sexta-feira, 12 de março de 2010

Ditadores assassinos e o Repúdio do Senado Brasileiro


HAVANA - O dissidente cubano Guillhermo Fariñas recuperou a consciência, mas permanece sob cuidados intensivos após sofrer na quinta-feira, 11, um ataque de hipoglicemia. O prisioneiro político faz greve de fome há 16 dias para pedir a libertação de 26 outros presos em Cuba e para protestar contra a morte de seu companheiro Orlando Zapata.

O psicólogo e jornalista de 48 anos foi hospitalizado na tarde da quinta-feira quando sofreu seu segundo desmaio desde que iniciou o jejum. Uma semana antes, Fariñas já havia sido levado para o hospital inconsciente e desidratado, segundo informou o jornal espanhol El País.

O dissidente passará a noite em terapia intensiva. Ele "se encontra estável, consciente e orientado, mas está sonolento e muito debilitado", segundo sua mãe, a enfermeira Alicia Hernández, que assegurou que Fariñas recebe "por via intravenosa todos os medicamentos necessários para se recuperar". "Estamos à espera de que nos entreguem os resultados dos relatórios clínicos e de laboratório que foram feitos antes de sua entrada no hospital", completou a mãe.

Pouco antes do desmaio, três médicos do sistema de saúde pública cubano o visitaram em casa e pediram seu consentimento para transportá-lo para um centro de saúde para realizar exames, dado seu deteriorado estado de saúde.

Fariñas agradeceu "o profissionalismo e a humanidade" com que os médicos o trataram, mas insistiu que deveriam tomar as amostras em sua casa de Santa Clara, 280 quilômetros a leste de Havana. O dissidente então reiterou que não abandonaria a greve e nem aceitaria ser hospitalizado enquanto estiver consciente.

Estadão


Senado brasileiro aprova moção em favor de presos cubanos

Resolução segue polêmica gerada por declarações de Lula a respeito da greve de fome de dissidentes


BRASÍLIA - A Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro aprovou nesta quinta-feira, 11, um "voto de solidariedade" aos presos de consciência cubanos, em meio a críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou prisioneiros políticos a bandidos comuns.

A moção em favor dos presos políticos foi apresentada pelo senador Artur Virgílio, do PSDB, que qualificou de "deploráveis" as opiniões manifestadas por Lula.

As declarações polêmicas foram feitas pelo chefe de Estado em uma entrevista à Associated Press, na qual o líder pediu "respeito" à justiça e governo cubanos e afirmou que "greve de fome não pode ser um pretexto dos direitos humanos para libertar as pessoas".

"Imaginem se todos os bandidos presos em São Paulo fizerem um jejum para pedirem sua libertação", acrescentou Lula.

Essas declarações causaram numerosas críticas ao presidente, até de dissidentes cubanos, que ainda assim voltaram a pedir que ele interceda ante o presidente de Cuba, Raúl Castro, em favor dos presos políticos na ilha.

Uma moção semelhante a aprovada nesta quinta no Senado foi vetada na quarta pela maioria governista na Câmara de Deputados.

O autor da proposta, o deputado Raul Jungmann, do PPS, decidiu então entregar a Presidência uma cópia de uma carta em que os opositores cubanos pediam ajuda de Lula, em vésperas de uma visita que o líder brasileiro fez a Havana em fevereiro.

Na ocasião,Lula afirmou que não havia recebido nenhuma carta de dissidentes pedindo que advogasse pelo preso político Orlando Zapata, que morreu após uma longa greve de fome um dia antes da chegada do presidente a ilha.

O porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, confirmou nesta quinta que a carta entregada por Jungmann foi recebida, mas disse que Lula ainda não a leu.

Baumbach também disse que o Brasil é regido "pela não ingerência em assuntos internos em outros países" e afirmou que "será esse mesmo princípio que guiará a reação do presidente Lula, também neste caso".

Estadão

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