terça-feira, 23 de março de 2010

China bloqueia acesso ao Google de Hong Kong

O governo da China restringiu o acesso da população que vive na área continental do país ao serviço de buscas do Google hospedado em Hong Kong, informa o New York Times.

Trata-se de uma resposta à tentativa da empresa norte-americana de driblar a censura no país asiático. Ontem (segunda-feira, 22), o Google passou a redirecionar os acessos ao www.google.cn (que são filtrados, devido a um acordo com governo local) para o site www.google.com.hk, hospedado em Hong Kong e não censurado.

Agora, os habitantes da área continental da China não têm mais acesso ao site não censurado, como ocorreu ontem. Os computadores do governo “ou desabilitaram completamente as buscas para conteúdo objetável ou bloquearam os links para certos resultados”, relata o New York Times.

O leitor deste blog José Carlos Salvagni observou, em comentário registrado abaixo, que o Google, ”é um grande investidor em tecnologia junto às principais universidades da China”, junto com outras empresas norte-americanas como Microsoft e Intel, segundo relatou o New York Times há um mês. O Radar Econômico agradece a participação de Salvagni.

Leia a reportagem no site do New York Times (em inglês)



Estadão


Primeira página do WSJ: Google busca ‘frágil apoio’ em Hong Kong

A tentativa do Google de driblar a censura imposta pelo governo chinês é destacada nos principais jornais do mundo nesta terça-feira. Atualmente, existem cerca de 400 milhões de usuários de internet na China.

O fechamento do serviço de buscas www.google.cn não foi um recuo, mas um “arriscado e dramático ato de desafio” às autoridades chinesas, “que pode se transformar em um momento crucial na história dos negócios das empresas norte-americanas na China”, como afirmou o Wall Street Journal.

Esse desafio parece ter deixado o governo local “enfurecido”, abrindo a possibilidade não de resolver a questão, mas de uma “escalada” do conflito, como analisou o New York Times.

Ontem à tarde (no horário de Brasília), o Google anunciou, por meio de seu blog oficial, que todos os acessos ao site www.google.cn (que sempre filtrou os resultados de busca conforme acordo com o governo chinês) seriam redirecionados ao www.google.com.hk, o site hospedado em Hong Kong e que não sofre censura. Esse site está escrito em “chinês simplificado” e tem o objetivo de atingir a população da china continental – justamente aquela que o governo quer censurar.

Segundo o Google, a operação é “totalmente legal”. Mas obviamente ela dribla a intenção das autoridades chinesas de filtrar os resultados de buscas. Para o Financial Times, o Google está correndo o risco de ser “esperto demais” na China. O próprio presidente de Tecnologia do Google, Sergey Brin, disse ao New York Times, a respeito de sua tentativa de se esquivar da censura: “Não podemos ficar completamente confiantes”.

A reportagem do Financial Times traz uma análise pouco otimista em relação ao Google na China. “Redirecionar o tráfego para Hong Kong é só um pequeno truque; superficialmente, o Google chutou a bola na corte chinesa, mas na verdade ele moveu-se em direção a um canto morto”, afirmou ao FT Fang Xingdong, um defensor da livre expressão e considerado um dos pioneiros em blog na China.

A agência de notícias Xinhua, do governo da China, disse que ”o Google violou sua promessa escrita que fez quando entrou no mercado chinês [em 2006], ao parar de filtrar os resultados de buscas”. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Qin Gang, afirmou, por meio de outro texto da Xinhua, que o caso será tratado “de acordo com a lei”. Ele o considera um “ato isolado de uma empresa comercial”, e que não deve afetar os laços entre os EUA e a China, “a menos que a questão seja politizada” por outros.

“O que a China quer previnir na internet é o fluxo de informações que podem colocar em risco a segurança nacional, e os interesses da sociedade e do público”, afirmou Qin.



Estadão

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Os chapa-branca chineses estão ficando lerdos. Foram mais lentos do que eu imaginava que fossem.