sábado, 30 de janeiro de 2010

Chávez incita atrito entre estudantes


Um dia depois de o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ter instado às polícias regionais para que "assegurem a ordem pública e o direito de todos os venezuelanos de circular em paz", militantes chavistas impediram ontem estudantes da Universidade Católica Andrés Bello (Ucab) de deixar o câmpus para um protesto em Caracas. Na prática, dizem os opositores, o discurso de Chávez foi uma exortação pela repressão das manifestações da oposição que entraram ontem em seu quinto dia.

"Se seguirem com a confusão, viremos com as armas", gritavam os chavistas nas proximidades da estação de metrô de Antimano, caminho obrigatório dos estudantes, enquanto um caminhão de som os qualificava de "burgueses fascistas". Um pouco antes, o dirigente do movimento estudantil da Ucab, Nizar el Faki, tinha afirmado a um grupo de jornalistas que lideraria uma marcha até a Praça Brion, de Chacaíto, no leste de Caracas, de onde os estudantes partiriam para algum lugar não revelado e sentariam em uma via pública. Desse local, afirmou Faki, só sairiam após a chegada do ministro do Interior, Tarik al Aisami.

O piquete chavista, porém, impediu que os estudantes deixassem o local. Em seguida, vieram as ameaças de invadir a instalação. A reportagem do Estado constatou a presença, perto da praça em Chacaíto, de motociclistas da União Popular da Venezuela (UPV), o movimento ultrarradical liderado por Lina Ron - presa em agosto, depois de um ataque com bombas caseiras à sede da Globovisión, TV vinculada à oposição, e libertada dois meses depois.

Estudantes da Ucab disseram ao Estado que alguns de seus colegas chegaram a ser agredidos pelos chavistas e outros sofreram ferimentos leves em consequência de fogos de artifício lançados contra a universidade.

Os protestos, que tiveram início na segunda-feira, um dia depois de uma decisão administrativa do governo ter silenciado a emissora por cabo Rádio Caracas Televisão (RCTV), provocaram confrontos em algumas partes do país e causaram a morte de pelo menos duas pessoas em Mérida, no oeste da Venezuela.

Ontem, a emissora Globovisión informou a morte de um engenheiro de 32 anos em Táchira, perto da fronteira com a Colômbia, supostamente por um membro da Guarda Nacional. As circunstâncias do crime, porém, não ficaram suficientemente claras para que a morte fosse relacionada com os protestos políticos que polarizam o país.

Ao mesmo tempo, o governador de Lara, Henry Falcón, protestou contra a insinuação de Chávez de que interviria na polícia estadual, caso ela não reprimisse os protestos.

"Cremos no entendimento, no diálogo e no estado de direito", declarou. "Nós não vamos mudar a forma como temos atuado até agora", disse ele.

Ontem, o Colégio Nacional de Jornalistas da Venezuela pediu à Organização dos Estados Americanos (OEA) que envie uma comissão para averiguar as denúncias de crimes praticados pelo governo Chávez contra a liberdade de expressão.

Por outro lado, o grupo Jornalistas Pela Verdade foi à Embaixada do Canadá em Caracas protestar contra as críticas feitas pelos canadenses contra as políticas de Chávez.


Estadão

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