quinta-feira, 15 de abril de 2010

LULA: O massacre dos aposentados


O Estado de S.Paulo

A rebelião da base aliada no caso do reajuste dos aposentados é mais um capítulo da série de derrotas que o governo vem sofrendo no Congresso, apesar de ter uma base de apoio amplamente majoritária. Na discussão do marco regulatório do pré-sal, o governo não conseguiu evitar que a Câmara alterasse a destinação de parte dos recursos que serão gerados pela exploração das novas jazidas. Pior ainda foi ver o Congresso envolvido numa guerra entre Estados pela divisão dos royalties, desprezando acordo entre o governo federal e os Estados produtores. De um modo ou de outro, a proximidade das eleições incentivou esses movimentos de rebeldia, mas no caso dos aposentados o componente eleitoral é mais evidente.

Num ano em que vão disputar o voto dos eleitores, senadores e deputados não querem correr o risco de serem tachados de inimigos dos aposentados. É essa a brecha que sindicalistas e representantes dos aposentados têm aproveitado para pressionar por um reajuste maior para os benefícios. Nas contas da equipe econômica, aumentar o reajuste das aposentadorias dos 6,14% previstos na MP baixada pelo governo no início do ano para os 7,71% acertados ontem pelos parlamentares vai acarretar uma despesa adicional de quase R$ 2 bilhões para o Tesouro (que precisa cobrir os crescentes déficits do INSS). É um complicador para quem se comprometeu com um superávit equivalente a 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nas contas públicas neste ano.

É por isso que os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, têm afirmado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve vetar qualquer aumento superior aos 6,14% previstos na MP. Lula, na verdade, já concordou com 7%, tanto que autorizou o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), a incluir esse porcentual no relatório da MP, que deve ser votado no fim deste mês. Mas os ministros precisam pelo menos mostrar que estão jogando duro, pois sabem que, do contrário, podem sofrer um revés ainda maior.

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