segunda-feira, 5 de abril de 2010

Líder radical branco é morto a pauladas e reacende tensão racial na África do Sul


A dez semanas da Copa do Mundo, o assassinato do líder de um partido pró-supremacia branca ameaçava ontem dar início a uma onda de conflitos raciais na África do Sul. Eugene Terreblanche, de 69 anos, defensor do regime de apartheid, foi morto a pauladas em sua fazenda, perto da cidade de Ventersdorp, a 110 quilômetros de Johannesburgo.

Seus simpatizantes, enfurecidos, interpretaram a morte como uma "declaração de guerra dos negros contra os brancos" e recomendaram que os governos estrangeiros não enviem equipes para a Copa (mais informações nesta página).

Preocupado, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, pediu responsabilidade e calma aos dirigentes políticos do país. "O presidente apela por calma e pede aos sul-africanos que não permitam que agentes provocadores se aproveitem da situação para incitar ou alimentar o ódio racial", diz um comunicado do gabinete de Zuma. "O assassinato de Terreblanche precisa ser condenado, independentemente de como quem o matou acha que pode ser justificado. Eles não tinham o direito de tirar-lhe a vida."

Terreblanche ajudou a fundar o Movimento de Resistência Africânder (AWB), que ficou conhecido nos anos 80 e 90, quando usava um emblema parecido com o símbolo nazista. Seus membros faziam campanha contra o fim do apartheid, promoviam atentados e chegaram a ameaçar iniciar uma guerra civil no período que antecedeu a primeira eleição democrática do país, em 1994.

Terreblanche foi preso em 2001 por tentar assassinar um segurança negro e libertado em 2004. Há dois anos, esforçava-se para recuperar seu movimento, que reivindicava o estabelecimento de um território para os brancos separado do dos negros.

No dia 1.º de maio o AWB fará uma assembleia para decidir como "vingar" o assassinato de seu líder. "Decidiremos ações para vingar sua morte", disse o secretário-geral do grupo, André Visagie. "Foi uma declaração de guerra dos negros contra os brancos."

Segundo a porta-voz da polícia sul-africana, Adele Myburgh, o ultradireitista foi morto por dois funcionários de sua fazenda, um de 15 e um de 21 anos, que já estão presos. Ambos seriam negros, embora oficialmente as autoridades não tenham divulgado esse dado, e alegaram ter matado Terreblanche após uma discussão por problemas salariais.

O irmão do líder do AWB, Andries Terreblanche, porém, nega que o motivo do crime seja esse e promete revelar "a verdade" em seu depoimento, amanhã. O corpo foi encontrado na cama da vítima, com ferimentos na face e na cabeça.


Estadão

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