sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lugo quer 5 regiões do Paraguai em estado de exceção para caçar guerrilha


O Estado de S.Paulo

O Senado paraguaio aprovou ontem, a pedido do presidente, Fernando Lugo, a lei que institui estado de exceção por 60 dias em 5 dos 7 departamentos (regiões) do país. O objetivo é permitir que as forças de segurança paraguaias capturem integrantes do grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio (EPP), dedicado desde 2008 ao sequestro para fins de extorsão.

A medida, que ainda deve ser aprovada pela Câmara dos Deputados, permite ao governo ordenar prisões e proíbe reuniões públicas e protestos nas províncias agrícolas de San Pedro, Concepción, Amambay, Alto Paraguai e Presidente Hayes, nas fronteiras com o Brasil e a Bolívia.

A última vez que um presidente paraguaio adotou medidas similares foi em 2002 - na época o problema era os violentos protestos contra o presidente Luis González Macchi. A declaração de estado de exceção era comum durante os 35 anos da ditadura do general Alfredo Stroessner, que terminou em 1989.

O EPP tem cerca de 100 integrantes e é acusado de produção e tráfico de drogas e vínculos com a organização guerrilheira Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Seu objetivo declarado é implementar o marxismo no Paraguai. Nos últimos anos, o grupo esteve envolvido em crimes que causaram grande comoção no Paraguai.

Entre eles está o sequestro de Maria Edith de Debernardi, mulher de um dos empresários mais ricos do Paraguai - libertada em fevereiro de 2002 após 64 dias de cativeiro, em troca de um resgate de U$ 300 mil. E o sequestro do fazendeiro Fidel Zavala, que terminou em janeiro depois de 94 dias (o resgate foi de US$ 550 mil). O governo paraguaio também responsabiliza o grupo pelo sequestro e assassinato, em 2005, de Cecilia Cubas, filha do ex-presidente Raúl Cubas (1998-1999).

Pelo menos três integrantes do EPP estão no Brasil na condição de "refugiados políticos" desde 2004 e o Paraguai vem pressionando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que os extradite. São eles Anuncio Martí Mendez, Juan Arrom e Victor Colmán, que estariam envolvidos no sequestro de Maria Edith. O grupo diz que sofre perseguição política e foi torturado pela polícia paraguaia.

O que motivou as medidas de exceção, agora, foi uma ação da guerrilha que deixou quatro mortos. Na quarta-feira, membros do EPP tentaram roubar uma fazenda em Concepción, a 400 quilômetros de Assunção. Policiais que faziam a guarda do local reagiram. Na troca de tiros, um policial e mais três peões morreram.

Críticas. Nos últimos meses, Lugo, que venceu as eleições concorrendo por uma coalizão de esquerda, vinha sendo criticado por não adotar medidas rígidas contra o EPP. "É possível garantir, com a declaração do estado de exceção, que as forças militares terão ampla liberdade para atuar para que a paz volte e esses delinquentes do EPP sejam capturados e postos à disposição da Justiça", afirmou Lugo, à tarde, depois de uma reunião com o senador opositor Miguel Carrizosa, presidente do Congresso.

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