.

"Ele acredita que é fundamental aprender com este incidente e tomar as medidas necessárias para prevenir atos futuros de terrorismo, e ele fará referência ao fato de que precisamos continuar a pressão sobre aqueles que atacaram nosso país", disse Burton.

O governo Obama admitiu nesta segunda que o incidente no Natal representou um fracasso na segurança de viagens aéreas. Perguntado no Show da NBC "Today" nesta segunda se a segurança do sistema "falhou miseravelmente", o secretário de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, respondeu: "sim."


Estadão

Ucrânia revela segredos dos arquivos da União Soviética

Soldados ucranianos participam de parada militar na rua principal da capital Kiev. O evento fez parte das tradicionais comemorações do aniversário da independência do país da antiga União Soviética, que completou 18 anos em 2009


O serviço de segurança da Ucrânia (SSU) abriu os arquivos da época soviética para o público nacional e estrangeiro, pesquisadores ou simples curiosos, que podem frequentar sem problemas 26 centros de leitura eletrônica situados em outras tantas cidades do país.

"A Ucrânia está se transformando em uma meca para os especialistas em URSS, que vêm trabalhar aqui porque os arquivos da Rússia foram fechados ou são cada vez menos acessíveis", afirma Volodymir Viatrovych, diretor do arquivo estatal do SSU. Entre os historiadores também há russos com problemas de acesso a seus próprios arquivos, explica.

No centro de leitura eletrônica de Kiev, Viatrovych mostra na tela de um computador o índice de milhares de documentos escaneados. Eles vão de 1919 a 1991, e entre outros temas referem-se à consolidação do poder soviético, à grande fome (Holodomor, 1932-33), à Segunda Guerra Mundial e ao sistema repressivo, começando com a Cheka e acabando com a KGB. Também estão lá os documentos das organizações contra as quais lutavam esses órgãos, desde as nacionalistas até as democratizantes.

O centro de leitura de Kiev foi aberto no outono de 2008, mas seu trabalho foi sistematizado, segundo Viatrovych, depois do decreto do presidente Victor Yushenko em janeiro passado, para promover a reclassificação de documentos e dar prioridade a temas como "a repressão política, fome e movimento de libertação".

A reclassificação foi acelerada, na contramão da legislação vigente, "orientada para um trabalho mais lento". Por enquanto Viatrovych lida com dezenas de milhares de documentos, mas "temos 800 mil volumes que devem ser reclassificados e isso só do SSU. Além disso, há os do Ministério do Interior e os da espionagem".

O SSU criou um grupo de trabalho interno formado por especialistas desses serviços. Esse núcleo colabora com um "grupo de historiadores que define as diretrizes sobre os temas com especial importância social", indica; 90% dos documentos sobre o Holodomor já foram reclassificados, diz Viatrovych. "Pode ser que se encontrem mais nos arquivos das províncias, que são bastante caóticos, porque não foram criados para os pesquisadores mas para a perseguição e o extermínio dos adversários do regime", explica.

As "lacunas" existentes são maiores nos últimos anos da URSS, salienta, e explica que quando a KGB deu ordem para destruir documentos em 1990, os funcionários "começaram fazendo desaparecer o que afetava a eles e seus agentes".

O arquivo que Viatrovych dirige colabora com instituições semelhantes na Polônia, República Checa e Lituânia. Com os arquivos do Serviço Federal de Segurança (SFS) da Rússia, a cooperação é limitada. "Nesta primavera propusemos ao SFS um acordo de colaboração como o que temos com os poloneses ou os checos, para trocar experiência de desclassificação e cópias e também fazer publicações conjuntas. Nos responderam que consideram suficientes os acordos existentes entre os dois serviços de segurança", explica.

"Não impomos nenhuma interpretação da história", exclama, e qualifica de "quase cômica" a relação entre os arquivos ucranianos e russos. "Nós desclassificamos documentos sobre um ou outro tema, e imediatamente, como resposta, os russos reclassificam outros que indicam outra coisa."
Abordando sua matéria de uma perspectiva de "missão" nacional, Viatrovych diz ter encontrado "muitos documentos interessantes sobre as operações realizadas [pelos órgãos de segurança soviéticos] para comprometer ativistas do movimento nacional ucraniano e fazê-los parecer colaboracionistas com os nazistas, antissemitas e heróis negativos".

"A Ucrânia continua o trabalho de desmascaramento do regime stalinista que ia em paralelo ao processo de democratização no final dos anos 1980 na URSS. Nos 90, a Rússia julgava o totalitarismo e estava na frente do processo de reclassificação e publicação de documentos, mas agora recuou enquanto a Ucrânia recebeu um novo impulso", opina. "Compartilho da opinião de que uma parte dos materiais foi tirada da Ucrânia em 1990 e 1991, e pode ser que esteja na Rússia. Uma prova indireta é que o último dirigente do KGB da Ucrânia, Nikolai Golushko, se transformou em chefe do SFS da Rússia."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves


EL PAÍS

A ética da liberdade e a mudança climática


A liberdade de uma pessoa agir de acordo com sua vontade em sua propriedade implica, por simetria, que agressões contra outras são eticamente inaceitáveis. Uma agressão ilegítima é qualquer interferência física adversa e suficientemente intensa causada por uma pessoa à propriedade de outra.

Um caso problemático e possivelmente importante é a alteração das condições ambientais - como na hipotética mudança climática -, algo que poderia ter efeitos tanto positivos quanto negativos, dependendo das avaliações subjetivas e das circunstâncias particulares dos seres humanos. Se a mudança climática é considerada um problema, disso não se pode concluir automaticamente que ela precisa ser interrompida ou minimizada a qualquer custo: os seres humanos são especialmente bons em se adaptar, e o governo normalmente faz mais mal do que bem.

Liberdade, propriedade e agressão

Uma ética normativa, com regras universais, simétricas e funcionais, deve se basear no princípio fundamental dos direitos de propriedade. A ética da liberdade e dos direitos de propriedade está no direito natural - o sistema de normas adequadas à natureza humana que permite o desenvolvimento e a coexistência social harmoniosa e pacífica ao evitar, minimizar ou solucionar conflitos o tanto quanto humanamente possível.

A propriedade é o domínio onde as decisões do proprietário são legítimas, o espaço no qual cada pessoa é livre para agir de acordo com suas preferências sem sofrer interferências violentas de terceiros - cujas avaliações nesse aspecto são eticamente irrelevantes. Todas as ações pacíficas do proprietário em sua propriedade são permitidas, e nenhuma ação é obrigatória (não existem direitos naturais positivos).

O direito à propriedade é um direito negativo: você tem o direito de que não interfiram em sua propriedade. Os seres humanos não têm direitos naturais positivos, isto é, terceiros não são obrigados a fazer nada por um indivíduo; da mesma forma, esse indivíduo não tem deveres naturais para com terceiros (presente ou futuro). Direitos e deveres positivos surgem apenas por meio de contratos.

A liberdade não significa a absoluta ausência de restrições: minha liberdade termina onde começa a dos outros; minha propriedade é finita e limitada pelas propriedades de terceiros. Liberdade e direitos de propriedade são equivalentes ao axioma da não-agressão: a iniciação de força não é legítima; a força pode ser usada apenas para defesa e justiça. Agressões - a invasão da propriedade de terceiros sem o consentimento deles - são proibidas. O agressor deve reparar os danos e compensar a vítima.

Agressão não é somente a noção mais estreita de violência criminal praticada por uma pessoa contra outra e suas posses (assassinato, assalto, lesões, estupro, sequestro, roubo). Agressão, em um sentido abstrato, é qualquer interferência física nociva ou suficientemente intensa e adversa feita por uma pessoa - ou por sua propriedade - na propriedade de outra.

Ser o proprietário de um bem não é sempre algo bom: a propriedade não implica somente o direito de usufruir e fazer uso de meios de ação. A propriedade pode ser ruim: o proprietário é responsável pelos danos que suas ações e suas posses podem causar a terceiros (premeditados ou não premeditados, conhecidos ou desconhecidos, previstos ou imprevistos). Toda ação implica a produção de resíduos indesejados que precisam ser recolhidos para que não avariem terceiros.

Todas as coisas reais estão direta ou indiretamente interligadas por forças fundamentais, de modo que uma mudança em uma entidade provoca algum efeito, grande ou pequeno, em outras entidades. Porém as regras éticas referem-se somente às mudanças e efeitos causados pela ação humana que podem danificar terceiros e criar conflitos.

Essas interações podem envolver matéria (sólido, líquido, gasoso; partículas macroscópicas ou microscópicas), energia (calor, ondas eletromagnéticas, ondas de pressão) ou alterações das condições ambientais naturais (luminosidade, pressão, temperatura, ventos, umidade). Os efeitos podem ser fortes ou fracos, concentrados ou difusos, diretos ou indiretos, locais ou globais, frequentes ou raros, cumulativos ou não cumulativos, instantâneos ou retardados, temporários ou permanentes.

Devido às limitações da mente humana, a realidade é sempre estudada de forma simplificada, como se fosse linear e simples; mas a natureza é na verdade uma complexa rede de entidades e relacionamentos. Uma causa pode ter múltiplos efeitos sobre diferentes pessoas, alguns positivos e alguns negativos.

Um efeito pode ter múltiplas causas, naturais ou artificiais. Pode ser provocado por uma pessoa ou por várias pessoas fazendo a mesma coisa (como respirar) ou coisas complementares (como fabricar e dirigir automóveis, ou produzir e consumir energia). Em sistemas caóticos não lineares, pequenas causas podem gerar grandes efeitos (devido a amplificadores, desestabilizadores, ou mecanismos de retroalimentação positiva), da mesma forma que grandes causas podem gerar pequenos efeitos (devido a amortecedores, estabilizadores ou mecanismos de retroalimentação negativa).

Para serem qualificados como agressões, eventos reais devem ao menos ser fisicamente detectáveis, psicologicamente perceptíveis, e relevantes para as preferências humanas. Condições reais objetivas não constituem automaticamente problemas. São as avaliações humanas que interpretam as situações como sendo oportunidades ou ameaças, benefícios ou danos, boas ou ruins. E é a possível incompatibilidade das preferências subjetivas dos homens que origina os conflitos: uma pessoa pode gostar de uma coisa ao mesmo tempo em que outra detesta essa mesma coisa.

Os conteúdos específicos da noção de agressão estão em aberto e são contestáveis. Não se trata de um conceito com fronteiras rígidas; ele é parcialmente nebuloso e arbitrário. Ele não pode ser completamente determinado por dedução, utilizando-se da razão pura; ele depende de costumes, tradições, convenções (bloquear a luz solar, luzes de alta intensidade, sons em alto volume, poluentes). Alguns critérios objetivos podem ser utilizados para determinar se um evento é mais apropriadamente considerado uma agressão ou não: intensidade, direção, extensão, duração, acumulação.

Para que uma ética da liberdade seja funcional, ela precisa incluir princípios de responsabilidade e regras para uma legítima defesa. Os princípios de justiça tradicionais e sensatos colocam no acusador o ônus da prova de que houve alguma agressão, sendo sua a obrigação de provar acima de qualquer dúvida razoável a culpa do acusado. Não é o acusado que precisa provar sua inocência (se fosse assim, cada pessoa teria de apresentar alguma prova de sua inocência para cada ação e momento de sua vida, pois ela sempre poderia ser acusada de algo).

A legítima defesa pode ser invocada pelo real ou possível recebedor dos efeitos da uma ação caso haja um perigo claro, imediato e comprovável. A defesa se torna ilegítima (ou seja, torna-se agressão) caso não seja possível provar que há o perigo de danos reais.

O princípio da precaução proposto por muitos ambientalistas exige que o iniciador de uma atividade comprove sua completa inocuidade ao mesmo tempo em que o governo não precisa provar que haja alguma probabilidade de danos para proibi-la. Provar que algo é absolutamente inócuo é impraticável no mundo atual, no qual o aprendizado se dá na base da tentativa e erro - o que significa que esse princípio iria paralisar as inovações. A aquisição do conhecimento é custosa, e o conhecimento pleno é impossível.

A noção de agressão se baseia nas consequências ou resultados das ações (os efeitos reais no mundo), e não no conhecimento ou nas intenções dos agentes. Sentimentos morais instintivos tendem a desculpar ou a diminuir a responsabilidade se não houver intencionalidade, ou se os danos forem efeitos secundários e inesperados: isso é assim parcialmente porque os sentimentos morais se desenvolveram como instintos genéticos no passado, quando nossos ancestrais humanos possuíam poucas habilidades de ação.

Mas com a acumulação tecnológica e de capital, é necessário exigir um uso responsável de ferramentas poderosas, e alertar as pessoas de que sua ignorância ou falta de presciência não poderão servir como desculpas para os danos que podem causar. Esse tipo de regra fornece incentivos para que os agentes considerem completamente todas as possíveis consequências de suas ações, e não somente aquelas que pretendem alcançar, pois eles serão julgados de acordo com os efeitos reais de suas ações.

Direitos de propriedade funcionam bem quando a realidade é facilmente separável, e quando os efeitos das ações são diretos, locais, concentrados e recaem principalmente sobre o proprietário e outros indivíduos próximos e fáceis de ser identificados. Mas os elementos da realidade são frequentemente entrelaçados de maneira confusa e desordenada. Objetos macroscópicos sólidos tendem a permanecer em suas posições estáveis; mas os fluidos (líquidos e especialmente gases) tendem a se mover, ao passo que os fótons e a energia térmica tendem a circular; esses fatores se dispersam e ultrapassam fronteiras definidas, a menos que sejam impedidos por alguma barreira física.

Externalidades são efeitos das ações de um agente sobre a propriedade de outros; elas podem ser positivas (como presentes, que não são proibidos e nem obrigatórios) ou negativas. Uma agressão é uma externalidade negativa. Externalidades negativas difusas são problemáticas e difíceis de serem reguladas. Muitas vítimas podem sofrer transtornos muito pequenos decorrentes das ações de um agente: pode parecer absurdo considerar ilegítimas aquelas ações que produzem efeitos tão pequenos, e seria muito custoso para cada uma das vítimas exigir que o agente seja impedido ou que ele as recompense.

Externalidades podem se tornar importantes em decorrência dos efeitos cumulativos e persistentes de pequenas ações de muitos agentes. Em uma agressão clara, é possível e relativamente fácil determinar quem está fazendo o que a quem, quem precisa ser barrado e quem precisa recompensar quem pelo quê. Para o caso de externalidades difusas, pode ser muito difícil determinar e correlacionar os agentes, as ações, os efeitos e as vítimas desses efeitos.

Uma vez que agressões implicam danos, pode-se ingenuamente considerar ser melhor torná-las uma noção abrangente, de modo a fazer com que muitos prejuízos sejam evitados. Mas aceitar que algo é uma agressão e tentar proibi-lo tem consequências que podem ser piores do que simplesmente tolerá-lo. Quanto mais ações forem consideradas agressões ilegítimas, mais o uso da força é justificável.

Os custos do sistema necessários para detectar e punir os agressores e recompensar as vítimas poderiam exceder seus benefícios (sempre tendo em mente que é extremamente problemático fazer comparações interpessoais e adições ou subtrações de utilidade ou análises sociais de custo-benefício). Pode ser melhor aprender a viver com algumas realidades mutáveis - se adaptar a elas - a tentar evitá-las. Especialmente porque os seres humanos são bons em se adaptar - foi por meio da adaptação que eles colonizaram grande parte do planeta - a condições ambientais bastante diferentes.

Dar automaticamente ao estado a responsabilidade de lidar com externalidades negativas difusas pode ser um erro enorme. O estado detém o monopólio da justiça e da violência, e é frequentemente ilegítimo (ditadores ou mesmo líderes democráticos, de acordo com os anarquistas), extremamente ineficientemente e possivelmente corrupto (falta de motivação ou incentivos e falta de conhecimento).

Aquilo que é comumente chamado de falha de mercado é quase sempre o resultado de uma determinação inadequada dos direitos de propriedade. O mercado nunca será perfeito simplesmente porque os seres humanos são limitados em suas capacidades; propor que o estado corrija supostos problemas que os indivíduos não podem resolver livremente parece ignorar o fato de que o estado também é composto de seres humanos - e talvez não dos melhores deles (burocratas não são anjos imparciais e abnegados, e os piores sempre podem chegar ao topo).

Mudança climática

A ética concerne apenas os seres humanos: não há um dever natural de se preservar o meio ambiente - algo que não possui valor intrínseco -, pois as valorações são produto da atividade mental de agentes emocionais e cognitivos.

Contaminações acima de determinados níveis são normalmente consideradas agressões ilegítimas porque os poluentes prejudicam diretamente os seres humanos e não trazem efeitos benéficos. A mudança climática está relacionada ao meio ambiente, porém é muito diferente de uma contaminação.

A mudança climática antropogênica pode ocorrer devido a mudanças no uso da terra e a emissões de gases causadores do efeito estufa. Mudanças no uso da terra podem alterar a refletividade ou albedo da superfície do planeta, e parece difícil considerá-las uma ação ilegítima.

O dióxido de carbono é um gás estufa que resulta da respiração e da queima de combustíveis fosseis. Rotulá-lo como poluidor é um abuso de linguagem, uma vez que ele é necessário para a fotossíntese e não é tóxico. Algumas atividades humanas, como o cultivo de árvores, retiram dióxido de carbono da atmosfera. É extremamente difícil comprovar relações específicas entre as emissões humanas de dióxido de carbono, as mudanças climáticas locais e seus efeitos específicos.

A mudança climática, seja ela aquecimento ou resfriamento global, possui múltiplas causas e efeitos possíveis, e a avaliação dos efeitos pode ser diferente em diferentes partes do planeta. Regiões frias podem acolher positivamente um aquecimento e lamentar um resfriamento, ao passo que regiões quentes podem receber bem um resfriamento e lastimar um aquecimento. Os alarmistas da mudança climática parecem ser reacionários climáticos que não aceitam absolutamente nenhuma mudança.

Não existe um clima ideal ou ótimo, e, caso os humanos adquiram o controle parcial do clima, podem surgir conflitos quanto à determinação climática. Mesmo quando se considera que os humanos estão adaptados ao clima atual, isso não significa que seria difícil se adaptar a diferentes climas caso as mudanças não sejam excessivas.

Mudanças climáticas podem acontecer rapidamente em um escala geológica, mas são lentas em uma escala humana, permitindo adaptações inteligentes e planejamentos para o futuro. Já as políticas de mitigação das mudanças climáticas possuem custos enormes no presente e proporcionariam benefícios pequenos e incertos no futuro. Os relativamente pobres de hoje seriam sacrificados para ajudar os relativamente ricos de amanhã.

A temperatura não é o único fenômeno associado à mudança climática e possivelmente não é o mais relevante para o bem-estar humano, uma vez que os humanos vivem dentro de uma grande variedade de temperaturas. O nível dos oceanos, as precipitações e eventos meteorológicos severos podem ser muito mais importantes.

O nível dos oceanos pode aumentar lentamente devido ao aquecimento global, mas o processo é muito vagaroso, o que possibilita a preparação de proteções e o emprego de capital caso necessário. A liberdade de migração pode ajudar a realocar as pessoas cujas terras se tornarem inabitável. As precipitações no geral devem aumentar com o aquecimento global, embora sua distribuição possa se alterar. E a relação de dependência entre temperatura e eventos meteorológicos severos é complexa e pouco conhecida.

Para quase todos os problemas humanos associados ao aquecimento global, a influência do clima sobre eles é geralmente pequena se comparada aos outros fatores mais importantes que podem ser mais fácil e eficientemente tratados. Os alarmistas da mudança climática parecem ignorar as soluções relativamente simples para os problemas que eles próprios levantam. Os seres humanos são proativos; eles não se submetem passivamente às influências naturais. E a anulação das mudanças climáticas não é necessariamente a melhor opção.

A água potável é um problema onde não existem direitos de propriedade, mercados e preços para a água. Doenças tropicais dependem fortemente das condições socioeconômicas. Nações subdesenvolvidas são pobres principalmente devido às inadequadas instituições sociais, e não por causa das condições ambientais.

Ondas de calor podem ser enfrentadas com equipamentos adequados de ar condicionado (e o aquecimento global iria reduzir as ondas de frio e as mortes causadas por elas). A extinção de espécies se deve principalmente à destruição de seus habitats ou à invasão de humanos (ou à matança, à caça e à pesca) - todas elas relacionadas à ausência de propriedade.

Os catastrofistas do aquecimento global parecem se esquecer de outras questões mais importantes e urgentes que estão competindo pelos mesmos recursos escassos que estão sendo desviados para a mitigação da mudança climática. É ilógico, ridículo e absurdo declarar o aquecimento global como o pior problema da humanidade quando ainda temos guerras, fome, doença e pobreza.

Para alguns ambientalistas radicais e para a maioria dos políticos, a mudança climática é o problema mais importante para a civilização humana; e eles se imaginam falando em nome de toda a humanidade. Mas todos os problemas lhes parecem ser extremos, pois eles não têm nenhuma noção dos custos de oportunidade relativos. Sua linguagem moral impõe deveres aos cidadãos, que mais parecem estar recebendo ordens sobre o que devem fazer e o que devem evitar, aconteça o que acontecer.

Supõe-se que os governos são necessários para proteger seus cidadãos contra agressões, porém eles são extremamente incompetentes nessa tarefa. Eles frequentemente realizam suas próprias agressões institucionais ao proibir atividades perfeitamente pacíficas e voluntárias; e agora com as mudanças climáticas eles parecem considerar o aquecimento global antropogênico uma ação ilegítima e indesejável.

Alguns radicais até mesmo tentam censurar e criminalizar a opinião divergente dos céticos, negacionistas ou minimizadores. Porém ideias, pensamentos e discursos, mesmo se errados ou falsos, não são e nem nunca serão crimes reais. Ademais, pode haver grupos de interesse dos dois lados do debate lutando pela implementação de suas políticas públicas preferidas: não apenas petrolíferas, carvoarias e empresas de energia nuclear, mas também as altamente subsidiadas empresas de energia renovável.

Mesmo que a ciência climática oficial e predominante esteja correta, sua ignorância no que concerne economia, filosofia política e direito é enorme. As entidades mais importantes para um ser humano são os outros seres humanos (para o bem e para o mal), e não o meio ambiente. Os humanos podem ser especialmente nocivos quando organizados politicamente e inspirados pelo coletivismo.

Os possíveis danos da mudança climática devem ser comparados aos possíveis danos da intervenção burocrática estatal e da opressão política. Pode ser que todo o alarmismo do aquecimento global seja uma desculpa para aumentar a extensão do poder político ou uma distração de outros problemas mais sérios. As instituições sociais são o que mais importam, e elas estão muito equivocadas atualmente: um enorme aprimoramento é possível, e a liberdade é a resposta.

Francisco Capella graduou-se em física e fez estudos de pós-graduação em astrofísica, em inteligência artificial e em engenharia do conhecimento. Ele possui mestrado em economia austríaca pela Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, e está atualmente trabalhando em sua tese de PhD sobre a ética da liberdade e a política do anarcocapitalismo. Ele é um membro fundador do Instituto Juan de Mariana, onde dirige o departamento de ciência e ética. Ele é o responsável pelo projeto Inteligência e Liberdade, onde pesquisa questões de filosofia, biologia e evolução cultural, ciência cognitiva, epistemologia, economia, ética teórica e aplicada e a teoria da liberdade. Veja seu blog.

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque


INSTITUTO LUDWIG VON MISES BRASIL

Racismo na Escola



INSTITUTO MILLENIUM

Fim de 2009 e feliz 2010. Mas será só isso?


“Esperançoso”

Estamos diante de mais um ciclo de 365 dias que se fecha e automaticamente nos coloca diante de outro.

Como de hábito e talvez por falta de pauta, os meios de comunicação abrem espaço para longas e repetitivas retrospectivas.

Contudo, todos se limitam a passar filmes, reeditar fotos e reproduzir diálogos, explorando tanto momentos positivos como negativos. Poucos entretanto, fazem a reflexão fundamental que seria avaliar o passado para planejar o futuro.

Um balanço frio e despido de emoção leva a conclusão que parte dos momentos tidos como positivos, são exploração de situações menores que num contexto global pouco contribuem para o avanço do país ou da sociedade global.

Outros aspectos tidos como glórias são mera exploração da versão moderna da política de “pão e circo”.

Já os aspectos negativos são reais e têm profundo impacto na economia, no bem estar social e mesmo na sobrevivência de futuras gerações.

Muito mais importante do que ver o filme do ano que passou é avaliar consequências do que foi feito ou não, e de que forma podemos mudar o rumo tão incerto no qual o planeta está sendo lançado por uma cúpula de irresponsáveis.

Passeando em nosso micro-mundo que é a cidade em que vivemos e afastando o ponto de vista para que possamos ver o Brasil e finalmente o globo, não há muito a festejar.

No micro-mundo, Rio de Janeiro, é preciso reconhecer alguns avanços que podem ser computados como mudanças embrionárias, porém positivas.

A política de tentar ordenar a cidade é sem dúvida uma iniciativa positiva que, tendo continuidade, trará resultados no longo prazo. Pode parecer insignificante, mas talvez este seja o passo mais importante para resgatar a saudosa Cidade Maravilhosa. Passamos por vários governos permissivos aos quais devemos a decadência e favelização urbana, além de outras mazelas que decorrem de práticas coletivas inaceitáveis, porém fortemente arraigadas na cultura. O chamado “choque de ordem” precisa se transformar em cultura e incorporado por cada cidadão para se opor à contra-cultura e ao “deixar fazer”, que a cada dia destrói mais um pouco a cidade e corrói a sociedade deturpando valores.

A pacificação de favelas, apesar de estar dentro de uma política de segurança pública equivocada, também pode ser considerada um avanço, principalmente se avaliada do ponto de vista das comunidades que foram libertadas do poder paralelo.

Mas o cerne da questão é que a pacificação de favelas não é uma política de segurança pública. Neste aspecto as autoridades têm feito um jogo dúbio. De um lado não afirmam claramente que a política de segurança pública inexiste e se restringiu a está única ação de resultados positivos, porém restritos e insustentáveis. Do outro exploram publicidade que confundem o resultado pífio da pacificação de quatro ou cinco comunidades com uma política de segurança pública como se fosse possível consolidar esta posição na cidade inteira.

É evidente que esta ação não se sustenta. O Rio de Janeiro tem mais de 1100 favelas. Ainda que nem todas estejam dominadas pelo poder paralelo, basta fazer contas elementares para concluir que não há efetivo que de conta de ocupar todas as comunidades. Além disso, a segurança pública não é apenas uma questão policial. Certamente é mais social do que policial e qualquer política de segurança pública que não vislumbre o viés social está fadada ao fracasso.

Outro acontecimento que valeu manchetes foi à conquista do direito do Rio de Janeiro de sediar eventos internacionais. Fica a dúvida se este fato deve ser computado na coluna de fatos positivos ou negativos. Há quem diga que é uma glória para a cidade sediar jogos olímpicos e copa do mundo, e que esta conquista trará uma série de benefícios para a população. Por outro lado, existe muita publicidade em torno do assunto que não permite ver com clareza quais são os reais benefícios. Será aceitável despender somas fabulosas para fazer uma maquiagem e plástica na cidade com o objetivo de atender a um evento e em contra-partida deixar de investir naquilo que é essencial?

Houve outros fatos e acontecimentos que talvez tenham chocado ou trazido alento ao carioca. Os negativos são na realidade mazelas nacionais como a corrupção e a falência moral da política. Os positivos são glórias individuais de iniciativas de cidadãos que pelo próprio esforço ou por desenvolverem projetos de vida com compromisso social tenham mostrado que existe um caminho digno e melhor do que este que nos é imposto por políticas públicas medíocres. À lista destas pessoas que fizeram a diferença é grande e seria injusto citar apenas algumas.

Elevemos agora o ponto de vista para avaliar o Brasil no ano de 2009.

Estamos no fim do governo Lula e queira o destino que esta era se encerre no ano de 2010.

O Brasil sobreviveu à crise financeira, é verdade, e este é um fato positivo que devemos em grande parte ao PROER, plano tão criticado por Lula quando oposição, mas por ele enaltecido quando os bancos dos EUA quebraram em série desencadeando a crise financeira global.

Com muito esforço talvez consigamos elencar outros acontecimentos positivos.

Mas uma análise fria mostra que em âmbito nacional vivemos uma falência moral e ética em todas as instâncias. Lamentavelmente o governo e a classe política são o centro desta rede de interesses que visa tudo, menos o desenvolvimento do país ou o bem estar social.

Os partidos políticos se transformam em sopas de letras apátridas e sem ideologia. Não existem mais oposição nem situação. Há apenas corruptos e estelionatários com representantes no Congresso e em todas as esferas do poder, que lotearam o Brasil e negociam interesses.

Corrupção, dinheiro circulando nos mais variados meios como malas, cuecas e meias, se tornaram trivial e estranhamente o povo já não liga para o assunto. Poucos se importam com a quantidade de zeros e ordem de grandeza das somas que circulam ilegalmente, mas faltam em hospitais, escolas e infra-estrutura.

Em 2009 movimentos como o MST e congêneres que se tornaram verdadeiros bandos criminosos agindo ao arrepio da lei, foram definitivamente alçados a movimentos sociais pelo ministro da Justiça Tarso Genro e por absurdo que pareça são financiados com recursos públicos.

O ensino já estava falido e mais parecia um moribundo a beira do túmulo. Mas o fiasco protagonizado pelo ministro da Educação com a desmoralização total do ENEM por seguidas quebras de sigilo, levou à falência definitiva do último símbolo que ainda restava vivo.

Na área ambiental tivemos muito discurso e desinformação que transformaram desmatamento e resultados negativos em “avanços”.

Não poderia ficar fora do balanço de 2009 à contínua campanha eleitoral protagonizada por Lula e seus discursos, acompanhado da ministra Dilma Rousseff, candidata a sucessão de Lula para dar continuidade ao plano de poder que pretende transformar o Brasil numa república comunista, nos moldes de Cuba.

Este é um balanço incompleto, mas por certo representa os fatos que dominaram as manchetes dos jornais brasileiros.

No plano global a crise financeira dominou manchetes, pois transformou bilionários em milionários e fez muitos trilhões de dólares evaporarem em alguns dias das bolsas de valores nos principais centros financeiros globais.

Mas esta crise é na realidade um pequeno efeito colateral de uma ordem mundial falida, que mais do que nunca, precisa ser enterrada, revisada e recriada.

Na outra ponta desta crise existem fatos que aparentemente estão dissociados da mesma, mas na realidade têm uma relação umbilical.

A crise ambiental que vem se agravando em esfera global com consequências imprevisíveis, tem sido tratada de forma absolutamente irresponsável e mesmo criminosa pelos senhores da ONU e do mundo.

Estamos diante de um quadro com contornos cada vez mais sombrios. A população mundial que hoje beira 6,8 bilhões de indivíduos, está esgotando a capacidade do planeta. Segundo as previsões mais otimistas a estabilidade populacional só virá entre 2030 e 2050, quando seremos entre 8 bilhões e 9 bilhões de indivíduos a lutar pela sobrevivência num planeta exaurido de recursos essenciais para a nossa civilização.

A continuidade deste modelo sócio econômico superado e autofágico imposto por grupos de interesses minoritários, só tende a transformar o planeta num gigantesco desastre humanitário de consequências imprevisíveis e nunca antes vivido pelo homem.

Enquanto governantes irresponsáveis brincam com o destino da humanidade tratando acordos ambientais como se fossem metas secundárias ou modismo, o planeta caminha para um destino de difícil e doloroso retorno.

É estranho que o homem tenha se lançado ao espaço e já tenhamos descoberto que estamos sozinhos num raio tão longínquo quanto alcançam nossos telescópios ultra potentes, mas que nem assim valorizemos nosso espaço vital e pensemos no futuro de nossos filhos.

A humanidade se desenvolveu de forma extremamente desequilibrada com ciência e tecnologia avançando muito mais que a espiritualidade.

A tragédia quotidiana que vivemos em âmbito de nossa cidade, de nosso país e em esfera global são reflexos deste atraso espiritual, que enquanto não for superado, continuará nos acuando para um abismo. Em breve não teremos saída o que representará morte ou sofrimento, pelo menos para os mais pobres que representam a grande maioria da população global.

Todas as retrospectivas do ano deveriam nos levar a fazer análises sobre os rumos que desejamos e de que forma podemos ser proativos.

Esperamos que 2010 acelere o despertar da consciência coletiva e que possamos caminhar mais céleres e seguros para um ponto de equilíbrio que garanta um futuro digno às futuras gerações no planeta Terra.



OFCA

O Falastrão de Havana

Onde vai parar a temerária aventura de Fidel Castro Ruz, o comandante dos barbudos da revolução cubana, em seu embuste como chefe de estado autêntico e honrado? Com a crise dos mísseis, seus vizinhos mais próximos testemunharam a prova definitiva dos severos riscos a que estão submetidos em função da presença de Castro no poder. O jovem ditador da ilha caribenha foi salvo por um fio no acordo enredado entre John Kennedy e Nikita Kruschev. Mas quem é capaz de garantir que o primeiro-ministro não colocará tudo a perder na próxima oportunidade de fingir-se de líder mundial? Que Fidel Castro gosta de extrapolar os limites, todo mundo já sabe. A grande dúvida agora é adivinhar até que ponto o falastrão cubano chegará na condução de seus dois mais imprudentes empreendimentos – o desafio cada vez mais agressivo à superpotência capitalista e a sociedade explosiva com a superpotência comunista (encarregada, a partir de agora, de assegurar a sobrevivência dos barbudos). Mais do que nunca, graças a Castro, a Guerra Fria torna-se um confronto ideológico verdadeiramente global, em que os gigantes do Ocidente e do Oriente, não mais saciados com o domínio regional, levam a batalha para além de suas esferas de influência. O mais espantoso é que, há apenas três anos e meio, o pivô dessa transformação era acolhido como herói em solo americano, onde repetia sem parar: "Sou contra todos os tipos de ditadores. Sou contra o comunismo".

Naquela visita, ocorrida em abril de 1959 – apenas quatro meses depois do triunfo dos revolucionários de Sierra Maestra –, Fidel Castro era tratado como o rebelde populista e meio pândego que havia libertado Cuba da tirania de Fulgêncio Batista. O ditador canalha deposto pelos guerrilheiros fez da corrupção e da expansão da miséria suas grandes marcas. Ao fugir da ilha, não tinha mais o apoio dos americanos. Já diante de Fidel, a reação de Washington era de perplexidade. A improvável vitória de suas tropas, que dois anos antes se resumiam a um bando de esfarrapados marchando pelas montanhas cubanas, não era esperada. Com a deposição de Batista, os americanos também não contavam com a ascensão do comandante militar à chefia do governo. Quando desembarcou em Washington, a maior preocupação do governo era impedir que Castro fosse assassinado por algum simpatizante do antigo ditador. Mas era difícil segurar o cubano: para desespero dos agentes do Serviço Secreto, o visitante se esbaldava entre apertos de mão, abraços e elogios de seus fãs americanos. Depois de muita adulação nas recepções públicas e palestras, Fidel Castro passou sua última noite nos EUA no campus da Universidade Harvard, nos arredores de Boston, a convite do reitor McGeorge Bundy – ironicamente, hoje assessor de confiança de Kennedy. Num animado jantar, o cubano confidenciou ao anfitrião que fora rejeitado por Harvard vinte anos antes. Horas depois, ao apresentar Fidel aos 8.700 estudantes e professores reunidos para ouvir seu discurso, o reitor afirmou que a universidade tinha errado ao barrar sua inscrição. Ofereceu, então, uma matrícula ao palestrante.

Trio de ferro: Fidel, Raúl e Che Guevara

Paquera, namoro e noivado - Sabe-se agora que, naquela mesma semana, o irmão mais novo de Fidel, Raúl Castro, também participante da revolução, já ensaiava uma parceria futura com Moscou. As circunstâncias da aproximação ainda são cercadas de mistério, mas é seguro dizer que Raúl e o argentino Ernesto "Che" Guevara eram os responsáveis pela ideologia comunista na cúpula do movimento revolucionário cubano. A dupla entrou várias vezes em conflito com Fidel por causa da paquera com os soviéticos. O primeiro-ministro também desautorizou Raúl e Che publicamente em temas como a declaração pública da natureza comunista do novo regime (uma bandeira do irmão caçula) e da formação de uma milícia para defender o poder recém-conquistado na ilha (projeto mais sonhado pelo argentino). Desesperados com a vacilação de Fidel, ambos ameaçaram abrir dissidências ou simplesmente fazer as malas e partir. Perturbado com as promessas de oposição de seus dois mais próximos aliados, Castro sentia-se preso entre a dependência que tinha deles e o desejo inabalável de manter o poder em Cuba. Mas Fidel não era marxista, e sim o primeiro fidelista da história. Ele acredita ser a personificação da nação cubana e o herdeiro legítimo dos revolucionários Simón Bolívar e José Martí, seus grandes heróis. Sua obsessão era encontrar uma maneira de garantir o controle sobre os rumos da revolução e os destinos de seu povo. Quando percebeu que a melhor saída seria construir uma ditadura vermelha em pleno Mar do Caribe, comprou o plano de Raúl e Che. Depois de um namoro cada vez mais às claras, veio o noivado: num discurso radiofônico transmitido em dezembro do ano passado, Castro declarava ser um "marxista-leninista" e anunciava a adoção do comunismo à moda soviética em Cuba.


O aprendiz de caudilho, que já levara Dwight Eisenhower a romper relações com a ilha menos de um ano antes, logo seria alvo das primeiras sanções econômicas de Washington. Os castigos impostos pelos EUA alimentaram ainda mais sua inflamada retórica antiamericana. Mas a população, que no geral gostava de ver o comandante provocando os "ianques", começava a desconfiar da utilidade da contenda – afinal, faltava cada vez mais comida à mesa, e a atmosfera de intimidação e pavor era cada vez mais evidente. John Kennedy ainda ajudou a mobilizar as massas cubanas nas trincheiras abertas por Castro com seu patrocínio à vexaminosa invasão da Baía dos Porcos, em abril do ano passado. O cotidiano brutal da ilha, agravado neste mês com o temor de uma ofensiva maciça dos EUA, logo dissipou o clima de união nacional e dividiu de vez a sociedade cubana. Os partidários de Fidel Castro se oferecem para as linhas de frente, cheios do orgulho nacionalista instigado pelo duelo com o Golias americano. O resto da população, no entanto, vive uma situação calamitosa. Depois de padecer para exorcizar a camarilha de corruptos que perpetuava a pobreza nos antigos governos, o povo cubano continua na miséria – agora acompanhada da perseguição política e do caos institucional. A Havana de antes, vibrante, festeira e de beleza inebriante, já não existe mais. No terreno da capital moderna e alegre brotou o núcleo de uma tirania física e espiritual. O ritmo buliçoso e quente da cidade, ditado pelos sons de rumba, chachachá, salsa e merengue, foi trocado pela batida enfadonha dos coturnos nas patrulhas militares que vigiam os moradores e espalham o medo.

'Habana Libre' - Apesar da opressão que mantém muitas pessoas longe das ruas, Havana amarga um permanente estado de desordem. É a capital mundial das filas: é preciso esperar longas horas por vistos e passaportes, por reservas de passagens nas poucas companhias aéreas que ainda viajam à ilha, pelos escassos mantimentos dos cartões de racionamento. O trânsito é sempre infernal – não pelo vigor do comércio de automóveis, mas sim pelo giro de caminhões militares abarrotados de jovens recrutas e dos canhões e tanques estacionados no Malecón, a movimentada avenida da orla. Os grandes magazines estão com as prateleiras vazias, e os hotéis de luxo deixaram de receber os turistas estrangeiros. Estão lotados de soviéticos, checos, poloneses e chineses, que pagam diárias de albergue estudantil para ocupar as melhores suítes. Erguido no elegante bairro de Vedado, o Hilton Havana, cinco estrelas imponente que custou 35 milhões de dólares aos americanos, foi transformado no quartel-general de Castro depois da revolução. Roubado do grupo hoteleiro Hilton, agora se chama "Habana Libre".

Mas talvez o sintoma mais alarmante do ocaso de Havana seja a presença dos milhares de indigentes que ocupam suas praças e avenidas. Antes uma cidade cosmopolita, a capital agora é a meca dos camponeses pobres atraídos pelas promessas de fartura e conforto de Fidel. Alguns desembarcam na ilusão de matar a fome. Outros se recusam a voltar para suas terras antes que o governo concretize suas esperanças. Nos dias que antecederam a crise dos mísseis, Cuba lidava com outro problema. As agências de notícias internacionais informavam que o ano letivo começou com um mês de atraso nas escolas primárias. O motivo: assustados com a doutrinação comunista nas salas de aula, os pais deixaram os filhos em casa, e muitos professores abandonaram a profissão. Fidel, que já ameaça prender os pais dos estudantes ausentes, mandou trocar todos os livros didáticos – que tratavam de temas agora proibidos, como democracia e liberdade –, antes do retorno dos alunos das férias. Os novos volumes de História, Letras e até Ciências abordam todos os assuntos do ponto de vista marxista-leninista. Fidel Castro é incapaz de colher comida suficiente para alimentar seu povo, mas já planta as sementes de uma ditadura viçosa e longeva.

Veja.com

Brasileiros contam como escaparam da morte no Suriname

BELÉM - O garimpeiro Fernando Lima, atacado por um grupo de marrons - quilombolas surinameses descendentes de escravos africanos -, desembarcou à noite em Belém, de um avião da FAB, com as marcas da violência do conflito que explodiu em Albina (Suriname) na véspera de Natal: um golpe de facão na cabeça. "Pensei que ia morrer. Os caras estavam furiosos e batiam em todo mundo", contou Lima, bastante emocionado, abraçado a parentes e amigos.

Ele disse que embora ferido se atirou no rio para escapar da fúria dos homens que o agrediam. Foi socorrido por estranhos que o levaram para um hospital. Agora, não quer mais saber de voltar para o Suriname. "Não quero mais passar por aquilo. Foi horrível", desabafou. Outro paraense, o também garimpeiro Antonio José Oliveira, 24 anos, enfrentou um dos piores momentos de sua vida.

Ele e outros trinta brasileiros, como Reginaldo Serra, também paraense que estava no voo da FAB, escaparam de ser mortos por marrons durante os distúrbios. Todos fugiram e se embrenharam numa floresta da região, onde passaram a noite escondidos até que os ânimos se acalmassem e o Exército daquele país restabelecesse a ordem na cidade.

Oliveira contou que a fuga para a mata foi um "gesto desesperado". Sem comida e na escuridão, os brasileiros deixaram a floresta somente às 10 da manhã do dia seguinte, quando o Exército já havia dominado a situação. "Tinha gente batendo e jogando brasileiros na água. Caí no rio e ajudei o pessoal que não sabia nadar".

O paraense Maurice Dias Alves trabalhava em um mercado que foi invadido, saqueado e incendiado por cerca de 500 pessoas em Albina, no Suriname, na véspera do Natal. "Me tranquei no quarto, mas eles conseguiram arrombar a porta. Achei que seria assassinado a golpes de facões, paus e machados, mas escapei da morte porque dei tudo o que tinha", contou Alves, por telefone, ao Estado. Levado em um avião da FAB para Paramaribo, o sobrevivente relata que ficou só com a roupa do corpo e teve documentos queimados.

O que aconteceu em Albina?

Foi uma coisa horrível, uma carnificina. Os marrons (grupo que seria responsável pelo ataque) não são humanos. A brutalidade é impressionante.

O que eles fizeram?

Era uma multidão. Todos estavam armados. Era revólver, facão, punhal, terçado, pedaço de pau, até dinamite. Saíram invadindo as casas onde moram os brasileiros e batiam com muita violência. Estupravam as mulheres na frente de todo mundo e roubavam tudo o que encontravam pela frente. Uma coisa monstruosa. Nunca vou esquecer o que vivi na véspera do Natal. Um pesadelo.

Você viu algum brasileiro ser assassinado?

Não, não vi. Ouvi brasileiros, amigos meus de Belém, dizendo que uns 20 brasileiros tinham sido mortos e esquartejados. Não sei se foi isso. Não queriam deixar provas. Eu soube que tem muita gente desaparecida. Não sei se também foram mortos.

Quando começou o ataque, o que você fez?

Na hora em que eles apareceram nas ruas, armados, muita gente correu e se trancou dentro de casa. Eu fui para o meu quarto, na casa do chinês para quem trabalhava, mas os homens invadiram as casas, derrubando portas e janelas. O meu quarto foi arrombado por eles. Tive muito medo.

Na hora, o que pensou?

Eu pensei que iria apanhar até morrer. Os marrons estavam furiosos, queriam sangue. Para não morrer entreguei tudo o que tinha: dinheiro, roupas, documentos. O comércio todo do "China" (apelido do patrão) já tinha sido saqueado. Tive de sair, porque logo em seguida eles botaram fogo em tudo. Horrível, um crime terrível. Não consigo nem lembrar direito. Jogaram até dinamite em algumas lojas e explodiram tudo.

O que ocorreu com o seu patrão?

Não só ele, mas outros comerciantes chineses também apanharam muito. Os índios da região, confundidos frequentemente com brasileiros, também foram espancados. Com a graça de Deus eu estou aqui, vivo para contar a história. Deus olhou por mim e na hora da invasão eles não me bateram. Tive sorte. Se não desse dinheiro, talvez nem estivesse mais vivo.

A polícia do Suriname não apareceu no local para proteger os brasileiros e impor a ordem na cidade de Albina?

Quem apareceu foi o Exército. Se o Exército não aparece, teria morrido muita gente. Os brasileiros feridos e espancados foram levados para hospitais de Albina. Outros brasileiros e chineses foram levados para o quartel do Exército. Os agressores foram atrás e tentaram invadir o quartel. Os soldados tiveram de dar tiros para o alto e só assim eles desistiram da invasão.

Agora, o que pretende fazer? Quer continuar no Suriname?

O meu problema e o de muitos brasileiros atacados por esses monstros é que perdemos tudo. Fomos roubados e estamos até sem documentos. Vou recomeçar minha vida por aqui. No Pará não tem emprego. É melhor ficar no Suriname.


Estadão