quarta-feira, 3 de março de 2010

Chavez e o Terrorismo Mundial


O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, negou que seu governo apoie a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ou a organização separatista basca ETA, como havia denunciado um juiz espanhol na segunda-feira. Segundo Chávez, o juiz Eloy Velasco seria um "neocolonialista" e as acusações seriam parte de um "plano de Washington para desprestigiar seu governo e sabotar a unidade latino-americana".

"Nós não apoiamos as Farc nem a ETA, nem as guerrilhas nem o terrorismo", afirmou Chávez. "Disseram que há células do Hezbollah na Venezuela, quase que (Osama) Bin Laden está na Venezuela, também dizem que nós, com o Irã, estamos construindo uma bomba atômica. Isso é para rir. Espero que as pessoas inteligentes no mundo deem a essas informações o lugar devido."

O governo espanhol disse ontem que espera a cooperação da Venezuela para esclarecer se o governo Chávez apoiou a colaboração entre a ETA e as Farc, acrescentando que agirá de acordo com as explicações. O chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, conversou ontem por telefone com Chávez e seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, e evitou falar em sanções. Segundo Moratinos, ambos se comprometeram a esclarecer os fatos e rejeitaram as denúncias de Velasco, feitas como parte de um processo contra seis membros das Farc e sete da ETA.

A Colômbia também cobrou ontem explicações "satisfatórias" da Venezuela sobre sua suposta cooperação com a ETA e as Farc. Segundo o chanceler Jaime Bermúdez, seu país permanecerá atento às investigações da Audiência Nacional espanhola (tribunal superior), que fez as acusações contra a Venezuela.

Bermúdez disse, no entanto, que Bogotá continuará avançando rumo a um diálogo com a Venezuela para que as relações bilaterais voltem ao normal. Chávez congelou as relações com a Colômbia em agosto após o anúncio de um acordo de cessão de até sete bases colombianas aos EUA.

Bermúdez anunciou ontem que a Colômbia pretende falar com a Venezuela sobre segurança, narcotráfico e comércio em um eventual encontro de chanceleres dos dois países. A Colômbia pediu ontem a Caracas que aceite a proposta de aproximação feita pelo chamado grupo de amigos, liderado pelo presidente da República Dominicana, Leonel Fernández. O chanceler venezuelano mostrou-se disposto a melhorar as relações com Bogotá. O grupo de amigos foi criado na Cúpula de Países Latino-Americanos e Caribe (Calc) na semana passada em Cancún, após Chávez e o presidente colombiano, Álvaro Uribe, manterem uma dura discussão.




LAÇOS SUSPEITOS

Hezbollah - O jornal israelense Yedioth Ahronoth publicou em agosto uma reportagem afirmando que a Venezuela havia virado base do movimento xiita libanês Hezbollah. A publicação citava uma fonte do governo de Israel, não identificada, que dizia que o governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, havia estreitado relações com o Hezbollah com o objetivo de atacar alvos israelenses na América do Sul

Farc - Rodrigo Granda, considerado o chanceler da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi capturado por mercenários supostamente a soldo do serviço de inteligência colombiano em Caracas, em dezembro de 2004. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, já defendeu que Bogotá conceda aos guerrilheiros das Farc o "status de força beligerante" e já manteve ligações diretas e abertas com os comandantes do grupo ao tentar intermediar a libertação de sequestrados da guerrilha

ETA - Um juiz do Superior Tribunal da Espanha acusou na segunda-feira o presidente venezuelano, Hugo Chávez, de colaborar com membros da organização separatista basca ETA que, com membros das Farc, planejariam matar o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, na Espanha

IRA - Em 2002, três membros do IRA, o Exército Republicano Irlandês, foram presos em território colombiano. Na época, a suspeita era que eles teriam entrado no país pela Venezuela, com a cumplicidade do governo Chávez


Estadão

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