segunda-feira, 5 de abril de 2010

As pesquisas Eleitorais




A Vox Populi realizou duas pesquisas para presidência da República. Uma em janeiro, outra em março. As duas pesquisas deveriam ter sido probabilísticas pois, obviamente, em uma pesquisa eleitoral, 100 milhões de eleitores deveriam ter a mesmíssima chance de serem ouvidos. Para isso, são utilizadas técnicas estatísticas baseadas na teoria das probabilidades. Não foi o que ocorreu. Conforme documentos depositados no TSE, o instituto repetiu a amostra de janeiro em março, com ínfimas mudanças. Assim, na pesquisa divulgada no último sábado, somente os eleitores localizados em determinadas cidades, que passassem ou morassem em determinados locais, ruas ou becos, poderiam ser entrevistadas. As mesmas pessoas e os mesmos locais já pesquisados em janeiro! Portanto, a amostra de março deixou de ser probabilística e aleatória conforme exige a metodologia científica, para ser apenas uma repetição de uma amostra já utilizada em pesquisa anterior. O universo deixou de ser 100 milhões de eleitores para ser apenas aqueles pré-definidos para outra pesquisa. Veja os danos que poderiam advir de fato tão grave. Se, por exemplo, o PT soubesse que a amostra seria repetida, poderia postar militantes naqueles locais, para responder o questionário. O PT poderia enviar militantes para, alguns dias antes, fazerem propaganda da candidata Dilma Rousseff naqueles locais. O PT poderia,finalmente, fazer um evento e oferecer um determinado valor para respostas favoráveis à sua candidata. O PT ou qualquer outro partido. No vídeo acima, em rápidas pinceladas, um profissional de pesquisa explica como deve ser montado um levantamento sério que expresse o universo pesquisado. Em nosso caso, um universo de 100 milhões de eleitores. Não foi o que ocorreu na pesquisa de março da Vox Populi. A lei das probabilidades é muita clara desde o século XIV. Já a lei brasileira, ninguém sabe se ainda tem algum valor frente a tamanho descalabro.



Coturno Noturno

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