quarta-feira, 14 de abril de 2010

‘Não devemos tolerar violência’, diz Mendes sobre ‘Abril Vermelho’


A onda de ocupações desencadeada pela jornada nacional de lutas pela reforma agrária, conhecida como "Abril Vermelho", levou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, a criticar a violência e reiterar o direito à propriedade nesta quarta-feira (14).

“Nós temos que chegar a um outro padrão civilizatório. Protestar, sim. Direito de manifestação, sim. Direito de reunião, sim. Mas sem violência”, afirmou Mendes, que participa da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para debater a modernização do poder Judiciário brasileiro.

O presidente do STF, que entrega o cargo ao colega e sucessor, ministro Cezar Peluso, no próximo dia 23 de abril, evitou dirigir críticas diretas ao MST dizendo que não falava “sobre movimento específico”: “Mas estou dizendo que nós não devemos tolerar violência. O direito de propriedade deve ser respeitado.”

Somente em São Paulo, o MST já cumpriu uma agenda de ocupações de pelo menos cinco prédios públicos na capital e três fazendas no interior paulista. Em Pernambuco, já são 16 o número de propriedades ocupadas em três dias de movimento.

Crítica
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que também é presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), fez duas críticas ao MST e pediu ajuda de Mendes para a criação de um “plano nacional de combate à invasão de terra”.

A senadora comparou as ocupações do MST às atividades do crime organizado como tráfico de drogas e tráfico de animais. “Nós estamos há 13 anos a mercê do crime anunciado. Eu nunca vi um traficante anunciar que vai fazer um abril vermelho do tráfico de drogas. Eu nunca vi um traficante de animais anunciar que vai fazer um mês de tráfico no país. O crime organizado anda na escuridão. Mas, no campo brasileiro, estamos vendo o crime organizado ser implementado, aumentado e fortalecido sob as vestes do movimento social”, criticou Kátia Abreu. “Gostaria que o senhor (Mendes) pudesse colaborar com o Brasil para criar um plano nacional de combate à invasão de terra.”



G1

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