terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O capitalismo "predatório" da China


Paul Krugman, Prêmio Nobel da Economia em 2008, escreveu um contundente artigo no New York Times criticando o câmbio artificial do yuan, a moeda chinesa. Ele diz que é justo que os demais países criem barreiras comerciais para se defender do "mercantilismo predatório" da política econômica chinesa. Um trecho de seu argumento:

"Ao contrário do dólar, do euro, cujos valores flutuam livremente, a moeda da China é fixada em 6,8 yuans por dólar. Com essa taxa de câmbio, a indústria manufatureira chinesa tem uma grande vantagem de custo em relação a seus rivais, o que leva a enormes superávits.

Em circunstâncias normais, a entrada de dólares resultante desses superávits faria a moeda chinesa se valorizar, a menos que isso fosse compensado pelo movimento de investidores privados no sentido contrário. E os investidores privados estão tentando entrar na China, não sair. Porém, o governo da China restringe o ingresso de capitais, mesmo que compre dólares e os mantenha no Exterior, aumentando um estoque de reservas em moeda estrangeira que já supera US$ 2 trilhões.

Os chineses se recusam a admitir o problema. Muitos países estão adotando (modestas) medidas protecionistas, justamente porque a China se recusa a deixar sua moeda subir. E mais medidas desse tipo são totalmente apropriadas"

Krugman vai além: diz que os EUA não devem temer uma retaliação chinesa pois se os chineses começarem a vender seus dólares, o prejuízo seria maior para os chineses -- e uma queda no valor do dólar deixaria os EUA mais competitivos. Essa discussão só deve aumentar em 2010.

Para ler o artículo na íntegra, clique em http://www.nytimes.com/2010/01/01/opinion/01krugman.html?scp=1&sq=paul%20krugman%20chinese%20new%20year&st=cse

(a foto acima, da Xinhua, mostra um prédio de 13 andares que desabou quase inteirinho em Xangai no ano passado)


Folha Online

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