quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ONU revê estratégia e admite incapacidade de atendimento


GENEBRA - A ONU decide reduzir o número de equipes trabalhando no resgate de vítimas do terremoto dos escombros dos prédios no Haiti e admite que, uma semana depois do desastre natural, ainda não conseguiu estabelecer um sistema adequado de distribuição de ajuda.

O foco a partir de agora será o de se concentrar nos sobreviventes, espalhados pelas ruas e em acampamentos improvisados.

A decisão foi tomada, segundo O Estado de S. Paulo apurou, depois que entidades médicas e humanitárias alertaram que dificilmente uma pessoa poderia resistir por mais de uma semana, sem água e alimentação.

"As equipes estão exaustas e, à medida que o tempo passa, sabemos que a chance de achar alguém ainda vivo é cada vez menor", afirmou ao Estado de S. Paulo a porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Elizabeth Byrs.

A decisão já na terça-feira foi de reduzir as equipes de resgate de 52 para 48. Ontem, o número caiu para 36. "Precisamos cuidar dos que sobreviveram e parte dessas equipes estão sendo usadas agora para a distribuição de alimentos e de remédios", disse. No auge da operação, 1,8 mil homens trabalhavam no resgate das pessoas soterradas, com a ajuda de 175 cães.

Até ontem, 121 pessoas haviam sido resgatadas com vida pelos grupos dos prédios que desmoronaram. Na terça, um bebê de 22 dias foi resgatado com vida dos escombros. Mas novos casos de resgate são considerados a partir de agora como milagres.

A ONU admitiu ontem que, uma semana depois do terremoto, ainda não conseguiu estabelecer um sistema de distribuição de ajuda. "Ainda não existe um sistema formal de distribuição", afirmou o informe da entidade. Apesar da ajuda internacional, "as necessidades são maiores que a resposta".

A ONU também admitiu que não está conseguindo fazer os alimentos chegarem às pessoas mais necessitadas. No início da semana, a promessa era de atender 100 mil por dia. Ontem, foram apenas 60 mil. Para a entidade, o problema é a falta de policiais e militares para fazer a segurança da distribuição.

Os mal-entendidos na operação continuam a ocorrer. Uma zona industrial da capital usada para armazenar a ajuda foi obrigada a ser liberada. Isso porque o governo quer que a atividade industrial volte a funcionar. A esperança do governo ainda é a de que os bancos reabram nesta quarta.

Do lado médico, a maior preocupação é com as fraturas geradas pelo terremoto e a disseminação de doenças como o tétano, "que tem uma taxa de mortalidade de 70%".

O governo do Haiti começou a espalhar soda cáustica sobre corpos e prédios em que os mortos ainda não foram resgatados para evitar a disseminação de doenças. Já a entidade Médicos Sem Fronteiras informou que os hospitais carecem de todos os instrumentos básicos de atendimento e que o gesso para lidar com as fraturas acabou em várias partes da capital.



Estadão

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