domingo, 14 de março de 2010

Lula desfaz imagem externa


JOÃO BOSCO RABELLO - O Estado de S.Paulo

Nos bastidores do governo e nos círculos diplomáticos em Brasília a avaliação corrente é que os últimos movimentos e manifestações do presidente Lula no plano externo representaram um tiro no pé na sua pretensão de consolidar-se como uma liderança internacional. "Comprometeu seus sonhos", foi a síntese de um representante diplomático europeu.

A ação direta e pessoal de Lula no episódio de Honduras e na defesa do programa nuclear do Irã, a condenação post-mortem do preso político cubano Orlando Zapata, as sucessivas manifestações gratuitas de hostilidade aos Estados Unidos e a insistente qualificação da Venezuela como uma democracia plena formam um conjunto desabonador aos olhos dos parceiros tradicionais do Brasil.

A percepção é que o movimento em direção a uma ruptura gradual com a tradição diplomática brasileira relativiza perigosamente o conceito de não intromissão em assuntos internos de outras nações, para submetê-lo a uma seletividade ideológica.

Para não criticar o ditador Fidel Castro, o bordão da não intromissão é levantado e pede-se respeito à soberania cubana. Para Honduras, não vale o mesmo e o Brasil vira agente externo ativo em favor de um dos lados de um conflito político interno de outro país.

Na síntese de graduado diplomata estrangeiro, os atores globais entram em compasso de espera com relação à política externa brasileira na expectativa de que o futuro governo a reavalie. De qualquer forma, houve uma reversão de expectativas desfavorável ao País.

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