segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ministro da Defesa de Israel defende criação do Estado palestino


JERUSALÉM - Israel deve reconhecer que o mundo não vai tolerar mais décadas de domínio do país sobre o povo palestino, afirmou hoje o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, em uma declaração inusitada sobre o delicado tema. Ele fez a análise quando tratava do dia que homenageia as vítimas israelenses em guerras e conflitos. Atualmente, os governos de Estados Unidos e Israel mantêm um quadro de divergências, por causa da paralisação do processo de paz.

Em entrevista à Rádio Israel, Barak disse que o governo do premiê Benjamin Netanyahu "fez coisas que não deveriam ter sido feitas", como a adoção da visão de dois estados para dois povos diferentes. "Mas não devemos nos iludir. A crescente alienação entre nós e os EUA não é boa para Israel", disse o ministro.

Para Barak, a maneira para solucionar esse problema é fazer Israel embarcar em uma iniciativa diplomática "que permita tratar de todos os assuntos centrais" dividindo palestinos e israelenses. Entre esses assuntos, estariam principalmente, segundo o ministro, o status de Jerusalém, as fronteiras e a solução para os palestinos refugiados da guerra de independência de Israel em 1948.

Barak desconversou sobre uma possível imposição de uma solução americana para esses problemas. Ele, porém, advertiu que enquanto Israel tiver um forte poder militar, precisará de legitimidade internacional. "O mundo não vai passar a aceitar que Israel governe outro povo por mais décadas. Isso não mudará em 2010. É algo que não existe mais em nenhum lugar do mundo", disse.

O ministro da Defesa israelense defendeu abertamente a criação de um Estado palestino. "Os palestinos desejam um Estado próprio, e não há outra maneira, quer você goste ou não, a não se deixá-los ter seu governo", disse Barak.

O presidente dos EUA, Barack Obama, apresentou na semana passada uma avaliação surpreendentemente pessimista sobre as perspectivas do processo de paz e afirmou que os EUA não podem impor a vontade a israelenses e palestinos, se eles não têm interesse em assumir os compromissos necessários para encerrar seu conflito de várias décadas.

Os americanos tentam mediar a retomada das negociações de paz entre os lados, paralisadas desde o começo de 2009, quando Israel deu início a uma ofensiva em Gaza que deixou milhares de civis palestinos mortos.



Estadão

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