segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

PAC: Chega o "2" depois de EmPACar o "1"


Dada uma certa visão, digamos, convencional dos números, o 2 vem na seqüência do 1. É uma leitura fria. Se a gente quiser uma leitura quente, mas ainda verdadeira, pode-se dizer que dois é o dobro de um. Se você entregar a questão para um desses marqueteiros de campanha eleitoral, ele não terá dúvida: 2 representa um crescimento de 100% em relação a 1… Já um cínico, movido por inarredável realismo pessimista, diria: “Mas o que é o 2? Depois que se saiu do zero, jamais teremos uma nova perspectiva que vá do nada ao infinito…” Vocês sabem como os pessimistas são tentados pela metafísica, né? Tá bom, leitor, deixo a crônica de lado. Vamos àquela gente e suas mistificações.

Alexandre Padilha, o ministro das Relações Institucionais — eu sempre achei esse nome o máximo; faz supor que o governo mantém relações não-institucionais; quem será que cuida delas? Algum empreiteiro? —, anunciou para a próxima quinta a primeira reunião ministerial do último ano de mandato de Lula. O presidente quer lançar o PAC 2!!!

Uau! O 2 vem depois do 1, é seu dobro, representa um crescimento de 100% etc. Era assim. Na aritmética politiqueira e palanqueira do petismo, o 2 vem para esconder os insucessos do 1. O primeiro PAC, se existisse, teria um alcance que se estende até 2011. Lula agora quer um que vá até 2016. Eu, sinceramente, estranho a sua modéstia. Por que não faz de vez um PAC com vistas a 2100? Assim, o Brasil, que nunca teve um presidente como ele no passado, seria informado desde já que não haverá outro igual no futuro.

É uma piada! Arremato com um trecho exemplar do editorial do Estadão publicado no dia 14:



“No ano passado — o de melhor desempenho na execução das obras —, o Tesouro desembolsou apenas 65% do valor previsto no Orçamento para o programa. Além disso, pouco mais de metade do total desembolsado correspondeu a restos a pagar. Mas o presidente Lula ainda não está saciado. Persistente, decidiu proporcionar à ministra Dilma Rousseff a oportunidade invejável de exibir sua inépcia no posto mais alto da administração nacional, a Presidência da República. Se Lula tiver sucesso, terá contribuído de forma notável para a revisão do Peter Principle, divulgado em 1969 pelo professor Lawrence Johnston Peter: “Numa hierarquia, todo funcionário tende a subir até seu nível de incompetência.” Na formulação revista, ampliada e já comprovada em parte, a ascensão pode continuar por níveis de incompetência cada vez mais altos e mais perigosos para a organização - ou, neste caso, para o País.”




Reinaldo Azevedo

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