terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um Bispo negacionista


O anti-semitismo na Igreja Católica Apostólica Romana é um preconceito que se arrasta há 2 mil anos, desde que os hebreus foram considerados deicidas.

Nos anos 50, eu estudava num colégio Salesiano, em uma discussão com um colega o chamei de filho da puta, mas o padre conselheiro, que era um polonês chamado Romeu, ouviu e admoestou-me vigorosamente, justifiquei-me explicando que o outro também xingara minha mãe. Aí o padre com muita simplicidade disse: “Quando for assim, xinga ele de judeu que é a mesma coisa”. Ou seja, uma manifestação inconteste de anti-semitismo em tempos bem próximos.

A tentativa sistemática da destruição da religião judaica e de seus praticantes, começou na Europa m 1231, no Concílio de Toulouse, sob a liderança d Gregório IX, papa de 1227 a 1241, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício, um tribunal eclesiástico com o objetivo de extirpar e “heresia judaica”. Em 1965, com o papa Paulo VI, passou a ser chamado de Congregação para a Doutrina da Fé, foi tão somente uma mudança de nome, os princípios continuam sem mudanças significativas por quase 8 Séculos.

Todavia, a tentativa de exterminar os hebreus mais cruel e recente foi a perpetrada pelo nazi-fascismo teuto/italiano durante Segunda Guerra Mundial (1939/45), quando nos campos de concentração foram eliminados 6 milhões de judeus.

Pessoas até de certa importância insistem em negar esse assassinato em massa, que é chamado Holocausto. Em vários países, incluindo Israel, França, Alemanha e Áustria, a “negação do Holocausto” é contra a lei, e os “negadores” têm sido punidos com pesadas multas e com sentenças de prisão.

O mais conhecido desses negacionistas é o facinoroso presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, que não perde uma ocasião para declarar sua negação.

Mas é de pasmar, ver junto a esse marginal da civilização, comungando essa absurda idéia, um prelado Católico Romano, trata-se do bispo britânico Richard Nelson Williamson (70). Ele, fazendo uso de seu site na Internet, conforme anunciou revista alemã “Der Spiegel”, afirma a seus correligionários da Fraternidade São Pio X que a Shoah (*) foi uma “gigantesca mentira“ e ainda vai além: “Os 1,3 milhões de judeus deportados para Treblinka, Majdanek, Belzec e Sobibor (campos de extermínio nn.), não terminaram nas câmeras de gás, os nazistas os transferiram para a região da União Soviética ocupada pelas tropas de Hitler.”

Uma pessoa que nega o Holocausto passa a fazer parte do próprio crime do Holocausto.

(*) Shoah, do hebraico, catástrofe.

(*) Fotomontagem P&P: Ahmadinejad e Williamson


Prosa e Política

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