terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Honduras: O erro nos detalhes da exoneração de Zelaya


Afinal, o que está acontecendo em Honduras? Nada! Acho que se trata apenas de mais uma evidência de que o país não é uma ditadura. Como se sabe, o Ministério Público acusou seis chefes militares de abuso de autoridade e expatriação ilegal quando retiraram Manuel Zelaya do país. Jorge Alberto Rivera, presidente da Corte Suprema, acolheu a acusação feita pelo Ministério Público.

Como aqui se disse, sei lá, umas 500 vezes, a deposição do chapeludo foi legal e constitucional. Mas foi retirado do país sem amparo legal. Embora, de verdade, os militares tenham atendido a um apelo do maluquete, a decisão foi um erro grosseiro, e os dois lados se fecham num pacto de silêncio útil: Zelaya não conta que pediu para sair porque pegaria mal para a sua biografia de “resistente”; e os militares não contam que concordaram porque seria assinar um atestado de estupidez.

De todo modo, o que, de fato, está em curso é outra coisa. Pepe Lobo, o presidente eleito, assume no dia próximo dia 27. E já anunciou que pretende se empenhar em favor de uma anistia “para os dois lados”: tanto para Zelaya, que cometeu uma penca de crimes, como para aqueles que o “retiraram” do país. É bom lembrar que Congresso, Ministério Público e Corte Suprema endossaram a deposição do Chapeludo e a consideraram constitucional. Nesta terça, o Congresso começa a debater a anistia ampla, geral e irrestrita…

Assim, os petralhentos que estão me cobrando na linha “vamos ver o que você diz agora” deveriam ler o noticiário. A ação proposta contra os militares nada tem a ver com a deposição constitucional de Zelaya, mas com o que, de fato, houve de ilegal na ação — e sempre afirmei que retirá-lo do país, com ou sem o seu consentimento, foi uma tolice. Seria muito bom se os militares contassem o que de fato se deu, mesmo admitindo que foram feitos de bobos quando aceitaram levar Zelaya para a Costa Rica.

Os esquerdopatas podem voltar a ficar desanimados em relação a Honduras. A ação contra os militares proposta e aceita só reforça o atual status da política hondurenha. Aliás, o próprio Zelaya reconheceu isso. Afinal, o cara pode ser meio louco, mas não é inteiramente burro. Nesse caso, os burros ficaram no Brasil.


Reinaldo Azevedo

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