quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Uma aberração chamada "Frei Betto"

Intelectual brasileiro Frei Betto (à esq.) recebe cumprimentos de Chávez (segundo à esq.), de Raul Castro (centro) e de Daniel Ortega (à dir.) neste domingo em Havana.


Frei Betto — aquele, vocês sabem — botou outro dia Santa Tereza De Ávila pra transar com Che Guevara… É, gente, transar mesmo, aquilo naquilo, aquele negócio de endurecer sem perder a ternura, vocês sabem do que falo. Imaginou que de tal intercurso divino-comunista-carnal, nasceria um libertador. Escrevi a respeito: depois do bebê de Rosemary, só o bebê de Frei Betto seria mais assustador.

Os jornais deram amplo espaço ao 100º aniversário de Maria Amélia Buarque de Holanda, mulher do historiador Sérgio Buarque e mãe do sambista Chico Buarque. Um evento realmente invulgar, convenhamos!

Fez-se uma grande e justa festa no apartamento de Chico. Lula estava lá etc e tal. O que me deixou chocado foi saber que Frei Betto, aquele que acabou com a virgindade de Santa Tereza, leu a sua versão do Pai-Nosso. Sim, ele tem o seu próprio Pai-Nosso. Esse grande comunista católico — como se isso fosse possível! — resolveu preencher algumas omissões cometidas por Jesus Cristo.

Ele achou que o filho de Deus não mandou bem, que correções se faziam necessárias. Leia a versão de Betto. A propósito: não o condenarei, leitor, se você o fizer agarrado a um crucifixo, mastigando um dente de alho, não sem, antes, persignar-se com água benta. Lá vai.

Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim,

Santificado seja o vosso nome gravado nos girassóis de imensos olhos de ouro, no enlaço do abraço e no sorriso cúmplice, nas partículas elementares e na candura da avó ao servir sopa,

Venha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia desolação,

Seja feita a vossa vontade nas sendas desgovernadas de nossos passos, nos rios profundos de nossas intuições, no vôo suave das garças e no beijo voraz dos amantes, na respiração ofegante dos aflitos e na fúria dos ventos subvertidos em furacões,

Assim na Terra como no céu, e também no âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros, no grito inaudível da mulher aguilhoada e no próximo encarado como dessemelhante, nos arsenais da hipocrisia e nos cárceres que congelam vidas.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e também o vinho inebriante da mística alucinada, a coragem de dizer não ao próprio ego, o domínio vagabundo do tempo, o cuidado dos deserdados e o destemor dos profetas,

Perdoai as nossas ofensas e dívidas, a altivez da razão e a acidez da língua, a cobiça desmesurada e a máscara a encobrir-nos a identidade, a indiferença ofensiva e a reverencial bajulação, a cegueira perante o horizonte despido de futuro e a inércia que nos impede fazê-lo melhor,

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e aos nossos devedores, aos que nos esgarçam o orgulho e imprimem inveja em nossa tristeza de não possuir o bem alheio, e a quem, alheio à nossa suposta importância, fecha-se à inconveniente intromissão,

E não nos deixeis cair em tentação frente ao porte suntuoso dos tigres de nossas cavernas interiores, às serpentes atentas às nossas indecisões, aos abutres predadores da ética,

Mas livrai-nos do mal, do desalento, da desesperança, do ego inflado e da vanglória insensata, da dessolidariedade e da flacidez do caráter, da noite desenluada de sonhos e da obesidade de convicções inconsúteis,

Amemos.


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Peço, por favor, que vocês tenham moderação nos comentários — ou por caridade cristã ou por, sei lá, dever que temos de ser compreensivos com os loucos. Mas o fato é que começo a entender aquela história de Frei Betto imaginar Santa Tereza no bem-bom com Che Guevara. Por alguns instantes, cheguei a imaginar, um tanto horrorizado, que ele se via no lugar do Porco Fedorento. Noto, agora, dada a sua linguagem, que ele se imagina mais perto de Santa Tereza (ou do que supõe que ela tenha sido). Por quê? Vejam se estes trechos extraídos de seu “Pai Nosso” se assmelham a linguagem religiosa:

- “amorosa orgia trinitária”;
- “Senhor avesso ao moralismo desvirtuado”;
- “beijo voraz dos amantes”;
- “âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros”;
- “vinho inebriante da mística alucinada”…

Isto mesmo: Frei Betto deve se imaginar uma espécie de reencarnação de Santa Tereza, com pequenas diferenças, claro. Afinal, ela não via homem que pudesse realizar os seus anseios místicos. Quando falava em ser penetrada por uma seta de fogo, pensava num anjo. Betto parece ter encontrado na terra os operadores do milagre de Deus: Che Guevara, os irmãos Castro e seus 100 mil homicídios. O Pai-Nosso de Frei Betto consegue ter êxtases com formigueiros, mas pisoteia 100 mil cadáveres.

Reitero: façam comentários caridosos. Betto merece a nossa piedade. Não deve ser fácil viver com essas coisas na cachola.


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Só para encerrar este capítulo — e, depois, preciso marcar uma hora com meu confessor, não sem antes passar numa igreja para sentir a alma mais limpa —, informo que Frei Betto criou a sua própria Ave-Maria. É a Maria latino-americana, tá?

Ave Maria latino-americana
Ave Maria,
grávida das aspirações de nossos pobres,
o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre os oprimidos,
benditos os frutos de libertação
do vosso ventre.

Santa Maria, mãe latino-americana,
rogai por nós
para que confiemos no Espírito de Deus,
agora que o nosso povo assume a luta por justiça
e na hora de realizá-la em liberdade,
para um tempo de paz.
Amém!

E aí? Maria latino-americana??? Posso imaginar a Maria de Frei Betto, “embarazada” de Che Guevara, dando à luz ao libertador das Américas. Na Ceia Macabra, ele diria: “Tomai e bebei todos vós, este é o sangue de milhares de inocentes assassinados”.

Falei em loucura? Não fiquem chocados. Só levei a sério a Oração do Pássaro, também de Frei Betto:

Oração do pássaro

Senhor, tornai-me louco, irremediavelmente louco
Como os poetas sem palavras para os seus poemas,
As mulheres possuídas pelo amor proibido,
Os suicidas repletos de coragem perante o medo de viver,
Os amantes que fazem do corpo a explosão da alma.

Dai-me, Senhor, o dom fascinante da loucura
Impregnado na face miserável do pobre de Assis,
Contido nos filmes dionisíacos de Fellini,
Resplandecente nas telas policrômicas de Van Gogh,
Presente na luta inglória de Lampião.

Quero a loucura explosiva, sem a amargura
Da razão ética das pessoas saciadas à noite pela TV,
Da satisfação dos funcionários fabricantes de relatórios,
Dos deveres dos padres vazios de amor,
Dos discursos políticos cegos ao futuro.

Fazei de mim, Senhor, um louco
Embriagado pelo vosso amor,
Marginalizado do rol dos homens sérios,
Para poder aprender a ciência do povo
Em núpcias com a Cruz que só a Fé entende
Como um louco a outro louco.

Voltei e encerro
Então… “mulheres possuídas pelo amor proibido”; “amantes que fazem do corpo a explosão da alma”… Pois é.

Como se nota, Deus atendeu àquele clamor do primeiro verso faz tempo!



Reinaldo Azevedo

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