quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Boca calada é o melhor para ele', diz Maílson da Nóbrega sobre Mantega


Maílson da Nóbrega ocupou há 20 anos a cadeira que hoje é de Guido Mantega em Brasília e conhece como poucos as dificuldades de quem está a frente do Ministério da Fazenda. Mesmo assim, não poupa críticas ao atual ministro. Em entrevista concedida ao Economia & Negócios (Veja abaixo), Maílson condenou a postura adotada por Mantega horas antes, em uma palestra para empresários em São Paulo.

“Boca calada é o melhor para ele. Mas parece que ele tem uma compulsão por ficar falando sobre estas questões de juros.” Maílson se referia aos comentários feitos por Mantega durante o evento, quando afirmou aos jornalistas que não há necessidade de aumento de juro neste momento. Segundo Maílson, Mantega corre o risco de ficar desmoralizado se a taxa Selic subir, o que, na avaliação dele, deve ocorrer no máximo até setembro.

Sobre o presidente Lula, Maílson da Nóbrega foi enfático. “Ele teve a sensibilidade de perceber a relação entre a estabilidade de preços e sua popularidade.” O ex-ministro, no entanto, fez ressalvas. “O governo Lula está deixando uma herança fiscal muito ruim para quem vem lá na frente. O próximo presidente terá que fazer uma reforma fiscal para restabelecer a capacidade de investimentos no setor público e colocar fim na expansão exagerada dos gastos correntes.”

Maílson da Nóbrega afirmou ainda que uma ala antiga do PT ia mudar o partido para pior, mas Lula não deixou. Segundo o ex-ministro, Lula foi conservador na área econômica, onde obteve sucesso, mas entregou à esquerda do partido a política externa e a reforma agrária. “Nestes casos, acumulou derrotas.”

Sobre eventuais mudanças na política econômica do Brasil após as eleições presidenciais, Maílson da Nóbrega mostrou-se tranqüilo. “Minha avaliação é de que a política econômica não será alterada, seja pelo Serra, seja pela Dilma.”

Veja abaixo a entrevista de vídeo dividida em três partes.










Estadão

Um comentário:

PoPa disse...

Infelizmente, não sou tão crente que Dilma manterá a política econômica, caso eleita. Acho que ela inaugurará uma fase nova do pt no governo, fazendo o que da Silva não teve coragem de fazer. Será um Hugo Cháves brasileiro, um atraso para nós todos.