sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O MST criminaliza o MST


As novas revelações sobre o episódio de invasão da fazenda Cutrale pelo MST confirmam a perda de controle do governo sobre o movimento e a insustentabilidade do sistema de repasse de recursos sem prestação de contas, que vigora sob o lema de não se criminalizar movimentos sociais.

O princípio perde sua validade na medida em que é o próprio MST o agente de sua criminalização. Os vídeos liberados pela polícia mostram que a reforma agrária virou justificativa para ações predatórias premeditadas. A fala do líder do movimento que precedeu a invasão da Cutrale é clara: “vamos causar prejuízo a eles”.

“Eles”, não são mais apenas os proprietários de áreas improdutivas (cujo único prejuízo seria a perda da terra), mas o agronegócio, mola propulsora da economia brasileira. Reivindicam os líderes do MST a não criminalização do movimento, mas criminalizam o agronegócio e, ao arrepio da Lei, investem contra projetos produtivos, por serem lucrativos.

A invasão foi financiada pelo Incra, pois ficou provado que aquele grupo se beneficiara de recursos do órgão. Parte desses recursos com a prestação de contas rejeitada. O governo precisa agir para zerar esse jogo em que os invasores viraram massa de manobra de lideranças que agem em benefício pessoal.

Não é responsável imaginar um desfecho positivo para um quadro em que um segmento da população tem o direito de transgredir, sob um pretexto revolucionário, em ambiente democrático consolidado. Com a toleráncia – e, mais que isso, o estímulo -, do órgão gestor da reforma agrária.

O episódio é indefensável e, para ele, o Incra não tem resposta.


Estadão



MST deve evitar invasões próximas às eleições

Segundo coordenador do movimento, objetivo é poupar partidos aliados de críticas da oposição


SALVADOR - O Movimento dos Sem-Terra (MST) deve concentrar sua agenda de ocupações no primeiro semestre de 2010, diminuindo as atividades com a aproximação do calendário eleitoral. A estratégia, admite um coordenador do movimento, tem por objetivo não municiar a oposição com argumentos que possam prejudicar partidos ligados ao movimento.

O integrante da coordenação nacional do MST João Paulo Rodrigues avisa que, para a organização, o primeiro semestre será intenso, com muitas mobilizações e ocupações de terra. "Por ser um ano de eleições, tudo o que a gente faria no ano inteiro vai ter de fazer nos primeiros cinco ou seis meses", informa. "Além disso, é o último ano do governo Lula, que é um governo democrático, mas está deixando para trás um monte de promessas que não foram cumpridas."

Rodrigues, que participou, na manhã desta sexta-feira, 29, da mesa Reforma Agrária, Agricultura familiar e Soberania Alimentar, parte da programação do Fórum Mundial Social Temático Bahia, em Salvador, admite que a concentração dos eventos de mobilização no primeiro semestre vai ser feita para não prejudicar os partidos aliados ("PT, Psol, PSTU, etc", de acordo com ele) nas eleições. "Temos de ter o cuidado de separar as alianças partidárias em um momento como esse, focar nas alianças com movimentos sociais, demarcar bastante a nossa luta em torno da reforma agrária", avalia.

"Vamos também fazer uma campanha grande contra a criminalização dos movimentos sociais, porque nós achamos que vamos ser vítimas de um processo eleitoral e a forma de nos 'vitimizar' vai ser criminalizando nossa luta, como fizeram em Iaras (SP)", diz Rodrigues, referindo-se à operação da polícia civil que, esta semana, prendeu integrantes e pessoas ligadas ao MST por causa da invasão, em outubro, da Fazenda Cutrale, em Borebi (SP). Entre os presos está uma vereadora e um ex-prefeito de Iaras, ambos filiados ao PT.


Estadão

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